quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O VERDADEIRO SENTIDO DO NATAL

Ao entrar no Shopping ficamos deslumbrados com os efeitos produzidos pelas luzes, que apontavam diretamente para um imenso pinheiro enfeitado com caixas embrulhadas em papéis multicoloridos... Ao lado da árvore estava uma manjedoura com um boneco de uma criança, ao seu lado um casal... Um pouco mais distante, estavam alguns bonecos de homens trajados rudemente... Do outro lado do pinheiro havia uma casa toda coberta de pequenas lâmpadas, ao seu lado um trenó puxado por renas, e dentro da casa um homem vestido de vermelho, com longas barbas brancas... um gorro vermelho na cabeça... um saco vermelho nas costas. O quadro, ainda que confuso, trouxe-me à consciência o fato de que estamos às vésperas do Natal...



Sinceramente percebemos que cada ano que se passa as representações se tornam mais confusas, a ponto de o significado do Natal estar cada vez mais sendo esquecido em detrimento dos novos personagens que compõem esta nova história’: Papai Noel, Mamãe Noel, luzes, enfeites, presentes, comércio, banquetes... Então demos conta que no nascimento de Jesus, o Cristo, as circunstâncias também não eram diferentes... O fato que mudou a história da humanidade aconteceu na periferia de uma pequena vila, e os personagens mais próximos eram pastores de ovelhas, e alguns misteriosos reis do oriente... Nada de opulência! Nada de luzes! Nada de enfeites! Havia presentes, sim! O mais importante dos presentes! Aliás, o único que O Aniversariante continua esperando dos seres humanos: o LOUVOR!

O nascimento de Jesus Cristo é anunciado aos pastores em meio à música entoada por um coro angelical ( Evangelho de Lucas 2.10-14). Particularmente, cremos que os anjos cantam para ensinar aos pastores que Jesus, o Cristo, é o Deus que merece toda Honra e todo Louvor. Os pastores aprenderam bem a lição... Não somente os pastores louvam a Jesus, como também os três reis-magos do oriente, que o fazem presenteando-O com ouro, incenso e mirra (Mateus 2.11), respectivamente símbolos da Realeza de Jesus (Apocalipse 17.14), do Sacerdócio de Jesus (Lucas 1.9; Hebreus 10.10-13), e da Sua morte propiciatória (João 19.39).

Então descobrimos o verdadeiro sentido do natal: Jesus nasceu! Seu nascimento é motivo de louvor, porque Ele é o Sacerdote que representa e intercede por todos os seres humanos da face da terra, em todas as eras, em todos os lugares, em todo o tempo, oferecendo-lhes gratuitamente o perdão dos pecados e a vida eterna. Jesus merece todo louvor, porque é Rei. Não um rei cujo trono se estende no mundo pelo poder da espada e da opressão! Não! Jesus é o Rei, cujo Reino está dentro dos corações dos que confessam Sua majestade e dão crédito às Suas palavras de Vida, Poder, Graça e Amor (Mateus 17.21). Contudo, Jesus também recebeu de presente a mirra... perfume utilizado nos rituais pós-morte... No nascimento de Jesus, prenuncia-se a Sua morte! O Sacerdote é ao mesmo tempo o próprio sacrifico; e no Seu sacrifício, o Rei estende Seu Reino Eterno sobre todas as culturas, línguas e nações...(Apocalipse 5.9).

É Natal! É tempo de Louvor ao Único que merece toda a honra, toda a glória e toda a adoração!

Em Cristo!

Rev. Ézio Martins de Lima

Igreja Presbiteriana Independente Central de Brasília



domingo, 21 de novembro de 2010

A LIPOASPIRAÇÃO DO EGO

A denúncia da psicóloga brasileira Anna Verônica Mautner, autora de “Cotidiano nas Entrelinhas”, dá em que pensar: “Abandonamos a era do pecado e nos instalamos na era do insalubre. Hoje o que orienta o nosso bem-estar são os ditames da medicina. Se ela diz que faz mal, então não pode. A saúde vence a ética, apoiando-se na estética.” Precisamos admitir e confessar que a nossa preocupação hoje não é com o pecado, mas com o açúcar refinado, óleos saturados, agrotóxicos, cigarro, vida sedentária e assim vai. Temos dado muito mais valor à estética do que à ética. Daí as 185 mil cirurgias plásticas feitas no país no ano passado (dois quartos delas foram lipoaspirações). Daí a enorme quantidade de tempo que gastamos nas academias de ginástica. O que vale não é o interior, mas o exterior: as medidas das coxas, da cintura e do busto, o tamanho do nariz, a cor dos olhos, o bronzeamento da pele. Trocamos o caráter pela forma, a religião pela medicina, a eternidade pelo curto período de tempo espremido entre o nascimento e a morte. Na corrida frenética atrás da beleza simplesmente física, fazemos de tudo. É até possível recorrer aos meios de graça para conseguir o que mais almejamos. É o caso daquela personagem do romance “O Olho Mais Azul”, da escritora americana Toni Morrison, Nobel de Literatura, que acreditava piamente na oração e suplicava todos os dias a Deus que fizesse o milagre de trocar os seus olhos por um belo par de olhos azuis. De fato, Pecola Breeldove, uma menina de 11 anos, não nascera bonita nem tinha orgulho de sua etnia, e queria por que queria os tais olhos azuis. O propósito da escritora é mostrar que “a beleza não é, e nem pode ser, encarada como virtude”. As denúncias de Anna Verônica e de Toni Morrison precisam ser reforçadas por outra denúncia, proferida há quase dois milênios por Jesus Cristo: “Vocês limpam o exterior do copo e do prato, mas por dentro eles estão cheios de ganância e cobiça. [...] Limpe primeiro o interior do copo e do prato, para que o exterior também fique limpo. Vocês são como sepulcros caiados: bonitos por fora, mas por dentro estão cheios de ossos e de todo tipo de imundície. Assim são vocês: por fora parecem justos ao povo, mas por dentro estão cheios de hipocrisia e maldade” (Mt 23.25-28, NVI). O que Jesus quer dizer é que a verdade é mais importante que a mentira, a realidade é mais importante que a aparência, a sinceridade é mais importante que a hipocrisia, a beleza interior é mais importante que a beleza exterior, o caráter é mais importante que a forma, a ética é mais importante que a estética, a disciplina moral é mais importante que a disciplina alimentar, o exercício devocional é mais importante que o exercício físico, a lipoaspiração do ego é muito mais importante que a lipoaspiração da gordura subcutânea. Se a ética não voltar a ser mais importante que a estética, cada vez seremos mais
bonitos por fora e mais selvagens por dentro, invertendo a ordem certa e perdendo a chance da verdadeira felicidade.

Roberto de Albuquerque Cezar www.reflexoes.diarias.nom.br
http://www.ultimato.com.br/revistas_artigo.asp?artigo=563&sec_secaoMestre=627&sec_id=633&edicao=284&pesquisepor=lipoaspiração

QUEM MATOU AITOFEL?

Aitofel foi um personagem bíblico bastante obscuro, e os textos que
falam dele mostram o mau caráter desse homem. No início ele foi
conselheiro de Davi; portanto, um homem de confiança do rei de Israel.
Seus conselhos eram seguidos como se fossem a Palavra de Deus.
Aitofel, porém, passou para o outro lado, apoiando Absalão, filho de Davi, na
perseguição deste a seu pai, tornando-se um traidor.
Com o tempo, o ódio de Aitofel por Davi foi aumentando, e quando um
conselho não é aceito, seu desespero chega ao clímax. Não achando mais
nenhuma saída, ele se enforca. Conselheiro, traidor e suicida. Que decaída
impressionante!
Mas a história de Aitofel tem mais um detalhe importante, que talvez
nos leve a compreender o porquê de suas atitudes. Descobrimos que o
próprio Davi teve sua parcela de culpa. Davi adulterou com Bate-Seba. Ela
era filha de Eliú, que era filho de Aitofel. Davi, portanto, adulterou com a
neta de Aitofel e também mandou matar Urias, marido de Bate-Seba.
Neste contexto de traição e suicídio, podemos fazer uma pergunta
interessante:
Quem matou Aitofel?
Você certamente responderá que foi ele mesmo; afinal ele suicidou-se.
Perguntemos então o que levou Aitofel a se matar?
Com certeza foram problemas não resolvidos: ira, mágoa,
ressentimento, ódio, espírito vingativo, falta de reconciliação. Ingredientes
que sempre nos distanciam do Senhor e que cooperaram para um fim
trágico.
Davi e Aitofel jamais se reconciliaram. Ambos falharam.
Os cristãos tem uma missão neste mundo: Serem Embaixadores da
Paz.
Ressentimento ou Reconciliação ?
Morte ou Vida?

Uma colaboração de CLÁUDIO LISBOA MOREIRA.

sábado, 20 de novembro de 2010

ABORTO, O GRITO SILENCIOSO DOS QUE NÃO NASCERAM

A questão do aborto esteve no topo da lista das grandes discussões políticas em nossa nação. Este é um assunto solene, que merece nossa maior atenção. Não devemos ser frívolos em sua análise. O aborto sempre foi e ainda é assunto de debates entre juristas e legisladores; é tema da ética cristã que exige um posicionamento da igreja. Algumas ponderações precisam ser feitas no trato dessa matéria: Quando começa a vida? Quem tem o direito de decidir sobre a interrupção da vida? Em que circunstâncias um aborto pode ser justificado? O que a Palavra de Deus tem a dizer sobre o assunto? Não queremos, neste artigo, discutir aqueles casos de exceção, onde a medicina e a ética cristã precisam fazer uma escolha entre a vida da mãe ou do nascituro. Queremos, sim, alertar para a prática indiscriminada e irresponsável do aborto, fruto muitas vezes, de uma conduta imoral.

Embora seja ainda matéria de discussão, é consenso geral que a vida começa com a fecundação. A ciência apresenta o fato de que a vida humana inicia com a fecundação e termina com a morte. Desde a concepção, todos os componentes da vida já estão potencialmente presentes para o seu pleno desenvolvimento. É desse óvulo fertilizado que se desenvolve o ser humano pleno, corpo e alma. Na perspectiva bíblica, Deus é o autor da vida e ele mesmo é quem forma o nosso interior e nos tece no ventre da nossa mãe. É Deus quem nos forma de maneira assombrosamente maravilhosa. O salmista diz: “Os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui formado e entretecido como nas profundezas da terra. Os teus olhos me viram a substância ainda informe, e no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles havia ainda” (Sl 139.15,16). A Bíblia fala do ser antes do nascer. Davi diz: “Eu nasci na iniqüidade, e em pecado me concebeu minha mãe” (Sl 51.5). Jó descreve sua existência pré-natal afirmando: “Porventura não me vazaste como leite e não me coalhaste como queijo? De pele e carne me vestiste, e de ossos e tendões me entreteceste” (Jó 10.10). Fica claro na perspectiva da Escritura, que a vida começa na concepção.

A lei de Deus é enfaticamente clara: “Não matarás” (Ex 20.13). Deus é o autor da vida e só ele tem autoridade para tirá-la (1Sm 2.6). A decisão acerca do aborto não pode ser apenas uma discussão restrita à mãe e ao seu médico. O direito à vida é um direito sagrado e deve ser amplamente discutido, sobretudo, à luz da ética cristã. O aborto é a eliminação de uma vida. É um assassinato. E o mais grave: um assassinato com requintes de crueldade. O aborto é matar um ser indefeso, incapaz de proteger-se. É tirar uma vida que não tem sequer o direito de erguer a voz e clamar por socorro. Ah! Se os milhões de crianças que não chegaram a nascer pudessem gritar aos ouvidos do mundo, ficaríamos estarrecidos diante dessa barbárie. Ficamos chocados com o Holocausto, onde seis milhões de judeus foram mortos nos campos de concentração e nos paredões de fuzilamento. O aborto, entretanto não é menos perverso. O ventre materno em vez de ser um refúgio da vida, torna-se o corredor da morte; em vez de ser o berço da proteção, torna-se o patíbulo da tortura; em vez de ser o reduto mais sagrado do direito à vida, torna-se a arena mais perigosa da morte. O aborto é um crime com vários agravantes, pois não raro, a criança em formação é envenenada, esquartejada e, sugada do ventre como uma verruga pestilenta e indesejável. Oh, que Deus tenha misericórdia da nossa sociedade! Que Deus tenha piedade daqueles que legislam! Que Deus tenha compaixão daqueles que favorecem ou praticam tamanha crueldade!

Rev. Henandes Dias Lopes

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

O RISO

Gênesis 21.1-8
Gn 21 1 O Senhor visitou a Sara, como tinha dito, e lhe fez como havia prometido.
Gn 21 2 Sara concebeu, e deu a Abraão um filho na sua velhice, ao tempo determinado, de que Deus lhe falara;
Gn 21 3 e, Abraão pôs no filho que lhe nascera, que Sara lhe dera, o nome de Isaque.
Gn 21 4 E Abraão circuncidou a seu filho Isaque, quando tinha oito dias, conforme Deus lhe ordenara.
Gn 21 5 Ora, Abraão tinha cem anos, quando lhe nasceu Isaque, seu filho.
Gn 21 6 Pelo que disse Sara: Deus preparou riso para mim; todo aquele que o ouvir, se rirá comigo.
Gn 21 7 E acrescentou: Quem diria a Abraão que Sara havia de amamentar filhos? no entanto lhe dei um filho na sua velhice.
Gn 21 8 cresceu o menino, e foi desmamado; e Abraão fez um grande banquete no dia em que Isaque foi desmamado.

Existe alguma coisa impossível para o SENHOR? Na primavera voltarei a você, e Sara terá um filho (Gn 18.14).

Quando Deus disse a Abraão que sua mulher, Sara, teria um filho, ela sorriu descrente, pois fisicamente seu corpo não estava mais apto à concepção. Sara não passava mais pelo ciclo das mulheres. Ela questionou o Senhor dizendo: Poderei realmente eu dar à luz, agora que sou idosa? (Gn 18.13). Deus responde a Sara com outra pergunta: “Existe alguma coisa impossível para o Senhor?” Mediante a Palavra de Deus Sara teve sua fé despertada. Ela não duvidou, pois confiou naquele que havia feito a promessa. A continuação desta história está em nosso texto base de hoje que começa dizendo: “O Senhor foi bondoso com Sara”.
Como é bom saber que, embora Sara e Abraão primeiro sorriram um pouco desconfiados, depois puderam sorrir de alegria ao ver a bênção de Deus sendo realizada em suas vidas.
Algumas vezes cultivamos o primeiro sorriso desconfiado. Quando estamos diante de uma necessidade, rimos de nós mesmos com ironia, disfarçando nossa decepção. Precisamos saber que quando Deus quer que algo aconteça em nossa vida, isso irá acontecer independente dos empecilhos e impossibilidades que existem. Era vontade de Deus que Sara e Abraão tivessem um filho. Era plano de Deus abençoar a terra através da geração de Abraão. Por isso, nada poderia impedir a Sua vontade, nem mesmo a idade avançada e a infertilidade de Sara.
As bênçãos de Deus em nossa vida vão ocorrer de acordo com as Suas promessas para nós. Nem sempre de acordo com a nossa vontade. Elas vão acontecer sempre no tempo determinado por Ele. Nem sempre no dia que queremos. Deus deu o filho a Sara quando ela já tinha 100 anos.
As bênçãos de Deus alegram o nosso coração e o de todas as pessoas com quem compartilhamos o que aconteceu. Sara ficou muito agradecida e disse: “Deus me encheu de riso”. As bênçãos de Deus acontecem na vida daqueles que Deus tem um propósito em realizar sua obra através deles.

Para Deus não há empecilhos quando ele quer nos fazer sorrir.

PORCO-ESPINHO


Romanos 12.9-21
Rm 9 9 Porque a palavra da promessa é esta: Por este tempo virei, e Sara terá um filho.
Rm 9 10 E não somente isso, mas também a Rebeca, que havia concebido de um, de Isaque, nosso pai
Rm 9 11 (pois não tendo os gêmeos ainda nascido, nem tendo praticado bem ou mal, para que o propósito de Deus segundo a eleição permanecesse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama),
Rm 9 12 foi-lhe dito: O maior servirá o menor.
Rm 9 13 Como está escrito: Amei a Jacó, e aborreci a Esaú.
Rm 9 14 Que diremos, pois? Há injustiça da parte de Deus? De modo nenhum.
Rm 9 15 Porque diz a Moisés: Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia, e terei compaixão de quem me aprouver ter compaixão.
Rm 9 16 Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus que usa de misericórdia.
Rm 9 17 Pois diz a Escritura a Faraó: Para isto mesmo te levantei: para em ti mostrar o meu poder, e para que seja anunciado o meu nome em toda a terra.
Rm 9 18 Portanto, tem misericórdia de quem quer, e a quem quer endurece.
Rm 9 19 Dir-me-ás então. Por que se queixa ele ainda? Pois, quem resiste à sua vontade?
Rm 9 20 Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim?
Rm 9 21 Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para uso honroso e outro para uso desonroso?

Se alguém afirmar: “Eu amo a Deus”, mas odiar seu irmão, é mentiroso, pois quem não ama seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê (1 Jo 4.20).

Você conhece a Fábula do Porco-espinho? Ela diz o seguinte: “Durante a Era Glacial, muitos animais morriam por causa do frio. Os porcos-espinhos, percebendo a situação, resolveram se juntar em grupos. Assim se agasalhavam e se protegiam mutuamente, mas os espinhos de cada um feriam os companheiros mais próximos, justamente os que ofereciam mais calor. Por isso, decidiram se afastar uns dos outros e voltaram a morrer congelados. Então precisavam fazer uma escolha: ou desapareceriam da Terra ou aceitavam os espinhos dos companheiros. Com sabedoria, decidiram voltar a ficar juntos. Aprenderam, assim, a conviver com as pequenas feridas que a relação com uma pessoa muito próxima podia causar, já que o mais importante era o calor do outro. Dessa forma, puderam sobreviver.”
Realmente, conviver com outras pessoas, às vezes, pode-nos causar problemas, mas a Bíblia diz que devemos fazer tudo o que for possível da nossa parte para viver em paz com todos. Podemos alcançar isso quando tratamos as pessoas com humildade, demonstrando amor sincero. Buscando praticar o que é bom, sendo hospitaleiro, sabendo dividir o que possuímos. Se alguém nos persegue, no lugar de praticar a vingança devemos orar por esta pessoa, pedindo a bênção de Deus sobre a vida dela. Precisamos ter uma vida de confiança em Deus sabendo que a ele pertence a vingança e o julgamento. Não devemos fazer a justiça com as nossas próprias mãos.
Por mais que seja difícil a convivência, seja em casa, no trabalho ou na igreja, não podemos viver isoladamente. Temos que aprender a conviver com os espinhos dos relacionamentos, sabendo que com amor podemos entender melhor as pessoas com quem convivemos. Vamos perceber que quando tratamos os outros com amor e humildade, somos também tratados de melhor forma até por pessoas que considerávamos impossíveis de conviver.

O mal só pode ser vencido com o bem.

NA DOENÇA

Salmo 16
Sl 16 1 Guarda-me, ó Deus, porque em ti me refugio.
Sl 16 2 Digo ao Senhor: Tu és o meu Senhor; além de ti não tenho outro bem.
Sl 16 3 Quanto aos santos que estão na terra, eles são os ilustres nos quais está todo o meu prazer.
Sl 16 4 Aqueles que escolhem a outros deuses terão as suas dores multiplicadas; eu não oferecerei as suas libações de sangue, nem tomarei os seus nomes nos meus lábios.
Sl 16 5 Tu, Senhor, és a porção da minha herança e do meu cálice; tu és o sustentáculo do meu quinhão.
Sl 16 6 As sortes me caíram em lugares deliciosos; sim, coube-me uma formosa herança.
Sl 16 7 Bendigo ao Senhor que me aconselha; até os meus rins me ensinam de noite.
Sl 16 8 Tenho posto o Senhor continuamente diante de mim; porquanto ele está à minha mão direita, não serei abalado.
Sl 16 9 Porquanto está alegre o meu coração e se regozija a minha alma; também a minha carne habitará em segurança.
Sl 16 10 Pois não deixarás a minha alma no Seol, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção.
Sl 16 11 Tu me farás conhecer a vereda da vida; na tua presença há plenitude de alegria; à tua mão direita há delícias perpetuamente.

O espírito do homem o sustenta na doença, mas o espírito deprimido, quem o levantará? (Pv 18.14).

Aparentemente não existe nada que abale mais o ser humano do que a enfermidade. Quando estamos doentes nos sentimos pequenos, desprotegidos e assustados. Mas até mesmo na doença temos esperança quando buscamos a presença de Deus. Ele fortalece nosso espírito, nos sustentando nas piores enfermidades. Quando buscamos o Senhor e o temos ao nosso lado não seremos abalados. Deus promete nos munir de forças para suportar a doença. Ele afofa a nossa cama. A alegria da presença de Deus inunda nosso coração e como diz o v.9: “Por isso o meu coração se alegra e no íntimo exulto; mesmo o meu corpo repousará tranquilo”.
Realmente é na hora da enfermidade que temos a verdadeira convicção de que só Deus pode cuidar de nós. Mesmo se tivermos todos os recursos da medicina à nossa disposição, nossa esperança é somente em Deus. Ele realmente pode nos guardar seguros. O Salmista faz um pedido que precisamos repetir: “Protege-me, ó Deus, pois em ti me refugio”. Ele clama ao Senhor: “Guarda-me ó Deus”.
A pior doença não é a física e sim a espiritual. Quem não tem Deus sofre de uma enfermidade que abate muito mais do que qualquer outra coisa. Esta pessoa tem um espírito deprimido que derruba mais do que uma doença física.
Deus é nosso maior tesouro. Não existe outro bem maior ou comparável ao Senhor. Por isso precisamos buscar a Deus em todo tempo. Precisamos saber que Deus não nos guarda apenas na enfermidade, Ele está presente durante todo o curso de nossas vidas. Ele só oferece Sua proteção para aqueles que nele confiam de todo coração e nele se refugiam.
Davi, além de confiar que Deus podia cuidar de seu corpo, também tinha como esperança a certeza da salvação eterna a qual o libertava de toda ansiedade e temor. Mesmo o túmulo não seria um final em sua vida. Ele diz: “tu não me abandonarás no sepulcro”. Ele tinha convicção de que não permaneceria para sempre na morte.

O Senhor o susterá em seu leito de enfermidade.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

NOVOS MODELOS DE PREGAÇÃO

INTRODUÇÃO

As raízes históricas do púlpito bíblico estão em Esdras, em Neemias 8.4-12, cuja leitura faço agora: “Esdras, o escriba, ficava em pé sobre um estrado de madeira, que fizeram para esse fim e estavam em pé junto a ele, à sua direita, Matitias, Sema, Ananías, Urias, Hilquias e Maaséias; e à sua esquerda, Pedaías, Misael, Malquias, Hasum, Hasbadana, Zacarias e Mesulão. E Esdras abriu o livro à vista de todo o povo (pois estava acima de todo o povo); e, abrindo-o ele, todo o povo se pôs em pé. Então Esdras bendisse ao Senhor, o grande Deus; e todo povo, levantando as mãos, respondeu: Amém! amém! E, inclinando-se, adoraram ao Senhor, com os rostos em terra. Também Jesuá, Bani, Serebias, Jamim, Acube; Sabetai, Hodias, Maaséias, Quelita, Azarias, Jozabade, Hanã, Pelaías e os levitas explicavam ao povo a lei; e o povo estava em pé no seu lugar. Assim leram no livro, na lei de Deus, distintamente; e deram o sentido, de modo que se entendesse a leitura. E Neemias, que era o governador, e Esdras, sacerdote e escriba, e os levitas que ensinavam o povo, disseram a todo o povo: Este dia é consagrado ao Senhor vosso Deus; não pranteeis nem choreis. Pois todo o povo chorava, ouvindo as palavras da lei. Disse-lhes mais: Ide, comei as gorduras, e bebei as doçuras, e enviai porções aos que não têm nada preparado para si; porque este dia é consagrado ao nosso Senhor. Portanto não vos entristeçais, pois a alegria do Senhor é a vossa força. Os levitas, pois, fizeram calar todo o povo, dizendo: Calai-vos, porque este dia é santo; por isso não vos entristeçais. Então todo o povo se foi para comer e beber, e para enviar porções, e para fazer grande regozijo, porque tinha entendido as palavras que lhe foram referidas”.

Esta é a forma que púlpito deve ter: um homem ler a Palavra de Deus, esclarecer o que leu, o povo entender, ser impactado, e depois se alegrar pelos efeitos da Palavra. E como vemos no versículo 13, a pregação verdadeira ainda produz efeitos depois: “Ora, no dia seguinte ajuntaram-se os cabeças das casas paternas de todo o povo, os sacerdotes e os levitas, na presença de Esdras, o escriba, para examinarem as palavras da lei”. O povo quis mais da Palavra. O povo de Deus que é sério se extasia diante da Palavra, e quando a ouve quer mais.

Mas, infelizmente, aconteceu uma tragédia com a igreja contemporânea. Ela trocou o púlpito pela festa. O louvor atual, que muitas vezes mais parece com forró e desprogramação da personalidade através da música barulhenta, para efeitos de manipulação, tomou o lugar da proclamação bíblica. Temos muito culto, muito louvor e pouca santidade e afastamento do pecado. As pessoas não são impactadas pela Palavra de Deus. Éramos o povo da Bíblia e hoje somos o povo da caixa de som.

E há mais. Não quero ser polêmico, mas minha alma de profeta não me permite calar. Muitos pastores darão contas a Deus porque substituíram a Palavra de Deus pela sua palavra pessoal, no púlpito. O pregador é servo da Palavra, e quando usa o púlpito isto deve ser visto em sua vida. Muitos usam o púlpito para projetos pessoais, desvestindo-o de sua grandeza e de sua santidade e transformando-o em tribuna de ganho pessoal.

E há pregadores preguiçosos que ocultam sua pouca disposição de aprender com uma arrogância espiritual de quem tem uma linha vermelha com Deus e sabe de tudo. Parece que quando receberam a imposição de mãos, receberam um PhD em capacidade. Eugene Petersen faz esta observação, bem válida, em uma de suas obras: “Agostinho escreveu quinze comentários sobre o livro de Gênesis. Ele começou com as origens, porém jamais se contentou com o que realizara. Ele nunca acreditou que havia explorado profundamente o primeiro livro da Bíblia… Beethoven compôs dezesseis quartetos de cordas porque nunca estava satisfeito com o que havia composto antes” 1. Isto deve acontecer com o pregador. Nunca deve estar satisfeito com sua produção, mas procurar melhorar. Melhorar sua vida espiritual, seu conhecimento bíblico, sua dicção, seu português, seu sermão. Não deve pregar o mesmo sermão duas vezes. Mesmo que seja o mesmo sermão, este deve ser reestudado e aperfeiçoado.

Neste sentido, fico feliz por abordar este tema. E vim falar de coração, não de cátedra. Eu melhorei, porque tive que estudar, tive que pensar e refazer o que tinha feito antes. A gente cresce quando age assim.

Fiz esta introdução mais devocional, e entro em parte mais estrutural. Para tratar de novos modelos de pregação contemporânea, começarei pela área da interpretação. Pela exigüidade do tempo e pelo ambiente não posso apresentar um trabalho em nível de mestrado (não sei se conseguiria com mais tempo e em outro ambiente). É um desafio falar para pastores sobre pregação, mas desafios sempre são fascinantes. Espero ser útil. Foi nesta mentalidade que vi. Para ser útil. Vim como servo.

Começo pela parte da interpretação, que denominei de “A interpretação do texto”. Começo aqui porque a exegese está em baixa em nosso meio e as coisas mais disparatadas são ditas, em nome de Deus. Uma coisa é o livre exame das Escrituras. Outra coisa é a livre interpretação das Escrituras. Elas não podem ser interpretadas a bel prazer, enxertando-se nelas o queremos, ou torcendo-as para apoiarem nossa posição. Há regras de interpretação da Bíblia, postas pelo bom senso, que devem ser consideradas.

O QUE É INTERPRETAÇÃO?

Uma falsa hermenêutica, que não é hermenêutica, mas o desconstrucionismo literário de Derrida, diz que não se pode interpretar um texto, principalmente o bíblico, porque ninguém pode saber qual é a intenção do autor ao produzi-lo. Este é o discurso dos pseudos intelectuais. Lembro, a respeito, um argumento de Calvino chamado de sensus divinitatis (“senso da divindade”), presente na humanidade. Um dos motivos deste sensus é o fato de que temos um universo organizado, e não um caos. E o homem pode refletir sobre este ordenamento, o que mostra a possibilidade de se conhecer a Deus 2. Um Deus da ordem é necessariamente um Deus comunicável, porque ordem é uma comunicação e demanda comunicação 3. Cremos que Deus se comunicou e se comunicou de forma inteligível, como convém a um Deus da ordem. Se há uma mensagem cognoscível na ordenação cósmica, à luz de Romanos 1.18-30, não a haverá na Bíblia, revelação proposicional, verbalizada, de um Deus comunicante?

Há um princípio hermenêutico inegociável: o autor último do texto bíblico é o Espírito Santo (2Pe 1.21). Outro princípio inegociável: o pregador é uma pessoa regenerada pelo Espírito Santo, que habita nele, e que pode levá-lo a entender as coisas do Espírito: “Ora, nós não temos recebido o espírito do mundo, mas sim o Espírito que provém de Deus, a fim de compreendermos as coisas que nos foram dadas gratuitamente por Deus; as quais também falamos, não com palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas com palavras ensinadas pelo Espírito Santo, comparando coisas espirituais com espirituais. Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque para ele são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (1Co 2.12-14). Cremos que uma pessoa regenerada, iluminada pelo Espírito, entende o que o Espírito revelou. E uma das tarefas mais esperadas de um pastor é que ele interprete a Palavra de Deus para o seu rebanho. A mais forte razão pela qual a igreja de hoje está confusa e fraca é por falta de ensino correto das Escrituras. Precisamos interpretar bem a Bíblia e depois ensiná-la bem ao nosso povo.

Dito isto, definamos interpretação: “Interpretação é o esforço de uma mente em seguir os processos mentais de outra mente por meio de símbolos que chamamos linguagem” (Dana). Lembrando do texto de 1Coríntios 2.12-14, consideremos o versículo 15a: “Mas o que é espiritual discerne bem tudo”. Assim afirmo que o principal critério para a boa interpretação é vida espiritual, bem orientada pelo Espírito Santo de Deus. A espiritualidade sadia é a primeira e maior ferramenta na interpretação do texto bíblico. A interpretação bíblica correta só pode ser feita onde Deus é o Tu. O primeiro intérprete a chamar Deus de Ele foi a serpente (Gn 3.1). E isto trouxe muitos problemas para a humanidade. Quem não pode chamar a Deus de Tu e viver com o Tu, não pode falar de Deus como Ele. Deve calar a boca. Mas cuidemos da interpretação do texto.

Eis alguns passos a seguir para uma boa interpretação do texto:

1. É preciso conhecer o texto e seu substrato histórico

1.1 – O autor e seu momento histórico e cultural. O contexto dos salmos 32, 46 e 51, por exemplo. Partimos de um pressuposto: o texto tem um background, um pano de fundo. O texto não foi escrito em tabula rasa, mas num contexto histórico e cultural. Por isso o método histórico e cultural tem valor, tanto quanto o gramatical.

1.2 – Os destinatários e seu ambiente. Cada igreja do Apocalipse tinha seu ambiente geográfico, cultural e espiritual próprio que se refletiu no conteúdo da mensagem. Há um pano de fundo em Hebreus, mostrado no tipo de leitores e no ambiente que eles viviam, que serve de ferramenta hermenêutica. Partimos de um pressuposto: não somos os destinatários primeiros dos livros, mas os segundos.

1.3 – A ocasião e o propósito do autor. Tiago e Paulo sobre Abraão, por exemplo. Um defende a salvação pela fé (Paulo, em Efésios 2.8-9) e outro, a salvação pelas obras (Tiago, em Tiago 2.21 e 25)?

1.4 – As condições geográficas, políticas, culturais, econômicas e sociais. Maria era noiva de José e é chamada de esposa, por exemplo. O que significa amontoar brasas de fogo sobre a cabeça do inimigo, em Romanos 12.20?

2. É preciso conhecer o texto e seu contexto

2.1 – Conheça o contexto próximo: o imediato, antes e depois. A boa exegese manda que se analise um pensamento completo.

2.2 – Conheça o contexto remoto: o livro e a Bíblia, sobre o assunto. Se o Espírito é o autor das Escrituras, ele não se contradisse. O que o todo bíblico diz sobre a parte?

2.3 – Lembre-se do princípio da revelação progressiva, bem expresso em Mateus 17.5 e em Hebreus 1.1-2. Lembre-se do conceito de Lutero: “Cristo é o cânon dentro do cânon”. Ele é o fio de prumo hermenêutico. O suporte deste conceito de Lutero é o conceito de revelação progressiva. Que não é sair do erro para a verdade, mas do incompleto para o completo e do obscuro para o claro.

3. É preciso conhecer o texto e saber analisá-lo

3.1 – Conheça o sentido das palavras. É poesia? Linguagem figurada? Artigo de livro pré-milenista sobre a reconstrução de Babilônia e Isaías 13.19-22. Use dicionários e léxicos. A obra de Fee & Stuart, Entendes o que lês?, da Vida Nova, é excelente para dar este embasamento. Outro muito útil é Evangelho – figuras & símbolos, de Mateos e Camacho, da Paulinas.

3.2 – Conheça a relação entre as palavras. Graça e fé, por exemplo. Constantemente ouvimos os crentes e até pastores dizerem que somos salvos pela fé. Não somos salvos pela fé. Somos salvos pela graça, por meio da fé (Ef 2.8-9). Há sentido nesta ordem e nas preposições.

3.3 – Recrie, tanto quanto possível, a vivência daquela passagem. Conheça aquela cultura. Interpretar não é trazer o texto para o nosso tempo. É ir ao tempo do texto. E trazer os princípios do texto para o nosso tempo.

4. O texto e seu estudo

4.1 – Examine várias traduções portuguesas: VR, NTLH, RAB, BJ, BV, BL, BP, NVI, KJ, NTJ, etc.

4.2 – Examine outras traduções: KJ, NIV, Reina-Vallera.

4.3 – Examine o texto em grego ou hebraico.

4.4 – Dê sua própria interpretação. Não invente, mas diga o que entendeu.

CLASSIFICAÇÃO DOS SERMÕES QUANTO À ESTRUTURA

Um sermão pertence a uma destas três categorias: tópico (ou temático), textual ou expositivo. Definamos cada um sinteticamente.

Sermão tópico ou temático - Trata de um tópico e não de um texto bíblico em particular. As divisões derivam do tópico (ou tema). É aquele em que o tema deriva do texto, mas as divisões, não. São aleatórias. Como tratamos aqui de exegese, deixá-lo-ei de lado porque ele não lida com exegese. Fiquemos com os sermões textual e expositivo.

Sermão textual – Trata do desenvolvimento de um texto bíblico, um ou dois versículos. As divisões derivam do texto. É aquele em que as divisões correspondem às palavras do texto. Sermão e texto caminham juntos. Pode ser literal, se as divisões são as palavras do texto, e livres, quando as palavras do texto fornecem as idéias das divisões.

Exemplo 1 – “O maior amor do mundo” (João 3.16) – IGCF

1. O amor de Deus é o maior amor do mundo quanto à sua extensão (“o mundo”)

2. O amor de Deus é o maior amor do mundo quanto à sua prodigalidade (“deu”)

3. O amor de Deus é o maior amor do mundo quanto aos seus efeitos (“não pereça… tenha a vida eterna”).

Exemplo 2 – “A salvação do carcereiro” (Atos 16.31) – Crabtree

1. O Salvador é o Senhor Jesus (“crê no Senhor Jesus”)

2. É uma salvação garantida (“serás salvo”)

3. É pela graça mediante a fé (“crê”)

Respeitando a fantástica cultura de Crabtree em AT e Hebraico: este esboço tem um problema. O título é inexpressivo. Seria correto se fosse pregado para carcereiros, mas nada diz ao ouvinte contemporâneo. Lembre-se: o título do sermão deve ser relevante e contemporâneo.

3. Sermão expositivo - É aquele que faz a exposição completa de um texto bíblico. Sua estrutura parece com a do textual. A diferença entre os dois é que o textual usa apenas um versículo. O expositivo lida com um texto maior.

Exemplo 1 – “O remédio para um mal incurável” (2 Reis 5.1-14) – Hawkins

1. O remédio necessário (v. 1)

2. O remédio conhecido (vv. 2-4)

3. O remédio procurado (vv. 5-10)

4. O remédio recusado (vv. 11-12)

5. O remédio aceito (vv. 13-14).

Aqui, o trabalho foi facilitado porque a ordem dos argumentos está clara no texto. Muitas vezes, principalmente nas cartas paulinas, é necessário trabalhar com uma ordem diferente daquela em que os argumentos aparecem no texto bíblico. Nem sempre nossa argumentação pode seguir a mesma ordem da argumentação do autor bíblico. Os orientais têm o estilo decrescente de escrever, do maior para o menor. Nossa argumentação é crescente, do menor para o maior. Mas mudar a ordem não significa ser infiel ao texto. Os conceitos têm que estar respaldados no texto.

Exemplo 2 – “O fantasma de Acã” (Atos 5.1-11) Macaulay, citado em Predicación Expositiva, de White, p. 140

1. O pecado que ameaçou a igreja

2. A severidade que salvou a igreja

3. A santidade que glorificou a igreja

Normalmente, nos títulos e divisões, os nomes de pessoas e lugares devem ser deixados de lado. Porque isto remete o sermão ao passado e o confina lá. Mas preste atenção: o texto não faz nenhuma referência a Acã. O pregador deduziu que a igreja conhece a história de Acã (tantas vezes contada em nosso meio) e deve tê-la utilizado na introdução. Relacionou-o com a igreja e seguiu por uma brilhante linha de raciocínio.

4. As vantagens do sermão expositivo

1ª) Parece-me o mais necessário atualmente, pois vivemos numa época de tantas esquisitices nas igrejas e de absoluta ignorância bíblica. Há muito ensino fragmentário, sem base bíblica: amarrar Satanás, abençoar água por oração, sal grosso para descarrego, abençoar fotografias, etc. Estas práticas são tiradas de passagens bíblicas isoladas e de eventos acidentais, não sendo uma prática respaldada pelo ensino bíblico geral. O sermão expositivo faz teologia bíblica.

2ª) Dá cultura teológica e bíblica ao pregador. Por dar conhecimento bíblico ao pregador, acaba dando-lhe cultura teológica. O pastor deve ser uma autoridade em Bíblia e não em exotismos doutrinários. E nem mesmo em pensamento secular mais quem em conhecimento bíblico. Há muito ensino humano no púlpito. Estive com uma igreja em que os crentes reclamaram que por um bom tempo não ouviram pregação da Palavra, mas apenas comentários sobre os livros de Alberto Cury. Sobre isto, recomendo o livro Pense biblicamente, de John Macarthur Jr 4. Considero-o indispensável a um intérprete cristão das Escrituras.

3ª) Está de acordo com a dignidade da pregação: ensinar a Bíblia. É bem diferente entrar numa igreja onde a Bíblia é exposta com seriedade e em outra onde a festa é elemento principal do culto.

A ESTRUTURA DO SERMÃO TEXTUAL

Já vimos o que é um sermão textual. Vimos exemplos de esboços e captamos sua estrutura. Como é elaborado? Como se faz?

1. A relação com o texto

O texto, acima de tudo, tem que ser expressivo. O sermão vai depender da força do texto. O texto deve ter um pensamento completo, claro e forte. Lembre-se que no sermão é o texto. E, de acordo com o texto, o sermão textual pode ser literal e livre. Vejamos cada um deles.

2. Sermão textual literal

Nele, as divisões são, literalmente, as expressões contidas no texto. É daqui que vem sua classificação.

Exemplo – “Cristo morreu por nós” (Romanos 5.8) – Hawkins

1. Cristo

2. Morreu

3. Por

4. Nós

Mas atenção: não é um mero esquartejar do texto, pondo palavras aqui e acolá. Na primeira divisão enfatizou-se a pessoa de Cristo como Salvador. Na segunda, o valor de sua morte. Na terceira, o fato de que ela é vicária, e na quarta, que é pessoal. Mas me parece que o sermão contém um erro de estrutura: as divisões 3 e 4 dizem a mesma coisa. O pregador terá que ser muito cuidadoso para não repetir argumentos. Este é um cuidado a tomar na confecção do sermão: as divisões não podem ser repetitivas. O sermão não pode ser cíclico, com argumentos se repetindo. Deve ser linear e crescente: uma linha para o alto.

3. Sermão textual livre

Nele, as divisões são formuladas livremente, sem repetir as expressões contidas no texto, mas apreendendo as idéias.

Exemplo - “Um texto cheio de luz” (João 12.36) – Crane

1. Uma oferta gloriosa (“para que vos torneis filhos da luz”)

2. Uma condição simples (“crede na luz”)

3. Uma oportunidade fugaz (“enquanto tendes a luz”)

Neste texto, a ordem das divisões não é a mesma em que as expressões aparecem no texto bíblico. De acordo com sua argumentação, o autor inverteu a ordem de aparecimento das expressões. Mas o sermão é rigorosamente bíblico.

4. Algumas observações necessárias

1ª) O textual literal pode ser tornado em textual livre, e vice-versa.

2ª) Repito: a ordem do texto não é, necessariamente, a ordem das divisões. O exemplo de Crane mostra isso muito bem. A lógica da argumentação deve prevalecer. Lembre-se: nossa cultura e nosso estilo de raciocínio são diferentes do estilo e da cultura oriental.

3ª) Importante: é necessário preservar os pensamentos, quando não as próprias palavras do texto, nas divisões do sermão. É o texto que comanda o desenvolvimento. É o texto que está sendo analisado.

4ª) É necessário captar os sentidos das partes do texto, vendo as idéias principais. Dividindo o texto em idéias principais, as divisões irão surgir. As partes não devem conflitar com o todo, ou seja, as divisões devem estar em harmonia com o título. O textual literal nem sempre permite o melhor esboço. Usemos Hebreus 2.3: “Como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação?”. Um esboço literal nos dará: “escapar”, “nós”, “se”, “negligenciarmos”, “salvação tão grande”. Um esboço “impregável”. Não faz muito sentido.

5ª) Usando o modelo textual livre é possível apresentar um bom sermão neste texto. Veja este esboço:

1. Uma grande salvação

2. Um grande perigo

3. Um destino inevitável

Note que este esboço segue para uma linha negativa, enfatizando a ruína. Deve ser usado com perícia e com misericórdia. Se há algo que se pode aprender da Publicidade é que nunca se explora um assunto pelo lado negativo. O Min. da Saúde mostra imagens horrorosas dos efeitos do fumo, nos maços de cigarro. A Publicidade mostra imagens de prazer. Qual dá mais certo?

6ª) Ponha as idéias em ordem. No item anterior, as idéias foram postas em ordem. Isto requer trabalho, humildade e objetividade. Quanto ao trabalho, lembre-se de Thomas Edson: “O gênio é mais trabalho que inteligência”. Volto à obra de Petersen, em que ele cita Beethoven. Assim se expressa sobre o grande compositor: “A perfeição era sua meta” 5. Quanto à humildade, não pense de si e de seu trabalho como algo completo. Você sempre pode melhorar e seu trabalho sempre pode ser aperfeiçoado. Quanto à objetividade: pergunte-se: “É isto mesmo?”. Veja e reveja. Analise. Não se contente com o realizado.

7ª) Faça algumas perguntas, com o esboço pronto:

Pergunta 1 – É isto, exatamente, o que o texto diz ou é o que eu quero que o texto diga? Estou me sobrepondo ao texto ou o texto está se sobrepondo a mim?

Pergunta 2 – As idéias estão na melhor ordem para o povo compreender?

Pergunta 3 – Estou deixando brechas na minha apresentação? Há falhas?

Pergunta 4 – Há idéias desnecessárias, que fogem ao propósito do sermão, mesmo que boas?

SERMÃO EXPOSITIVO: O QUE NÃO É, O QUE É

1. Definições

1ª) Sermão expositivo é aquele em que o pregador expõe certo trecho das Sagradas Escrituras, analisando-o em seus detalhes mais importantes, aplicando-o à vida dos ouvintes.

2ª) Sermão expositivo é aquele que faz a exposição do conteúdo de um texto bíblico de extensão superior a um versículo.

2. O que o sermão expositivo não é

1º) Não é um ligeiro comentário exegético sobre o conteúdo de um versículo ou capítulo.

2º) Não é tirar idéias de comentários bíblicos e citá-los eruditamente do púlpito.

3º) Não é uma exegese de uma coleção de versículos relacionados com um assunto.

4º) Não é fazer sugestões devocionais numa “corrida” versículo por versículo de um texto.

5º) Não é um comentário errante ou um tagarelar de improviso sobre um trecho bíblico, sem tema e sem objetivo.

6º) Não é dizer “este texto tem falado ao meu coração” e ficar embromando por meia hora, sem falar nada além do que o texto diz, com outras palavras, ou simplesmente nada dizer.

3. O que o sermão expositivo é

É, principalmente, uma explanação ou exposição da Bíblia. A etimologia vai nos ajudar. Explanação vem de ex planare, fazer plano, deixar claro. Exposição vem de ex poser, por para fora. Significar fazer um plano, deixar claro, por para fora o que a Bíblia está dizendo. O sermão expositivo exige exegese e exposição. A exegese é “tirar idéias para fora” do texto. Ela extrai o sentido histórico, gramático e real do texto. Na exegese tiram-se idéias do texto. É o oposto de eisegese, que é o que muitos pregadores fazem, isto é, colocar suas idéias no texto. Na exposição, o pregador dá ao povo as idéias do texto. A exposição bíblica dá ao povo a exegese do texto.

4. Elementos básicos do sermão expositivo

1º) O sermão expositivo procura explanar um texto bíblico.

2º) O sermão expositivo procura captar o sentido original da passagem. A pergunta mais importante é esta: “O que isto queria dizer, naquela época, para aqueles ouvintes?”. Não é o que quer dizer para nós. Não somos os destinatários primeiros do texto, mas os secundários.

3º) O sermão expositivo procura relacionar o sentido original do texto ao contexto em que ele se acha inserido. As perguntas aqui são: “Por que isto está sendo dito? Quais as circunstâncias em que isto foi dito?”

4º) O sermão expositivo procura descobrir as verdades universais e a verdade contemporânea dentro do seu contexto bíblico. É uma busca para se saber o que é um princípio de valor eterno e o que é princípio de valor relativo. A pergunta é: “Qual o princípio que está sendo ensinado aqui? Ele tem validade hoje?”. Aqui entram o princípio da revelação progressiva e o conceito de Lutero de Cristo como o cânon dentro do cânon.

5º) O sermão expositivo procura organizar estas verdades ao redor de um tema central inerente ao texto e relevante ao auditório. Esta é a maior dificuldade do pregador. A pergunta é: “Como colocar estas idéias numa ordem que meu auditório entenda e guarde?”. Lembre-se: nós não apenas pregamos a Bíblia. Nós pregamos a Bíblia para o povo. Não basta boa exegese. É necessário fazer boa aplicação. É ela que garante o bom sucesso do pregador.

APÊNDICE

SERMÃO EXPOSITIVO: COMO PREPARÁ-LO

(Palestra apresentada em curso de aprofundamento pastoral e adaptada para esta apostila)

É difícil pensar. É mais difícil pensar em pensar. Mas é mais difícil ainda falar sobre pensar em pensar. Esta é a tarefa básica de qualquer pessoa que tenta ensinar preparação de sermões. Apesar da dificuldade, entretanto, vou tentar.

Alguns bons expositores da Bíblia dizem não ter método, mas seus sermões saem bem feitos, assim mesmo. Na primeira vez que lecionei Pregação Expositiva, em 1985, tive um problema: sabia como fazer, mas não sabia mostrar como fazia. Assim sendo, a disciplina foi uma espécie de oficina prática: fazia com os alunos e aprendíamos juntos. Devo dizer que não me considero um bom expositor da Bíblia, então não é sobre mim, mas sobre estes homens que duas coisas devem ser ditas:

1ª) Muitos expositores que dizem não seguir nenhuma regra, normalmente não têm examinado como eles fazem para preparar seu sermão. Mesmo que esteja sendo feito inconscientemente de ser um método, essa ausência de método é o seu método. Ou seja, têm um método, mas não o explicitaram. Na verdade, poucos pregadores expositivos, dos bons, são sem método.

2ª) Qualquer pessoa que deseja aprender como fazer uma coisa bem feita deve estudar os métodos das pessoas que fazem com consistência, e não os métodos dos que fazem por acaso.

Tornar-se um expositor maduro da Bíblia é tarefa que demanda viver a vida toda com a Bíblia e com o povo. Como jovem pastor eu ficava observando, admirado, pregadores mais experientes, com 40 e 50 anos, pela sua habilidade em pregar expondo a Bíblia de maneira que eu não sabia fazer, por mais que me esforçasse. Eu ficava curioso para saber porque não pregava como uma pessoa assim. Depois de algum tempo é que descobri que somente uma pessoa que estudou a Bíblia com seriedade, por anos, e que conviveu com o povo por anos, podia pregar assim, de forma tão madura e consciente. Mas cada pregador que deseja crescer como expositor da Palavra precisa de ajuda específica para começar, não importando qual seja a sua idade. Saber como alguém mais experiente faz pode ajudar um pouco.

Quando tratamos dos estágios da preparação do sermão, os argumentos algumas vezes se misturam, ficando fora da ordem que nosso povo pode entender bem. Por exemplo: todo livro de Homilética vai dizer que o melhor momento para preparar a introdução é quando o esboço já está pronto, ou pelo menos, sua idéia geral está bem clara para nós. Mas na quase totalidade das vezes, eu tenho logo a idéia para a introdução e desenvolvo toda a argumentação a partir dela. Ou seja, geralmente, minha introdução é que desencadeia todo o sermão, o oposto do que os homiletas ensinam. Há linhas gerais para a confecção de sermão, mas cada pregador tem um esquema mental e deve desenvolver seu modo de trabalho.

Ditas estas coisas, vejamos os estágios necessários para a preparação de um sermão expositivo.

ESTÁGIO UM: ESCOLHER A PASSAGEM A SER PREGADA

Uma antiga receita para coelho ao molho começa assim: “Primeiro você pega um coelho”. Coloque as primeiras coisas em primeiro lugar. Sem um coelho, a receita se torna sem uso. De que serve o molho para coelho sem o coelho? O primeiro problema que o pregador expositivo enfrenta é este: “De qual passagem da Escritura devo tirar meu sermão?”.

Algumas vezes, as ocasiões especiais ou necessidades especiais me ajudam a selecionar o meu texto. Nos dias de natal ou semana santa, o óbvio é escolher uma passagem que se relacione com o tema da época. Ou é possível começar com um assunto ou problema como a doutrina da trindade, ou inspiração das Escrituras, ou preocupações pessoais como a culpa, solidão, ou divórcio e então procurar uma passagem que se relacione com o tópico. Um tempo atrás, a igreja que eu pastoreava escolheu novos diáconos. Fui à Bíblia para procurar alguns textos dos quais eu poderia realizar estudos ou preparar sermões sobre a escolha e a função dos diáconos. Penso que isso poderia ser chamado de “exposição em tópicos”. É bem diferente do assim chamado sermão em tópicos, nos quais a passagem bíblica é pretexto para o que vou dizer. Neste caso, a passagem molda tudo o que eu digo. Escolho um tópico, mas posso fazer um sermão expositivo sobre a passagem.

Durante algum tempo, trabalhei escolhendo um livro da Bíblia e pregando nele, em ordem, capítulo por capítulo, versículo por versículo. Isto me livrava da angústia de estar procurando o que pregar no domingo seguinte. Tendo pregado um sermão numa passagem, simplesmente passava para a seguinte. Sabia de onde viria minha mensagem no domingo seguinte. Há uma mensagem de Deus em cada passagem bíblica e fazendo assim, pregando livro após livro, versículo após versículo, estou declarando “todo o conselho de Deus”, em vez de pregar somente nas minhas passagens e tópicos prediletos. Para a igreja é muito bom, também, porque ela passa a ter uma visão global de um livro da Bíblia. Ultimamente, minhas mensagens têm brotado de minhas leituras bíblicas diárias. Em janeiro e fevereiro li todo o Novo Testamento Judaico. Com isso, muitos sermões no Novo Testamento me vieram à mente. Tem me acontecido que muitas vezes, lendo o texto, a idéia para o sermão me salta aos olhos, e interrompo a leitura para confeccioná-lo.

Nas cartas do Novo Testamento, geralmente uso as divisões em versículos ou em idéias. Quando a seção é narrativa, o melhor é trabalhar com unidade de história completa. Por exemplo, se alguém pregar o adultério de Davi com Bate-Seba, a história seria fragmentada se este alguém pregasse um versículo de cada vez. O melhor é tomar todo o capítulo 11 de 2Samuel . Ou, tendo habilidade, a repreensão feita por Natã (cap. 12) e voltar ao capítulo 11 em estilo de flashback, de revisão. Se pregar sobre literatura poética, como Salmos, por exemplo, ou o salmo inteiro ou versículos que contenham uma unidade de pensamento completa ou um resumo do salmo. No entanto, é necessário basear o meu sermão em alguma unidade do pensamento bíblico. O mais importante é permitir que a passagem bíblica molde o que vai ser dito no sermão.

ESTÁGIO DOIS: ESTUDAR A PASSAGEM E REUNIR AS NOTAS

Enquanto estudo, conservo o texto na mente, tanto o texto em si como seu contexto imediato. Por exemplo: 1Coríntios 13 é parte de uma unidade que trata dos dons espirituais (12 a 14). Estes capítulos devem ser considerados em contexto, como um todo, para que interprete de maneira apropriada o contraste do amor com a arrogância e mau uso dos dons espirituais. Será um desastre pregar sobre uma passagem isolada de Eclesiastes, sem a noção do ensino global do livro. O mesmo pode ser dito de Jó, quando o próprio Deus diz que o que foi dito pelos amigos de Jó não estava certo (Jó 42.7). Como pregar em uma coisa que o próprio Deus diz que está errado?

A importância de se conhecer o contexto imediato pode ser vista em Gálatas 5.4: “da graça tendes caído”. Usado isoladamente, o texto poderá apoiar aqueles que dizem que o homem pode perder sua salvação. Mas no contexto de Gálatas se diz algo muito diferente. Paulo argumenta que aqueles que tentam se salvar pela guarda da lei estão cortados do sistema da graça. No contexto, “graça” não é a experiência pessoal da salvação divina, mas todo o sistema do evangelho da salvação em Cristo. Estudando o contexto, o pregador evitará erros similares.

Enquanto estudo, eu examino os detalhes da passagem em vista, procurando pistas importantes. Neste caso, o conhecimento das línguas bíblicas se torna inestimável. A mensagem da Escritura pode ser compreendida perfeitamente de qualquer tradução, mas hebraico e grego acrescentam muito à compreensão. Se você não tem o domínio das línguas bíblicas, há bons comentários que fazem boas exegeses. Fuja dos comentários açucarados que nada acrescentam.

A televisão em preto e branco e a em cores captam a mesma imagem, mas a cor acrescenta interesse e precisão que não possíveis na tevê em preto e branco. É isto que nos proporciona o conhecimento e o uso das línguas bíblicas. Ninguém precisa ser mestre nestas línguas para usá-las com benefício, e quase todos os pregadores, valendo-se de bons livros, podem obter este benefício. O homem de Deus que seja sério e que leve a sério sua responsabilidade como pregador procurará ter toda a precisão possível na interpretação da Palavra de Deus. Nunca buscará dizer qualquer coisa nem declarar em nome de Deus o que ele nunca disse.

Depois disso, continuo estudando até estar bem consciente de que posso declarar o que o autor quis dizer. Este passo é fundamental: “É isto, exatamente, o que o autor queria dizer”.

ESTÁGIO TRÊS: DECLARAR AS IDÉIAS EXEGÉTICAS EM FORMA HOMILÉTICA

A exegese nunca é um fim em si mesma. A pregação expositiva consiste em cavar idéias na Bíblia e relacioná-las com o cotidiano das pessoas. Para se pregar eficientemente não basta estudar a Bíblia. É necessário estudar também os ouvintes. Tenho que trazer juntos o mundo antigo e o meu próprio mundo, o que Deus disse no passado e o que quer dizer agora.

Tomemos 1Tessalonicens 1.2-6, por exemplo. Nesta passagem Paulo agradece a Deus pelos cristãos tessalonicenses por causa dos resultados que emanavam da sua fé, esperança e amor e também pela evidência de que eles haviam sido escolhidos por Deus. Não posso pregar um sermão dando graças a Deus pelos tessalonicenses. O que isto tem a ver com o meu auditório? A idéia tem que ser mais direta e pessoal: vou agradecer a Deus por outros cristãos, por aquilo que eles fazem pela obra de Deus e por causa daquilo que Deus fez por eles.

O maior obstáculo a superar é na ocasião de transferir do texto todos os nomes próprios, lugares, incidentes e descrições. O sermão não deve falar do passado, mas do presente. O pregador tem que ajudar a congregação moderna a ouvir Deus falando hoje de um texto tido como antigo. É necessário eliminar todos os nomes próprios (exceto o de Deus ou Jesus ou Espírito Santo) dos pontos principais da mensagem. Devemos deixar de lado qualquer detalhe que atraia a atenção mais para o então do texto do que para o agora do desafio de Deus na mensagem. Vamos exemplificar. Uma pessoa preparou uma mensagem na parábola do filho pródigo desta maneira:

Título: “Sua Procura“

1. Ele procurou por liberdade

2. Ele procurou por aceitação

3. Ele procurou por propósito

Seria uma excelente mensagem se fosse pregada ao filho pródigo, mas que é inadequada para um auditório moderno. Seria muito melhor tornar a mensagem mais genérica e, ao mesmo tempo, mais pessoal, como se segue:

Título: “Um Jovem Buscando Satisfação”

1. Um jovem buscando por liberdade

2. Um jovem buscando por aceitação

3. Um jovem buscando por propósito

Assim fazendo, estou falando aos jovens de hoje e não ao pródigo de ontem. Lembre-se: o sermão trata de realidades presentes e não de coisas do passado. Não falamos para falecidos, mas para contemporâneos.

ESTÁGIO QUATRO: DETERMINAR O TEMA DA MENSAGEM

É necessário decidir sobre o que, exatamente, a mensagem vai tratar. Qual é o tema? Alguns pregadores fazem uma porção de considerações sobre o texto e acabam não dizendo nada. O que queremos dizer?

Muitas vezes o tema está claramente expresso na própria passagem. Cecil Taylor tem uma mensagem baseada no Salmo 51.3, mostrando os passos que Davi sabia que tinha que dar antes que pudesse pregar aos transgressores e ver pecadores voltando-se para Deus (Sl 51.13). Um tema excelente para se pregar a evangelistas, pregadores, pastores e seminaristas. A idéia, Taylor tirou do v. 13, mas os passos (vendo o v. 13 como um clímax), dos versículos anteriores. Antes que qualquer cristão possa ensinar aos transgressores os caminhos de Deus e vê-los convertidos, é necessário que haja a remoção do pecado (51.1-9), renovação de um espírito reto (51.10), reconhecimento da obra do Espírito Santo (51.11) e restauração da alegria da salvação (51.12). O que ele quis dizer, o que determinou como tema da mensagem, foi isto: para levar os perdidos ao Senhor, o povo de Deus precisa por algumas coisas em ordem.

Agora, um exercício prático. Com as idéias de Cecil Taylor, construa um esboço de sermão, respeitando a linha aqui mostrada.

Em outras ocasiões, o tema é apenas sugerido pelo texto. Por exemplo, em Romanos 1.11-13, Paulo deu as razões pelas quais desejava estar junto com os cristãos de Roma. Ele queria “repartir com eles alguns dons espirituais” (1.11), “ser confortado juntamente com eles” (1.12) e “obter alguns frutos” no meio deles (1.13). Aqui estão algumas das razões que levam qualquer pessoa à igreja: dar alguma coisa, uma bênção (1.11), receber alguma coisa, como encorajamento (1.12) e ajuntar alguma coisa, ou seja, fruto (1.13), isto é, convertidos em crescimento cristão. Assim desenvolvi um sermão com o título “Por Que Ir à Igreja?”. As divisões ficaram:

1. Para dar alguma coisa

2. Para receber alguma coisa

3. Para ver frutos

Preste atenção: Paulo e os romanos foram deixados de lado. O tema passou a ser o sugerido pelo texto. Paulo queria ir à igreja de Roma, então, a linha passou a ser essa: por que ir à igreja? Basta seguir nesta direção, portanto.

ESTÁGIO CINCO: COLOCAR CARNE NO ESQUELETO (RECHEAR AS DIVISÕES)

Sendo o sermão expositivo, é necessário que cada divisão esteja calcada no texto bíblico. Os exemplos anteriores mostraram isso. Mas achadas as divisões, vem a pergunta: “E agora, como rechear isso?”. Como desenvolver o esboço?

Quatro coisas podem ser feitas para que desenvolver os pontos ou divisões: redeclarar, explicar, provar ou aplicar.

A redeclaração simplesmente apresenta a idéia do texto em outras palavras, para clareá-la ou para enfatizá-la. Às vezes faço questão de repetir a idéia do autor com minhas palavras, para que o povo saiba, exatamente, o que está sendo dito. A redeclaração responde à pergunta: “Oque foi dito?”.

A explicação responde à pergunta: “O que isto significa? Em 1Coríntios 12.13 Paulo declarou que “todos nós fomos batizados em um Espírito formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer livres”. Ele estava partindo de um pressuposto que eu não posso ter: seus ouvintes sabiam o que ele estava dizendo. Mas se eu usar a expressão “batismo em um Espírito”, meu ouvintes, provavelmente, não saberão do que trata. Tenho que me antecipar às suas dúvidas e me preparar para responder tais perguntas em meu sermão.

A prova responde à questão: “Isto é verdadeiro?”. Não que se esteja questionando qualquer parte da Bíblia (embora o auditório incrédulo possa assim fazer). É mais uma questão psicológica: nem sempre a aceitação vem pela simples citação das Escrituras, tornando-se necessário comprovar a declaração, através do raciocínio e de ilustrações. O apóstolo Paulo, por exemplo, entendeu que a validade de sua argumentação não vinha apenas do Antigo Testamento. Era necessário provar, pelo senso comum e pela vida. Quando ele desejou provar à congregação dos coríntios que os ministros tinham o direito de serem pagos pelo seu ministério, argumentou com as Escrituras, mas também com a experiência, com o que se via no dia a dia. Leia-se o texto de 1Coríntios 9.7-12.

Se como pregador eu falhar em responder à pergunta “isto é verdade?”, estarei falando somente para aqueles que já estão convencidos de que o que eu prego é verdadeiro. Para falar a todos os meus ouvintes, eu preciso tratar honestamente desta pergunta ou questão.

A aplicação responde à pergunta: “E daí, o que diferença isto faz hoje?”. É fundamental que o pregador explique e argumente com a verdade da passagem e que não deixe NUNCA de relacionar a verdade com a vida dos seus ouvintes. Nós não pregamos para defuntos dos tempos bíblicos. Pregamos para nossos contemporâneos. O sermão precisa chegar a este ponto: “Entenderam bem? É isso que vocês devem fazer!”. Se não fizermos assim, não haverá resultado nem sentido em nossa pregação. É necessário mostrar que o que foi dito faz diferença hoje.

Resumindo: para rechear as divisões é necessário redeclarar, explicar, provar e aplicar.

ESTÁGIO SEIS: PREPARAR A INTRODUÇÃO E A CONCLUSÃO

A introdução é altamente relevante. Ela necessita chamar a atenção e conduzir os ouvintes ao principal, o corpo do sermão. A conclusão deve encerrar o sermão e levar a uma decisão. Se o pregador notar que, em sua introdução já preparada, não conseguirá atrair bem a atenção do povo para o que vai discutir, ele necessita trabalhar mais sua introdução. Se o pregador não pode mostrar, na conclusão, o que pregou e o que espera que as pessoas façam, deve trabalhar mais esta parte do sermão. Na realidade, tenho um problema aqui. Todos os livros de Homilética dizem que a introdução deve ser preparada por último. Geralmente é a primeira parte que faço, porque ela me direciona em toda a argumentação. Muitas vezes mudo conceitos e dou nosso novo arranjo às frases, mas via de regra a introdução é a primeira coisa que faço no sermão.

Um bom padrão para estabelecer a conclusão é este: o que o pregador pensa que Deus espera que seja a reação dos ouvintes? Como as pessoas devem responder a Deus? Isto determinará o rumo da conclusão.

CONCLUSÃO

Dois dos adversários dos pregadores de hoje são a preguiça e a autocondescendência. O pregador faz um esboço e acha que já está bom, porque já tem o que dizer. Não busca a excelência, que é fazer o melhor. E é autocondescendente: está satisfeito com o que fez e consigo mesmo. Ser um bom pregador demanda trabalho e uma constante insatisfação com a qualidade de sua produção. Um desejo de querer fazer o melhor, sempre, sempre. Sem estas duas características, trabalho e autocrítica, o pregador terá pouco sucesso em seu trabalho. Deus pode abençoar, mas o pregador estará sendo irresponsável. Que nunca sejamos irresponsáveis.

O SERMÃO BIOGRÁFICO

O sermão biográfico é aquele que aborda a vida de uma personagem bíblica, extraindo dela princípios para a nossa vida. Ele busca ligar uma vida do passado às vidas presentes, usando aquela para esclarecer e orientar estas. Pela sua natureza, é bastante atraente. Os livros que tratam desta área, biografia, mesmo os seculares, mostram boa vendagem. O povo gosta de biografias. Gosta também, de saber das lutas e vitórias de outros crentes e como imitá-los. É bom ver que grandes vultos do passado passaram por crises semelhantes às nossas e as venceram.

Caracterizemos bem o sermão biográfico. Não é contar a história de algum personagem bíblico, tirando lições para nossa vida. Isso pode até ser edificante, mas não é um sermão. Um sermão carece de idéias concatenadas, postas em argumentação crescente até um clímax. As idéias devem ser atuais, mostrando relevância para o auditório. Muita pregação falha por isso. É irrelevante. Gente normal não perde sono com heteus, cananeus, girgaseus, geografia da Palestina ou costumes de uma cultura distante no tempo e no espaço. Perde o sono com problemas de relacionamentos domésticos, emocionais, profissionais ou estudantis. Com inflação, doenças, desemprego, traição de amigos, etc. Houve gente na Bíblia que passou pelo que o ouvinte passa? Como sobreviveu? Alguém tem um filho rebelde? Davi precisou fugir do filho Absalão. Um rapaz luta para se manter puro diante do assédio de uma mulher mais experiente? José passou por isso. Esta é a possibilidade do sermão biográfico. Há séculos que a humanidade vivencia os mesmos problemas de relacionamentos, com variações pequenas. Foi assim nos tempos bíblicos. O que enfrentamos que eles não enfrentaram? A Bíblia focalizou essas questões e as respondeu, como sempre, de maneira admirável. Cabem aqui as palavras de Billy Graham: “O homem é precisamente o que a Bíblia diz que ele é” 6. Quer conhecer bem o homem? Estude a Bíblia, mais que filósofos e sociólogos.

1. O benefício da pregação biográfica

Os sermões biográficos ajudam o pregador em cinco aspectos principais.

Primeiro: Levam-no ao estudo sério da Palavra de Deus. É necessária muita leitura bíblica, muito cotejo de textos e verificação de citações. O pregador deve saudar com efusividade todo sermão que exija dele tempo com as Escrituras. Numa época de fast food, em que predominam a pressa e a superficialidade, o púlpito tornou-se emissor de banalidades. Boa parte dos sermões nada acrescenta à vida do povo. Infelizmente com certa dose de razão, alguém definiu um pastor tradicional como “Uma pessoa invisível durante a semana e irrelevante aos domingos”. A demora no estudo da Palavra é salutar. Para o pregador e para o povo.

Segundo: Tornam-se motivo de aplicação mental. É necessário analisar muito bem, porque a ordem cronológica pode não ser a melhor para a apresentação das idéias. Até mesmo a ordem em que os trechos surgem pode não ser a melhor. Exige reflexão, acuidade mental, raciocínio lógico.

Terceiro: O ato de debruçar-se sobre personalidades exemplares (boas ou más) é fonte de crescimento. Debruça-se sobre o caráter de pessoas que fizeram coisas dignas de registro (boas ou más) e que podem nos transmitir lições.

Quarto: Este tipo de sermão agrada às pessoas, mais particularmente a adolescentes e jovens, que gostam de biografias. Veja o volume de livros seculares sobre a vida de pessoas. Até sobre a vida deVera Fisher…

Quinto: Seu grande valor está em que lidam com vidas e não apenas com exposição de conceitos. Trata de questões reais e de gente de carne e osso, como nós.

Sexto: Há abundância de material sobre o assunto. Quantos personagens bíblicos há? Há muitos livros sobre o assunto. De um só relance alisto os seguintes: All the Children of the Bible, The Women of the Bible, All the Kings and the Queens of the Bible e All the Men of the Bible, todos de Lockyer; Mark These Men, de Baxter; Men Who Knew Christ, de Lasor; Estos Vinieron a Jesus, de Meyer, Doze Cristãos Intrépidos, de Coleman, e Doze Homens Comuns, de MacArthur Jr. Usei este ultimo numa série de sermões sobre os apóstolos, e me foi muito proveitoso. Ou seja, há material farto e de boa qualidade para ajudar no estudo dos vultos bíblicos.

2. Um exemplo negativo de sermão biográfico

Alguém preparou um sermão biográfico sobre Isaque. Abordou a política de Isaque de abrir novos poços quando lhe tomavam um. A idéia era excelente, mas o sermão só serviu para cavadores de poços. O sermão ficou no passado, com os verbos ilustrando ação acontecida e trazendo o nome do personagem no título e nas divisões. Perdeu a contemporaneidade. Um sermão sobre Gideão, que poderia ter sido muito interessante, pois Gideão não é muito conhecido de nossas igrejas, fracassou por completo. O título foi “A Vida de Gideão”. As divisões foram:

1. Gideão colocou a vida nas mãos de Deus

2. Gideão foi sincero para com Deus

3. Gideão se dedicou por completo à obra de Deus.

Analisando o esboço, observamos algumas coisas:

1ª.) O título é ruim. Nada diz sobre os ouvintes ou sobre nossos dias. E é muito genérico, nada dizendo. Só serviria para alguém chamado Gideão.

2ª.) Os verbos estão no passado, remetendo o ouvinte ao ontem do texto, quando se deveria trazer a lição do texto para o hoje do ouvinte.

3ª.) As divisões são típicas de uma análise histórica e trazem um defeito de formulação: a 1 e a 3 guardam semelhanças. Na realidade, dizem a mesma coisa com palavras diferentes.

Um pregador mais experiente modificou o esboço que ficou assim:

Título: “Um Jovem a Serviço de Deus”

1. Um jovem a serviço de Deus precisa ser sincero

2. Um jovem a serviço de Deus precisa ser consagrado

3. Um jovem a serviço de Deus precisa dar a glória a Deus.

Nesta nova estrutura, o pregador juntou o que eram as divisões 1 e 3, e usou o texto de Juízes 8.23 como base para a divisão 3. Gideão se recusou a ser rei, dizendo que o Senhor reinaria sobre o povo. Na conclusão, o pregador comentou que Gideão fez um éfode (Jz 8.27) que mais tarde levou o povo à idolatria. Concluiu dizendo que um jovem a serviço de Deus não deve deixar brechas, com suas atitudes, para que o nome de Deus seja desonrado.

Como se vê, não basta ter um personagem nem esquematizar sua vida. É preciso relevância, contemporaneidade, evitar-se a repetição de idéias e facilitar a assimilação por parte do auditório. Para este último fim, manter um número de palavras semelhantes nas divisões é bom. Ajuda a memorizar o que se disse.

3. Um exemplo positivo de sermão biográfico

Veja este sermão sobre Sansão. O título é “A Fraqueza do Forte”. As divisões ficaram assim:

1. A inocência da infância – uma promessa esperançosa

2. As tentações da mocidade – um perigo ameaçador

3. A pecaminosidade da maturidade – uma tragédia fatal.

Um esboço deste tipo é acompanhado pelo povo com muito mais interesse. Se fosse apenas um esquema histórico, boa parte das pessoas se desligaria do assunto. Não haveria relação alguma entre o que estava sendo dito com a vida dos ouvintes.

É preciso trabalhar bem as idéias. No livro de Lockyer, All the Men of the Bible, o autor apresenta um esquema sobre a vida de Nicodemos. Deu-lhe o título “O Homem que Veio a Jesus à Noite”. As idéias para as divisões são:

1. Ele veio a Cristo (Jo 3.2)

2. Ele falou por Cristo (Jo 7.45-52)

3. Ele honrou a Cristo (Jo 19.38-40).

O exemplo é singular, pois a cronologia vem em uma argumentação crescente. Mas como sermão deixaria a desejar. Utilizei a idéia de Lockyer (concedendo-lhe o devido crédito), adaptando-a para a seguinte forma:

Título: “Uma Tardia Demonstração de Amor”

1. A tristeza de perder oportunidades (Jo 3.1-9)

2. A tristeza do medo do envolvimento (Jo 7.45-52)

3. A tristeza de uma ação inútil (Jo 19.38-40).

Na introdução fiz a ligação entre os conceitos “tardia” e “tristeza” para não trabalhar com conceitos diferentes, no título e nas divisões.

Lockyer concluiu com uma bela frase: “É melhor dar flores para um vivo do que guardá-las para seu sepultamento”. Usei a poesia de Mirtes Mathyas, “Se podes dar-me uma flor, dá-me uma flor agora”.

Ao invés de ler os três textos como base para o sermão, li apenas João 3.1, que introduz Nicodemos na Bíblia e disse que usaria outros textos.

Apresento um esboço de estudo bíblico sobre Josafá, que apresentei em minha ex-igreja. Note que é um estudo e não um sermão, o tom foi mais coloquial, os participantes tinham a cópia e acompanhavam o desenrolar do estudo com ela e a Bíblia aberta. Tomei liberdades estruturais que não tomaria num sermão. Falei sobre Jeosafá e usei os verbos no pretérito, nas divisões. Num sermão, apresentaria os conceitos, e não Jeosafá:

IGREJA BATISTA DO CAMBUÍ

PERSONAGENS DA BÍBLIA – JEOSAFÁ – Apresentado em 30.8.7

TEXTO INICIAL: 1REIS 15.24

Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

INTRODUÇÃO

Jeosafá significa “Iaweh é juiz”. Filho do rei Asa, que empreendeu uma boa reforma, recebeu este nome e teve um caráter orientado pelo pai. Algumas marcas de sua vida podem nos orientar. Vejamos com atenção, pois ele é um modelo de homem piedoso.

1. ELE TEVE UM PAI QUE O ORIENTOU BEM – 2Crônicas 14.1-5. Veja-se a oração do seu pai em 2Crônicas 14.11. Mas estudamos Jeosafá ou Asa? Estamos vendo como um pai pode influenciar seu filho no bom caminho. Jeosafá andou no bom caminho: 2Crônicas 17.3-6. Os filhos devem perseverar no bom caminho que os pais ensinam.

2. ELE DESENVOLVEU UM SISTEMA DE INSTRUÇÃO RELIGIOSA PARA O POVO – 2Crônicas 17.7-9. Muita gente segue a Cristo, é realmente convertida, mas nunca usa sua posição para levar outras pessoas ao conhecimento da verdade. Jeosafá quis ensinar o povo. Quando testemunhamos, somos abençoados, como Jeosafá o foi: 2Crônicas 17.10.

3. ELE LIDEROU UM DESPERTAMENTO RELIGIOSO E JURÍDICO

Em 2Crônicas 14.4, seu pai comandou uma volta ao Senhor por parte do povo. E foi um exemplo para o filho, que orientou os juízes para serem pessoas corretas: 2Crônicas 19.5-7. Não usou nem torceu a justiça em seu benefício, mas podia servir de orientador aos juízes! E ainda orientou os sacerdotes: 2Crônicas 19.8-10.

4. ELE CONFIOU EM DEUS NO MOMENTO DE CRISE

Em 2Crônicas 20.1-3 ele busca ao Senhor em hora de crise. Sua fé era muito firme: 2Crônicas 20.17-18 e 20. 20-21. Na hora da crise mostramos a confiança que exibimos nos nossos cânticos ou nos descabelamos? É fácil ser firme na igreja e no louvor. Mas e na hora da crise? Jeosafá era fiel em qualquer momento.

5. ELE COMETEU UM ERRO – AJUNTOU-SE COM QUEM NÃO PRESTAVA

Fez aliança com Acabe, rei de Israel. Jeosafá era rei de Judá, fiel e temente e Deus. Acabe era pusilânime, idólatra e comandado por uma mulher sagaz e oportunista. Em 1Reis 22.1-4, está o registro da aliança. Nos versículos 5 e 6 se vê que os dois não falavam a mesma linguagem. O que Jeosafá viu em Acabe? Ele não andou no caminho de Israel: 2Crônicas 17.4. Acabe ainda o traiu: 1Reis 22.30-33. Mas Deus fez justiça: v. 34. Cuidado com gente falsa e aduladora!

CONCLUSÃO

A biografia de Jeosafá se encerra em 2Crônicas 20.31-32. Palavras elogiosas. Que o versículo 32 seja o epitáfio de cada um de nós!

4. Cuidados a tomar na confecção do sermão biográfico

Este tipo de sermão é fácil de se construir, mas alguns cuidados devem ser tomados em sua confecção. Alistamos alguns deles.

1º.) Escolha um texto que sirva de base para a linha a ser seguida no sermão. Se houver muito material sobre a vida da personagem, não é necessário ler tudo para o público. Leia um texto que baseie sua linha de pensamento. Deve ser um texto que sirva de ponto de partida ou de alicerce para a argumentação. Como fiz no sermão sobre Nicodemos.

2º.) Outros textos que servem de base para as divisões e argumentação poderão ser lidos durante o sermão. O esboço de um sermão sobre Barnabé explicita bem estes dois pontos:

Título: “Um Modelo de Vida” (IGCF)

Texto: Atos 11.22-24

1. É um modelo por ter o coração posto na obra (At 4.36-37)

2. É um modelo pelo apoio dispensado aos novos crentes (At 11.20-25)

3. É um modelo pela sua firmeza na graça (At 15.2)

4. É um modelo pela visão para compreender novos tempos (At 13.46-52)

3º.) Durante o seu estudo, leia todos os textos que se relacionam com os eventos marcantes da vida do personagem ou até mesmo todos os textos que se relacionem com ele. Pode ser que seja alguém do Antigo Testamento com aspectos de sua vida esclarecidos no Novo Testamento. Hebreus 11 mostra que Abraão esperava que Deus ressuscitasse Isaque dos mortos, o que Gênesis 22 não mostra. Veja se os dois Testamentos dizem algo sobre a pessoa.

4º.) Leia sobre a vida do personagem em um dicionário bíblico. Nele você encontrará uma sistematização cronológica. Mas cuidado, não se guie pela cronologia na sua estrutura. Guie-se sempre pela argumentação crescente. A cronologia pode ajudá-lo na compreensão da vida das pessoas, mas prejudicá-lo na exposição.

5º.) Não conte história. Pregue um sermão. Uma história cresce em cronologia e um sermão, em argumentação. Também não repita o texto com suas palavras. Isso é tautologia. Há muitos sermões tautológicos: lê-se algo e se repete o que se leu, com outras palavras. Veja o que o texto tem a dizer.

6º.) Deixe de lado aspectos do biografado que não sejam relevantes para o povo de hoje. Busque o que interessa. Veja os princípios que podem ser aplicados à vida de hoje. Costumes daquela época, moedas, geografia, indumentária, isso é secundário, quando não dispensável. Centre-se no essencial. Leve o povo a ver que seus problemas e suas necessidades foram experienciados no passado e que há soluções mostradas na Bíblia. Este é o ponto mais forte do sermão biográfico: mostrar ao povo que seus problemas são enfocados pela Palavra de Deus.

7º.) Esqueça o nome da personagem tanto no título quanto nas divisões. Centre a argumentação nos princípios que funcionaram naquela época e que funcionam hoje. Um exemplo está em um sermão sobre João Marcos. A idéia inicial, quando comecei a trabalhar as informações, era esta: “como o rapaz vacilante rejeitado por Paulo tornou-se indispensável ao apóstolo, no fim da vida”. Houve mudança na vida de João Marcos. Como mudar? Como amadurecer? No geral, sem poder centrar em uma passagem específica, o texto base, como ponto de partida, foi Atos 12.12. O título ficou sendo “É Possível Amadurecer” e contou com duas divisões:

1. Analisando as opiniões adversas

2. Sabendo refazer os caminhos.

8º.) Tenha bastante cuidado com a contextualização. Já citamos o exemplo do sermão sobre Isaque. Foi uma pena. Um pregador mais hábil fez Amós dirigir seu sermão aos políticos brasileiros, ao empresariado, à classe religiosa que busca vantagens nas relações sociais e fez uma chamada ao povo para exercer a solidariedade. Foi um sermão pregado em Brasília, na capela da FTBB, e teve, pelo local, grande significado. Sintetizou a pregação de Amós e teve fartura de material para sustentar as idéias. Quanto à contextualização esta deve ser feita sem forçar situações, mas levando a vida da personagem responder a questões hodiernas.

MODELO DE EXEGESE NUM TEXTO HISTÓRICO

Um dos problemas para o pregador é preparar um sermão em um texto histórico. Como fazer exegese em narrativa? Para discutir o processo de exegese em livros históricos, apresento um esboço de sermão que preguei num trabalho de jovens de uma igreja na região de Campinas. Após o esboço, mostrarei como este foi montado. A finalidade não é mostrar um sermão de minha autoria, mas sim como podemos transformar um texto histórico em uma mensagem contemporânea sem forçar a situação. Procuro mostrar qual o processo que uso. Não o descobri em livros, mas através do trabalho e da intuição. Vou repartir o método, mais do que mostrar um esboço que fiz.

Tempos atrás, a Universal lançou a campanha da “Espada de Gideão”. Com base na citação de Juízes 7.20 (“As três companhias tocaram as trombetas e despedaçaram os jarros. Empunhando as tochas com a mão esquerda e as trombetas com a direita, gritaram: ‘À espada, pelo SENHOR e por Gideão!’” – NVI), a IURD distribuiu espadas de plástico (custando R$ 1,00 nas lojas de Manaus, mas pelas quais se pedia a módica oferta de R$ 40,00) com que se podiam despedaçar as dificuldades da vida. Isto não é uma exegese. É um uso absolutamente inadequado do texto bíblico. O uso do texto histórico requer alguns cuidados na interpretação e na aplicação. Não se pode isolar o texto não apenas do seu contexto, mas da sua história e da sua cultura. Ele narra um momento histórico, que não pode ser alegorizado, no tocante ao seu entendimento. Isto é diferente de fazer a aplicação homilética. Repito: para entender o texto não se deve trazer o texto para o nosso tempo. Deve-se ir ao tempo do texto. Em muitos círculos de estudos bíblicos vemos uma atitude estranha. Lê-se o texto e se pergunta: “O que você acha?”. Não é esta a pergunta. É: “O que o texto mostra que aconteceu?”. Não se pode tornar o texto contemporâneo. Isto é diferente de ver aplicações para os nossos contemporâneos e de usar uma linguagem contemporânea. Mas deixe o texto na sua época. Veja aplicações para a nossa época. Mas deixe-o no passado.

Devemos usar de atenção e cautela, aqui. Há hoje uma pregação maciça no Antigo Testamento, mas esta é feita desconsiderando-se o ensino cristão de que o Novo Testamento é o parâmetro que interpreta o Antigo Testamento. Este tem sido usado sem exegese, apenas como suporte para práticas as mais esdrúxulas possíveis. Como se pode fazer uma boa exegese de um texto histórico? E como tornar algo do passado em algo válido para nós, sem perdermos o senso de respeito pelo texto bíblico? Porque muitas vezes se desrespeita o texto, fazendo-se com que ele diga o que queremos e não mostrando o que ele está dizendo. Tentaremos mostrar aqui, se não como fazer uma boa exegese, pelo menos como fazer uma que seja razoável, mas que não violente a Bíblia.

1REIS 17.1-7

UM MINISTRO SOFRIDO, PORÉM ABENÇOADO

INTRODUÇÃO

Elias aguça a imaginação. “Yah é El” (“Iahweh é Deus”). Ministério: 1Rs 17-19 e 21, e 2Rs 1-2. Esteve na transfiguração. Vinda prometida precedendo o Messias (Ml 4.5), designando outro grande vulto, o Batista (Mt 17.12-13). Símbolo dos profetas. Cálice de vinho sobre a mesa para ele, em solenidades judaicas, hoje. Três apocalipses atribuídos. Impressionou a mente dos judeus. “Os aparecimentos raros, súbitos e breves de Elias, sua coragem indômita e seu zelo ardente, o fulgor dos seus triunfos, o patético do seu desânimo, a glória do seu passamento e a tranqüila beleza de sua reaparição no Monte da Transfiguração, tornam-no um dos vultos mais grandiosos e românticos que Israel produziu” (Halley). Mas: Tg 5.17. Seu ministério e lições para nós. .

1. UM MINISTRO SOFRIDO, PORÉM ABENÇOADO, PRECISA TER CORAGEM – Enfrentou Acabe sem medo: 1Rs 18.15-19. Mais de uma vez: 1Reis 21.17-24. Enfrentou os 450 profetas de Baal, sem medo, dando-lhes, a prioridade: 1Rs 18.22-25. Muita confiança na direção de Deus. Lição: ousadia e confiança. Ministério não é para inseguros.

2. UM MINISTRO SOFRIDO, PORÉM ABENÇOADO, DEVE SER INTERCESSOR – Voltemos no tempo: 1Rs 17.17-21. Lembramos coragem e lutas. Intercessor. Orava pelas pessoas. Não pedia notoriedade, mas a glória de Deus: 1Rs 18.36-39. Descobri isto agora. Orava pelo meu ministério, minha atuação. Passei a orar pelo rebanho e me queixar menos dele. Jesus: “Roguei por ti…”. “Oro por eles…”. Amar o rebanho e orar por ele.

3. UM MINISTRO SOFRIDO, PORÉM ABENÇOADO, TAMBÉM TEM FRACASSOS – Após vitórias, medo: 1Rs 19.1-4. Consagrados estressam. Queixou de Deus: 1Rs 19.8-10, 13-14. Deus veio e o recuperou. Isto é graça. Ninguém é forte para prescindir dela. Nem falha tão feio que deixa de recebê-la. Paulo: 2Co 12.9-10. São a oportunidade de Deus. Não se deprima com fracassos. Aprenda deles.

4. UM MINISTRO SOFRIDO, PORÉM ABENÇOADO, É HONRADO POR DEUS – 2Rs 2.1,11. Só ele e Enoque tiveram a glória: não morrer. Deus o poupou e o levou para junto de si. Nós morreremos, a menos que Cristo volte em nossa vida. Mas seremos honrados por Deus, se tivermos uma vida de serviço: Ap 14.13. Teremos galardão: 2Co 5.10.

CONCLUSÃO – A grande lição de Elias: Deus vê nossa fidelidade, nosso serviço, nos socorre em nossas fraquezas e nos galardoa. Vale a pena ser fiel a Deus. Ministros humanos, falhos, mas apaixonados pelo Senhor, dependentes da graça. Não somos semidivinos. Humanos, falhos. Mas triunfamos na dependência de Deus!

OPBB – Bahia, jan/2008

OBSERVAÇÕES

1. A primeira coisa a se fazer na exegese de um texto histórico é delimitá-lo. Isto é, definir exatamente qual o trecho da história do personagem que vamos utilizar para subsidiar nossa mensagem. Sua história pode se estender por muitos capítulos. É necessário determinar que parte empregar. Não se podem ler dois ou três capítulos para uma mensagem. Até mesmo a exegese para uso pessoal, sem a preocupação de ensinar, se for feita num texto muito amplo, trará confusão. Limite o texto, portanto. Obviamente deve ser uma parte significativa, que lhe permita envolver e desenvolver as demais.

2. Se o texto for muito longo, não havendo possibilidade de delimitá-lo, use-se uma passagem que possa ser empregada como central ou como referencial, ao redor da qual toda a exegese orbite. Evite ficar desorientado. E evite desorientar o povo com uma leitura extensa.

3. No caso texto em tela, havia um pensamento completo. A exegese sempre obedece a um critério hermenêutico, mas quando ligada à confecção de uma mensagem, deve seguir uma linha que não pode ser ignorada: Qual é, exatamente, a mensagem central que aparece aqui? É o que, em Homilética, chamamos, no sermão, de propósitos geral e específico: o que queremos mostrar. A pergunta é esta: “No caso da exegese, o que, além do que o texto ensina, de forma global, desejo encontrar para ensinar ao povo?”. Não se trata de fazer o texto dizer o que queremos, mas de evitar detalhes desnecessários, de geografia, de cultura e explicações históricas que pouco acrescentarão. Algumas vezes esses detalhes enriquecem e elucidam, mas em outras (talvez a maioria) são perda de tempo. Seja atento! Há muita exegese inútil, cansativa, e até mesmo massacrante para o povo. Por isso muita gente acha que exegese é cansativa e que sermão expositivo é algo pesado. É preciso fazer a exegese limpa (sem direcionamento), mas também fazer uma exegese prática (o que observamos que será útil para o povo).

4. Especificamente aqui, subordinei à exegese a uma pergunta, produto de observação. A observação foi esta: Elias foi um ministro de Deus fiel e bem sucedido no trabalho. A linha de pensamento se manifestou numa pergunta: “Como ser um ministro assim?”. Muitas circunstâncias de sua vida tinham lugar no estudo. Mas eram circunstanciais. Um cuidado que se deve tomar na pregação é não priorizar o circunstancial sobre o essencial. É óbvio que, se está na Bíblia, tem razão de ser e deve ser analisado. Mas lembre-se: nós não ensinamos curiosidades, mas vivencialidade para o povo de Deus. Podemos achar que certos detalhes são curiosos, mas a questão é esta: “acrescentam alguma coisa à vida?”. Podem ser até atraentes, mas desviar a atenção do auditório para o secundário. Nossa preocupação não de ser a de mostrar erudição ou exibir nossas pesquisas, mas auxiliar o povo a se apropriar das promessas e advertências da Palavra de Deus.

5. Lido o texto várias vezes, a linha exegética foi esta: como um obreiro pode ser um ministro fiel? O texto de Tiago 5.17 foi utilizado para mostrar que Elias não foi um super-homem, mas um homem como nós. Por isto, podemos nos mirar nele. Isto é fundamental: a utilidade da exegese num texto histórico vai depender da capacidade do exegeta de mostrar princípios de vida daquela história que servem para a história das pessoas hoje. Se o exegeta falhar nisto, de nada vai adiantar o seu trabalho. Ensinará curiosidade e não vivencialidade. Efetuar exegese por exegese, sem busca de princípios para nossa vida, é desperdício de tempo. Ensinamos a Bíblia e não curiosidades da Bíblia, sempre vale a pena repetir.

6. Neste caso, a exegese foi elaborada em termos de procurar princípios de valor universal para aplicar hoje. Atenção: numa exegese encontramos princípios de valor relativo, temporários, e princípios de valor universal que transcendem tempos e épocas. O bom exegeta sabe ver os dois tipos, mas entende que os primeiros nada acrescentam à vida das pessoas. Por exemplo: se eu me centrasse nas roupas de Elias e sua indumentária, isto nada traria para meu auditório. Na realidade, isto não é nem mesmo um princípio. Mas serve como ilustração: é possível encontrar um princípio (ou material) que nada acrescente. Os princípios que servem para hoje foram encontrados e forneceram as três divisões do sermão. Mas eis um princípio cultural e limitado historicamente, que eu não posso usar: a ordem para matar os idólatras. Está lá como atitude de Elias, mas não pode ser a dos meus ouvintes. Isto foi um princípio relativo a uma época.

7. Na divisão dois, centrei-me em eventos na vida de Elias que serviam para meu auditório. Atenção: estas atitudes foram encontradas prestando atenção nas ações. Novamente um princípio de exegese que temos enfatizado: preste atenção nas ações, nos verbos, preste atenção em mudanças de atitudes, em atitudes mesmo, naquilo que os verbos estão mostrando. Lembre-se: verbos mostram ação. Substantivos mostram conteúdo. Adjetivos mostram emoções. Todos têm seu lugar e devem receber atenção. Estão dizendo alguma coisa. Quando analisar verbos, preste atenção no que está sendo feito. Há uma ação sendo desenvolvida. Quando se centrar nos substantivos, preste atenção naquilo que está sendo dito, na substância do evento. Quando lidar com os adjetivos procure ver o que as pessoas estavam sentindo ou atribuindo valor (ou Deus estava sentindo ou atribuindo valor). São categorias diferentes de palavras e categorias diferentes de valores.

8. Outra questão: não basta achar os princípios. É necessário torná-los contemporâneos aos ouvintes. Eles, os princípios, devem ser relevantes. Isto é fundamental. O texto registra uma história, a de Elias. Nós não devemos estudar o texto para pregar aquela história. Não pregamos Elias. Nós pregamos os valores daquela história e sua aplicabilidade ao nosso auditório. O Espírito Santo aplica as verdades da Palavra aos pecadores, cremos nisto. Mas o exegeta tem uma função e deve cumpri-la bem: ele cava verdades nas Escrituras e as torna claras, sem dubiedade, para seus ouvintes. Não podemos deixar dúvidas na mente do povo.

9. É preciso distinguir entre a verdade em si e o que a verdade ensina. Entre a simples presença, que é a forma, e o conteúdo que é o que está sendo mostrado. Neste segundo aspecto, há outro ensino a recolher: é preciso prestar atenção no que o personagem está dizendo. Nem sempre o que o personagem está dizendo é a palavra de Deus. Toda a Bíblia é a Palavra de Deus, mas os personagens podem estar expressando opinião pessoal. Um exemplo, fora deste texto: os amigos de Jó deixaram vários discursos ao longo do livro de Jó. Alguém pode pegar um texto deles e pregar. Mas corre um risco. Deus os censurou: “Depois que o SENHOR disse essas palavras a Jó, disse também a Elifaz, de Temã: “Estou indignado com você e com os seus dois amigos, pois vocês não falaram o que é certo a meu respeito, como fez meu servo Jó” (42.7, NVI). O exegeta pode estar trabalhando um texto que não expresse um bom ensino sobre Deus, ou uma teologia sadia. Outro exemplo: “sabemos que Deus não ouve a pecadores”, disse o ex-cego de nascença (João 9.31). Uma exegese aqui tem que ser bem criteriosa. Se Deus não ouve a pecadores, a quem ouve, então? Se não ouve a pecadores, de que nos vale orar? É preciso saber se o que está sendo dito é uma verdade linear, clara e objetiva, ou se traz algo oculto em si. Se o termo tem o significado a que estamos acostumados. Se a pessoa tinha credencial para dizer o que disse, etc. Evite a visão linear, simplista, principalmente num texto histórico. Tenha sempre em mente que um texto histórico não é teologia, mas narrativa. É a interpretação da história pelos autores bíblicos, e não um tratado teológico. Não elabore preceitos teológicos em textos históricos. Em outras palavras, não faça teologia em eventos históricos. Podemos ver as lições teológicas, mas fazer teologia é outra coisa. Elabore atitudes de vida. Como exegetas e ensinadores da Bíblia, buscamos os princípios na narrativa e os aplicamos à vida dos ouvintes.

UMA PALAVRA FINAL

O que vale a pena ser feito vale a pena ser bem feito. A pregação é a mais sublime tarefa que podemos desempenhar. Se cremos mesmo que a Bíblia é a Palavra de Deus e cremos mesmo que recebemos uma chamada de Deus para pregá-la aos homens, pregar bem deve ser um desafio para nós. O comodismo é incompatível com o caráter do pregador do evangelho e com a dignidade da pregação. Deve ser muito bem feita. Para isto devemos estudar sempre e buscar melhorar. E voltemos ao nosso tema: o púlpito contemporâneo deve ser bíblico, cristocêntrico, bem preparado e sério.

Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho para os Pastores Batistas do Amapá, novembro de 2009



E se cremos que pregar o evangelho é glorificar a Deus, devemos fugir do estrelismo. Toda a glória deve ser de Deus. O lema de cada pregador sério deve ser o do Batista: “Que ele cresça e eu diminua”. Seja assim conosco.

1 PETERSEN, Eugene. Ânimo – o antídoto bíblico contra o tédio e a mediocridade. S. Paulo: Mundo Cristão, 2ª. ed., 2008, p. 107.

2 Aos interessados, recomendo a leitura de Apologética cristã no século XXI, de Alister McGrath, o chamado “intelectual de Oxford”, principalmente o tópico “A apologética é baseada na capacidade de Deus comunicar sobre si mesmo em linguagem humana”, a partir da página 31. O livro é da Editora Vida.

3 Sobre isto, veja a obra de Francis Schaeffer, He is there and He is not silent, Editora Logoi, Miami.

4 MACARTHUR JR.,John. Pense biblicamente: recuperando a visão cristã de mundo. S. Paulo: Hagnos, 2005.

5 PETERSEN, op. cit., p. 107.

6 GRAHAM, Billy. Mundo em chamas. Rio de Janeiro: Record, 1965, p. 15.
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