sábado, 25 de agosto de 2012

MODELO DE PATERNIDADE SEGUNDO DEUS-PAI

TEXTO BÍBLICO: Marcos 1.9-11

INTRODUÇÃO:
· Hoje, no Brasil, comemoramos o dia dos pais. Homenagens, lembranças, saudades e outros sentimentos mais se afloram em muitas pessoas e locais. Tempo de celebração desta entidade familiar/social que vive dias de crise em seu papel na sociedade atual.

A noção de Paternidade compreende diversos aspectos, entre eles ter autoridade, estabelecer limites, transmitir afeto, ser modelo de masculinidade, ser modelo de relacionamento, mostrar caminhos para a vida, indicar possibilidades de crescimento, ser um agente de diferenciação entre mãe e filho, que funcionam como um modelo para relações saudáveis pela vida. Esses são conceitos que se escuta muito e que parecem pertencer a um “ideal” de pai. Todavia, há atualmente um imenso abismo entre o ideal e o real.
Leonardo Boff em seu livro Pai Nosso, declara:“Estamos, como dizem alguns, a caminho de uma sociedade sem pai. Todas as culturas, hoje vigentes, são patriarcais, mas em profunda crise. O progresso tecnológico impossibilita manter a dominação em estilo paterno. A imagem do pai vai se esfumando; sua atividade profissional se torna cada vez mais invisível para o filho e sua distância (...) rouba-lhe a autoridade. A sociedade patriarcal está sendo substituída pela sociedade sem pai ou por uma sociedade fraternal...

Freud nos ensinou que, para cada homem, a idéia de Deus é formada a partir da imagem do pai; o seu relacionamento com Deus depende do relacionamento tido com o pai. Esta base servirá de trampolim para o filho elaborar sua imagem de Deus que seja fruto de uma fé madura e não sedativo do instinto de proteção”. (Leonardo Boff Pai Nosso, a oração de libertação integral – capitulo 3).
Aproveitando esta data especial de nosso calendário, gostaria de caminhar em nossa reflexão nesta direção – realizando uma abordagem bíblica sobre o tema da paternidade. Mas não da paternidade segundo a ótica da psicologia, ou o modelo da sociologia – mas sob a percepção de Deus – a Paternidade segundo Deus-Pai!

TRANSIÇÃO: Porque é que estamos dizendo isso ? O que isso tem a ver com o texto lido nesta hora?

NARRAÇÃO:
O texto que lemos nesta manhã nos traz uma declaração inaugural de Deus sobre a pessoa de Jesus: “Este é o meu filho amado e nele tenho todo o meu prazer”! Não há paternidade sem filiação. E o Evangelho de Marcos é assim que inicia seus relatos: “Princípio do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus” (1.1). Todavia, é o Evangelho de João que explora de maneira mais incisiva esta percepção da paternidade de Deus.
O estudioso bíblico José Comblin afirma: “De certo modo, podemos dizer que toda a substância do quarto evangelho consta de 15 palavras e que os discursos de Jesus são feitos de todos os jogos possíveis entre essas 15 palavras... a mais citada e central no Evangelho de João é a palavra Pai – 119 vezes”. (Jesus, o enviado do Pai – J. Comblin, capítulo 1).
Todavia, é no Evangelho de Marcos que lemos uma das declarações mais impressionantes da parte de Deus-Pai sobre o Deus-Filho: Jesus. Deus não apenas afirma sua paternidade, mas revela sua alegria em Cristo: “Nele eu tenho todo o meu prazer”.

Em nosso texto, Jesus acabara de ser batizado. Jesus ainda não tinha iniciado seu ministério terrestre. Jesus não havia sequer expulsado um demônio. Jesus não tinha curado ninguém, não tinha feito sequer um milagrezinho.... Jesus não havia vencido uma tentação... Não tinha ido a cruz... Jesus absolutamente não tinha feito nada, não tinha sequer dado início aos seus ensinamentos... mas apesar desta realidade, de nada ter feito – o Pai declara sobre o Filho, algo tremendo, impactante e emocionante: “Você é o meu Filho Amado em quem tenho todo o meu prazer”!

Eis aqui um modelo de Paternidade único, que precisa ser entendido e resgatado nos nossos relacionamentos familiares – A Paternidade Segundo Deus-Pai.

1. PATERNIDADE PRESENCIAL

O Evangelho de Marcos não se preocupa com dados e informações anteriores de Jesus, como – genealogia, identidade juvenil e outras mais. Marcos logo no primeiro capítulo já insere o início do ministério terreno de Jesus – após ser batizado por João. Este é, também, o corpo principal de todos os Evangelhos. E em Marcos, nos seus 16 capítulos vemos uma preocupação dupla: 8 capítulos falam de vida e 8 sobre a sua morte. A Grande pergunta do Evangelho encontra-se bem no meio deste: “Quem dizem os homens que eu sou ?” “Quem é Jesus ?”

O ministério de Jesus é inegavelmente o fator mais significativo de sua vinda e existência terreal. Mas uma coisa neste momento salta os olhos: Deus-Pai estava ali, presente neste momento de transição do anonimato para o ministério. Da obscuridade, para o paradigma cósmico da salvação. Deus-Pai ali estava. O Ministério seria muito adverso, desertos, tentações, oposições... mas quando do seu início, Deus ali se faz presente!

Como um modelo de paternidade, o Pai se faz presente, revela sua aprovação naquilo que era fundante na estrutura filial. Alguém pode afirmar: “mas Jesus na cruz brada – Eli,Eli, Lamá Sabactâni (Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste?). Aonde estava o Pai nesta hora final ?

Muitos pais jamais estarão nas horas finais da história de seus filhos. O tempo e a morte acabam pela naturalidade dos fatos impossibilitando esta realidade. Mas muitos pais nunca estarão no final e nunca estiveram no inicial. É no início da vida que o Pai faz diferença. Pais ausente geram filhos problemáticos... Pais que nunca foram em uma reunião de escola dos filhos, que não tem tempo para as homenagens do dia dos pais.... Pais que estão sempre viajando, sempre em trânsito, sempre adiando um tempo com seus petizes... Eles crescem sem pai... Não terão seus pais no fim, e nunca os tiveram no decurso de suas vidas!

O modelo de paternidade de Deus-Pai nos ensina a realidade do presencial!

2. PATERNIDADE RELACIONAL

Um outro aspecto significativo do modelo paternal de Deus-Pai é o fator relacionalidade. A relação do pai com o filho é de graça e amor. Não se vê no texto exigências, imposições, críticas. Vê-se o afeto na expressão – Filho amado!

A relacionalidade se estabelece na comunicação, no diálogo, na afirmação de filiação. Há famílias em que o diálogo já desapareceu há muito tempo. O modelo de paternidade segundo Deus-Pai requer relacionalidade. Na trindade, Pai, Filho e Espírito Santo se relacionam harmoniosamente...
O Rev. Samuel Vieira declara que “há dois conceitos na Bíblia que o Islamismo jamais aceitaria:

a. O Deus que não é o Todo-Solitário – Na Biblia vemos um Deus acompanhado. Deus não está sozinho. Ele é Pai, Filho e Espírito Santo. No Islamismo, Alá é aquela figura de Deus fechado em-si-mesmo. Um Deus solitário, distante e indiferente. No Islamismo não existe o conceito de Deus Pai, consequentemente, Jesus nunca será o Filho. No Islâ, Deus não é Pai e não se relaciona com seus filhos. 

b. Um outro conceito bíblico que jamais será visto no Islamismo – é a ideia de que Deus é amor. Alá tem 99 nomes. Nenhum deles diz respeito a amor. Deus para o Islã não é amor – é poder. Ele tem domínio, tem autoridade e todas as coisas acontecem dentro de um fatalismo chamado MAKTUBE: tudo está escrito, tudo está determinado”.
Mas quando voltamos nossos olhos as Escrituras Sagradas, é interessante vermos como a Trindade vive esta relação de fraternidade, de inter-relação entre cada pessoa – O Pai ama o Filho que honra o Pai e ambos enviam o Espírito... Este é o modelo. Deus nos diz – é assim que eu quero que vocês vivam. Um modelo de paternidade relacional, inclusiva e presencial.

2 Samuel 13, 14, 15, nos apresenta um relato da família de Davi – homem segundo o coração de Deus. Absalão havia tomado as dores de sua irmã Tamar e por conta disso, executou o assassinato de seu meio-irmão Amnom. Absalão foge para a casa dos avós e a Bíblia nos relata que o pai, Davi fica 2 anos sem falar com seu filho. Davi fechou a porta da comunicação, do diálogo, da repreensão... Davi cortou relações, levantou muros e barreiras ao seu filho... Absalão então resolve tomar o poder e destituir sdeu pai do reinado. O final da história: Absalão morre e Davi que se omitira em seu papel paternal chora dizendo: “Absalão, Absalão meu filho; meu filho Absalão...” agora era tarde! Pai alienados no trabalho, filhos que crescem mal amados e revoltados.

3. PATERNIDADE AFETIVA

Eu quero destacar em terceiro lugar, que as duas únicas declarações públicas que o Pai faz a respeito do Filho, ele afirma o seu amor e seu prazer nele:“Este é o meu filho amado em quem me comprazo...” Ele faz aqui no batismo e depois no monte da transfiguração.

· Um dos grandes escritores na área de teologia do nosso mundo contemporâneo é John Pipper, um pastor batista americano, que esteve no Brasil, tempos atrás, em um encontro da SEPAL. Pipper escreveu um clássico em teologia chamado DESIGN GOD, que foi traduzido para o português como – A Teologia da Alegria. Toda a tese do livro de John Pipper é estruturada em cima da primeira pergunta do breve catecismo: “Qual o fim principal do homem?” Você sabe a resposta? “O fim principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre”.

Há um grande equívoco na mente de muitas pessoas quanto a esta resposta. Muita gente entende estas palavras como sendo – “honrar a Deus e glorificá-lo para sempre”. E não é isso que o catecismo declara – ele declara que devemos Glorificar e Gozar!
John Pipper afirmar que somos chamados com um duplo propósito na vida:

- o primeiro propósito é Glorificar a Deus;
- e o segundo propósito igualmente importante, é Gozar a Deus, ou seja, desfrutar prazerosamente a nossa relação com Deus.
É provável que a gente até entenda um pouco da primeira parte – de que o fim principal do homem é glorificar a Deus, que nascemos para adorar o ser divinal, e que a Ele devemos culto. Mas muita gente não tem qualquer afinidade com a segunda questão – as pessoas tem uma grande dificuldade em desfrutarem da relação com Deus com prazer.

Isto porque, muitos de nós, na verdade, nunca sentimos prazer em Deus. Digo isso e repito porque é algo muito sério. Muitos de nós nunca sentimos prazer em Deus. Isso nada mais é do que o que Lucas descreve na Parábola do Filho Pródigo.

Sofremos da Síndrome do irmão mais velho da parábola do filho Pródigo (Lucas 15). O irmão mais velho nesta parábola é aquele que nunca saiu da casa do Pai, que viu o irmão mais moço desonrar ao Pai quando requereu seus bens e foi-se embora. Ele jamais deixou a casa do Pai. Ele sempre fez tudo direitinho pro Pai. Mas quando o filho mais moço retorna, quebrado, humilhado, derrotado, o Pai o acolhe com alegria e da uma grande festa. Aí o filho mais velho revela toda sua revolta.

Ele é aquele que jamais saiu da casa do Pai, mas que jamais usufruiu com prazer desta relação... Nunca teve um churrasco com os amigos, nunca fez uma festa, viveu sem liberdade de filho, viveu como um escravo sem prazer... O que ele diz é o que aprendemos: Aprendemos que devemos vir a casa de Deus, aprendemos a respeitar as coisas de Deus, a dar nosso dízimos... mas desenvolvemos tudo isso dentro de uma imagem de obrigação/ de servos/ de serviçais, e alguns até com medo de serem castigados pela divindade. Perdemos de vista o fato de que Deus nos chama a um relacionamento de prazer com Ele. De que Deus sente prazer em nós.

Pipper teologiza dizendo que - Só há uma possibilidade de glorificarmos a Deus, é quando usufruímos de sua presença e companhia com prazer e não por obrigação...

É preciso pensar um pouco nesta espiritualidade do afeto. É preciso pensar um pouco nesta espiritualidade do amor. Eu creio que temos perdido muito desta percepção de que Deus, como Pai, tem prazer em nós – e consequentemente, nossas relações paternais seguem o mesmo conceito. Se não percebemos, não reproduzimos. Se não nos vemos como objetos do prazer e do amor de Deus Pai, como teremos em nossas relações paternais esta aplicação ? E mais, se então nossas relações não obedecem a Paternidade do Afeto – do Pai ao Filho, o que obedece então? Qual o modelo de Paternidade?

4. PATERNIDADE QUALITATIVA

Além da presença, além da relacionalidade, além da afetividade, o que o texto nos ensina é que a relação Deus-Pai e Deus-Filho é marcada por contentamento, por prazer de um na relação com o outro. Nada há mais de qualitativo do que tempos preciosos de mutuo contentamento.. aquelas tardes gostosas de comunhão e prazer.

Muitos pais pouco tempo tem para seus filhos, e quando tem, o tempo é subdividido em outras realidade mais. O pouco tempo que se tem acaba por se transformar em discussões, agressões, broncas, xingamentos, desacordos...

A atual geração de pais demonstra modelos assustadores. Alguns revelam que veem seus filhos como estorvos e/ou problemas. Quando estes filhos crescem passam a devolver a seus pais o mesmo tratamento:
- Casal Nardoni – Jogaram filhinha do alto de um prédio.
- Suzane Von Ristophen – Assassinou seus pais pela herança

5. PATERNIDADE CONFIAVEL

O texto de Marcos afirma que logo após o batizado, e toda manifestação divinal, Jesus é levado para o deserto para ser tentado.

O Pai sabia o que o Filho enfrentaria. O Pai permite que o Filho siga caminho do deserto. Mas antes, o Pai declara-lhe todo seu amor e prazer. O Filho seguiria seu ministério, seguiria em face as tentações, adversidade... literalmente, seguiria ao deserto – mas com a confiança do Pai!

Pai – só existe a possibilidade de confiança quando se sabe quem é, o que pensa e como age o Filho. Confiança é fruto de relacionamento verdadeiro, durável e profundo.

Muitos pais criam seus filhos para si mesmos. O Pai cedeu Jesus aos desertos, hostilidades e enfrentamentos da vida. Não devemos criá-los sem a percepção de que a vida é dura, que o que nos aguarda a frente pode ser um deserto... Mas devemos fazê-lo com a declaração de confiança, amor e prazer.

CONCLUSÃO:
Quer tipo de Pai é você?
Há um ditado que afirma: “Deus é Pai”! e isso com toda razão.
Mas Deus é também modelo de paternidade para todos nós. Se desejamos resgatar o papel essencial da paternidade, o modelo a ser seguido é o de Deus:
- Paternidade Presencial
- Paternidade Relacional
- Paternidade Afetiva
- Paternidade Qualitativa
- Paternidade Confiável

http://carlosorlandijr.blogspot.com.br
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