Quando a religiosidade toma o lugar da obediência a Deus

Ao longo da história, em vários lugares, em diversas ocasiões, o povo de Deus substituiu a obediência pelos rituais religiosos. Foram zel...

Lição 10: Sofonias - O Juízo Vindouro 1

Os Profetas Menores: Sofonias

Sofonias, o Orador

I - Nome e Genealogia - Outros dois Sofonias, além do profeta, são mencionados no Velho Testamento: um coatita, antepassado de Hemã, o cantor (1 Crônicas 6:36); o outro, um segundo sacerdote, contemporâneo de Jeremias
(2 Reis 25:18; Jeremias 21:1; 37:3). Etimologicamente o nome significa “Aquele a quem Javé tem escondido e protegido” (Comparar com o Salmo 27:5), uma significação especialmente apropriada à mensagem do profeta. Com efeito, sua personalidade é demonstrada em sua mensagem. A genealogia de Sofonias, a qual sem dúvida traz detalhes inusitados, como sendo tataraneto de Ezequias, o qual, provavelmente era o rei de Judá, pois de outro modo não haveria motivos racionais para atrasar a sua genealogia em quatro gerações. Que Sofonias pertenceu a um ramo da família real é cronologicamente possível, visto como Manassés, filho de Ezequias, tinha 45 anos quando lhe nasceu o filho Amon (2 Reis 21:1, 19). Nesse caso, Ananias, irmão de Manassés, poderia facilmente ter tido um neto (Cusi) e por isso Sofonias ter tido tantos anos como Josias. Se, pois, Sofonias tinha sangue real, suas censuras sobre os príncipes e outros potentados de Jerusalém (Sofonias 1:8-9) se tornam mais interessantes e muito mais pertinentes. Evidentemente, ele viveu em Jerusalém, conforme indica a sua familiaridade com “a porta do peixe” e o “Morteiro” (provavelmente algum bairro especial de negócios da cidade) (Sofonias 1:11), especialmente a sua referência “deste lugar” (Sofonias 1:4).

II - Período e Data - O título do livro declara que Sofonias profetizou “nos dias de Josias” (639-608 a.C) e com essa declaração o conteúdo do livro está de pleno acordo. Nada existe no livro que justifique a mais débil suspeita de que ele não tenha pertencido a esse período. Sem dúvida, mesmo condenando o povo pela sua idolatria e corrupção, violência e injustiça, a plena verdade é que ele se desprende de toda a história, pois o caráter universal de sua mensagem exclui o trato completo de eventos históricos.
Sem dúvida, se ele profetizou antes do descobrimento do Livro da Lei, no oitavo ano do reinado de Josias, em 621 a.C. (2 Reis 22:8), como crê a maioria dos eruditos modernos, ou depois desse importante evento, como crêem outros, vai depender em grande parte da interpretação que teremos das seguintes referências: 1) – “ o restante de Baal” (Sofonias 1:4), que parecia colocá-lo pelo menos depois do décimo segundo ano de Josias, quando este começou as reformas (2 Crônicas 34:3). 2) - “e os filhos do rei” (Sofonias 1:8). Será que o rei Josias já tinha filhos com apenas 20 anos de idade? (2 Reis 22:1-3). 3) - A ameaça do profeta de que Nínive vai ser destruída e desolada (Sofonias 2:13-15). Sofonias pode ter vivido um pouco antes de Naum. 4) – “fizeram violência à lei”. Esta passagem poderia indicar um tempo depois da reforma de Josias, em 621 a.C. Contudo, Jeremias faz alusão a “os sacerdotes” e à lei, no exato princípio do seu ministério (Jeremias 2:8), sendo que este e Sofonias eram contemporâneos próximos, tendo começado a pregar em 626 a.C. Por isso podemos dizer que Sofonias profetizou provavelmente entre os anos 12 e 18 do reinado de Josias, ou em cerca de 625 a.C.

III - Conteúdo - Três fases distintas podem ser descobertas no livro de Sofonias, quando tratamos do seu único e grandioso tema do Dia (vindouro) de Javé.
1. - Ameaças e Juízos – (Capítulo 1) - Anunciando com juízos e ameaças o dia da ira do Senhor, a qual englobará toda a terra, mas que foi dirigida particularmente aos idólatras e apóstatas de Judá e Jerusalém.
2. - Admoestações dirigidas às nações - (Capítulo 2) Filístia, Moabe, Amon, Etiópia e Assíria. Estas são seguidas de uma fervorosa admoestação contra Jerusalém, para que se arrependa, a fim de escapar do castigo destinado aos pecadores voluntários (Sofonias 3:1-7).
3. - Ânimo e promessas - (Capítulo 3:8-20) - Haverá salvação para os arrependidos, especialmente para o “remanescente de Israel”, o qual gozará de fama universal como o redimido de Javé, morando para sempre em sua presença.

IV - Tema - O grande e único tema de Sofonias é o vindouro “Dia do Senhor”, quando Ele se revelará em sua plenitude ao mundo inteiro, julgando os malfeitores e cumprindo o seu propósito de redenção entre nós. Contudo, o juízo não é considerado por Sofonias como um fim em si mesmo. Antes, ele é um meio de Javé se dar a conhecer ao mundo, iniciando o seu reino de salvação. Portanto, o seu tema é, de um certo modo, escatológico, tratando da “consumação do século”.
Para Sofonias o “Dia do Senhor” não significa tanto um dia de juízo diante do Juiz, como um dia de batalha, um conflito apocalíptico que está para vir. O povo estava “assentado sobre as sua fezes”, isso é, se havia corrompido e tornado egoísta, com a sua vida estagnada no indiferentismo, o qual era pouco melhor que o ateísmo, e por isso a matança e a destruição o esperavam. Os hóspedes de Javé já estão convidados para o grande sacrifício e tudo vai ser queimado. “Um dia de indignação” (Sofonias 1:15). A mensagem de Sofonias pode ter ajudado na reforma de Josias. Pois ele dirigiu os seus golpes contra o sincretismo religioso - uma mistura do culto a Baal, Milcon e as estrelas - exortando o seu povo a buscar a mansidão e justiça, prometendo que, se o fizesse, tudo iria acabar bem.

V - Valor - O livro de Sofonias, mesmo pequeno, é valioso. Muitos deixam de apreciá-lo e a maioria de nós passa desapercebida, como se ele fosse despojado de texto para o púlpito. Ao contrário, ele tem valor permanente e como livro não deve ser subestimado pelo seu tamanho. Aqui temos alguns dos seus ensinos permanentes:
1. - A necessidade constante de admoestação – (Sofonias 1:14-16) - Sofonias deu o exemplo a todos os ministros modernos de como devem relembrar aos homens as terríveis realidades do mundo moral.
2. - O tom moral profundamente sério que permeia todo o livro - Sofonias é profundamente sensível aos pecados do seu povo e à necessidade moral que impele Javé a visitá-lo com disciplina e juízo. Seu evangelho é conciso e austero. Uma mudança moral é necessária (Sofonias 3:7-13).
3. - A natureza espiritual do reino de Deus - (Sofonias 3:14-20) - Esta seção é um dos apocalipses do Velho Testamento. Contém duas promessas maravilhosas: a) - “Javé está no meio de ti” (Sofonias 3:15-17). b) - “Farei de vós um nome e um louvor entre todos os povos da terra” (verso 20), porque depois da tribulação vem a glorificação. O cativeiro de Judá será removido e tudo acabará bem. Judá será salvo ainda que “passando de raspão pelo fogo”.

VI - Estilo - O estilo de Sofonias é direto e forte, portanto de acordo com o caráter imperativo de sua mensagem. O que lhe falta em graça e encanto, até certo ponto, é suprido de vigor e clareza de linguagem. Nenhum outro profeta tornou mais real a descrição do “Dia do Senhor’. A maior parte do livro foi escrita nesse ritmo ou metro elegíaco.
Dizem que se alguém deseja ver as declarações dos profetas sucintamente expressadas, deve ler o curto livro de Sofonias.

Um comentário:

  1. Escrevi sobre o assunto http://blogdoprmedeiros.blogspot.com.br/2012/12/licao-da-ebd-n-10.html.

    Mas vou sugerir o link aos professores de EBd da minha Igreja. Muito bem escrito o seu artigo.

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