segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Não Mantenha Distancia, Não!

NÃO MANTENHA DISTÂNCIA! - A van escolar na minha frente, no transito da cidade, trazia um imperioso alerta: Mantenha Distância! Ao ler estes dizeres, fiquei a matutar que manter a distância é tudo o que eu não desejo nesta vida. Obedecer a esta sinalização é confinar a existência a uma realidade solitária e infeliz. A felicidade não está no distanciamento.
Já vi pais distantes de seus filhos, amantes distantes um do outro, irmãos e amigos que se distanciaram com o passar do tempo e tornaram-se estranhos. Distancia é sinônimo existencial de separação. Como aceitar tal dizer sem me incomodar ? Como posso aceitar manter a distância ?

Há pelo menos dois tipos de distâncias. Uma é aquela distância condicionada pelas forças do tempo e do espaço. São os quilômetros que afastaram os que se gostam. Uma necessidade de trabalho que impõe uma viagem, um curso no estrangeiro que priva do convívio o filho querido... dias longe, as vezes meses ou anos!

Todavia, esta distância pode ser atenuada pelo avanço da tecnologia. Antes, a distância espaço/tempo impunha não apenas a separação física, a ausência do toque... mas também a privação da imagem. Hoje pelos meios da tecnologia, essa parafernália que as crianças já nascem dominando, é possível minimizar estas barreiras. Lembro-me do tempo quando para se fazer uma ligação telefônica, dirigia-se a um posto especializado para que a telefonista realizasse a chamada. Os telefones que aproximavam os queridos, eram raros e ainda eram movidos por manivelas e plugs de acesso no painel. Hoje a distância tem sido minimizada; você pode até viver sem fronteiras. As cartas se sofisticaram e ganharam uma velocidade turbo: viraram torpedos, e-mails. Em segundos você os dispara dizendo: cheguei bem! Ou mesmo: a distancia não pode separar nosso amor, etc... Nos tablets e celulares mais modernos, já é possível ver até mesmo a imagem. Todavia, a imagem não é tudo... Senão a presença! Os pais não se satisfazem com a imagem do nenê no ultrassom... querem a presença, o toque, o olhar, o coração a pulsar. Imagem não é tudo. Ela pode minimizar a distância e a saudade, mas nada se compara com a presença real!

Há uma outra forma de distância que não está condicionada ao fator tempo/espaço. Esta é a distância patrocinada pela indiferença. Com certeza é a pior. Ela se manifesta silenciosa no início, vai crescendo em desconforto até gerar na alma a inimizade e hostilidade. Para esta distância, o espaço é um apêndice. Gente que está perto geograficamente, as vezes lado a lado, mas que ao mesmo tempo vive realidades tão, tão distantes pela indiferença, quer por um relacionamento estremecido, por acidentes de percurso na amizade, no amor, na família, ou no dia a dia.

Alguém já disse que a indiferença é a maior manifestação de ódio, pois revela desprezo para com um seu igual. A indiferença promove a rejeição, sentimento que corroe a alma até a exaustão. Esta distância se estabelece por uma ofensa: uma palavra mal dada, um tom de voz indevido, uma brincadeira infeliz, um gesto não pensado e pronto: coração ficou magoado. A pessoa se fecha para o outro. Levanta-se muros. Ergue-se cercas intransponíveis emocionalmente.

Para esta distância só a graça e o perdão trazem a restauração. Os gêmeos bíblicos Esaú e Jacó vivenciaram as duas contas. A distância geográfica se deu em meio a inimizade que os distanciava há tempos. Entre todos os queridos de Jesus, Pedro talvez, tenha sido quem mais sorveu deste fel. Tendo negado Jesus, Pedro se afastou de tudo e de todos. Distanciou-se geográfica e relacionalmente até de si mesmo. Quando Jesus ressuscita, manda um torpedo angelical a eles dizendo: “Avisai aos meus discípulos, e a Pedro, que eu os verei na Galiléia”. Jesus enfatiza de modo especial Pedro. O trauma da relação, marcada por uma, duas, três negações estava ali... presente, latente na alma e que precisava ser tratado. Jesus o trata com graça e amor. Paulo assim dizia: “porque Jesus é a nossa paz, o qual de ambos fez um, e tendo derribado a parede da separação que estava no meio, a inimizade... reconciliou ambos em um só corpo”.

No magnífico filme: Antes de Partir, com Jack Nicholson e Morgan Freeman, há uma cena final que revela a doçura e o encanto da restauração. O amigo retorna para encontrar-se com a filha desconectada da vida dele há décadas... O velho amargo e rabugento, torna-se doce e amigável quando o amor restaurador é compartilhado. Assim também com Esaú e Jacó. Uma das páginas mais comovente da Bíblia. A restauração do amor dos irmãos.

O que você está fazendo aí ? Pega este telefone, manda logo um e-mail, dispare já um torpedo para alguém que pelas lutas da caminhada – tem se distanciado de você. Alguém que ficou magoado, entristecido e chateado. Não mantenha a distância, celebre a proximidade. Festeje a restauração. Não deixe para depois.
Por favor, e quando você encontrar a sinalização da van escolar: Mantenha a Distância! Só o faça no transito!

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