domingo, 8 de setembro de 2013

Lição 12: A reciprocidade do amor cristão. - A Reciprocidade do Amor Cristão

Ora, muito me regozijei no Senhor por, finalmente, reviver a vossa lembrança de mim; pois já vos tínheis lembrado, mas não tínheis tido oportunidade. Não digo isto como por necessidade, porque já aprendi a contentar-me com o que tenho. Sei estar abatido e sei também ter abundância; em toda a maneira e em todas as coisas, estou instruído,
tanto a ter fartura como a ter fome, tanto a ter abundância como a padecer necessidade. Posso todas as coisas naquele que me fortalece. (Filipenses 4.10-13)

Reciprocidade é um sentimento de correspondência, de intenções ou ações entre duas pessoas ou entre dois grupos. No contexto dessa temática, representa a manifestação amorosa dos cristãos filipenses para com o seu pai na fé, o apóstolo Paulo. Essa reciprocidade é típica da vida da igreja cujos interesses são comuns a todos. Portanto, reciprocidade se constitui numa qualidade que desfaz o individualismo, realça a fraternidade e desenvolve uma relação de paridade de sentimentos representados no amor cristão.

O apóstolo Paulo, inspirado pelo Espírito Santo, escreveu na Carta aos Coríntios: “O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece, não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (1 Co 13.4-7).

Nesse capítulo, especialmente no texto de 4.10-13, o apóstolo Paulo expressa sua alegria e gratidão à igreja de Filipos, que lhe enviara donativos. Eram ofertas que o mantinham vivo na sua prisão, uma vez que ele não podia trabalhar fazendo tendas como havia aprendido para poder se manter. Essa escritura nos ensina a importância da reciprocidade que deve existir no seio da igreja. Paulo estava agradecido aos filipenses por terem se lembrado dele, mas destaca que sempre dependeu da providência divina para o seu sustento.

O Tributo de Gratidão pelos Filipenses

O apóstolo Paulo faz um tributo de gratidão à igreja de Filipos dando um testemunho de sua relação com aquela igreja, a qual demonstrava o seu amor e desvelo pela obra missionária.

1. O tributo de gratidão de Paulo à igreja pelo seu “cuidado” para com ele (4.10)

Paulo começa dizendo: “muito me regozijei no Senhor” para demonstrar a igreja de Filipos que ele suportava as privações da prisão em Roma com uma atitude de gratidão a Deus, a qual lhe proporcionava grande alegria no seu espírito. O gozo do Senhor na alma e no espírito é nutriente de fortalecimento espiritual, moral e material quando estamos limitados e privados de conforto. Todo crente em Cristo deve estar consciente da presença imanente do Espírito em todas as circunstâncias da vida.Já haviam se passado quase dez anos desde a última oferta enviada a Paulo pelos filipenses. Ele agradecia a Deus pelo suprimento feito pela igreja para ajudá-lo nas suas necessidades. Ele se lembrava da primeira oferta quando esteve em Tessalônica e foi agraciado pelo amor desses irmãos (4.15,16). Nessa Carta, Paulo agradece pela surpresa agradável da segunda oferta enviada para ele, exatamente quando estava preso em Roma. Ele agradece e se regozija pela lembrança dos irmãos. Foi por esse amor demonstrado que ele declarou: “muito me regozijei no Senhor” (4.10). Ele estava declarando que a oferta dos filipenses era o fruto da providência divina e da reciprocidade quando lhes pregou o evangelho em Filipos. Ele coloca a providência de Deus acima de qualquer sentimento porque entendia que era o Senhor quem inspirava esse amor demonstrado pelos filipenses.

2. Houve demonstração de reciprocidade entre o apóstolo e a igreja (v. 10)

A expressão “vossa lembrança” está traduzida na ARA como “vosso cuidado”. A palavra “cuidado” reveste-se de sentido especial na relação recíproca entre o apóstolo e a igreja de Filipos. Quando diz: “por, finalmente, reviver a vossa lembrança” estava, de fato, usando a palavra “reviver” com um modo de lembrar com carinho e demonstrar a materialidade desse sentimento em donativos que davam condições de sobrevida na sua prisão em Roma. O ato de reviver e lembrar experiências passadas se constitui um conforto que não tem preço para quem é o objeto dessa lembrança. A relação amorável entre os filipenses e seu pai na fé era demonstrada de modo fraterno e reconhecimento pelas bênçãos recebidas através de Paulo. Eles receberam as bênçãos do evangelho e não se esqueceram de corresponder quando o servo do Senhor estava necessitado.

A igreja de Filipos foi fundada por Paulo enfrentando muita oposição com perseguição, prisão e muito sofrimento. Agora a igreja demonstrava sua gratidão ao apóstolo cuidando dele e ajudando-

o nas suas necessidades. Esse cuidado da igreja tinha umcaráter espiritual, pois o que importava nessa ação da igreja era a sua motivação. Essa reciprocidade foi manifestada no reconhecimento da igreja de Filipos e a necessidade do apóstolo. Essa reciprocidade envolvia o dar e receber entre ambos (1 Co 9.11; Rm 15.27).

3. A igreja tem a obrigação de cuidar dos seus obreiros

Quando a igreja em Filipos ainda não tinha uma estrutura organizacional com capacidade própria para se autossustentar não deixou de fazer o que era possível para fazer a obra de Deus. Mesmo assim, a igreja em Filipos, não tendo um templo e ainda reunindo-se em casas dos irmãos, tinha o coração aberto para fazer a obra missionária. Em nossos tempos modernos não se justifica que uma igreja local que tenha uma estrutura material e financeira não faça a obra missionária. E princípio bíblico que deve nortear a igreja no sentido de sustentar seus ministros. Para isso, a igreja deve organizar um sistema financeiro equilibrado para a manutenção da vida eclesiástica. Nenhum obreiro pode fazer da missão pastoral um modo de ganhar dinheiro. Não se justifica pastores ricos com dinheiro das ofertas e dízimos da igreja. A igreja deve assumir a responsabilidade de dar o sustento necessário aos seus pastores para que eles possam realizar a obra sem ficarem restritos à falta de recursos para o sustento da própria família. Paulo sofreu com a falta de sensibilidade da igreja de Corinto, que deixou de pagar-lhe o que era devido. Por outro lado, a igreja de Filipos não deixou de cuidar do sustento do velho apóstolo (2 Co 8.8,9;

12.13). A obra missionária é responsabilidade da igreja no sentido de dar suporte aos missionários em suas atividades evangelísticas.

4. Todo obreiro deve aprender a contentar-se com o que Deus lhe deu na sua obra (Fp 4.11)

O profissionalismo ronda o ministério cristão roubando o espaço dos que são, literalmente, chamados para fazer a obra de Deus. O perigo reside no fato de que o profissional na vida eclesiástica

cumpre apenas o seu papel de profissional, sem aquele ardorque domina o coração do vocacionado para o ministério pastoral. O profissional, por mais honesto que seja, preocupa-se com a prebenda a que tem direito. A renda financeira da igreja é o alvo da sua administração tão somente. Entretanto, o chamado por Deus, quando pensa em dinheiro no contexto da igreja, preocupa-se com os meios que podem fazer a igreja crescer.

O sustento (o dinheiro) não deve ser o objeto da vida de um obreiro. Ele não pode deixar-se dominar pela avareza e pela ganância. O apóstolo Paulo nos dá a grande lição quando diz: "... aprendi a contentar-me com o que tenho” (v. 11). O ideal que dominava o coração do apóstolo era pregar o evangelho em toda parte. Nada era mais importante que isso. Nenhuma circunstância negativa, nenhuma dificuldade financeira, nada, absolutamente nada roubaria a visão missionária do apóstolo. Paulo não se angustiava pela privação material e social que estava vivendo. Pelo contrário, a alegria do Senhor era a sua força de superação. Ele vivia contente com a própria suficiência em Cristo. Ele sabia que o descontentamento é como uma planta má que faz brotar a avareza (Hb 13.5,6), o roubo (Lc 3.14) e a preocupação com as coisas materiais (Mt 6.25-34). A atitude de Paulo contraria a falsa teologia da prosperidade, que não admite pobreza ou privação na vida do crente.

O Contentamento em toda e qualquer Situação

1. Seu contentamento era gerado pela suficiência de Cristo

Paulo diz assim: “já aprendi a contentar-me com o que tenho” (v. 11). O foco de sua vida era a pregação do evangelho que pregava. Ele não se prendia a nenhuma circunstância externa. Precisava de donativos para poder manter-se, mas contentava-se com o que tinha. Ele satisfazia-se com a convicção de que Cristo lhe era plenamente suficiente, por isso podia declarar: “Posso todas as coisas naquele que me fortalece” (4.13).

A Bíblia nos mostra que o descontentamento gera a avareza, e o autor da Carta aos Hebreus disse: “Sejam vossos costumessem avareza, contentando-vos com o que tendes; porque ele disse: Não te deixarei, nem te desampararei. E, assim, com confiança, ousemos dizer: O Senhor é o meu ajudador, e não temerei o que me possa fazer o homem” (Hb 13.5,6). Jesus ensinou o risco daqueles que se preocupam com as coisas materiais quando diz: “Não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber, nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo, mais do que a vestimenta?” (Mt 6.25). Nosso contentamento não pode ser confundido com comodismo, mas deve ser expresso com atitude de reconhecimento pela suficiência que só Cristo pode nos dar.

Quando o apóstolo dizia que podia “contentar-se como o que tinha” (4.11), estava, de fato, refutando a filosofia dos estóicos, que davam valor à virtude da autossuficiência, ou de independência externa. Essa filosofia sustentava que o homem deve bastar-se a si mesmo e contentar-se interiormente com todas as coisas que lhe sobrevêm. Mas Paulo refuta essa filosofia declarando-se autode- pendente da providência divina. Seu contentamento baseava-se no fato de que Deus cuida dos seus servos e os ensina a viver de forma inteligente e confiante nEle. Aos coríntios, Paulo escreveu: “Não que sejamos capazes, por nós, de pensar alguma coisa, como de nós mesmos; mas a nossa capacidade vem de Deus” (2 Co 3.5). Na tradução da ARA, o texto aclara ainda mais: “pelo contrário a nossa suficiência vem de Deus”.

2. O aprendizado que gera o contentamento (4.12)

Ainda no versículo 11, temos a palavra “aprendi”. Esse verbo está no pretérito perfeito, que indica algo experimentado. Paulo aprendeu a arte do contentamento através de uma experiência cotidiana em que dependia totalmente do Senhor para sobreviver e para fazer a obra do evangelho. O contentamento cristão confia na suficiência de Cristo e na sua providência para todas as necessidades. Paulo demonstra esse cuidado de Deus na sua vida em meio àssituações mais angustiantes, conforme está registrado em 2 Corín- tios 11.24-28. Está escrito naquela Carta aos Coríntios:

Recebi dos judeus cinco quarentenas de açoites menos um; três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri naufrágio, uma noite e um dia passei no abismo; em viagens, muitas vezes; em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos dos da minha nação, em perigos dos gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre os falsos irmãos; em trabalhos e fadiga, em vigílias, muitas vezes, em fome e sede, em jejum, muitas vezes, em frio e nudez. Além das coisas exteriores, me oprime cada dia o cuidado de todas as igrejas.

Ora, depois de um testemunho como esse, Paulo tinha maturidade e experiência para apelar às igrejas que o imitassem na vida cristã.

“Sei estar abatido e também ter abundância” (v. 12). A vida cristã se baseia em convicções firmes. Quando o apóstolo Paulo declara “sei”, referia-se à certeza absoluta de que Deus lhe provia todas as necessidades, físicas, materiais, emocionais e espirituais. Paulo experimentou pobreza várias vezes e aceitava esse estado de vida como um privilégio em ser humilhado como Cristo foi humilhado. O ter e o não ter, ter abundância e ter falta de coisas de primeira necessidade, não faziam com que o apóstolo perdesse a paciência e o alvo maior de sua vida, que era o de cumprir o desígnio de Cristo no mundo. Ele não tinha dificuldade alguma para compreender qualquer situação negativa. Sua experiência com Cristo era suficiente para ter fé absoluta no cuidado de Deus. Ser ou estar “humilhado” ou “abatido” implica aceitar a privação material perante o mundo sem se envergonhar. Em 1 Coríntios 4.11-13 e em 2 Coríntios 6.4-10, o apóstolo Paulo ilustra o aprendizado a que se submeteu envolvendo todo tipo de sofrimento físico, material e até espiritual, mas sem perder a confiança de que valia a pena sofrer tudo isso por amor ao Senhor Jesus Cristo. O próprio Senhor Jesus deu exemplo, porque sendo Filho de Deus, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu (Hb 5.8).

tanto a terfartura como a terfome” (v. 12). A filosofia cristã capacita o crente a manter a sua fé quando tem fartura e quando passa fome. Quantos homens e mulheres de Deus saíram sem salário, sem casa, e enfrentaram a nudez, a fome, a fadiga, a perseguição e a desonra para pregar o evangelho.

Minha experiência pessoal quando menino, filho de pastor, em tempos de pobreza quando as igrejas estavam iniciando apenas: Lembro-me quando em Chapecó (Santa Catarina), em 1954, faltaram os alimentos de primeira necessidade em nossa casa. Meu pai saiu em busca de algum trabalho que lhe desse dinheiro para comprar comida. Viajou para outra cidade de carona e só veio no seguinte. Entretanto, no dia em que viajou, chorando, antes fez uma oração com minha mãe para que Deus não permitisse a família passar fome. Naquela noite, fomos surpreendidos por alguém que viajou mais de 100 quilômetros porque foi acordado de madrugada pelo Senhor que lhe disse que a família de um servo de Deus estava passando fome. Ele deveria juntar tanto quanto pudesse de alimentos e levá-los para esse servo de Deus. Aquele homem não conhecia meu pai, nem sabia o endereço, mas obedeceu a Deus. Preparou sua carroça e a encheu de mantimentos, pondo-se a viajar para Chapecó. Chegou naquele dia à noite. Bateu à porta, depois da meia-noite, e minha mãe, assustada, foi atender a pessoa que havia chegado. O homem perguntou à minha mãe: “E aqui que um servo de Deus está passando necessidades?” Minha mãe respondeu-lhe que sim. O homem, então, disse: “Deus meu acordou há três dias em minha cama e me enviou a trazer alimentos para vocês”. Descarregou a carroça, tirou os arreios dos cavalos, e entrou em nossa casa para agradecer a Deus. Meu pai não tinha salário, nem igreja para levantar ofertas. A igreja tinha duas ou três famílias de convertidos. Dependia totalmente do milagre de Deus. O ideal do evangelho estava acima de qualquer adversidade.

A igreja de hoje tem recursos suficientes para enviar missionários e sustentá-los sem problema algum. A lição que aprendemos é que o ideal do evangelho precisa estar acima das adversidades no meio do caminho.A Principal Fonte do Contentamento (4.13)

Depois de abrir o coração e expor à igreja os sofrimentos que ele e outros apóstolos haviam passado, e ainda padeciam privações e sofrimentos físicos, conclui de modo triunfal a principal fonte do seu contentamento: “Posso todas as coisas naquele que me fortalece”. Paulo nos ensina com a declaração desse versículo que Cristo é toda a suficiência que fortalece a vida dos que servem a Deus. Ele não está ensinando que os servos de Cristo precisam sofrer e suportar as vicissitudes da vida. Ele está, de fato, dizendo que essas dificuldades são inevitáveis, mas que o segredo da vitória está na autodisciplina e no autocontrole do cristão e do obreiro na batalha da vida cristã. Paulo fortalece a ideia de que sua força para superar todas essas coisas estava na confiança daquEle que tudo pode.

A vitória do apóstolo sobre a ansiedade que rondava o seu ministério não foi obtida pela força do pensamento positivo como alguns líderes cristãos ensinaram, tais como Norman Vincent Peale, Robert Schuller e outros. Sua vitória interior foi conquistada e vivida por um aprendizado com o exemplo de Jesus que sofreu tudo, mas foi vencedor. A força motora do seu ministério era o Senhor e ainda é para aqueles que confiam plenamente nEle. A razão do contentamento que nos torna capazes de superar todos os problemas da vida é a pessoa de Jesus. Matthew Henry escreveu em seu comentário: “Temos a necessidade de obter forças de Cristo, para sermos capacitados a realizar não somente as obrigações puramente cristãs. Mas mesmo aquelas que são fruto da virtude moral. Precisamos da força dele para nos ensinar a como ficar contente em cada condição”.

Aprendemos neste capítulo que devemos submeter nossa mente a Cristo e ter nossos pensamentos controlados pelo Espírito Santo. Nosso fortalecimento espiritual resulta da nossa relação de comunhão com o Senhor Jesus. Nunca seremos autossuficientes, mas dependeremos dEle sempre.



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