sábado, 3 de novembro de 2012

“FUI ABUSADA QUANDO TINHA 2 ANOS”

Cantora Helena Tannure retrata abuso sofrido na infância em clip

Na semana das crianças a cantora Helena Tannure revelou no programa “De Tudo Um Pouco”, da Rede Super Gospel, que foi abusada sexualmente durante a infância, quando tinha apenas 2 anos: “Aquilo me fazia sentir suja. Eu percebia que tudo aquilo não podia ser daquela forma, que tava fora do tempo.
Era um misto de sentimentos. Era culpa, dor, ódio, raiva. Eu tinha raiva de todo mundo”, declara.

Helena faz parte de uma estatística crescente no Brasil. De acordo com dados da Secretaria de Estado de Defesa Social de Minas Gerais, só na região metropolitana de Belo Horizonte, foram registrados 62 casos de pedofilia nos dois primeiros meses de 2012. O estado está em 4° lugar no ranking de denúncias pelo Disque 100, que, em cinco meses, realizou mais de 700 atendimentos. 

Ainda na região sudeste, no estado de São Paulo, a secretaria de estado da saúde também constatou o crescimento deste quadro. Nos últimos 10 anos o número de atendimentos a crianças vítimas de abuso sexual triplicou.

Outro dado, divulgado recentemente pela embaixada norte-americana, em Brasília, revelou que 76% de todos os pedófilos do mundo residem no Brasil.

Esta triste realidade na maioria dos casos é silenciosa. Assim como muitas crianças que sofrem abuso no Brasil, a cantora Helena também sofreu calada, pois tinha medo da repressão que poderia sofrer pelos pais: “Meus pais não tinham um diálogo aberto comigo. Eles tinham aquela figura de autoridade. Nunca falaram sobre sexo, sobre toque, sobre nada comigo. Então, eu pensava que se contasse algo, eles iriam ficar bravos comigo, iriam me achar culpada”. Para Helena a melhor forma de evitar esta situação é orientar os filhos. 
O psicopedagogo Ivan Ferreira da Silva chama a atenção também para a necessidade de se observar com atenção mudanças de comportamento em crianças e adolescentes. Ele explica que “atitudes sexualizadas e agressividade” são alguns sinais que podem indicar a ocorrência de assédio sexual.

De acordo com a Secretaria Nacional de Direitos Humanos, 80% dos abusos sexuais cometidos contra crianças e adolescentes ocorrem dentro do ambiente familiar. É unânime entre os especialistas que atuam na área a afirmação de que a proximidade dos agressores faz com que os casos sejam subnotificados: “Se a criança aprende que qualquer fala ou qualquer ato de um adulto, que ela tem que só acatar e cumprir se tem uma situação de risco instalada, porque ela não vai aprender a dizer não. Ela não vai aprender a reagir”, afirma o psicopedagogo Ivan Ferreira da Silva.

Para a pastora Ana Lucia Melo, do Ministério de Mulheres da Igreja Batista da Lagoinha, em Minas Gerais, o abuso sexual causa diversos transtornos para as mulheres: “Algumas têm problemas para se relacionar, outras vão para a prostituição. A principal sensação é de revolta contra a família e contra a sociedade, pois ela não se ama. Ela sente que perde o valor para ela mesma. E neste momento é muito importante o apoio, a conversa e a ajuda de pessoas habilitadas para esta situação”.

Segundo o advogado Stanley Gusman, a lei brasileira permite que o ato sexual seja praticado no país a partir dos 14 anos de idade: “É por conta disto, que alguns estudiosos dizem que a diferença de idade entre o autor do abuso e a vítima tenha cinco anos, pois é possível que um adolescente pratique um ato de pedofilia”. O advogado destaca ainda que o pedófilo, em muitos dos casos, “não faz nada à força, e sim seduz e ilude”. E completa que o problema é delicado, porque quando é realizada “uma abordagem judicial, o perito encaminha o autor do abuso para um psiquiatra. Este psiquiatra, ao avaliar a característica dele, pode emitir um atestado com um CID – código internacional de doenças- para quem carrega consigo um distúrbio mental, que é o interesse sexual por crianças, por menores de doze anos. A pessoa acaba por receber um tratamento diferenciado da justiça e não a condenação na prisão. Quando se confirma que o indivíduo é pedófilo, ele passa por um tratamento de uma pessoa que tem desvio, que tem transtorno mental”. 

A história vivida por Helena Tannure foi retratada em parte em um vídeo clip da cantora. Nele aparecem em cenas que chocam o público: “O objetivo do clipe ‘Eu Só Tenho a Ti’ é levar as pessoas à reflexão, sobre todo o processo que se instala a partir do abuso. Muitas pessoas que vão para as drogas, para a prostituição, até mesmo pessoas que desenvolvem uma sexualidade deturpada, sabemos que isso começou com um abuso sexual. Tudo começa logo nas primeiras cenas. Com uma sensação de rejeição e inadequação que o abuso sexual gera. E isso se torna um efeito dominó. Não é apenas a minha história que está retratada ali, mas elementos da vida de muita gente”.

Confira o clip da música “Eu Só Tenho a Ti”:

Álbum: Só Tu És - Música: Eu Só Tenho a Ti - Direção: Kalley Beatrice - Produção Executiva: João Lúcio Tannure Jr >> Assistir

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