quinta-feira, 4 de agosto de 2011

O Reino de tudo ao contrário

 
             Era uma vez um rei que reuniu todos os seus sábios para discutir a organização do seu reino que estava crescendo muito. Queria escrever uma constituição que regesse todos os cidadãos e fosse a Lei Magna. Queria códigos para o comércio, trânsito, construções, agricultura, uma lei que controlasse a moeda, o dinheiro e os impostos. O rei desejava que o seu reino fosse o mais organizado e assim não houvesse nenhum problema. Para tanto, enviou seus sábios para correrem todos os reinos da terra para verificarem a organização de outros países. A comitiva era enorme e cada um carregava nos lombos de seus animais grande quantidade de papéis para fazerem as anotações do que vissem pelo caminho e nos reinos que visitassem.
                Um dos sábios, chamado Bartimeu, foi designado para o oriente e, lá chegando, encontrou um rei idoso que lhe falou a respeito de um reino perfeito. Ele contou que quando era jovem, juntamente com dois outros reis, seguira uma estrela que levara até uma manjedoura. Ali encontraram, conforme a profecia, uma criança recém-nascida que trazia no seu semblante a glória de Deus.
                Contou também que trinta anos se passaram desde então e que agora o menino havia se tornado homem e ensinava sobre o tal reino. Assim, o velho rei insistiu para que este sábio fosse até a terra de Israel e procurasse aprender com Jesus, as tais leis deste reino perfeito. Como poderia ser esse reino de Deus? Como seriam suas leis, sua forma de governar?
                Quando finalmente chegou lá, não foi difícil encontrar Jesus. Logo, o sábio maravilhado pode claramente confirmar tudo o que ouvira a Seu respeito. Por longo tempo, o homem acompanhou tudo que Ele falava. Com muita tristeza viu chegar o dia de voltar para seu reino, mas estava alegre por poder compartilhar com seus irmãos tudo que havia aprendido.
                Quando todos os sábios haviam voltado para o reino, o rei promulgou uma grande assembléia para que fossem discutidos os relatórios que cada um deles trazia. Um por um começou a abrir os livros com infindáveis anotações. Eram leis e mais leis.
                Quando enfim chegou a vez do sábio Bartimeu, sua primeira frase despertou em todos uma gargalhada, pois ele disse que trazia as leis de um reino perfeito e que o chamava de “O REINO DE TUDO AO CONTRÁRIO”.
                - O reino do qual estou falando – disse Bartimeu – embora pareça estranho à primeira vista, é na verdade perfeito, sem qualquer defeito. Nos reinos que meus irmãos sábios diligentemente procuraram, encontraram muitas leis, mas encontraram também injustiças, pobreza, tristeza e toda sorte de miséria. No reino de tudo ao contrário não há nada disso.
                O rei ficou muito curioso e pediu que Bartimeu se explicasse sem mais delongas. E assim o sábio passou a explicar que as leis daquele reino eram completamente diferentes das leis dos homens.
                - Quanto à constituição do reino era de tudo ao contrário, dizia: “Aquele que é maior que sirva ao menor”.
                - Quanto à lei das finanças, dizia: “É dando que se recebe”. Esta lei deveria ser aplicada inclusive nas relações econômicas e na agricultura.
                - Quanto ao pagamento de impostos: “Daí a César o que é de César e daí a Deus o que é de Deus”.
                - Quanto à lei social: “O menor é o maior, o último é o primeiro. O fraco é forte. Todo aquele que se humilha será exaltado”.
                - Finalmente com relação ao trânsito e demais relações humanas: “Fazei aos outros, tudo que quereis que vos façam”.
                Todos os sábios e o rei acharam essas palavras maravilhosas, mas infelizmente não tiveram fé para pô-las em prática. Assim de cada país copiaram e adaptaram muitas leis. Fizeram muitas outras e até hoje estão fazendo mais e mais. Porém, o reino continua com os mesmos problemas e outros se agravaram.
                Ora, é tão impossível que algum um reino deste mundo adote as leis do Reino de Deus? O único lugar em que ele pode existir, então, é dentro de cada um de nós, quando nos é revelado pelo Espírito Santo. Nesse momento, se assume uma nova cidadania e se encontra a justiça, a paz, alegria que os homens e suas leis não têm.
Autor desconhecido.
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