sábado, 13 de outubro de 2012

Resposta a interpretação olaviana do texto Bíblico anti-sodomista/lesbiano Romanos 1.26,27

É com certo pesar que venho discordar do querido Profº Olavo de Carvalho sobre sua "exegese" do texto bíblico anti-homossexual presente com evidentes e sagradas letras na epístola do apóstolo Paulo aos Romanos 1.26,27. Resposta um tanto atrasada, sim, mas nunca é tarde para o debate, pois as fontes de Olavo que eu discordo ainda estão disponíveis nas suas páginas para serem conferidas, sendo assim, ainda são passivas de analise e críticas.

Olavo, em seus textos e vídeos disponíveis em seus sites, que rotineiramente tenho acompanhado e muito aprendido, demonstra ser um homem sincero apesar das fraquezas humanas - ele vez e outra confessa. É incentivador nato da boa intelectualidade/do conhecimento das boas literaturas, é perito sui generis sobre política - eficientemente contrário a qualquer forma de marxismo. É intérprete apurado de Aristóteles - o rei da lógica. Politicamente incorreto (é dos meus mesmo), é peremptórico contrário a ideologia gayzista e ao abortismo - é grande aliado conservador. Temos recomendado o seu trabalho em nosso blog com grande prazer.

Entretanto, quando Olavo se arisca a opinar sobre teologia (não de religião - isso ele é muito bom também) e interpretação bíblica é um deus nos acuda - todo aquele domínio e perspicácia que agente presencia quando Olavo se pronuncia sobre assuntos diversos dá lugar a um evidente constrangimento e insegurança. Creio não ser bem a praia dele! Assim como Olavo ensina que um filósofo verdadeiro é diferente daquele que possui somente conhecimento filosófico, assim eu diria que, um exegeta bíblico eficiente é diferente do conhecedor de religiões comparadas e filosofia da religião! Olavo tem vasto conhecimento religioso, mas como teólogo-intérprete bíblico (O que eu creio que qualquer um pode ser segundo o excelente conceito de Roger Olson & Stanley Grenz apresentado no livro "Quem precisa de teologia" - SP: Editora Vida 2002) é confuso e estranho, ou, talvez, um tanto tendencioso ao catolicismo romano que confessa professar - aí, coitada da nossa amada Bíblia em suas mãos né!

Ao ponto 
Bom, vamos a questão principal; o problema gira em torno do sentido da palavra"natural" presente nos versos 26, 27 de Romanos 1. No artigo de autoria de Olavo"O Apóstolo e seus leitores" (Mídia Sem Máscara - 20 Julho 2012) ele argumenta que não existe prova científica que possa nem por um milímetro comprovar que o homossexualismo é antinatural. É verdade, mesmo sendo contrário ao gayzismo, Olavo resolveu dar uma colher de chá à prática homossexual e usou uma passagem bíblica para contrariar quem entende diferente dele. Assim, quando o apóstolo denuncia que "... os homens, deixando o uso natural da mulher,..." (Rom 1:27 - homossexualismo) e também que "... até as suas mulheres mudaram o uso natural (do homem), no contrário à natureza." (verso anterior 26 - lesbianismo. A interpolação e os grifos são nosso). Paulo ainda volta a afirmar no verso 31 que eles não tem "afeição natural"), o termo "natural" nada tem haver com qualquer "estudo científico-experimental" (Op. Cit.) segundo seu ponto de vista sobre o conceito moderno de ciência.

Mas será que Paulo não tinha nenhuma ideia sobre nenhuma observação que se possa fazer no campo do material/empírico que lhe dava a ideia do homossexualismo/lesbianismo ser contra a normalidade da natureza? Será que o apóstolo apenas trabalha no que diz respeito a moral e, no máximo, esclarece à opinião Divina sobre este pecado?

Em vídeo, onde Olavo explica de forma mais detalhada o cerne do problema da interpretação comum do texto (veja aqui), o Profº digere que se trata de um erro de pensamento metonímico de se interpretar a palavra como se fosse uma coisa, e assim, traça um paralelo com uma teoria epistêmica conhecida como paralaxe cognitiva. Olavo diz que Paulo não diz antinatural neste texto, mas fora da natureza, extra, diferente. Fora ou diferente não pode ter o mesmo sentido que anti? Para Olavo não, que até chega a debochar do entendimento que os evangélicos têm da passagem, como se somente os evangélicos entendessem a passagem da forma como comumente é entendida. Creio que muitos padres entendem essa passagem como boa parte dos evangélicos, e que poucos evangélicos entendem essa passagem como Olavo a entende - os "evangélicos" (ou católicos) gays, para variar!

Então vejamos;
É claro que na época de Paulo não havia a concepção cientifica moderna como Olavo apresenta - testes e mais testes realizados em laboratório (aliás, não é necessário testes laboratoriais para entender que a pedofilia é desnaturada em todos os sentidos possíveis). Entretanto, é difícil imaginar que um homem como Paulo não tinha ciência empírica, noções do dia a dia, e da natureza material das coisas - neste caso da natureza anatômica humana. Logo Paulo que conviveu com Lucas a quem chamou de "o médico amado" (cf. Col 4.14). Creio que Paulo devia possuir algum conhecimento anatômico que podemos caracterizar como científico - que demonstra que o homossexualismo/ lesbianismo que abominou era totalmente estranho a biologia do ser humano, por isso não o tolerava e o repudiava como digno de morte! (cf. Rm 1.32 - É necessário que se diga que o apóstolo vê esse merecimento de morte como castigo de Deus - vide tradução da NVI: "Embora conheçam o decreto de Deus, de que as pessoas que praticam tais coisas merecem a morte,..." (grifo nosso). Ou seja, a vingança é Divina e não de quem não concorda com gays. (cf. ainda Rm 2.2; ) Ninguém tem o direito de tirar a vida de ninguém por causa de nada, com excessão de legítima defesa. Quem mata um gay comete um homicídio como quem mata qualquer outro ser humano, independente de qualquer coisa). Com toda certeza, além de Paulo conhecer bem a sentença Levítica (cf. Lv 18.22) e a opinião de Jesus (cf. Mt 19.4), podemos afirmar que tinha noções que podemos chamar de ciência, segundo uma significação simples/básica, de conhecimento empírico do dia a dia, da realidade do mundo, como por exemplo que;

- a homossexualidade é estéril, ou seja, não procria, não gera vidas.
- a homossexualidade causa diversas doenças no órgão genital e anal, médicos costumam atestar isso.
- a homossexualidade é fortemente rejeitada pela maioria das pessoas.
- a homossexualidade nega a concepção tradicional da família.
- a homossexualidade acabou com diversas civilizações que a tinham em predominância.
- a homossexualidade gera uma taxa de criminalidade mais alta, pois se colocam em situações de mais risco.
- o homossexual impetra um assédio desproporcional em suas vítimas. Etc...

Será que Paulo não sabia da anti-biologia homossexual, ou seja, não possuía esse"conjunto de fatos acessíveis à observação comum – fatos que incluem toda sorte de horrores e monstruosidades – e também, inseparavelmente, o símbolo vivo, ainda que imperfeito, da natureza primordial" (Op. Cit. grifo nosso) que podemos chamar de científico segundo um simples conceito?

Acho que ele devia ter em mente que se trata de uma prática fora do âmbito da natureza no sentido que tal estilo de vida é desfuncional em vários aspecto! Por isso usou o termo "natural" em sentenças contrárias ao entendimento comum do tema em que discutia. Creio que não é necessário um estudo científico-experimental que dê respaldo a essas evidências. Elas são claras de per si!

Assim, o sentido de "uso natural", "contrário a natureza" e "sem afeição natural", quer dizer contra aquilo que é normal da natureza material também, neste caso particular, contra a biologia/anatômica do ser humano! (p. x; de um anús/recto/orifício só se pode sair e não adentrar) Alguém muito bem já disse que “Paulo usa linguagem direta, para condenar a perversão do sexo fora do seu justo lugar: dentro do relacionamento conjugal de homem com mulher”.

Digo que, apesar da Bíblia testificar contra a homossexualidade em um determinado contexto moral, parece-nos não haver motivo para considerar tal prática contrária a concepção científica do corpo humano nos aspéctos apresentados acima, coisas mais básicas! Não creio que este ponto de vista possa ser contrariado, a não ser por fanáticos gayzistas - ativistas sem fundamentos da causa gay!

Mais uma escorregada do Profº
Olavo ainda apela a um suposto paradoxo (que ele denomina de tensão e ambiguidade) no texto bíblico entre as sentenças do verso 25 de Romanos 1 "... e honraram e serviram mais a criatura do que ao Criador,...", e a sentença do verso 26 "Porque até suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário a natureza." (grifo nosso). O filósofo vê aqui um fundamento para sua tese da naturalidade homossexual e questiona uma suposta contradição na interpretação comum do texto, Olavo questiona: "Como serviram a criatura e ao mesmo tempo foram contrários a natureza?" Aqui é um exemplo da fraqueza interpretativa em relação a Bíblia no pensamento de Olavo, ele conseguiu ver um paradoxo aonde não existe!

Não existe nenhuma ambiguidade Profº Olavo, pois a primeira sentença diz respeito a idolatria reinante na maior parte do mundo gentil, na qual animais eram considerados deuses (assim como homens e mulheres também, cf. o verso 23 anterior), por isso a expressão "serviram mais a criatura (ídolos em formato desses animais e humanos) do que ao Criador (Deus)", e nada tem haver com a ideia seguinte condenada pelo apóstolo - "contrários a natureza" - falando da prática lesbiana e homossexual! As conjunções por isso e porque seguinte no verso 26 explica (conjunções causais) o efeito gerado pelas atitudes (idólatras) anterior daquelas pessoas. Por causa (traduções ARA, NVI) da idolatria daquele povo, Deus os abandonou, permitindo (no sentido de impor o Seu juízo) que eles seguissem o curso de suas próprias mentalidades perversas (cf. verso 28), gerando assim, a maior das abominações já vistas no ser humano (se não uma das maiores - é a explicação seguinte do apóstolo), às práticas homossexuais masculina e feminina que ele relata na sequência!

Não acredito que o texto romano supra seja tão profundo assim a ponto de não parecer o que parece ser a primeira vista. Não creio que Paulo era consciente de alguma tensão ou ambiguidade na sua mensagem, aliás, no seu conselho a Timóteo ele diz para se evitar as contradições da falsa ciência (cf. 1Tm 6.20 vide melhor na NVI). Aqui o Profº Olavo escorregou na interpretação, ele pode ter razões em outros conceitos e teorias, como na luta contra a agenda política gayzista, mas exagerou nesse texto paulino! Existe entendimento melhor sobre a questão - a interpretação comum evangélica biblicista racional (diferente da ala fideísta)!

Repense professor

Abraços

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