quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Com metade dos votos, Obama diz querer dialogar com rivais

Reeleito com cerca de metade dos votos dos eleitores americanos, Barack Obama disse a apoiadores em Chicago, após a confirmação da sua vitória nas eleições desta terça-feira (6), que vai buscar diálogo com o rival republicano Mitt Romne

"Quero me sentar com ele e ver no que podemos trabalhar juntos para fazer com que os Estados Unidos avancem", disse Obama.

Obama venceu as eleições ao obter ao menos 303 votos no Colégio Eleitoral (eram necessários 270), contra 206 de Romney. Apesar disso, levando em conta a votação popular, a vitória foi apertada. Por volta das 8h30 desta quarta-feira (7), o democrata tinha 50% dos votos, contra 48% do republicano, em uma diferença de pouco mais de 1,3 milhão de votos.

Ele afirmou que deseja trabalhar com líderes do Partido Democrata e também do Partido Republicano em questões como a redução do deficit, mudanças nos impostos e na melhoria das leis de imigração.

No segundo mandato, Obama vai ter de lidar novamente com um Congresso dividido, com os republicanos dominando a Câmara dos Representantes (equivalente à Câmara dos Deputados) e os democratas no controle do Senado.

Ele afirmou que essa união é possível porque os americanos "não estão tão divididos como sugere a política".

O presidente Barack Obama comemora reeleição ao lado da mulher, 
Michelle, e das filhas, Sasha (à esq.) e Malia 
A mensagem do democrata é a de que é preciso deixar para trás a acalorada disputa eleitoral. "Nós batalhamos de modo ferrenho, mas apenas porque amamos profundamente este país."

De acordo com o presidente reeleito, essas discussões, muitas vezes "barulhentas", são "uma marca da liberdade" existente no país.

"Nós não podemos nos esquecer de que, neste momento, pessoas em nações distantes estão arriscando suas vidas apenas pela chance de discutir sobre os assuntos que importam, pela chance de votar como nós fizemos hoje."

Com a economia, considerada pelos eleitores como o principal tema dessas eleições, ainda patinando, e uma taxa de desemprego de 7,9%, Obama prometeu à população que "o melhor ainda virá".

"Nessas eleições, vocês, o povo americano, foram lembrados de que, apesar de o nosso caminho ter sido difícil, de a nossa jornada ter sido longa, nós nos levantamos, nós lutamos e sabemos que, para os Estados Unidos, o melhor ainda virá", afirmou Obama, que discursou depois de receber um telefonema de Romney em que o republicano reconheceu a derrota.

"Nossa economia está se recuperando, uma década de guerra está terminando, uma longa campanha eleitoral terminou. E não importa se eu ganhei seu voto ou não, eu ouvi você, e aprendi com você, e você me fez um presidente melhor."

Comemoração da reeleição de Barack Obama





















ROMNEY

Em um discurso curto, Romney reconheceu derrota para o adversário democrata. Sem aparentar frustração, Romney disparou uma frase que sintetiza seus esforços em 18 meses de campanha estafante. "Nós demos tudo de nós nessa campanha", discursou em Boston.

"Não acredito que qualquer esforço dos nosso partido no passado se comparou ao que fizemos neste ano."

Efetivamente, o republicano pediu votos até o último minuto. Após uma maratona eleitoral por cinco Estados na segunda-feira, ele ainda visitou dois Estados no dia da votação.

O candidato derrotado deixou de lado o criticismo contra o adversário, expondo somente que o país está num "ponto crítico" e que "democratas e republicanos", em qualquer nível do poder público, precisam colocar as pessoas "acima da política".

Derrota de Romney


















Mulher reage após resultado da derrota do candidato republicano Mitt Romney em Boston, Massachusetts

RETA FINAL
Foi uma disputa apertada. No último mês, Obama e Romney permaneceram virtualmente empatados nas pesquisas de intenção de voto, embora o presidente mantivesse uma leve dianteira, na maioria delas.

Na reta final, Obama conseguiu importantes declarações de apoio, como as do prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, ex-republicano, e de Colin Powell, ex-secretário de Estado de Bush.

Também discursou ao lado de Chris Christie, governador de Nova Jersey e estrela em ascensão do partido rival, de quem recebeu elogios sobre a atuação após a passagem da tempestade Sandy, que deixou ao menos 112 mortos nos EUA. A incisiva resposta de Obama à tragédia chegou a garantir uma pequena vantagem ao democrata nas pesquisas de intenção de voto realizadas nos últimos dias de campanha.

O esforço extra democrata para levar os desmotivados às urnas também pode ter sido fundamental para a reeleição. Nos últimos meses, sua campanha enviou centenas de milhares de voluntários às ruas em todo o país para tentar convencer eleitores com perfil democrata a sair de casa para votar.

Nem mesmo o alto investimento republicano conseguiu tirar Obama da Casa Branca. Até o meio de outubro, a campanha de Romney havia gasto US$ 1 bilhão na disputa, contra US$ 930 milhões de Obama, conforme o Centro por uma Política Responsável. A arrecadação do democrata foi quase dois terços maior que a do rival no mesmo período: US$ 632 milhões contra US$ 389 milhões.


HERANÇA
De seu primeiro mandato, Obama carrega uma série de promessas de campanha não cumpridas, como o fechamento da prisão de Guantánamo, em Cuba, e a regularização de imigrantes sem documentos. Também não conseguiu acabar com isenções fiscais para famílias com renda superior a US$ 250 mil por ano e nem estabelecer um cronograma para a redução de emissão de gases do efeito estufa.

No entanto, os principais desafios que Obama herda de seu próprio mandato são a recessão e o deficit --que ultrapassou mais de US$ 1 trilhão em todos os anos de seu governo--, e o desemprego, hoje em 7,9%. Desde Franklin Roosevelt (1933-1945), nenhum presidente foi reeleito com um índice de desemprego maior que 8%.

A gestão de Obama na economia foi um dos pontos mais usados por Romney durante toda a campanha para atacar o democrata.

Empresário bem-sucedido nos negócios, o ex-governador de Massachusetts era considerado, segundo pesquisas, melhor que Obama para gerir a economia do país. Sua fortuna, porém, foi usada para afastá-lo do eleitor de classe média pela campanha democrata, que também levantou dúvidas sobre a contribuição fiscal do adversário republicano.

folha.uol.com.br
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