segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

A INVERSÃO DE VALORES

Pr. José Roberto Moura 

Mateus 6:24-26 - "Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas.

Por isso, vos digo: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as vestes? Observai as aves do céu: não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros; contudo, vosso Pai celeste as sustenta. Porventura, não valeis vós muito mais do que as aves?"

Em outras palavras Jesus perguntou: "Não tendes vós muito mais valor do que as aves dos céus?". E é esse ponto do seu discurso que iremos estudar. Ele fala de valor. E o que é valor? Valor é a importância de determinada coisa. Note que o Senhor aponta nesse texto um erro que geralmente cometemos. Não sabemos valorizar as coisas. Valorizar é atribuir um grau maior ao valor de algo. Inverter os valores é valorizar o que é menos importante e não fazer caso do que é mais importante. Reiterando, é trocar o essencial pelo secundário. É inverter a ordem de prioridade, é trocar aquilo que vale mais por aquilo que vale menos. E essa inversão acontece freqüentemente em nosso meio, por exemplo:

1. QUANDO VALORIZAMOS MAIS OS BENS MATERIAIS DO QUE AS PESSOAS
Para esses irmãos coisas valem mais do que pessoas.
Citemos alguns exemplos que identificam o crente que apresenta este tipo de inversão de valores:
Quando alguém convida um amigo para visitá-lo e comete a deselegância de mandá-lo tirar os sapatos antes de entrar, dando mais importância ao chão do que ao convidado. Tem gente que tem tanta roupa no armário que não sobra mais espaço nem para guardar um lenço, mas mesmo sabendo que essas roupas poderiam abençoar muita gente, não conseguem esvaziar o armário. Também, tem aquele irmão que ora pedindo um carro, e quando o Senhor o abençoa, ele passa a andar com no máximo mais duas pessoas no carro além dele, alegando que mais do que isso seria um peso inconveniente.
Uma equipe de pesquisadores estudou o comportamento da população brasileira durante os anos de 1977 a 1997 e constatou que pelo menos 78% das pessoas são materialistas, deixando-se dirigir pelo pecado da avareza e apego aos bens materiais. 
Amar os bens materiais é deixar-se dominar pela avareza. Segundo o Dicionário Aurélio, avareza significa "excessivo e sórdido apego ao dinheiro; falta de generosidade e mesquinhez". Quem se apega excessivamente aos bens materiais age sordidamente e vale-se de meios degradantes para alcançar um fim egoísta. 
Somente poderemos provar que amamos ao próximo, como recomendaram as Escrituras Sagradas, se usarmos os nossos bens materiais para servir a outras pessoas. Porém, em nosso dia-a-dia muitas vezes não é o que isto acontece. Em muitas ocasiões, amamos mais os nossos bens materiais e excluímos as pessoas da lista de nossas prioridades, não as consideramos como seres humanos criados à imagem e semelhança de Deus.

2. QUANDO VALORIZAMOS MAIS A APARÊNCIA DO QUE O CONTEÚDO
Ao longo de sua história, o homem tem sido levado a fazer escolhas precipitadas com base na bela aparência física. O povo de Israel, por exemplo, escolheu Saul como rei por ele ser jovem, alto, forte e belo de aparência, mas não viu que ele era de coração arrogante. Esse rei acabou suicidando-se após concluir que o Senhor o havia rejeitado. 
Quando valorizamos mais a aparência física do que as qualidades morais, somos tentados a julgar de acordo com os critérios meramente humanos. Quem comete este tipo de inversão de valores impressiona-se diante de uma pessoa bem vestida, cheia de jóias, dona de um carro de luxo e moradora de uma mansão. Mesmo que essa pessoa não tenha boa reputação e seja mau caráter e trapaceira, é considerada "uma pessoa legal, que costuma dar tapinhas nas costas de todo mundo", "bacana", "gente boa que tem um papo legal". Porém, isso é dar mais valor à aparência física do que às qualidade morais. 
Um estudo promovido pela Faculdade de Economia da Universidade Federal Fluminense, entre os anos de 1995 e 2004, sobre o Impacto sócio-econômico da beleza, constatou que o Brasil é o 5º colocado no mercado mundial na área de cosméticos. Porém, em contrapartida, não nos destacamos, enquanto nação, como exemplo de conduta ética e moral.
É importante que cuidemos de nossa aparência física, que andemos sempre bem vestidos e cuidemos da higiene pessoal. Porém, não devemos fazer do tratamento estético uma prioridade em nossa vida e negligenciar os valores espirituais, morais, o caráter.
As pessoas que valorizam mais a aparência física do que as qualidades morais e espirituais também costumam fazer julgamentos precipitados. Temos como exemplo o que Nabal disse sobre Davi (1 Sm 25:10,11). Apesar de não estar ainda vestindo os trajes reais que usaria mais tarde, e apesar de estar acompanhado de um grupo de 400 homens socialmente desvalorizados, Davi não era uma pessoa de mau caráter. Pelo contrário, havia ganhado fama por ser um moço íntegro, temente a Deus (1 Sm 16:18), por ter matado o gigante Golias e contribuído para um grande livramento de Israel.

3. QUANDO VALORIZAMOS MAIS AS REVELAÇÕES E EXPERIÊNCIAS ESPIRITUAIS DO QUE A PALAVRA DE DEUS
A Bíblia nos ensina a crescer tanto na graça como no conhecimento de Cristo (2 Pe 3:18). Pela graça do Senhor, somos espiritualmente renovados dia após dia e adquirimos forças para superar os problemas do cotidiano. Já o conhecimento da Palavra de Deus é desenvolvido por meio do nosso intelecto quando estudamos a Bíblia de maneira sistemática, freqüentamos algum curso teológico ou os cultos doutrinários.
Os crentes habituados a praticar este tipo de inversão de valores dizem: "Pastor, irmã 'Fulana' profetizou que é com 'Joãozinho' que eu devo casar". Estas declarações caracterizam o crente que valoriza mais a experiência espiritual do que a Palavra de Deus. O crente que só valoriza os dons e as manifestações espirituais e dá pouca atenção à Palavra de Deus, que está sempre em busca de profecias e visões, torna-se alvo fácil dos falsos profetas. Eles costumam não valorizar os cultos de oração e doutrina e a Escola Bíblica Dominical. Sendo assim, não possuem uma base de conhecimento mais sólido da Palavra de Deus. Sofrem de raquitismo espiritual, podendo ser levados por qualquer vento de doutrina.
Em 1 Rs 13:1-24, vemos a história de um profeta de Judá que recebeu duas ordens do Senhor: Não deveria comer ou beber com os idólatras em Israel, e teria de tomar um caminho diferente para retornar à sua cidade. Porém, esse profeta foi enganado por um profeta velho, e por ter desobedecido à ordem do Senhor e dado ouvido a "profetadas", foi atacado por um leão e morreu por causa da sua desobediência a Deus.

4. QUANDO VALORIZAMOS MAIS OU OUTROS LUGARES DO QUE A IGREJA
O templo sempre foi o lugar mais importante para adorar ao Senhor. Porém, hoje em dia, muitos crentes costumam valorizar mais os outros lugares do que a igreja, que é o local dedicado e exclusivo para os cultos de adoração a Deus.
Existem até crentes que dizem: "Eu gosto da oração na casa do irmão tal, porque lá é fogo puro. Há 79 profecias, 45 revelações, 28 visões com anjos. O negócio é muito quente. Mas vou à igreja de vez em quando". Cremos em profecias e revelações que comprovam a sua veracidade, que têm o seu real cumprimento e não deixam dúvidas que vieram de Deus. Porém, o lugar escolhido para adorar a Deus, a igreja, não deve ser trocada por nenhum outro. 
Samuel ouviu a voz de Deus quando estava no santuário. Foi neste lugar que ele recebeu o chamado divino, sendo separado para o ofício de sacerdote e profeta em Israel. Isaías teve uma visão grandiosa dentro do templo na ocasião em foi consagrado para seu ministério profético (Is 6:1-9).
A Casa do Senhor é um lugar importante, porque além de adorarmos a Deus, também consolidamos a nossa comunhão com os santos, adquirimos a renovação de nossas forças para superarmos as crises existências e os problemas espirituais que nos afligem. Um bom soldado procura sempre estar unido à tropa no campo de batalha. Se ele se mantiver isolado, estará vulnerável ao ataque do inimigo. Portanto, valorizemos sempre os cultos em nossa igreja.

5. QUANDO VALORIZAMOS MAIS O TALENTO DO QUE O CARÁTER
Vivemos em um mundo onde as pessoas são valorizadas muitas vezes não por causa de sua personalidade e seu caráter, mas por causa se seu talento e seus bens materiais. De acordo com a sociedade, quanto mais talentosa for a pessoa, mais ela será admirada e terá o seu devido destaque. Até mesmo em nossas igrejas temos visto irmãos serem tratados de maneira diferenciada por causa de sua posição social, do alto valor de seu dízimo e de suas ofertas ou de seus dons. Se estas pessoas que recebem tratamento diferenciado cometerem algum tipo de pecado ou agirem fora dos padrões da Palavra de Deus, tais pastores dizem: "Não tem problema, meu irmão. Continue dando o seu dízimo e a sua oferta que Deus o abençoará".
Por que será que Deus deu tanta riqueza a Jó? Será porque ele era de bela aparência ou talentoso? Não. Deus resolveu abençoá-lo por causa de sua integridade, sinceridade, pureza, santidade e confiança nEle. (Jó 1:8)
Deus não resolveu abençoar Daniel, elevando-o à posição de ministro nos impérios babilônicos e medo-persa por causa de sua sabedoria, mas sim porque este profeta se manteve fiel ao Senhor, não se contaminando (Dn 1:8).
E com relação a Noé? Por que será que este escapou do dilúvio? Porque ele era um homem muito talentoso e inteligente a ponto de construir um arca? Não. Noé era um homem que perseverava em comunhão com Deus, mesmo estando no meio à iniqüidade e à maldade generalizadas daquela época (Gn 7:1).
Ao fazermos qualquer julgamento sobre alguma pessoa, analisemos, antes de tudo, as obras, a índole e o caráter dela. Verifiquemos se o seu comportamento e suas atitudes estão de acordo com a Palavra de Deus.

6. QUANDO VALORIZAMOS MAIS O SERVIÇO CRISTÃO DO QUE A FAMÍLIA
Você alguma vez já observou o nome de muitos delinqüentes, que geralmente são divulgados pela imprensa? Vários deles têm nomes bíblicos, como Oséias, Isaías, Elias. Isto lamentavelmente acontece porque a mãe e o pai de alguns que comandam o tráfico de drogas em diversas cidades são membros de igrejas evangélicas.
Você pode perguntar: "Por que, há um índice grande de filhos de crentes que se tornam bandidos?". Porque, em alguns casos, a mãe e o pai se envolveram tanto na obra do Senhor, com os trabalhos de sua igreja, que sequer tiveram tempo de cuidar da educação do filho. E o resultado foi que ele acabou sendo influenciado pelas más companhias. Aprendeu a praticar a malandragem, a fazer uso de cocaína, a fumar cigarros de maconha, a utilizar armas de fogo, etc.
Na ordem de prioridade na vida cristã, a primeira coisa que devemos fazer é amar a Deus acima de todas as coisas, conforme disse o Senhor Jesus Cristo no Evangelho de Mateus 22:37. Em segundo lugar na ordem de prioridade, está a família, que é a célula-mãe da sociedade e a primeira instituição criada por Deus. Já a Igreja ocupa o terceiro lugar em nossas prioridades. O apóstolo Paulo disse ao jovem Timóteo: "...porque, se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá cuidado da igreja de Deus?...".
O serviço cristão não é mais importante do que a família. Priorize sua família e eduque os seus filhos de acordo com a Palavra de Deus; dialogue com eles, ame-os, ampare-os, proteja-os. A melhor coisa a fazer é não inverter os valores espirituais.

7. QUANDO VALORIZAMOS MAIS A AUTORIDADE PRÓPRIA DO QUE A AUTORIDADE DIVINA
A Bíblia relata a história de um jovem que considerava a sua autoridade mais importante do que autoridade do seu pai. Este jovem foi Absalão, que aliciou os homens de Israel a fazerem guerra contra Davi, para apoderar-se furtivamente do trono (2 Sm 15:1-5).
Existem muitos jovens em nossas igrejas que, a exemplo de Absalão, também consideram sua própria autoridade mais importante do que a autoridade paterna e a pastoral. Eles ultrapassam as ordens impostas em casa e na igreja, invertem os valores espirituais e acabam sofrendo as conseqüências de seus erros. 
Outro exemplo, é o rei Saul que desrespeitou a autoridade divina, e ofereceu sacrifício em Gilgal, desprezando o fato de que somente Samuel, designado por Deus como profeta e sacerdote, tinha autoridade para oferecer sacrifícios ao Senhor (1 Sm 13:8).
O rei Uzias é outro exemplo. Este rei de Judá, que reinou 52 anos, teve um reinado de muita prosperidade. Porém, o poder, a fama e as riquezas tomaram o lugar de Deus no seu coração, e o resultado foi ele se tornar arrogante a ponto de atrever-se a desempenhar uma função que não lhe competia, e ainda, indignando-se contra os sacerdotes que o repreenderam. Como resultado o rei Uzias acabou ficando leproso (2 Cr 26:16-19).
Quem desrespeita a autoridade espiritual e desobedece aos mandamentos do Senhor, com fez Uzias, é atacado pela lepra. Por isso, nestes últimos dias temos visto muitos crentes espiritualmente doentes, que não querem sujeitar-se à autoridade pastoral. Estão sempre "pulando de igreja em igreja". Tornam-se pessoas insatisfeitas, murmuradoras, caluniadoras, tudo porque estão acostumadas a inverter os valores morais e espirituais.
Temos presenciado em nossas igrejas muitas ovelhas querendo dar ordens ao pastor. Existem crentes que, apesar de freqüentarem a igreja há muitos anos, mais parecem crianças pirracentas e paparicadas. Alguns chegam até a fazer chantagens. Ameaçam deixar a direção do departamento, entregar o cartão de membro ou pedir carta de transferência para outra igreja se o pastor não seguir as suas "ordens".

Se você estiver praticando algum tipo de inversão de valores mencionado acima, então procure reconciliar-se com Deus. Renove a sua mente em Cristo, envolva-se mais com os assuntos espirituais, ponha o Reino de Deus em primeiro lugar na sua vida e seja um crente fiel, edificado na Rocha Eterna. DEUS O ABENÇOE!

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