sábado, 24 de março de 2012

Em defesa da CENSURA! 2

O meu post anterior gerou uma série de comentários, uns com mal entendidos, outros irados, e outros até positivos e de apoio. Respondi a todos os comentários, lá, mas continuo o assunto com observações adicionais, algumas contidas naquelas respostas.

O nome do meu texto original foi “Em defesa da Censura”! Por alguma razão estranha, muitos leram tanto o título, como o conteúdo, como uma defesa à criação de uma confraria de censores de vestes pretas, articulando suas decisões em porões obscuros em bases subjetivas. 
Mas o fato é que, para defender a censura, não precisamos dessa categoria de pessoas: os censores. Bastaria a aplicação da Lei da Terra que já existe e que, pela misericórdia divina e sua Graça Comum, reflete, ainda que de longe, a Lei Moral de Deus. Por exemplo – por que o estatuto da criança é olhado apenas para coibir “trabalho infantil”, ou para impedir o exercício da disciplina em colégios e outras instituições? Quem está preocupado em proteger as crianças do incentivo nauseante à sexualidade precoce? Ou seja, basta aplicarmos leis que já existem, que a bandalheira que aí está seria pelo menos diminuída. Precisamos que cidadãos se levantem contra a baderna que impera e que governantes e magistrados ajam como Ministros de Deus na promoção da justiça e das verdades, punindo os maus e recompensando os bons.

Quando os crentes se inibem, deixam de se indignar, ou – quando se indignam – mas acham apenas que “isso é um problema meu e da minha família”, prejudicam a sua missão na terra e, na melhor das hipóteses, estreitam a influência que deveriam ter como sal da terra e luz do mundo. Ninguém está defendendo a substituição da proclamação do evangelho salvador de Cristo pelo exercício consciente da cidadania, mas uma coisa não exclui a outra.

De onde vem essa ingenuidade cristã, demonstrada por alguns, de que a sociedade civil e as suas leis são neutras e se constituem um regramento moralmente estéril para regular a sociedade secular? As sociedades prosperam no exercício da justiça na medida em que preservam o que Deus diz que deve ser preservado e condenam aquilo que deve ser condenado. Impossível, clamam alguns! Será? Não é essa a ótica da Palavra de Deus. O fato é que a grande maioria dos cristãos subestima a abrangência da grande verdade que é a criação das pessoas à imagem e semelhança de Deus. Subestima também o ensino sobre os que não têm o conhecimento direto de Deus, achando que são incapazes de qualquer traço de moralidade, mas a Bíblia registra que eles têm a lei dele impressa em seus corações.

Creio que temos um descaso pela forma como Deus age, derramando sua Graça Comum sobre a Terra (diferente da Graça Especial – que é salvífica). E isso leva os cristãos a dois polos – retratados em alguns comentários: (1) Aceitação acrítica da secularização da sociedade – “o que eles definirem está bom; é o que lhe compete, e nada tem a ver com os pilares e princípios de nossa fé”; ou (2) a sociedade secular é completamente má e pervertida; “temos de proteger a nossa família deles e tão somente pregar o evangelho, pois não há nenhum ponto em comum e nunca defenderão os princípios reais de justiça”. Esses extremos têm um ponto de contato: consideram que a religiosidade e os princípios da religião verdadeira são questões particulares. Defender a censura e um “basta!” para a dissolução moral seria “impingir a visão cristã de mundo aos demais”, e isso não seria correto nem praticável.

Ocorre que a defesa de “um estado laico”, por cristãos, é com frequência equivocada. Em vez de promoverem e defenderem um estado que não abrigue ou promova uma determinada religião – o que é defensável; aceitam um estado que é divorciado de princípios universais de justiça, que Deus, por sua misericórdia, ainda mantém até na consciência dos ímpios. Nessa ânsia de abstrair o estado da religião, retiram dos governantes o papel de ministros de Deus, como a própria Bíblia os considera. Ministros para que? Para servirem na condenação do mal e na promoção do que é bom e verdadeiro. Engolem a falácia coletivista de que os governantes não respondem primariamente a Deus, mas ao povo. Retiram-se da esfera governamental âncoras éticas e comportamentais que são, sim, defendidas pelos cristãos, mas deveriam também, ser a base do governo justo.

Acho pertinentes as palavras de um autor (você pode ler o artigo todo dele, aqui) que escreveu contra o mito de que “não se pode legislar moralidade”. Na realidade, ele afirma corretamente que “toda lei é uma moralidade legislada”, e adiciona que não podemos legislar pessoas morais, mas é possível, sim, legislar moralidade:
Leis contra roubo e assassinato nunca foram feitas para tornar alguém melhor,
nem pretendem fazê-lo. Elas têm o intuito de dissuadir as pessoas imorais de um
comportamento imoral por meio do medo da justiça. Nem parar num sinal de pare
faz você uma pessoa moral; o intuito não é torná-lo moral, mas fazer você
dirigir de uma forma que proteja a vida e propriedade dos outros. Os
magistrados, diz o apóstolo Paulo, devem ser um terror para os malfeitores; seu
propósito é controlar as pessoas que querem fazer o que a lei diz ser errado.
Muitos cristãos pensam que devem manter apenas as suas ações de evangelização, mas conservar os seus padrões apenas para “a comunidade cristã”, jogando a toalha da vida em sociedade, pois qualquer tentativa de reafirmar nossos princípios ao governo, não somente será inútil, como até será errada – pois estaríamos forçando nossa visão de vida aos demais. Crentes que pensam dessa maneira podem até se considerar cidadãos esclarecidos, mas diminuem o papel que devem ter na sociedade e o que deles espera o seu Criador. Essa é uma atitude politicamente correta, adorada pelos ímpios, mas inócua e inadequada ao cristão cidadão.
Ora se vamos ser politicamente corretos, paremos de evangelizar! A evangelização é o fruto de uma profunda certeza de que as verdades e o Deus das Escrituras são reais, e de que a mensagem de Cristo é real – convicção essa operada pelo Espírito Santo. Essa persuasão deve ser tão grande, que carreamos o anúncio a outros, indicando que só existe UM caminho, e apenas UMA forma correta de compreender a realidade, para sair da punição eterna e entrar na comunhão com o Criador. Essa exclusividade da fé Cristã, que não admite compartilhar O Caminho, com outras “fés”, é politicamente incorreta, mas é a própria mensagem, que nos legou Jesus Cristo, o Salvador, para que ressoasse pelo mundo por meio de nossas vidas e palavras.

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