segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

REVITALIZANDO A ESCOLA DOMINICAL

Rev. Gildásio Jesus Barbosa dos Reis

Introdução: Nosso estudo tem como objetivo a reflexão sobre o que é aprender e o que é ensinar. Como o próprio nome sugere "ensino-aprendizagem", trata-se de um binômio inseparável. Estes dois termos "aprender" e "ensinar" não podem se separar. Eles estão intimamente relacionados e um depende do outro para existir.


Em Dt 4:1 vemos o termo "ensinar" e em 5:1 o termo "aprender". Na língua Hebraica tirando o sufixo e o prefixo das duas palavras vamos notar que trata-se da mesma raiz. Isto mostra que trata-se de dois vocábulos que são independentes. Não existe ensino sem aprendizagem e também não existe aprendizagem sem ensino. O que o professor faz e o que aluno faz estão ligados entre si.1

I. entendendo o conceito ensino-aprendizagem

1) O que é ensinar?
Ensinar é a tarefa do professor. É o processo de facilitar que outras pessoas aprendam e cresçam. Ensinar é todo o nosso esforço de levar alguém a aprender. Não se trata de passar informações de uma mente para outra como objetos de uma gaveta para outra. O mero derramar diante do aluno o conteúdo do seu conhecimento, não significa que o professor está ensinando.

Na pedagogia tradicional, a proposta da educação é centrada no professor cuja função define-se por vigiar os alunos, ensinar a matéria e corrigi-la. A metodologia decorrente desta concepção tem como princípio a transmissão de conhecimento através da aula do professor. O professor fala, o aluno ouve e aprende. O professor não dá espaço para o aluno participar de seu aprendizado. O aluno é passivo neste processo, pois é o professor que detém o saber.

"Ensinar, entretanto, não é somente transmitir, não é somente transferir conhecimentos de uma cabeça a outra, não é somente comunicar. Ensinar é fazer pensar, é estimular para a identificação e resolução de problemas; é ajudar a criar novos hábitos de pensamento e ação"2

Na pedagogia moderna, chamada de Escolanovista3, o professor é visto como facilitador no processo de busca do conhecimento que deve partir do aluno. Cabe ao professor organizar e coordenar as situações de aprendizagem, adaptando suas ações às características individuais dos alunos, para desenvolver suas capacidades e habilidades intelectuais.

Pergunta para nossa reflexão: por que o ensino é tão pouco eficiente em termos esforço docente/ aproveitamento discente?

2) O que é aprender?
Assim como o papel do médico é levar o paciente a se curar, o papel do professor é levar o aluno a prender. Aprender é adquirir domínio sobre o conteúdo ensinado, mas é mais que isto; é traduzir na prática o que foi e está sendo ensinado. A aprendizagem acontece dentro do indivíduo, mas seus efeitos são comprovados exteriormente em comportamentos externos. Em outras palavras, a mudança de vida é evidência de que houve aprendizagem.

É bom que se diga, que não se trata de uma mudança mecânica ou condicionada. Ser treinada a fazer determinadas coisas não caracteriza aprendizado. Uma coisa é saber que não se deve tirar a vida da outra pessoa. Outra coisa é saber porque não se deve fazer isso.

II. Princípios do PROCESSO ENSINO APRENDIZAGEM
A aprendizagem contém cinco princípios básicos: 
1.A Aprendizagem tem início quando parte de onde o aluno se encontra.

Se pretendemos ensinar algo a alguém, faz-se necessário partir do ponto de conhecimento que o aluno já possui. Ensinar é explicar o novo baseando-se no antigo; o desconhecido, partindo do conhecido e o difícil em relação ao fácil. Precisamos como professores entender que o estudo a ser ministrado precisa ter relação com o conhecimento já adquirido pelo aluno. 
Nosso grande desafio como professor não é sobrecarregar os nosso ouvintes com informações; ao contrário, é conduzi-los domingo após domingo, a um crescimento simétrico. 
2.A Aprendizagem será eficaz se levar em consideração os interesses do aluno.

Temos que despertar o interesse daqueles a quem queremos ministrar ( Jo. 4:10 ). O aluno precisa sentir que vale a pena ouvir o que você tem a dizer. 
"Os corações também têm orelhas - e estai certos de que cada um ouve, não conforme tem os ouvidos, senão conforme tem o coração e a inclinação" Sermão do 5º Domingo de Quaresma - (Padre Vieira)7 
John Stott, nos lembra que Jesus conhecia os corações de seus ouvintes e lhes falava ao coração ( Jo. 2:25 ). Jesus é o grande Kardiognôstes ( Atos 1:24 ), aquele que conhece os corações.4 
3.A aprendizagem será mais eficaz se levar em conta a necessidade do aluno. ( Jo. 4:5-30 )

Muitos professores ficam angustiados porque não conseguem prender a atenção de seus alunos. O aprendizado ocorre quando os alunos estão motivados a aprender, e para que haja motivação, precisamos levar em conta suas necessidades. 
Para que o processo ensino-aprendizado seja eficaz o professor precisa conhecer seus alunos. Precisa olhar e tratar seus alunos como ovelhas e adequar seus métodos didáticos às diferenças individuais, visando a uma aprendizagem mais satisfatória. 
É nosso trabalho como professor conhecer nossos alunos, suas lutas e fraquezas, suas tentações e alegrias. Você conhece seus alunos? Sabe quem são seus pais, onde eles estudam, onde trabalham, quais são seus sonhos ? etc.. 
O modelo de Maslow nos mostra quão importante e eficaz se torna o ensino e a aprendizagem se nós como professores considerarmos as necessidades dos nossos alunos.
Maslow entendia que toda pessoa tem uma tendência básica para realizar o que nela está em potencial, e concebe a existência de 5 tipos de necessidades:

 Jesus não pregava sermões enlatados. Ele os pregava na casa, na sinagoga, nos montes ou a beira-mar sempre muito naturalmente e partindo do interesse e das necessidades de seus ouvintes e de suas necessidades. (Lc 10:25,26; Jo 4:10; Lc 4:16-30) 
O conteúdo pode ser bíblico e correto, mas se não atender as necessidades do aluno não terá muito valor. É como dar água e não pão para quem tem fome. Nós como professores precisamos manter uma relação mais pessoal e íntima com nossos alunos.

Jesus era relacional: O coração de Jesus pulsava não só pelas idéias, mas também pelas pessoas. Ele estava mais preocupado com as pessoas do que com o trabalho a ser realizado. Jesus era um mestre que criava pontes e não muros entre as pessoas. (Jo 5:1-15) 
4.A aprendizagem terá mais sucesso se for baseada em atividades.

Este princípio é aquilo que temos visto na frase: "Aprender a fazer, fazendo5" Nossos alunos aprendem quando ouvem, vêem e fazem. Existe o prazer puro do conhecimento, mas o aprendizado deve produzir mudanças em nossas vidas. 
5.A aprendizagem ocorre quando se observa o professor como modelo.

Poucas coisas tocam tão de perto o coração de um aluno quando este verifica que o professor pratica aquilo que ensina. A aula não é um mero discurso, mas o compartilhar de experiências reais. Veja o exemplo de Jesus. O que ele pregava e fazia eram a mesma coisa. Nele não havia contradições. ( Mt 7:29; Lc 4:32; At 7:22 )
III. A COMUNICAÇÃO E O PROCESSO ENSINO APRENDIZAGEM

O termo comunicação vem do latim communis, que quer dizer "comum". Para que possamos comunicar algo a alguém precisamos estabelecer pontos em comum com ele.

1) Pontos de estrangulamento da comunicação:
  • Professor é um mau comunicador e não percebe isto.
  • Professor está mais interessado em dar a matéria do que despertar o interesse do aluno.
  • Professor se utiliza de termos e conceitos que não são da experiência dos alunos.
  • Professor parte da premissa de que todos os seus alunos têm o mesmo nível de inteligência.
  • Professor não parte do ponto em que o aluno está.
2) ELEMENTOS BÁSICOS DO PROCESSO DA COMUNICAÇÃO

No processo da comunicação (tornar comum) humana intervêm, necessariamente cinco elementos:
1) - O Transmissor : É aquele que transmite
2) - O Receptor : O que recebe
A comunicação exige a participação, no mínimo de 2 pessoas. Se um indivíduo fala e ninguém ouve, o processo da comunicação humana não se completou.
3) - A Mensagem : É o elo de ligação dos dois pontos do circuito.
Toda mensagem no processo da comunicação humana precisa ser significativa, deve dizer qualquer coisa em comum para o transmissor e para o receptor. O professor precisa conhecer o assunto que vai ministrar.
4) - O meio: O meio pode prejudicar ou facilitar a comunicação. Dominar o meio da comunicação humana é condição essencial à sua efetividade.

O meio da comunicação precisa atender a dois requisitos fundamentais:
  • Ser dominado tanto pelo transmissor quanto pelo receptor.
  • Estar de acordo com a mensagem que transporta.
5) – Finalidade – Objetivo : A finalidade da comunicação deve ser evidente, para prevenir distorções e mal-entendidos.

A pergunta: "Onde quero chegar"? é fundamental para a efetivação da comunicação.

3) COMUNICAÇÃO EM RELAÇÃO À MEMÓRIA 7

Nossos alunos aprendem quando ouvem, vêem e fazem.
  • Comunicação com Palavras escritas 7%
  • Comunicação com palavras: sendo ditas, tom de voz, volume, ritmo 38%
  • Comunicação vendo: Expressões faciais, gestos, etc... 55 %
Existe o puro prazer do conhecimento, mas o aprendizado deve produzir mudanças em nossas vidas.

4) Os recursos audiovisuais melhoram a memória

Métodos de Comunicação                         Lembrança -                 Lembrança
                                                                 3 horas depois              3 dias depois
Quando o Professor fala                                   70 %                           10 %

Quando o professor só mostra                          72 %                           20 %

Quando o Professor usa uma 
combinação de falar e mostrar                          85 %                           65 %

Recursos audiovisuais frisam que a aprendizagem acontece por todos os cinco sentidos:
Paladar 1 %
Tato 1,5 %
Olfato 3,5 %
Audição 11 %
Visão 83 %
resentar o Conteúdo ( a mensagem )
Um fator muito importante na comunicação da mensagem é a maneira como falamos quando temos a incumbência de ensinar. Todos nós já ouvimos vários tipos de professores, pregadores e oradores: alguns interessantes, outros fracos e sem nenhum brilho; alguns falando com idéias breves e claras, outros demorando muito em expressar o que querem dizer; alguns com uma mensagem vital, outros sem nada para dizer, usando palavras destituídas de sentido, valor e clareza.
 Algumas recomendações para se evitar os ruídos na comunicação 8:
  • Planeje cuidadosamente sua comunicação. Evite falar demais. Seja objetivo.
  • Antes da comunicação decida qual o melhor meio
  • Quando oralmente, fale de maneira clara e pausadamente
  • Evite comunicar-se sob estado de tensão; você poderá dizer muita coisa e depois se arrepende
  • Use a mesma linguagem do receptor
  • Fale um assunto de cada vez. Não misture os assuntos
  • Verifique se foi compreendido através de perguntas dirigidas ao grupo
  • Ouça o que os outros têm a dizer. Não menospreze qualquer opinião ou sugestão
Pense um momento. Como podemos ser mais atraentes ao proferir ou apresentar as mensagens? O nosso desejo, por certo, é segurar a atenção dos ouvintes para que ganhem o máximo daquilo que Deus tem colocado em nosso coração. Quais são alguns dos bons hábitos que o professor deve mostrar na sua fala?

A. Use Linguagem Simples e Clara: O nosso Senhor Jesus Cristo, embora Deus-Homem, falou em termos claros e perfeitamente compreensíveis para povo comum. Ele poderia ter usado uma linguagem profunda e difícil. Mas escolheu palavras simples para o povo.

Creio que todo professor deveria aplicar o lema de Agostinho: "A chave de madeira não é tão bonita quanto a de ouro, mas se ela abre uma porta que a chave de ouro não consegue abrir, é muito mais útil" 9

Citando novamente Stott, ele nos conta a história de um paciente num hospital de loucos que, após ouvir o capelão por algum tempo, comentou: "Se Deus não me ajudar, vou acabar assim também!"10

B. Procurar Usar o Próprio Estilo: Não deve o professor imitar ninguém, deve ser natural e usar a própria personalidade que Deus lhe tem dado. Especialmente quanto ao tom de voz que usa ao falar, o professor deve usar o seu próprio tom habitual.

C. Falar de Tal Forma Que Todos Possam Ouvir e Compreender: Uns dos principais problemas de muitas pessoas que falam em público é o de serem ouvidas ou entendidas. Às vezes o volume ou força de voz não é suficiente para que os que estão mais afastados possam ouvir sem dificuldade.

O professor precisa pronunciar distintamente cada palavra. Alguns falam depressa demais, quase em ritmo de metralhadora ! Devemos tomar o máximo cuidado com a articulação ou enunciação de nossas palavras.

D. Falar com o Corpo Todo: Se a exposição da aula é uma espécie de "conversa animada", devemos utilizar as nossas mãos para dar ênfase àquilo que dizemos. Se a mensagem estiver cheia de vida, não teremos muito problema em reforçar as nossas palavras com gestos.

Qual o mais interessante para se escutar. Alguém falando :
  • Com variação no tipo de freqüência dos gestos ?
  • Com muitos gestos semelhantes que se repetem continuamente ?
  • Sem nenhum gesto ?
E. Falar com Convicção: Convicção é uma característica dos grandes mestres de todos os tempos. Para alcançarmos êxito no ensino, muito depende da convicção com que falamos. Uma das fontes principais de popularidade e magnetismo pessoal na sala de aula é uma convicção inabalável, uma alvo definido.

Quando Charles H. Spurgeon, o grande pregador do século XIX, pastor da Igreja All Souls, em Londres deu início a seu ministério, um ateu bem conhecido informou a seus amigos que iria ouvir Spurgeon pregar.
  • - Por que? Perguntaram seus amigos incrédulos. Você não acredita em nada que ele prega.
  • - Eu não acredito, concordou o ateu, mas ele acredita.
F. Falar com Entusiasmo ( En+ Teos ): O entusiasmo é uma outra qualidade que está ligada à convicção. O entusiasmo ajuda muito a qualquer palestra ou sermão. Esta qualidade é atraente e contagiante. Entusiasmo por parte do professor gerará entusiasmo nos ouvintes.

Devemos mostrar o nosso entusiasmo em nossa voz, expressão facial e também em nossa maneira de falar. Se vale a pena pregarmos a nossa mensagem, valerá também sermos entusiasmados com ela.

Se os professores e as pessoas que fazem palestras se entusiasmam ao proferir aulas e palestras, quanto mais nós, que temos a "boca-nova" de salvação e perdão para os nossos ouvintes ! 

G. Falar com Amor: Que prazer é ouvir algumas pessoas falar ! O rosto delas parece radiar o gozo, a paz e o amor do Senhor. É fácil prestar atenção àquilo que dizem. Sentimos o amo de Deus quando falam. Como têm uma atitude simpática e não de condenação ou superioridade ! Sigamos o exemplo destes, e não o exemplo negativo de alguns que falam sem manifestar o amor e compaixão do nosso Mestre. 

H. Pregar no Poder do Espírito: O apóstolo Paulo assim escreveu em I Coríntios 2:4,5 : "A minha linguagem e a minha pregação não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder; para que a vossa fé não se apoiasse na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus."

I. Variar a entonação e a velocidade da voz.

Responda você mesmo : Qual é o mais interessante para se escutar ?
  • O tempo todo voz triste ?
  • Com variação de tom de voz ?
  • O tempo todo com voz alegre ?
Qual o mais interessante para se escutar ?
  • Aquele que fala :
  • O tempo todo depressa ?
  • O tempo todo devagar ?
  • Com variação de velocidade ?
IV. OS MÉTODOS NO PROCESSO ENSINO APRENDIZAGEM

Como incentivar a participação mais efetiva de nossos alunos ?

A palavra método vem do grego methodos. Daí a nossa palavra metodologia (método + logia) estudo dos métodos. É a arte de guiar o aprendiz na investigação da verdade.

Método portanto, é o caminho para se atingir um objetivo, um resultado.

"A aprendizagem se realiza através da conduta ativa do aluno, que aprende mediante o que ele faz e não o que faz o professor". Ralph W. Tyler

Existem várias maneiras, caminhos, métodos para ensinar um assunto.

O professor que busca transmitir ao aluno determinado ensino e deseja alcançar o objetivo do aprendizado efetivo, deve analisar e selecionar o método mais adequado e mais eficaz.

1 - Exposição - Preleção

Devemos utilizar este método :

a) Para dar uma informação.

b) Quando os alunos estiverem motivados.

c) Quando o orador tiver fluência e administração do grupo.

d) Quando o grupo for grande, impossibilitando o uso de outros métodos.

e) Para adicionar ou destacar algo novo ao conhecimento já adquirido.

Exposição Verbal : Utilizado quando o assunto é desconhecido ou quando as idéias dos alunos são insuficientes ou imprecisas. Conforme o nível de aprendizado do aluno, a exposição pode ser intercalada com a exposição dos alunos, ainda que informalmente.

Desvantagens do método expositivo:

A aprendizagem pode ser mecânica (não crescem, mas engordam)

Pode gerar um processo de memorização sem aprendizado

O uso de linguagem e termos inadequados

Pode haver uma preleção sem cativar: Não se conquista o aluno, ao contrário, a tendência é de distanciamento.

Exposição Verbal : Utilizado quando o assunto é desconhecido ou quando as idéias dos alunos são insuficientes ou imprecisas. Conforme o nível de aprendizado do aluno, a exposição pode ser intercalada com a exposição dos alunos, ainda que informalmente.

Desvantagens do método expositivo:

A aprendizagem pode ser mecânica (não crescem, mas engordam)

Pode gerar um processo de memorização sem aprendizado

O uso de linguagem e termos inadequados

Pode haver uma preleção sem cativar: Não se conquista o aluno, ao contrário, a tendência é de distanciamento.

2. Trabalho Independente : Consiste de tarefas dirigidas e orientadas pelo professor. Efetuar uma pesquisa, elaborar um sermão, resolver uma questão... Deve ser utilizado após análise do objetivo do curso, do nível de conhecimento do aluno, do tempo disponível ... pois o principal objetivo será o desenvolvimento da atividade mental do aluno, fixando o aprendizado. Exige acompanhamento do professor, corrigindo e estimulando.

3. Elaboração conjunta : O exemplo mais típico de elaboração conjunta é a "conversação didática". Não é um simples responder perguntas, mas um interagir professor-aluno. Exigirá maior preparo metodológico do professor, como também um conhecimento mais abrangente, pois ele não apenas coordenará o processo, mas fará parte do processo. O resultado será coletivo.


Professores inexperientes, autoritários, formais ou dogmáticos certamente enfrentarão dificuldades com este método. Aparentemente pode não ter problemas, pois toda e qualquer expressão ou discórdia será combatida.

4. Trabalho em grupo: Distribuição de temas, perguntas, questões... para que em grupos de 3 a 5 alunos as questões sejam trabalhadas. Deve-se fixar um objetivo a ser atendido.

Os "grupos" de alunos devem ser divididos, buscando a formação heterogênea. O ambiente deve ser preparado antecipadamente para ganhar tempo e evitar bagunça. (a não ser que a bagunça faça parte do objetivo).

Podemos utilizar este método:

a) Para obter a participação do aluno ( na maioria dos casos todos participam, mesmo aqueles mais tímidos e inibidos)

b) Para avaliar o conhecimento do grupo

c) Para reafirmar conceitos

d) Para produzir ambiente descontraído, propício ao aprendizado. (em ambientes tensos, autoritários, formais, o aprendizado torna-se mais difícil)

5) Representação, Dramatização

Apresentação de um problema humano por determinado número de alunos, para análise e discussão pelo restante do grupo.

O Teatro de sombras : Representações de personagens, atrás de um lençol. Os personagens devem atuar de perfil (de lado) obviamente.

Temos também o Teatro de Marionetes e o Teatro de Vareta

Teatro de fantoches: Consiste em fantoches de papel, fixados numa vara de churrasco, bambu ou palitos de sorvete. ( Fantoches de Luvas, Fantoches de Mão, Fantoche Andarilho )

O fantoche pode ser preso à mão por um elástico costurado na cintura. Fazer botas de cartolina que serão ajustadas aos dedos.

6) Debates: Neste método oradores falam a favor ou contra uma proposição, defendendo seus pontos de vista. Em um segundo momento, o grupo que assiste poderá fazer perguntas aos debatedores.

7) Painel de Oposição ou debate: Discussão diante de um auditório sobre determinado tópico. Requer três ou mais participantes e um líder.

Os participantes e o líder devem ter conhecimento geral e específico na área e domínio próprio para que o painel não se transforme em "pancadaria intelectual".

Podemos utilizar este método:

a) Para apresentar pontos de vista diferentes.

b) Quando houver pessoas qualificadas para compor o painel.

c) Quando o assunto for complexo demais, dificultando a participação do grupo todo.

d) Quando for melhor para o aprendizado somente observar e não discutir.

e) Quando quiser analisar as vantagens e desvantagens na solução de um problema.

8) Seminário: O nome desta técnica vem da palavra "semente", o que indica que o seminário é uma excelente ocasião para germinar a semente de novas idéias, favorecendo assim o aprendizado.

9) Atividades Especiais:

Leitura complementar

Visitas entre alunos

Visitas a lugares específicos

Piquenique

V. Recursos pedagógicos no Processo Ensino-Aprendizagem

A aceleração na história nada mais é do que o tempo entre a descoberta e a aplicação dos processos tecnológicos. A fotografia levou 112 anos entre a descoberta e a aplicação. O telefone, 56 anos; o rádio, 35; a televisão, 12; o computador, 2 anos. O computador 286, 1 ano e do 486 para o Pentium, 1 mês.11

Nossa sociedade está em constantes mudanças. Se nós professores, também não acompanhar estas mudanças e transformações, vamos ficar para trás. Veja alguns recursos pedagógicos que podemos lançar mão para tornar nosso trabalho como professor, mas fácil:

Apostilas: O professor pode preparar a sua aula e colocar isto em forma de apostila. Assim os alunos poderão acompanhar a aula, lendo, vendo e ouvindo.

Quadro "negro": Às vezes se faz necessário ao professor escrever alguma palavra para que o aluno visualize e entenda seu significado. Auxilia ao professor que vez ou outra precisa fazer um gráfico, ou expor de maneira visual seu argumento.

Retroprojetor: Exposição com ilustração visual : Apresentação gráfica de fatos, fenômenos ... através de gráficos, mapas, esquemas, gravuras, etc. ( Ex. Viagens missionárias de Paulo (mapas) )

Flip Chart: Tem a mesma função do qudro "negro", porém por ser móvel, pode ser levado para qualquer outro ambiente e também sua posição dentro da sala de aula.

TV e Vídeo: Existem bons filmes que podem ser utilizados para favorecerem o ensino.

Computador: Gráficos, desenhos, Multimídia, etc....

VI. O PAPEL DO ESPÍRITO SANTO NO PROCESSO ENSINO APRENDIZADO

O que distingue a Educação secular da cristã, é que esta tem a Bíblia como seu objeto de estudo e sua meta é a transformação de vidas. Em razão disto a obra do Espírito Santo é indispensável para alcançarmos tão sublime meta.

Na educação cristã, a eficácia do ensino depende indiscutivelmente da obra do Espírito Santo. Esta eficácia ocorre em 3 etapas: Na preparação da aula, na ministração e na recepção por parte dos alunos.

RAZÕES DA NECESSIDADE DO ESPÍRITO SANTO NO PROCESSO PEDAGÓGICO

Em Relação ao Professor:

1) - O professor precisa de capacitação espiritual.

Lemos I Co 2:1-4 e II Co 3:5 que o sucesso do ensino não depende, em primeiro lugar, da capacidade do professor. O mestre pode ser eloqüente, gesticular bem, mostrar grandes conhecimentos, e no entanto seu ensino não ter o efeito esperado.

A Educação cristã é um processo cooperativo envolvendo o humano e o divino. O professor estuda, planeja e ensina a verdade; o Espírito Santo procura dar direção, poder e iluminação aos professores. (Zac 4:6)

Em Relação ao Aluno:

2) - É o Espírito Santo que aplica a verdade ensinada.

O resultado eficaz do ensino depende da ação iluminadora no coração dos ouvintes. Apenas ter conhecimento da verdade apresentada, não transforma os ouvintes. Para que a Palavra ensinada seja eficaz na vida dos alunos precisamos do ministério de iluminação do Espírito Santo. (Jo 14:26; 16:13; II Co 2:10-15)

11.Ivone Boechat, O Desafio da Educação Para um Novo Tempo, Reproarte Gráfica e Editora ( Rio de Janeiro, 1998 ), p. 51.

VII – AS QUALIFICAÇÕES DO PROFESSOR EFICAZ

O que você acha de um mecânico de automóvel que não tem noção do que seja um radiador? Ou de um médico que não qual a diferença entre sangue tipo A e tipo B? A conclusão óbvia é: não estão qualificados para exercer seu trabalho.

Da mesma forma o professor precisa preencher alguns requisitos básicos para estar apto a exercer o ministério de ensino na Igreja de Cristo.

Iremos considerar alguns elementos no ministério de Jesus e teremos mais instrução para cumprir nossa missão de mestre de maneira mais eficaz.

O Professor deve ensinar com a própria vida.

A classe de aula é a extensão da vida do professor. Esta talvez seja a qualidade mais importante na vida de qualquer professor.

As pessoas ouviam o ensino de Jesus e o admirava. A razão está no fato de que Jesus ensinava com autoridade – Mc 1:22; Lc 4:22; At 7:22.

O professor precisa estar convicto daquilo que ensina.

O professor precisa ter convicção pessoal daquilo que está ministrando.

O professor que não tiver convicção naquilo que está ministrando não conseguirá persuadir seus alunos.

O que você diria de uma pessoa que viesse à sua casa e com muita tranqüilidade e indiferença dissesse: "Sua casa está pegando fogo lá atrás"? Você daria crédito?

O professor precisa ter senso de vocação.

Ser professor não pode ser uma opção só porque não tinha outra coisa para se fazer na Igreja. E ninguém deve assumir a função de ensinar só porque não tinha outra pessoa para ocupar o cargo.

Ser professor na Escola Bíblica Dominical é vocação. Note o exemplo de Jesus – Mt 4:23; Jo 13:3; 3:2. Jesus é chamado de Mestre pelo menos 45 vezes nos Evangelhos.

O Professor precisa ter conhecimento das Escrituras.

Não poderia ser diferente. A Bíblia é a matéria prima do trabalho do professor. O professor de Escola Dominical que desconhece as Escrituras é tão incongruente quanto um advogado que desconhece o código de leis de seu país. (Mt 4:1-11; Lc 24:27; Mt 5:17-48)

O professor precisa conhecer a natureza humana.

Todo aquele que lida com pessoas, precisa conhecer a natureza humana. O professor precisa compreender a vida humana e os intrincados problemas a que as pessoas estão sujeitas.

O professor é também um "médico". Sua função é receitar o remédio certo para as dores do coração humano. ( Jo 2:25; Mt 9:4; Jo 6:61-64; Jo 4:17,18)

Ilustração: Gráfico de quem são os nossos alunos.

(A Liderança Cristã)

O professor precisa dominar a arte de ensinar.

O professor se quiser ser eficaz em seu ministério será necessário se preparar conhecendo e dominando bem o seu trabalho. Se faz necessário ler muito sobre a arte da pedagogia; as regras, os caminhos mais eficazes para se ensinar; erros que não se devem cometer, etc...

VIII. OBJETIVOS DA EDUCAÇÃO NO PROCESSO ENSINO-APRENDIZADO

Tudo fica mais fácil quando temos um objetivo claro em mente. O que você diria de alguém que simplesmente entra num ônibus, mas sem saber onde ele quer chegar? Loucura? Pois é, mas acontece que muitos professores entram numa sala de aula e começam a dar a lição sem saber onde querem chegar com a lição.

O professor se quiser ensinar de modo eficaz precisa ter um alvo a ser atingido.

Vejamos alguns objetivos do ensino:

Formar cristãos com caracteres maduros. (Discipulado)

Preparar os crentes para o serviço cristão. (Serviço)

Evangelizar aqueles que não são convertidos. (Evangelismo)

Ajude na solução de problemas. (Ação social)

Solidificar o ensino das Escrituras (Doutrina)

Preparar os cristãos para se relacionar entre si. (Comunhão)
IX. Características do Dom de Ensino
Algumas características, entre as que podem ser observadas no possuidor do Dom de Ensino
01 – Capacidade de explicar claramente e aplicar eficientemente a Palavra de Deus, de modo a transmitir informações relevante ao bem estar espiritual e ao ministério individual do irmãos.
02 – Gosta de descobrir e armazenar a verdade. Questiona idéias e conceitos novos até compreender a verdade sobre esses conceitos e como eles podem ser aplicados na prática.
03 – Organiza dados e informações metodicamente. Apresenta a verdade numa seqüência organizada e sistemática. Não ensina à queima-roupa.
04 – Ajuda outros a compreenderem a Verdade, com todos os recursos de didática: explicações claras, simples, que conduzem os outros a raciocinar corretamente, até compreenderem a verdade e saberem como aplicá-la. Procura fazer com que os princípios bíblicos sejam úteis e aplicáveis no dia-a-dia do crente.
05 – Faz questão de usar a palavra exata e de esclarecer o sentido das palavras. Pode até exagerar na exposição dos detalhes.
06 – Tem convicção de que este Dom é básico para o exercício dos demais.
07 – Recebe iluminação de Deus nos seus estudos e transmite efetivamente esclarecimentos que iluminam a Palavra de Deus.

Maior Satisfação : Obter e armazenar informações, para transmiti-las.

Riscos de pecado neste ministério :
01 – Por orgulhar-se do seu conhecimento;
02 – Por desprezar os que não tem o mesmo grau de conhecimento e não são metódicos;
03 – Por ensinar somente coisas que agradem uma parte do auditório;
04 – Por esquecer que é Deus que o capacita a transmitir corretamente a Palavra.

1.Bruce Wilkinson, As 7 Leis do Aprendizado ( Venda Nova: Ed. Betânia , 1998), 21
2.Juan Diaz Bordenave e Adair Martins Pereira, Estratégias de Ensino-Aprendizagem ( Petrópolis: Ed. Vozes – 1977 ), 185
3.Maria Lúcia de A. Aranha, Filosofia da Educação ( São Paulo: Ed. Moderna, 1989), 167-171
4.John Stott, O Perfil do Pregador, Ed. Sepal ( São Paulo, 1986 ) p, 117
5.Famosa frase do pedagogo Moraviano, João Amós Comênio ( 1592-1670 ).
6.Juan Diaz Bordenave e Adair Martins Pereira, Estratégias de Ensino-Aprendizagem ( Petrópolis: Ed. Vozes – 1977 ), 183-184.
7.Extraído do livro Manual de Ensino para o Educador Cristão, p. 224 – Editora CPAD.
8.Extraído e adaptado de Nancy G. Dursilek; Liderança Cristã , Ed. Juerp ( Rio de Janeiro – 1988 ), p. 119-120.
9.John Stott, O Perfil do Pregador, Ed. Sepal ( São Paulo, 1986 ) p, 121.
10.Op Cit, p, 117.

Bibliografia
Bruce Wilkinson, As 7 Leis do Aprendizado ( Venda Nova: Ed. Betânia , 1998 )
George Sherron K., Igreja Ensinadora, Ed. LPC Publicacões ( Campinas: 1993 )
Grigs, Donald L., Manual do Professor Eficaz, Cultura Cristã ( São Paulo: 1997 )
Hendricks, H. Ensinando para Transformar Vidas, Ed. Betânia ( Belo Horizonte: 1991)
Júnior, A. Gagliard, Você Acredita em Escola Dominical ? Editora Vinde ( Rio de Janeiro: 1991 )
Júnior, A. Gagliard, Educação Religiosa Relevante, Editora Vinde ( Rio de Janeiro: 1993 )
Juan Diaz Bordenave e Adair Martins Pereira, Estratégias de Ensino-Aprendizagem
( Petrópolis: Ed. Vozes – 1977 )
Maria Cristina Kupfer, Freud e a Educação ( São Paulo: Ed. Scipione, 1996 )
Maria Lúcia de A. Aranha, História da Educação ( São Paulo: Ed. Moderna, 1989 )
Maria Lúcia de A. Aranha, Filosofia da Educação ( São Paulo: Ed. Moderna, 1989 )
Olivetti, Odair, Aprimorando a Escola Dominical, Casa Ed. Presbiteriana ( São Paulo: 1992 )
Price, J.M., A Pedagogia de Jesus, Juerp ( São Paulo: 1986 )

Rev. Gildásio Jesus Barbosa dos Reis é Bacharel em Teologia pelo Seminário Presbiteriano Rev. José Manoel da Conceição, em São Paulo, formado em Filosofia Plena, pela FAI (Faculdades Associadas Ipiranga), formado em Psicanálise Clínica, pela SPOB (Sociedade Psicanalística Ortodoxa Brasileira), cursou 2 anos de Missiologia no Seminário Bíblico de São Paulo e está cursando Mestrado em Teologia, com concentração em Educação Cristã, no Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper - Mackenzie-SP. É pastor da Igreja Presbiteriana de Osasco.
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