Quando a religiosidade toma o lugar da obediência a Deus

Ao longo da história, em vários lugares, em diversas ocasiões, o povo de Deus substituiu a obediência pelos rituais religiosos. Foram zel...

Crianças que não gostam do Dia da Criança

Já se foi o tempo em que, nas igrejas, havia apenas dois grupos: os adultos e as crianças. Ninguém falava em jovens, tampouco em adolescentes. Líderes e professores — por falta de informação — agiam como se os infantes, na véspera de completarem quinze anos, dormissem crianças, para acordarem, no dia seguinte, adultos.

Com o passar do tempo, a juventude foi “descoberta” — não existia formalmente. E, quando todos pensavam que tinham descoberto a América, alguém “encontrou” os adolescentes! A bem da verdade, já estava escrito na Bíblia havia muito tempo: “... a adolescência e a juventude são vaidade”, Ec 11.10.


Neste artigo, ao discorrer sobre os pré-adolescentes, também chamados de tweens, daremos ênfase à necessidade de a ED (Escola Dominical) ser dinâmica em seus métodos pedagógicos, bem como estar atenta às mudanças do mundo. Há duas décadas, as crianças ingressavam na escola aos sete anos. E, quando chegavam aos quinze, eram consideradas jovens. Não havia, formalmente, a transição denominada adolescência, que inicia com a puberdade.


O fenômeno do momento é a rapidez com que as crianças conseguem interagir com os mais velhos. Elas estão cada vez mais adolescentes. O fato de começarem a freqüentar a escola, em geral, antes dos dois anos contribui para a aceleração de seu desenvolvimento. Aos seis, já sabem ler, escrever e usar o computador!


Quem são os tweens?


Há alguns anos, psicólogos constataram que entre a infância e a adolescência existe — ou começou a existir — uma fase transitória. Ou seja, toda criança, antes de chegar à juventude, passa não somente pela adolescência, mas também pela pré-adolescência. E se engana quem pensa que esta é apenas o finalzinho da infância ou o início da puberdade. Os tweens de fato existem e são uma geração altamente consumidora formada por filhos únicos ou que possuem no máximo um irmão.


O vocábulo tween é a forma reduzida do inglês between, cujo significado é “no meio de”. Tal redução deve-se à similaridade gráfica com teen (adolescente); só que o termo em apreço aplica-se à transição de criança para criança crescida, a qual pensa que já é adolescente.


Tweens
 são crianças crescidas: têm, em média, entre sete e doze anos. Não são adolescentes, biologicamente, porque, nesse período, em geral, sequer entraram na puberdade. No entanto, consomem artigos como tênis, celulares, Internet etc. Seus pais — principalmente quando não têm uma boa situação financeira — consideram-nas abusadas, sem limites, precoces; e ficam revoltados com o seu potencial de consumo.


Suas características marcantes são: sentimento de independência e vontade de consumir produtos do mundo adolescente. E o mercado sabe explorar bem isso. Um exemplo é a revista Atrevidinha, voltada para a geração tween feminina. Ela tem conquistado meninas crescidas, que, na adolescência, se tornarão leitoras deAtrevida. O problema é que, com isso, as crianças recebem informações antecipadas sobre assuntos com os quais não precisariam se preocupar agora, como namoro, sexualidade etc.


A convivência dos adultos com os pré-adolescentes não costuma ser tranquila, uma vez que são crianças, mas com a “rebeldia” dos adolescentes. A linguagem deles às vezes espanta. Eles são inteligentes, rápidos de raciocínio. E suas brincadeiras não são nada infantis. Mas lembre-se: esses pré-adolescentes ainda são crianças! E é preciso ter muito tato e paciência ao lidar com eles.


Embora infantes, os tweens se consideram adolescentes. Gostam de ser desafiados, falam como gente grande, formam “panelinhas” e são especialistas em computador. Biologicamente, são crianças, mas não podemos ignorar os seus hábitos adolescentes, mesmo que sejam frutos de mera imitação. E, se tais atitudes fazem parte da fase em que vivem, os professores de ED têm de saber como cativá-los.


A importância da família


Tudo ficaria mais fácil para os educadores, se os alunos pré-adolescentes fossem orientados pelos pais, em casa. Aliás, isso propiciaria um caminho de mão dupla, ótimo para os dois lados. E os pais, nessa relação de reciprocidade com a ED, seriam os principais beneficiados. A criança que é ensinada em casa aprenderá mais na igreja, e isso produzirá uma melhor aprendizagem em casa; e assim por diante, numa escalada cíclica.


Entretanto, muitos pais transferem a responsabilidade de educar para os professores de ED. Esquecem-se de que é função deles instruir as crianças no caminho em que devem andar (Pv 22.6). E foi o próprio Deus quem estabeleceu esse processo: “E estas palavras que hoje te ordeno estarão no teu coração; e as intimarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te”, Dt 6.6-7.


O psiquiatra Içami Tiba escreveu: “A herança genética está nos cromossomos. Mas desde o nascimento a criança absorve o modo de viver, o como somos, da família”.(1) Cabe aos pais combater desde cedo as influências às quais seus filhos são expostos diariamente. Os professores de ED também farão isso, porém a responsabilidade maior é dos genitores. Esta verdade é enfatizada em Provérbios, que apresenta o coração como uma tábua em que os filhos escrevem a instrução do pai e a doutrina mãe (1.8; 3.1-3 e 7.1-3).


Erram os pais — e também os professores — que encaram como algo normal uma menina ser vaidosa como uma adolescente. Esse fenômeno é fruto da sociedade, influenciada pelo consumismo e pela preocupação excessiva com o corpo e a imagem. Nota-se, no mundo, que a infância, uma etapa fundamental no processo de desenvolvimento humano, tem sofrido grandes modificações.


Em meu livro para adolescentes, o Adolescentes S/A, discorro sobre as principais influências filosóficas dessa fase, como o imediatismo, o consumismo, o hedonismo, o narcisismo, o relativismo e o erotismo.(2) Os tweens têm grande dificuldade para entender as respostas “não” e “espere”, além de transformarem objetos supérfluos em essenciais. É função dos pais saber dialogar e negociar com eles. Içami Tiba também alerta: “A falta do não e o exagero do sim impedem a criança de desenvolver valores relacionais”.(3)



Outra característica dos tweens é procurar ter as suas próprias regras. Por isso, os pais devem convencê-los, com muito tato e compreensão, de que não podem fazer o que querem nem sair sozinhos à noite. Se eles não forem instruídos nesse período de adolescência antecipada, na fase teen será muito mais difícil. E, se os pais não os educarem agora, lamentarão amanhã.


Em razão dessas influências que mencionamos, os tweens não têm interesse por programas próprios para suas idades; seus hábitos são dos mais velhos. Para eles, a roupa e o comportamento teen os transformam em adolescentes, mesmo que não estejam de fato nessa fase. Isso é um perigo! Devido à alimentação e aos avanços tecnológicos, as meninas estão menstruando mais cedo, e o processo de entrada na adolescência é acelerado.


No mundo, prevalece a filosofia “Se algo dá prazer, então faça”. E os tweens desejam namorar — ou melhor, “ficar” —, mas não têm idade para isso; querem passar a noite em claro, no computador, participar de programas noturnos etc. Içami Tiba aconselha: “Há situações com as quais os pais podem arcar, como o consumismo, mas em termos de comportamentos é preciso muito cuidado, pois o corpo pode não estar ainda preparado para os programas que o tween quer fazer”.(4)


A mídia tem contribuído sobremaneira para que as crianças apresentem comportamentos precoces, como a erotização. É papel dos pais opor-se a essa perigosa influência, respeitando cada etapa do desenvolvimento de seu filho. Conquanto seja uma tendência, tratar um infante como adolescente é prejudicial biológica e emocionalmente para sua formação.


Necessidade de adequação


Diante do exposto, o quê fazer? Temos de nos adaptar à nova realidade, o que não significa, em hipótese alguma, conformismo. A adequação se dá no campo educacional, e não no dos princípios. Temos de estar preparados o suficiente para conversar com os tweens na linguagem deles, pois só assim conseguiremos convencê-los a não se conformarem com o mundo (Rm 12.2), fugindo dos maus desejos da mocidade (2 Tm 2.22).


Se os professores de ED ignorarem esse novo segmento, dificilmente terão sucesso em suas aulas. Os mais antigos, principalmente, devem se reciclar, uma vez que o comportamento de um aluno de dez anos, hoje, nem de longe se parece com o de uma criança com a mesma idade há duas décadas. Como as perguntas dos tweens possuem uma certa dose de abstração e complexidade, requer-se dos educadores uma preparação de aula que considere esse aspecto.


Em resumo, o caminho para a boa formação de nossas crianças é a educação, em casa e na ED. “Todas as grandes alterações comportamentais começam pequeninas até ficarem evidentes e prejudiciais. Corrigir o que já se modificou é muito mais difícil do que mudar o que está se alterando”.(5)



Ciro Sanches Zibordi

Artigo publicado originalmente na revista Ensinador Cristão, CPAD 

Notas:

TIBA, Içami. Quem Ama, Educa!, p. 29.
ZIBORDI, Ciro Sanches. Adolescentes S/A.
TIBA, Içami. Anjos Caídos, p. 298.
TIBA, Içami. Adolescentes: Quem Ama, Educa!, p. 39.
Idem, p. 174.

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