domingo, 2 de dezembro de 2012

Lição 9: Habacuque - A Soberania Divina Sobre as Nações 1

Um estudo preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho para o campus avançado do Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil, em Cabo Frio, agosto de 2004 "O PROFETA HABACUQUE"

Fui a Cuba, algumas vezes, para pregar nas igrejas das duas convenções, a de Cuba Oriental e a de Cuba Ocidental, e para lecionar nos seminários batistas das duas convenções. Quando fui pela segunda vez, que foi a primeira no interior do país, entendi Habacuque melhor do que antes.
Voltei em crise, profundamente chocado, usando o seu “até quando, Senhor?”. Voltei abalado na minha teologia que enfatiza muito a direção de Deus na história. Vi um povo sofrendo e um Deus apático, que não intervinha para libertar seu povo. Voltei bem melancólico, mas também um pouco mais humano, mais compreendedor de que a vida não é tão simples como muitas vezes formulamos em nossos esquemas. Senti-me, emocionalmente, como o profeta. Mas fui confortado, como o profeta, ao refletir sobre a história, em pensar sobre o passado. Cuba também está nas mãos de Deus e sua vontade sucederá lá, apesar do regime. Que um dia cairá. Ninguém barra Deus, ninguém frustra seu querer, ninguém o impede. Aprendi isto com este profeta.

Habacuque estabelece um novo tipo de profecia. A palavra do Senhor não veio a ele. Não encontramos a fórmula clássica,wayommer Iahweh, “e disse Deus”. Foi ele a ir ter com o Senhor. Inclusive, sua profecia é chamada de hamassa, que traduzimos por “oráculo”. Mas, literalmente, o sentido é “peso”. Sua mensagem era um peso sobre seus ombros. Ele “viu”, diz nossa versão. O hebraico é hazah, termo largamente empregado na literatura apocalíptica, e não davar¸ “palavra”, como os profetas costumam empregar. Embora alguns comentaristas julguem ser a mesma coisa, é oportuno lembrar que Daniel e Ezequiel usam mais hazah e os demais profetas, davar. Habacuque já está na fase de ser uma transição do profetismo para o apocalipticismo [1]. Este entendimento é necessário para se saber que o critério hermenêutico para entender seu livro pode ser diferente do empregado para um oráculo. A linguagem poética pode ser mais forte, aqui, e precisa se cuidar disto na interpretação.

A FIGURA DE HABACUQUE
Habacuque significa “abraço”. Jerônimo entendeu que o nome lhe fora dado por causa de sua luta contra Deus. Mera especulação, mas que mostra como seu questionamento da omissão de Deus marcou os intérpretes bíblicos. Tem se argumentado muito que o profeta era dos profetas cúlticos, ou seja, ligado ao culto no templo. O capítulo 3, por exemplo, é um salmo. No acréscimo apócrifo ao livro de Daniel, intitulado “Bel e o Dragão”, ele é mostrado como alguém que, conduzido pelo Espírito de Deus pelos cabelos vai até a Caldéia levar uma sopa para Daniel, que está na cova dos leões. A LXX o dá como sendo da tribo de Levi. Ele seria, então, um levita, segundo a LXX. E, no caso do texto apócrifo acrescentado a Daniel, um servo dos profetas. Mas tentar fazer de Habacuque um levita do templo é atitude precipitada. A base é pouca. Afinal, outra obra apócrifa o dá como sendo da tribo de Simeão, natural da vila de Bet-Zujar, um lugarejo tão pequeno que merecia mais ser chamado de granja do que de vila[2]. Como se vê, as informações sobre ele não são apenas escassas. São contraditórias, também.

O que interessa em Habacuque, além, obviamente de seu conteúdo, é seu estilo, diferente do dos demais profetas. Ele ousa questionar a Deus, logo no início, com uma pergunta dura, em 1.2: “Até quando Senhor, clamarei eu, e tu não escutarás? ou gritarei a ti: Violência! e não salvarás?”. Não bastasse isto, ele se coloca sobre uma torre de vigia para ver o que Iahweh lhe responderá, como lemos em 2.1: “Sobre a minha torre de vigia me colocarei e sobre a fortaleza me apresentarei e vigiarei, para ver o que me dirá, e o que eu responderei no tocante, a minha queixa”. Esta tradução da Versão Revisada não faz sentido. Como ele responderá sua queixa? Outra pessoa é que tem que responder à sua queixa. A NVI traduziu desta maneira: “Ficarei no meu posto de sentinela e tomarei posição sobre a muralha; aguardarei para ver o que o SENHOR me dirá e que resposta terei à minha queixa”.

Esta atitude foi tão surpreendente que os copistas mudaram de “o que ele me responderá” para “o que eu lhe responderei”. Não podiam aceitar a postura do profeta. Estas atitudes fizeram-no merecer de Kyle Yates o título de “livre pensador entre os profetas”[3]. Feinberg, no seu livro sobre os profetas menores, dá ao capítulo sobre Habacuque o título de “Problemas de Fé” [4]. Viu ele um profeta em crise teológica.

Habacuque merece nossa atenção. Pessoalmente, vejo-me muito nele. Tenho dificuldades em alguns momentos, surpreendo-me porque certos eventos me desconcertam, mas aprendi, com ele, que vale a pena permanecer esperando uma resposta de Deus. Ela pode demorar e vir de maneira como não esperamos, mas sempre vem.

O LIVRO DE HABACUQUE
É um livro curto, com um corte no estilo. O capítulo 3 é tão diferente que se chega, muitas vezes, a cogitá-lo com obra de outro autor. Isto sofreu corroboração com a descoberta de um manuscrito de sua obra, na caverna de Qumran, o chamado documento1QP Hb. Mas, sem querer ser pedante, remeto os interessados ao meu livro sobre o profeta, onde trato da questão, vendo, principalmente, como a comunidade tida como essênia, em Qumran, manipulava as Escrituras, reproduzindo-a como desejava.

Creio que há uma questão que devemos levar em conta, aqui. Já tínhamos um cânon antes de Qumran. E já tínhamos um cânon antes da hipótese fragmentária, da alta crítica, da escola de Welhausen e outros. Será que só agora, séculos depois, críticos distantes da obra bíblica, no tempo e no espaço, conseguiram entender o que ninguém entendeu antes? Demos a Habacuque o crédito de ter escrito toda a sua obra.

O livro deixa marcas no Novo Testamento, como veremos. E a doutrina mais profunda do protestantismo, a doutrina da justificação pela fé, não é inédita, na pena de Paulo. É em Habacuque que ele vem se abeberar. Nossas raízes teológicas da justificação estão, portanto, neste obscuro profeta. Motivo mais do que suficiente para estudarmos sua obra.

A APATIA DE DEUS
O livro se abre com o profeta se queixando da apatia de Deus. Seu “até quando?”, logo no início, é uma quase blasfêmia. Ele declara que Deus é apático e não faz nada. Quando nos lembramos que um dos motivos do desgosto de Deus, por boca de Sofonias, foi isto, podemos entender a dimensão que o ato de Habacuque tomou. “E há de ser que, naquele tempo, esquadrinharei a Jerusalém com lanternas, e castigarei os homens que se embrutecem com as fezes do vinho, que dizem em seu coração: O Senhor não faz o bem nem o mal” (Sf 1.12). Esta declaração dos contemporâneos de Sofonias irritou profundamente a Deus. Pois bem, é isto que Habacuque está dizendo, numa explosão emocional.

Esta apatia de Deus ocasiona o crescimento da maldade. Era por isto que a lei se afrouxava, a justiça nunca se manifestava. O ímpio cercava o justo, pervertia a justiça e Deus se calava. Não é esta a sensação que muitos de nós temos, em certos momentos? Por que Deus não interveio em Treblinka, em Auschwitz, no massacre dos armênios pelos turcos, em tantas outras ocasiões? Por que Deus fica quieto no caso dos sem terra, do massacre de Carandiru, do massacre de Vigário Geral, da fome e das guerras tribais na África?

Na realidade, o ponto central é, mais uma vez, a questão que angustia as pessoas sensíveis e aquelas que pensam: o problema do mal. Habacuque é parceiro de Jó. Ambos se afligem com a ação do mal no mundo. Jó aborda o sofrimento em nível individual e, para piorar, o seu sofrimento pessoal. Habacuque aborda o sofrimento em nível coletivo. E, especificamente, o do seu povo.

Qual é a resposta? Em ambos os casos, a resposta é a mesma: nenhuma. Deus, questionado pelos homens por causa do sofrimento, apenas apregoa sua soberania. No caso de Jó, sua soberania sobre a vida de Jó. No caso de Habacuque, a sua soberania sobre as nações e a história. Em ambos os casos, se vê que ele não é apático. Não se iludam os homens. Enquanto está em silêncio, está engendrando algo. Por isso trataremos agora do silêncio de Deus.

O SILÊNCIO DE DEUS
Habacuque se queixa do silêncio de Deus. Ele está quieto, nada fala sobre os desmandos humanos. Este é o grande problema. Citando Feinberg:

O silêncio de Deus nos negócios humanos, tanto ontem como hoje, tem sido difícil de aceitar. Mas isso não quer dizer que não haja uma resposta e que a sabedoria divina é incapaz de lidar com a situação. Tudo está sob o seu olhar e todas as coisas estão debaixo do controle de suas poderosas mãos [5].

Sabemos disso, como cristãos. O problema é quando o silêncio divino nos atinge. Um chefe de família está desempregado, ora a Deus pedindo emprego e não consegue. Deus está silencioso. Uma jovem mãe está com câncer, sabe que vai deixar os filhos neste mundo, ora a Deus pedindo cura e ela não vem. Por que Deus não responde, quando clamamos?

No judaísmo rabínico, posterior a Habacuque, desenvolveu-se o conceito do silêncio de Deus. Os rabinos faziam a exegese de Gênesis 1.3 e perguntavam: “O que havia antes de Deus falar?” e eles mesmos respondiam: “o silêncio de Deus”. E desenvolviam a idéia de que Deus se mantivera em silêncio, antes de um feito estrondoso. O conceito do silêncio de Deus se associou, portanto, a um prelúdio a uma ação grandiosa do Senhor. Podemos tomar este conceito emprestado e falar dos 400 anos de silêncio de Deus, sem profeta, no período intertestamentário, até que viesse o maior de todos os homens, Jesus Cristo.

Deus estava em silêncio, mas isso não significa sua apatia nem que abandonara o povo. Estava engendrando algo grandioso. O quê, exatamente, podemos perguntar? E, como os rabinos, dar a resposta à nossa pergunta: o juízo sobre Judá. Habacuque via a maldade, a corrupção, o afrouxamento da justiça. Deus puniria o povo. Iria enviar os caldeus. Mas esta resposta angustia mais o profeta. Os caldeus são piores? Como usar a maldade máxima para punir a maldade média? Quem punirá a maldade máxima?

Muitas vezes a resposta divina às nossas perguntas não nos aquieta, mas piora a situação. Ele é desconcertante. E pegou Habacuque de jeito. Este volta a expressar sua inquietação. Nosso profeta me ajuda bastante: é possível abrir o coração diante de Deus, confessando os temores, as dúvidas e as perplexidades. Numa segunda resposta, o anúncio é de que Deus julgará os caldeus também.

O silêncio divino cessa e ele revela uma verdade a Habacuque. Verdade que precisamos guardar também conosco: Deus é o Senhor da história. Pune quando quer, usando quem quer. Não é apenas o seu tempo que não é o nosso tempo. Os seus instrumentos também não são os nossos instrumentos. Como já comentei em palestra anterior, nossa geração viu o desmonte do maior império mundial de todos os tempos, o bloco soviético. Mais de um terço da população mundial estava subjugado ao poder comunista. Parecia um regime inabalável, um bloco sem fissuras. De repente, desabou. Em alguns países levou anos. Em outros, meses. Em outros, semanas. Em alguns, apenas dias. Mas o que parecia impossível sucedeu em pouco tempo. O império soviético acabou quando chegou o momento de Deus.

Se não há uma resposta verbalizada ao problema do mal em Habacuque, ela está implícita: Deus está no comando. Este é o sentido de 2.20: “Iahweh está no seu santo templo; cale-se diante dele toda a terra”. Não é um texto litúrgico, para cessar a conversa no salão de cultos, entoado à meia-voz pelo coro da igreja. O “santo templo” é o celestial, em Temã, de onde Iahweh saía para efetuar juízo. Quando ele saía do seu santo templo, a terra tremia: vinha juízo. “Deus veio de Temã, e do monte Parã o Santo. A sua glória cobriu os céus, e a terra encheu-se do seu louvor… adiante dele vai a peste, e por detrás praga ardente” (3.3, 5). A oração de Habacuque mostra o seu deslocamento de Temã e como a terra treme diante dele. Calem-se todos. Ele está no templo, assentado para julgar.

“Cale-se” é o hebraico has, uma ordem peremptória, autoritária, sem comportar discussões. Calem-se todos, inclusive você, Habacuque, porque Deus está no comando e está saindo para julgar. Parece que Deus está em silêncio? Calemo-nos, ele está para fazer grandes coisas.

A JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ
Justiça e justificação caminham juntas nas páginas das Escrituras. O Deus justo justifica o pecador. E, quando há juízo, sempre há oferecimento de salvação. É assim com nosso profeta. Haverá juízo sobre Judá. Haverá juízo sobre os caldeus. Mas há salvação. É a Habacuque que devemos o profundo versículo “o justo viverá da fé”. Este foi o lema da Reforma e deve ser uma lembrança viva em nossa mente: o homem é salvo pela fé. Foi o brado de Lutero: Sola fidei. E, constantemente, nos meus estudos dou graças a Deus por Lutero e seu entendimento.

“Eis o soberbo! A sua alma não é reta nele; mas o justo pela sua fé viverá”. Esta expressão final se encontra também em Romanos 1.17, Gálatas 3.1 e Hebreus 10.38. O “soberbo”, em Habacuque, é o caldeu. Ele não tem a sua alma reta. O termo hebraico dá a idéia de “inchado”. Parece que traduzir “alma”, o hebraico nephesh, por “garganta”, tem sentido: seu pescoço está inchado. Ele está inchado de sua arrogância. E é um tipo do pecador impenitente que confia em sua capacidade, e está inchado de orgulho por causa disso. “Justo”, em Habacuque, é Judá. Não tem a força militar dos caldeus, mas viverá pela fé em Iahweh. São dois tipos bem retratados: o inchado, que confia em si, e o justo, que confia em Deus. Este vive pela fé. Não deposita sua confiança em nada que não seja o seu Deus.

Paulo tomou o texto de Habacuque na versão grega da LXX, como era seu costume. O termo grego é dikáios, que tem sido definido como “o estado aceitável a Deus que o pecador adquire mediante a fé pela qual abraça a graça de Deus, que lhe é outorgada na morte expiatória de Jesus Cristo” [6]. Parece haver uma grande mudança, porque Habacuque não fala de Jesus. Mas foi o termos que os tradutores da Septuaginta usaram. Foi aqui que Paulo compreendeu o que Habacuque queria dizer e transportou o conceito para dentro de sua teologia: “justo” é o que crê na obra de Cristo, confia nela, e não em seus méritos. É esta atitude que evita o juízo.

“Fé”, em Habacuque, é o hebraico emunah, que significa “firmeza”. Vem de aman¸ que significa “firme até o fim”. Como bem lembra Sayão, “o termo hebraico emunah tem a idéia de se estar vivendo de modo fiel, firmado na rocha, YHWH. O termo tem a ver com a ordem justa no mundo que depende de Deus para manter-se em equilíbrio…” [7] . Aplica-se, portanto, ao inteiramente dependente de Deus. O justo, aquele que é salvo, é quem crê, firmemente, sem se abalar crê até o fim. Isso nos ajuda a entender porque tantos aparentemente “salvos pela fé” se desviam e acabam se perdendo, enquanto nós, batistas, apregoamos com tanta ênfase a doutrina da justificação pela fé e para sempre. A verdadeira fé é a que permanece. Por isso lemos em 1João 2.19: “Saíram dentre nós, mas não eram dos nossos; porque, se fossem dos nossos, teriam permanecido conosco; mas todos eles saíram para que se manifestasse que não são dos nossos”. O justificado é justificado para sempre, porque firme até o fim.

A CONFIANÇA DA FÉ
Por causa disto, vem o capítulo 3, o salmo de Habacuque. Uma profunda expressão de fé. É significativo que o livro comece com dúvida e termine com fé. Inicia-se com uma expressão de quase revolta e conclui com um sentimento de abandono à vontade de Deus. “Eu me alegrarei”, e “exultarei” são os verbos que mostram que houve uma mudança radical de pensamento e atitude. O que a ocasionou?

É que ele, Habacuque, ouviu. “Eu ouvi, Iahweh, a tua fama”. Ele se lembra dos atos do passado. Ele olha para a história passada. Eis uma lição por aprender. Devemos olhar para o passado, para os atos de Deus na história. Isto nos anima a crer na sua direção no presente, e em melhores dias, para o futuro.

“Aviva, ó Senhor, a tua obra no meio dos anos”. A obra é Judá, o povo de Deus. O pedido é que, no juízo, ele não deixe Judá morrer. “Na ira lembra-te da misericórdia”. Quando chegar o juízo sobre Judá, usa de misericórdia, Iahweh! Ele tempera sua santidade que não pode suportar o mal, como o próprio Habacuque reconhece, com sua graça, que se compadece do seu povo. Como diz um hino do Cantor Cristão: “Em ti concilia-se a santa justiça, que não pode a culpa deixar sem castigo, com a compaixão que por graça recebe, e exime de culpas o réu pecador” [8].

Como passar da crise à fé? Como passar da revolta à confiança absoluta? Olhando não para a maldade humana, mas para o poder de Deus. Vendo o presente, sim, mas relembrando o passado, um passado de ação de Deus. Ele não morreu nem se tornou apático. Apenas está gestando sua ação. Mesmo que dias negros venham, ele nos dará o porte altivo da corça e nos fará andar nos lugares altos. O justo vive pela fé, anda pela fé, é confortado por sua fé.

OS PONTOS TEOLÓGICOS DE HABACUQUE
Um dos pontos mais fortes na teologia de Habacuque é a idéia de que Deus é moral. Os cinco “ais” contra a injustiça mostram isso. A injustiça não se perpetuará no seu mundo. Ele intervirá, no momento adequado. A intervenção é súbita, por isso o injusto é sempre mostrado como sofrendo uma destruição quando menos espera. Isto é fundamental até mesmo para nós. Há uma moralidade, há nexo no mundo e na história. Não por eles, mas por Deus, que sendo moral dá moralidade à sua criação. A justiça triunfará e a iniqüidade será vencida. Isto anima na pregação: nossa causa é certa. Não existe nenhuma possibilidade de dar errado. O projeto de Deus é de que o mundo volte à ordem. Fazemos parte disto.

O segundo ponto é a questão da justificação pela fé. Estamos tão acostumados com este ponto que não nos damos contas de sua importância. É fé que Deus espera ver na vida do seu povo. E fé não é admissão intelectual ou um ato cognitivo. É abandono da confiança em recursos humanos e uma entrega à vontade de Deus. Numa época em que a venda de indulgências para obter o favor de Deus voltou à cena, pelas mãos de neopentecostais, é oportuno levantarmos esta bandeira: Deus não é movido a dinheiro nem a mérito humano. O que o leva a agir, beneficiando os homens, é a sua graça. Numa época de tanta culpa, remorso, frustração, vazio e desorientação, precisamos lembrar que Deus espera fé e a ela responde com sua graça. A graça, o perdão, a misericórdia, são os antídotos divinos à depressão do mundo moderno.

Por último: pode-se dialogar com Deus. É santo, é Senhor, é Todo-Poderoso, mas compreende nossas frustrações. Fé não é suicídio intelectual nem tornar-se uma ameba. Ele ouve. Sabe ouvir. Podemos perguntar “até quando” a ele. Ele saberá compreender. Pode ser que não gostemos da resposta, como foi com Habacuque, mas podemos abrir o coração e expressar nossas inquietações, temores e dúvidas. Ele nos aceita assim mesmo. Esta é a nossa grande segurança e garantia: acima de nossas limitações, paira a graça de Deus.

CONCLUSÃO
Habacuque é uma riqueza enorme e de uma profundidade teológica ímpar. Refletir sobre ele sempre me comove. Como terminar este estudo? Creio que a melhor maneira de fazê-lo é com suas próprias palavras, como ele encerrou seu livro: “Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto nas vides; ainda que falhe o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que o rebanho seja exterminado da malhada e nos currais não haja gado, todavia eu me alegrarei no Senhor, exultarei no Deus da minha salvação. O Senhor Deus é minha força, ele fará os meus pés como os da corça, e me fará andar sobre os meus lugares altos” (3.17-19).

ESCRITO POR ISALTINO

NOTAS
[1] Ver, sobre isso, o artigo “Habacuque e o Problema do Mal”, de Luiz Alberto Teixeira Sayão, in “Vox Scripturae”, vol. III, no. 1, março de 1993.
2 Conforme a obra apócrifa Vida dos Profetas.
3 Yates, Predicando de Los Libros Profeticos, El Paso, Casa Bautista de Publicaciones, 1954, p. 208.
4 Feinberg, The Minor Prophets, Chicago: Moody Press, p. 205.
5 Feinberg, op. cit., pp. 206-207
6 Assim o define Thayer.
7 Ver o artigo já citado de Sayão, à p.15 de “Vox Scripturae”[1] Ver, sobre isso, o artigo “Habacuque e o Problema do Mal”, de Luiz Alberto Teixeira Sayão, in “Vox Scripturae”, vol. III, no. 1, março de 1993.
[2] Conforme a obra apócrifa Vida dos Profetas.
[3] Yates, Predicando de Los Libros Profeticos, El Paso, Casa Bautista de Publicaciones, 1954, p. 208.
[4] Feinberg, The Minor Prophets, Chicago: Moody Press, p. 205.
[5] Feinberg, op. cit., pp. 206-207
[6] Assim o define Thayer.
[7] Ver o artigo já citado de Sayão, à p.15 de “Vox Scripturae”
[8] Hino 12 do Cantor Cristão, de Richard Holden.
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