quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Lição 6: Jonas - A Misericórdia Divina 5

A soberania e a misericórdia de Deus são os temas predominantes nesta belíssima narrativa bíblica, que é o livro de Jonas.

A SOBERANIA DE DEUS NA VOCAÇÃO PROFÉTICA
“E veio a palavra do Senhor a Jonas, filho de Amitai, dizendo:” (Jn 1.1)

É Deus quem soberanamente vocaciona profetas. A vocação soberana de Deus para os diversos ministérios pode ser confirmada através de sua Palavra (Gn 12.1-2; Êx 3.10; Jz 6.9; 1Sm 16.1; Jr 1.5; Mt 20.23; Mc 3.13-19; Lc 1.31-33; Jo 15.16; At 9.10-16; 13.1-2; 20.28; Gl 1.15; 1 Tm 1.12-16; 2 Tm 1.8-11; Hb 5.4).

Profeta não é cargo. Cargos se negociam, podem ser vendidos, comprados ou trocados. O ministério profético é concessão divina.O profeta pode ser originário de qualquer classe social, pode ter ou não um bom nível de educação formal, pode ser ou não eloquente, mas uma qualidade precisa ter: integridade diante do povo e santidade diante de Deus.O profeta não é um homem perfeito, mas precisa caminhar constantemente nesta direção, buscando ao máximo a maturidade espiritual.

A palavra do Senhor veio até Jonas. Por qual motivo? Pelo simples fato de que Deus assim quis. A palavra do Senhor vem para quem Ele resolve concedê-la.

Que a palavra do Senhor continue vindo aos seus profetas!

A SOBERANIA DE DEUS NA DIREÇÃO DA SUA OBRA
“Levanta-te, vai à grande cidade de Nínive e clama contra ela, porque a sua malícia subiu até mim.” (1.2)

É Deus quem soberanamente determina para quem sua palavra será direcionada. Deus deseja que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade (1 Tm 2.4), mas quem determinar em última instância a direção de sua mensagem é Ele. Nem sempre Deus concorda com o nosso plano missionário ou evangelístico. O Espírito Santo impediu num determinado momento que a palavra fosse anunciada na Ásia, para que a Macedônia recebesse a pregação do evangelho (At 16.6-12). Na ordem do alcance dos povos, primeiro veio o judeu, para depois vir o grego (Mt 15.24; Jo 10.16; Rm 1.16; 3.1-2).

O campo missionário de Jonas seria Nínive (para discussões sobre as questões geográficas sugiro o comentário de T. Desmond Alexander, da série cultura bíblica, Editora Vida Nova). Deus não se submete à lógica humana. É o Senhor quem conhece perfeitamente as necessidades dos povos e nações. Quando pensamos em evangelizar os aparentemente mais quebrantados em relação ao evangelho, Ele nos direciona para os mais hostis. Dessa maneira, sempre é proporcionada a oportunidade da graça superabundar onde o pecado abundou (Rm 5.20). Não foi assim com Paulo, o grande perseguidor (At 9.15-16)? Não terá sido assim com você?

Da perspectiva do profeta, Nínive seria uma nação improvável para a salvação, cabendo-lhe apenas uma sentença divina condenatória, um clamor contra ela por causa de sua malícia (hb. ra‘, mal, mau nocivo, ruindade, ofensa, maldade). Não pensamos muitas vezes como Jonas? Não tememos muitas vezes come ele temeu? Não tentamos fugir como ele fugiu numa direção totalmente contrária a de Deus?

A SOBERANIA DE DEUS SOBRE A NATUREZA
“Mas o Senhor mandou ao mar um grande vento, e fez-se no mar uma grande tempestade, e o navio estava pra quebrar-se.” (Jn 1.4)

É Deus quem soberanamente domina e controla as forças da natureza. Ele é poderoso para provocar tempestades (Jn 1.4, 13), acalmar a sua fúria (Jn 1.15; Mt 8.23-27; Mc 4.35-41; Lc 8.22-25) e para intervir em seu curso natural (Êx 14.21-22; Js3.14-17; 2 Rs 2.8, 14). O Senhor é soberano sobre a natureza para fazer chover (Dt 28.12; 1Rs 18.41-45) ou para provocar estiagens (Dt 28.24; 1 Rs 17.1; 2 Cr 7.13).

“Deparou, pois, o SENHOR um grande peixe, para que tragasse a Jonas; e esteve Jonas três dias e três noites nas entranhas do peixe.” (1.17)

A soberania de Deus sobre a sua criação é percebida também na providência de um grande peixe (hb. dag gadol) para salvar Jonas do afogamento e reconduzi-lo a sua missão. A criação obedece ao criador. Ele faz corvos alimentar profetas (1 Rs 17.3-7), jumenta repreendê-los (Nm 22.25-30) e grandes peixes de salva-vidas e guias.

A SOBERANIA DE DEUS SOBRE AS DECISÕES HUMANAS
“E dizia cada um ao seu companheiro: Vinde, e lancemos sortes, para que saibamos por que causa nos sobreveio este mal. E lançaram sortes, e a sorte caiu sobre Jonas.” (1.7)

É Deus quem soberanamente controla e dirige as decisões humanas para que o seu supremo propósito se realize. A sorte caiu sobre Jonas, ou seja, ele de fato era a causa de todo o problema, e o Senhor não omitiu isso dos marinheiros, nem do próprio Jonas (1.12).

Em Atos 1.26 acontece um caso semelhante onde o lançar sortes indica Matias como sucessor de Judas, decisão essa regada sobre oração (At 1.24). No meu entendimento a escolha de Matias foi acertada. O argumento que alguns usam para desqualificá-lo, de que o seu nome não é mais citado na Bíblia é falho, pois entre os Doze que andaram com Jesus, alguns não são mencionados fora dos evangelhos.

A soberania de Deus nas questões humanas é manifesta em Daniel 2.21: “Ele muda os tempos e as horas; ele remove reis e estabelece os reis; ele dá sabedoria aos sábios e ciência aos inteligentes.” O sábio afirmou: “Como ribeiros de águas, assim é o coração do rei na mão do Senhor; a tudo quanto quer o inclina.” (Pv 21.1). A liberdade humana se rende sempre que entra em confronto com a soberania de Deus, quando este decide executar os seus planos para o bem maior de seus filhos.

Sim, Deus controla os acontecimentos!

A SOBERANIA DE DEUS SOBRE O CONTEÚDO DE SUA MENSAGEM
“E veio a palavra do SENHOR segunda vez a Jonas, dizendo: Levanta-te, e vai à grande cidade de Nínive, e prega contra ela a pregação que eu te disse. E levantou-se Jonas e foi a Nínive, segundo a palavra do SENHOR; era, pois, Nínive uma grande cidade, de três dias de caminho. E começou Jonas a entrar pela cidade caminho de um dia, e pregava, e dizia: Ainda quarenta dias, e Nínive será subvertida.” (3.1-4)

Por mais belos e bem estruturados que sejam os sermões, eles não serão plenamente eficazes se a mensagem não for dada por Deus. Por mais eloquente e polido que seja o mensageiro, isso não substitui a necessidade de uma palavra vinda do Senhor.

Devemos estudar, pesquisar, nos preparar, mas nunca esquecendo de buscar em Deus a sua palavra, a mensagem para o seu povo. Precisamos esperar até que a palavra queime em nosso coração. Precisamos sentir o poder da palavra antes de transmitirmos essa palavra. Ela precisa nos impactar, antes de impactar nossos ouvintes.

O poder de uma mensagem não está necessariamente relacionado com o seu tamanho ou polidez. Mensagens curtas podem ser poderosas. O poder de uma mensagem está em a mesma vir da parte do Senhor, se fundamentando em sua palavra escrita, a Bíblia Sagrada. Deus não se contradiz.

A mensagem de Jonas foi curta (apenas cinco palavras no hebraico) e poderosa, promovendo nos ninivitas fé, confiança (hb. ’aman), humilhação e conversão (hb. subh, voltar-se, mudar de direção, regressar) para com Deus (3.5-9).

A SOBERANIA DE DEUS NA CONCESSÃO DE SUA MISERICÓRDIA (COMPAIXÃO)
“Então, disse Deus a Jonas: É acaso razoável que assim te enfades por causa da aboboreira? E ele disse: É justo que me enfade a ponto de desejar a morte. E disse o SENHOR: Tiveste compaixão da aboboreira, na qual não trabalhaste, nem a fizeste crescer; que, em uma noite, nasceu e, em uma noite, pereceu; e não hei de eu ter compaixão da grande cidade de Nínive, em que estão mais de cento e vinte mil homens, que não sabem discernir entre a sua mão direita e a sua mão esquerda, e também muitos animais?” (4.9-11)

Deus não está interessado se o profeta ficará preocupado com a sua reputação, se aprovará ou não a sua decisão final, se ficará ou não ressentido (4.1) quando soberanamente resolve suspender uma decisão sua já anunciada, e isso baseado na mudança da atitude dos homens em relação a Ele.

Todos os atributos morais de Deus trabalham em conjunto. Os seus atos de justiça são parceiros de seus atos de misericórdia (hb. hus, ter piedade, compadecer-se, poupar, perdoar). Quando necessário, o Senhor usará de misericórdia para com aqueles que se humilham em sua presença (Is 38.1-5).

Jonas ficou ressentido com a misericórdia de Deus estendida aos ninivitas. Desejaria ele que os moradores de Nínive fossem destruídos incondicionalmente? Desejaria ele o fim de um grande inimigo de seu povo?
Nínive experimentou em seu tempo o que Paulo escreveu aos efésios:

“Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos) [...].” (Ef 2.4-5)

Assim como o profeta Jonas, muitos precisam aprender com a “Pedagogia da Aboboreira” (4.6-11), indispensável para se manter a coerência entre o discurso e a prática da misericórdia, da bondade, da longanimidade, do perdão e do amor.

Bendito seja Deus por sua soberania e misericórdia!

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