segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Lição 13: O sacrifício que agrada a Deus. - Uma Oblação de Amor

A liberalidade em, contribuir com a obra de Deus se constitui numa oblação de amor. Todavia, fizestes bem em tomar parte na minha aflição. E bem sabeis também vós, ó filipenses, que, no principio do evangelho, quando parti da Macedônia, nenhuma igreja comunicou comigo com respeito a dar e a receber, senão vós somente.
Porque também, uma e outra vez, me mandastes o necessário a Tessalônica. Não que procure dádivas, mas procuro o fruto que aumente a vossa conta. Mas bastante tenho recebido e tenho abundância; cheio estou, depois que recebi de Epafrodito o que da vossa parte me foi enviado, como cheiro suave e sacrifício agradável e aprazível a Deus. O meu Deus, segundo as suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades em glória, por Cristo Jesus. Ora, a nosso Deus e Pai seja dada glória para todo o sempre. Amém! Saudai a todos os santos em Cristo Jesus. Os irmãos que estãocomigo vos saúdam. Todos os santos vos saúdam, mas principalmente os que são da casa de César. A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja com vós todos. Amém! (Filipenses 4.14-23)

A palavra oblação, na cultura religiosa judaica, faz parte dos vários tipos de ofertas que existiam em alguns atos rituais e li- túrgicos na relação do povo de Israel com o próprio Deus. Cada oferta tinha sua finalidade e a sua importância na liturgia judaica. Havia dois tipos de ofertas: as ofertas expiatórias e as ofertas de consagração. As ofertas expiatórias eram identificadas como a oferta pelo pecado (Lv 4.1-35; 6.24-30) e a oferta pela culpa (Lv 5.14-16; 7.1-7). As ofertas de consagração eram identificadas como holocaustos — “aquilo que sobe” — (Lv 1.3-17; 6.8-13) e as ofertas de manjares (oblação), feitas com cereais, animais e elementos que podiam ser comidos, especialmente, pelos sacerdotes e levitas (Gn 4.3-5; Jz 6.18; 1 Sm 2.17).

Esta Carta contém assuntos doutrinários e assuntos de caráter pessoal da parte de Paulo, além do preito de gratidão e da alegria do Senhor que enchia o seu coração. No texto de 4.10-13 temos uma das mais bonitas expressões de confiança e contentamento que se acha em toda a Bíblia. Paulo revela, neste final de carta, sua vida de confiança em Cristo lhe dando força interior para continuar a cumprir o seu ministério. No versículo 13 ele declara que Cristo é a razão de sua fortaleza moral e espiritual. Não é a sua idade, o seu conhecimento, a sua influência, nem os seus talentos, mas Cristo. Neste final de carta, em especial, Paulo fala da oferta dos filipenses como uma oblação, como um sacrifício agradável a Deus.

Participando das Aflições do Ministério (4.14-16)

No versículo 13, Paulo diz que podia fazer, ou suportar todas as coisas com a força de Cristo Jesus. Com esta declaração ele não estava depreciando as ofertas recebidas dos filipenses. Ele estava, na realidade, removendo toda e qualquer possibilidade de má interpretação de suas palavras, uma vez que preferia sustentar-se como seu trabalho manual. Mas ele assegura aos filipenses que estava agradecido pelas ofertas dos irmãos que demonstravam uma atitude de oblação a Deus.

1. O amor dos filipenses era um consolo nas tribulações de Paulo

Paulo disse aos filipenses: “fizestes bem” (v. 14). Ele estava não só elogiando, mas interpretando o gesto amoroso dos filipenses como participação nas aflições do apóstolo. No texto grego, a expressão é kalos poiein, que significa “vós agistes bem”. A participação dos filipenses nas suas tribulações, segundo o sentimento do coração de Paulo, era um dos modos de Deus agir em seu favor para torná-lo forte. Era, também, uma demonstração da obra regeneradora do Espírito na vida desses irmãos.

O que Paulo queria passar para a igreja em Filipos era que, em sua penúria material, ele não se sentia pobre, e na abundância, ele usufruía daquilo que Deus dava, de consciência tranquila. Paulo não apenas aprendeu a não levar em conta as circunstâncias adversas, os apetites e desejos naturais, porque podia dizer: “Posso todas as coisas naquele que me fortalece” (4.13).

No versículo 15, Paulo declara que, provavelmente, doze anos atrás, no início da obra em Filipos e em toda a Ásia Menor, nenhuma igreja da Macedônia o ajudou com qualquer donativo para sustentá-lo. Somente a igreja de Filipos teve a iniciativa de ajudá-lo e, por isso, ele era agradecido a Deus e aos filipenses.

2. “Tomar parte na minha aflição (tribulação)” (v. 14)

A comunhão fraternal vivida entre Paulo e a igreja de Filipos o fez alegrar-se. Essa comunhão era demonstrada na participação das suas aflições. A expressão “tomar parte” sugere a ideia de “compartilhar com, ou coparticipar de”, e Paulo se sente abençoado pelo Senhor pelo fato de a igreja de Filipos coparticipar da sua aflição (material e física) com aquele gesto de amor enviando o donativo.O compartilhamento da igreja no sustento de seus obreiros implica contribuir para a causa de Cristo. Era uma demonstração de maturidade espiritual da igreja, e não uma imposição para que as pessoas o sustentassem. Paulo sabia que havia entre os irmãos os recalcitrantes e fracos na fé que sempre interpretavam e julgavam seu ministério de forma maldosa. Entretanto, ele não levava em conta essas oposições, uma vez que tantos outros eram fiéis, leais e entendiam seu ministério. Os filipenses viam o ministério de Paulo como uma santa oblação para suas vidas; por isso, cooperavam em tudo que podiam. Era, de fato, uma prática demonstrada desde os dias da igreja pós-Pentecostes e, agora, a igreja de Filipos fazia o mesmo com muito amor e consideração ao apóstolo.

3. O exemplo da igreja depois do Pentecostes

O melhor exemplo foi relatado por Lucas em Atos 2.42-47:

E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações. Em cada alma havia temor, e muitas maravilhas e sinais se faziam pelos apóstolos. Todos os que criam estavam juntos e tinham tudo em comum. Vendiam suas propriedades e fazendas e repartiam com todos, segundo cada um tinha necessidade. E, perseverando unânimes todos os dias no templo e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e caindo na graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar” (At 2.42-47).

O ato de “tomar parte” ou “associar-se” na tribulação de Paulo implicava uma reciprocidade entre ele e os irmãos na fé.

4. Paulo destaca a relação de dar e receber entre ele e os filipenses (vv. 15,16)

Nos tempos modernos, a igreja tem sofrido com obreiros que exploram as igrejas financeiramente. E uma realidade que vivemose que precisa ser corrigida. Paulo dá um exemplo de viver de modo a não tornar-se um mercenário. Todo obreiro é digno do seu salário e isso é princípio bíblico. O que não é admissível é que se faça a obra de Cristo por causa de dinheiro. Em relação a si mesmo, Paulo está dizendo à igreja de Filipos que o recebimento da oferta enviada para ele tinha, acima de tudo, um caráter espiritual. Ele a recebia como uma oblação de amor da parte dos filipenses. Ele não a recebia por cobiça material: “Não que procure dádivas” (v. 17). Era, na realidade, o exercício de um sacerdócio com a copartici- pação da igreja. Uma igreja que se fecha como um casulo, voltada apenas para os seus interesses internos, deixa de cumprir o seu papel sacerdotal de misericórdia.

Em relação à liderança, deve haver todo cuidado com as tentações das dádivas e do dinheiro e, nesse sentido, Paulo era cuidadoso. Os servos de Deus que pregam e ensinam nas igrejas, e que dependem das ofertas para o seu sustento, ou mesmo os que pastoreiam igrejas e aqueles que exercem o ministério da Palavra na itinerância, precisam ter cuidado com o amor ao dinheiro. O sábio Salomão declarou: “O que amar o dinheiro nunca se fartará de dinheiro” (Ec 5.10). As igrejas devem respeitar e amar os que vivem apenas do ministério, mas estes não devem permitir que o dinheiro os escravize e se torne senhor de suas vidas. O “dar e receber” está dentro do contexto da mordomia cristã que une trabalho e recompensa com o fim de colocar o Reino de Deus em primeiro lugar. E preciso haver um total desprendimento material daqueles que servem na obra de Deus.

A Oblação de Amor dos Filipenses (4.17-19)

1. O sentido da palavra oblação (w. 17,18)

Explicando a palavra “oblação” de modo mais explícito, já sabemos que se trata de uma palavra típica da linguagem litúrgica da vida religiosa dos judeus. Vários tipos de ofertas faziam parte do sistema sacrificial do Antigo Testamento. Essa palavra está contida nocontexto da expressão “cheiro de suavidade e sacrifício agradável” (v. 18). O sentido da palavra é “dádiva, oferta” que se oferecia nos atos de entrega a Deus, conforme dissemos acima, “ofertas de consagração”. Portanto, entre todos os tipos de ofertas do sistema sacrifical, a “oblação” é a oferta de algo comestível (“de cereais ou de animais”), fruto da gratidão pelas provisões materiais da parte de Deus ao seu povo. Essas ofertas não eram queimadas, mas podiam ser comidas.

2. A oblação dos filipenses na mente de Paulo (v. 18)

Paulo usa expressões do culto a Deus e diz que a oferta dos filipenses era “cheiro suave, como sacrifício agradável a Deus”. A frase “cheiro suave” encontramos repetidamente no Antigo Testamento, a começar pelo sacrifício de Noé depois que a arca pousou num dos montes Ararat (Gn 8.20,21). O texto de Gênesis diz que “o Senhor cheirou o suave cheiro” do sacrifício que Noé lhe ofereceu. Na mente de Paulo, a dádiva dos filipenses exalava um aroma suave, como um sacrifício aceitável e aprazível a Deus (Ex 29.18; Gn 4.4). Ele entendia, como uma prática de justiça e misericórdia, como sendo um sacrifício agradável ao Senhor. No Novo Testamento, Cristo é sacrifício pelos pecados do mundo e é “oblação de cheiro suave” como oferta a Deus (Ef 5.2). A atitude dos filipenses era vista por Paulo como se fosse uma oferta de manjares oferecida a Deus que exalava um “cheiro suave” diante do Senhor.

3. A recompensa da generosidade dos filipenses (v. 19)

A igreja em Filipos não tinha muitos recursos financeiros. Por isso, a sua contribuição envolvia sacrifício e muito amor. Era uma igreja que dava, não do que sobrava, mas fazia além do que tinha e o fazia com um sentimento de amor ao Senhor Jesus. O apóstolo Paulo estava feliz pela generosidade dos filipenses e declara que aquela atitude de amor da parte deles lhes seria uma porta aberta para as suas vidas com todas as bênçãos e riquezas materiais e espirituais. Paulo lembra os filipenses de que a sua atitude magnânimapara com ele era o fruto do verdadeiro doador de todas as coisas, que é o Senhor por quem somos abençoados e a quem fazemos todas as coisas por gratidão. “Ele suprirá todas as vossas necessidades” (v. 19). Sem dúvida, eles seriam amplamente recompensados pelo Senhor. Ao falar das “riquezas” de Deus, Paulo fortalecia a fé dos filipenses em um Deus que haveria de suprir todas as suas necessidades. De modo muito pessoal, o apóstolo usa a expressão “o meu Deus”, dando um sentido particular de quem tinha essa intimidade para garantir que Ele supriria todas as necessidades dos filipenses. Quando diz ”em glória”, subentende-se que Deus haveria de suprir as necessidades dos filipenses de maneira gloriosa. A palavra “suprir” significa “fazer transbordar”. Os filipenses deveriam continuar a ajudar a obra de Deus com desprendimento. As igrejas que investem na obra missionária são abundantemente abençoadas.

Nos versículos 20 ao 23 temos uma doxologia que Paulo faz a Deus em gratidão por tudo quanto havia recebido em sua vida. Ele saúda a todos os santos em Cristo e encerra sua carta com a tradicional saudação: “A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja com vós todos” (v. 23). A palavra “nosso” ganha um sentido especial, porque nesse contexto não se trata de um pronome possessivo, mas significa um pronome fraternal de relacionamento. Deus é “nosso Pai”, e por Jesus Cristo, seu Filho amado, somos filhos de Deus; por isso, a palavra “nosso” está em nossos corações. A Ele prestamos nosso louvor e glória que é eterna pelos “séculos dos séculos”.


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