segunda-feira, 21 de abril de 2014

Lição 6 – O Ministério de Apóstolo

Apóstolo - “E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores” (Ef 4.11).

A partir deste capítulo, estudaremos acerca dos dons ministeriais, que identificam uma diversidade enorme de funções, ofícios e atividades, de homens, chamados por Deus, e designados pela igreja local, para exercerem a operacionalidade de serviços ou ministérios.

Os dons ministeriais são indispensáveis ao “o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo” (Ef 4.12). Neste estudo, o texto básico para referência é o capítulo 4, da epístola de Paulo aos efésios. Os dons espirituais são voltados para a igreja em seu ambiente interno, congregacional, com manifestações sobrenaturais, no falar línguas estranhas, profecia, interpretação, dons de curar e outros carismas, os dons ministeriais ampliam a ação do Espírito Santo, com sua ação poderosa e sobrenatural, tanto no âmbito interno como externo, da missão da Igreja, na Terra.

Os dons ministeriais confundem-se com aqueles a quem Deus lhes concede. Se alguém é chamado para ser evangelista, ele mesmo é um “dom”, assim como sua função de evangelizar. E Deus que concede os que podem ser chamados de “homens-dons” à igreja. Por isso, o apóstolo Paulo diz “E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros evangelistas, e outros para pastores e doutores” (Ef 4.11). A expressão “ele mesmo deu” indica que o dom precede o ofício. Diz Donald Gee: “Se ‘Ele concedeu, está fora de dúvida náo poder haver ministério divinamente ordenado sem o Seu dom”.1

O primeiro dom ministerial que estudaremos é o de apóstolo. Há uma controvérsia que atravessa séculos acerca da atualidade do ministério de apóstolo. Há uma corrente de estudiosos da Bíblia, que podemos chamar de “cessacionista”, a exemplo do que ocorre com a atualidade dos espirituais, que também entende que o ministério apostólico “cessou” com os primeiros discípulos de Cristo. Outros entendem que ainda existem apóstolos, hoje, ainda que numa conotação um tanto diferente dos primeiros doze apóstolos de Cristo. A Igreja Católica tem como patrimônio de fé a chamada “sucessão apostólica”, concedendo aos papas o título de “sucessores de Pedro”, considerado o primeiro papa.

Além dos 12 apóstolos de Cristo, que integraram o chamado “Colégio Apostólico”, vemos, no Novo Testamento, que outros apóstolos foram levantados por Deus, sem que nenhum se considerasse sucessor de outro. Paulo e Barnabé não pertenciam ao “grupo dos 12”; mas eram apóstolos, credenciados por Deus para realizar a missão que lhes foi confiada (1 Co 1.1; Cl 1.1; At 13.46); Tiago, “irmão do Senhor”, também recebia a qualificação de apóstolo (Gl 1.19).

Um apóstolo de Cristo, como Pedro, Tiago ou João, reunia em si diversas funções ministeriais, além da missão de evangelizar, ou de proclamar as Boas-Novas de salvação. Ele tinha que ser, além de evangelista, profeta e mestre. Podemos dizer que um apóstolo, nos primórdios da Igreja, era um homem polivalente. Nos dias atuais, após a expansão da Igreja, percebemos que o Espírito Santo quis distribuir, não só os “dons espirituais”, “repartindo particularmente a cada um como quer” (1 Co 12.11), mas, também, concedendo diversas operações e ministérios à igreja, através de homens, chamados por Deus com variadas missões, concedidas a cada um.

Um dos maiores equívocos, cometidos por muitos líderes de igrejas, nos dias presentes, é o de entender que o título de “Apóstolo” lhes confere posição hierárquica superior ao de pastor, evangelista, bispo ou presbítero. Já são conhecidos exemplos diversos de obreiros, que eram detentores do título de “pastor”, devidamente ordenados por seus ministérios ou convenções, os quais arrogaram para si o título de “apóstolo”, com o objetivo de se colocarem em posição ministerial “superior”. Procedimento totalmente fora de propósito ou de fundamento escriturístico. Esquecem-se tais “apóstolos”, que a maior função, no ministério de Cristo, é o de “servo fiel” (Nm 12.7; Hb 3.5; Mt 25.21-23).

I - O Colégio Apostólico

1. O TERMO APÓSTOLO

Na língua grega, em que foi escrito o Novo Testamento, a palavra apóstolo tem o significado de um enviado, um mensageiro ou um delegado. “Apóstolos. Um delegado; especialmente um embaixador do evangelho; oficialmente, uma pessoa comissionada por Cristo [um apóstolo’] (com poderes miraculosos): — apóstolo, mensageiro, aquele que é enviado”.2 Essa é a conceituação de apóstolo, em seu sentido original. Apóstolo não é qualquer pessoa que “vai” ou que é mandada por alguém, numa visão humana. “O apóstolo é enviado por Cristo do mesmo modo pelo qual foi Ele enviado pelo Pai; e pelo menos com algo quanto de tudo implica autoridade e poder, e graça e amor”.3

2. O COLÉGIO APOSTÓLICO

Entende-se por “Colégio apostólico” o grupo dos 12 primeiros discípulos de Jesus, que foram convidados por Ele para dar início ao seu ministério terreno. Primeiramente, Ele os fez discípulos ou seguidores. Jesus foi o Apóstolo Líder do Grupo dos Doze. Ele foi enviado pelo Pai (Jo 20.21). Foram três anos aproximadamente, em que eles aprenderam as verdades de Deus com o maior Mestre da História. Após o seu disci- pulado, aos pés de Cristo, e o recebimento do batismo com o Espírito Santo (Lc 24.49; At 1.8), aqueles 12 foram enviados para proclamar o evangelho, ou as Boas-Novas de salvação (Lc 6.13). Eles constituíram a base ministerial para o crescimento, o desenvolvimento e a expansão do Reino de Deus e da Igreja de Cristo, por todo o mundo.

3. CARACTERÍSTICA DOS APÓSTOLOS DE CRISTO

A característica fundamental do apóstolo é ser alguém que tem uma missão a cumprir, enviado por quem tem autoridade espiritual para fazê-lo. Em seu discipulado, os doze apóstolos foram preparados para o cumprimento da missão mais importante que um mortal poderia receber. Serem embaixadores do Reino de Deus. Não poderiam ser pessoas desprovidas de qualificações especiais. Eram homens comuns, humanamente detentores de virtudes e defeitos, mas tiveram um treinamento aos pés do Mestre dos mestres. E demonstraram possuir algumas qualidades especiais.

1) Foram chamados por Jesus

Em seu ministério, Jesus teve muitos discípulos (Mt 8.21; 9.57-62). Mas, para cumprir a grande missão, Jesus selecionou apenas 12, e lhes deu credenciais e poder para se tornarem apóstolos. “E, chamando a si os seus doze discípulos...” (Mt 10.1a). Lucas anotou a eleição dos 12 dentre muitos outros. Após passar uma noite inteira em oração a Deus, “chamou a si os seus discípulos, e escolheu doze deles a quem deu nome de apóstolos” (Lc 6.12 — grifo nosso).

2) Receberam autoridade espiritual

Jesus “deu-lhes autoridade sobre os espíritos imundos, para expulsarem, e para curarem toda sorte de doenças e enfermidades” (Mt 10.1; Mc 3.15). Inicialmente, essa autoridade foi concedida aos doze. E, na Grande Comissão, além de mandar que seus discípulos pregassem o evangelho por todo o mundo, a toda a criatura, disse que os sinais e maravilhas haveriam de seguir a todos os que nEle cressem. Não apenas aos doze, mas “aos que crerem”, ou seja, a todos os seus discípulos (Mc 16.17, 18). E importante destacar que os doze receberam dons sobrenaturais, antes que o Espírito Santo os colocasse à disposição da Igreja.

3) Tinham delegação de Cristo

Os 12 apóstolos não foram apenas “enviados”, mas tiveram um mandato especial. Jesus lhes disse; “Disse-lhes, pois, Jesus outra vez: Paz seja convosco; assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós. E, havendo dito isto, assoprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo.

A autoridade delegada aos apóstolos foi tão grande, que eles tinham poder para perdoar pecados ou retê-los. Jesus os enviou, do mesmo modo como Ele fora enviado pelo Pai (Jo 20.21-23).

Podemos imaginar o que os doze sentiram, ao ouvir aquelas palavras! Serem enviados por Cristo, e como Cristo o fora por seu Pai! Os que entenderam bem a missão devem ter sentido o grande peso de sua responsabilidade. Os que haviam sido pescadores, antes, podiam guardar as redes e suspender a pescaria. Mas, uma vez feitos “pescadores de homens” (Mt 4.19; Mc 1.17), não poderiam suspender a missão. Os que outrora tinham outras atividades não tinham como voltar atrás. O mundo nunca mais foi o mesmo depois de Cristo, e depois que seus apóstolos começaram a cumprir a Grande Comissão (Mc 16.15).

II - APÓSTOLO PAULO

1. O MENOR DOS APÓSTOLOS

O apóstolo Paulo não pertenceu ao Colégio Apostólico. Ele próprio, humildemente, tendo sido perseguidor dos cristãos, reconheceu que não merecia ser chamado de apóstolo (1 Co 15.8,9). Sua conversão dramática, no caminho de Damasco, revela quão é imensurável e incompreensível, à lógica humana, a misericórdia e o amor de Deus.

2. MAIOR DOS TEÓLOGOS

Mesmo considerando-se “o menor dos apóstolos”, Paulo revelou-se um grande servo de Deus. Algumas qualidades e atividades podem ser destacadas na vida do apóstolo, podendo ser chamado de o maior dos teólogos do cristianismo.

1) Chamado por Deus

“Paulo (chamado apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus), e o irmão Sóstenes (1 Co 1.1; 2 Co 1.1; G1 1.1). Os Doze foram chamados por Jesus de maneira bem natural e espontânea. Ao passar pelas margens do Mar da Galileia, Jesus simplesmente olhou para os irmãos Pedro e André, e os chamou para serem pescadores de homens (Mt 4.18,19); aos irmãos Tiago e João, os chamou da mesma forma (Mt 4.21,22). E eles o seguiram também de maneira espontânea. O chamado de Paulo foi bem diferente. A caminho de Damasco, com ordens dos sacerdotes para prender os cristãos, foi interrompido por Jesus, de maneira sobrenatural e impactante.

Derrubado ao chão, Paulo teve o chamado de Deus de forma tão dramática, que caiu, ouvindo a potente voz do Senhor, que o abatera em seu orgulho e presunção, quando julgava estar fazendo a vontade de Deus no zelo do judaísmo (At 9.4; 22.7; At 9.10-19). Deus tem seus caminhos e suas maneiras de agir, às vezes muito estranhas (cf. Is 28.21). Diante de um chamado tão singular e diferente dos demais apóstolos, Paulo tinha razão em dizer que era chamado pela vontade de Deus e não dos homens. Até seu nome foi mudado, de Saulo (hb. Sha 'ul, o que foi pedido) para Paulo (gr. Paulus, baixo, pequeno, humilde), após ser convocado pelo Espírito Santo para ser enviado para a missão (At 13.8).

2) Paulo teve experiências com Deus

Um verdadeiro apóstolo é homem que deve ter comunhão e experiência com Deus. Paulo, não obstante não ter convivido com Jesus como os demais apóstolos, teve experiências espirituais que os outros não tiveram. E essas experiências fortaleceram sua vida espiritual e solidificaram o seu relacionamento com Cristo. Ele diz que teve “visões e revelações do Senhor” (1 Co 12.1); com bastante modéstia, falando na terceira pessoa, diz que “foi arrebatado ao terceiro céu”... “e ouviu palavras inefáveis, que ao homem não é lícito falar” (1 Co 12.2,4). Que palavras foram essas, só Deus e Paulo sabem.

3) Paulo era um homem de grande cultura

Desmistificando a crença ou “doutrina” de que Deus só usa pessoas de pouca instrução, o exemplo de Paulo é bem marcante. Era homem de alto conhecimento bíblico e teológico, discípulo de Gamaliel, um dos mestres do judaísmo (At 22.3).

Paulo era um intelectual poliglota. Falava hebraico, por ser judeu e fariseu (At 22.2); por ser cidadão romano (At 22.25), falava latim; suas epístolas foram escritas em grego, o que dá a entender que, sendo um homem culto de sua época, falava a língua helénica; e, como judeu zeloso, certamente, falava o aramaico, que era língua usual, nos meios intelectuais de sua época. Em sua soberania, e segundo seus propósitos divinos, Jesus resolveu contrariar a lógica humana, e chamar um perseguidor do evangelho para ser salvo e fazer dele um apóstolo dos mais destacados entre os que quis escolher.

Enquanto alguns de seus primeiros discípulos, do grupo dos Doze, eram humildes pescadores, de menor grau de instrução, Paulo era um homem intelectual, que haveria de levar o evangelho aos gentios, ou gentes de todas as nações, fora de Israel, inclusive aos “reis” ou governantes de povos estrangeiros. Além dessa característica marcante, em seu ministério, Paulo foi o grande teólogo e intérprete dos evangelhos de Cristo. Dos 27 livros do Novo Testamento, 13 foram escritos por ele. E ainda resta dúvida se a epístola aos hebreus também foi de sua autoria.

Não foi por acaso que Paulo foi o primeiro apóstolo a levar o evangelho de Cristo à Europa. Ele foi o grande evangelizador do Império Romano (Rm 15.24,28). Em suas viagens missionárias, levou o evangelho de Cristo a cidades de Israel, passou pela Turquia, pela Ásia Menor; pregou na Macedônia, na Acaia, na Grécia, centro cultural da Europa, à época; e, em sua última viagem missionária, reviu discípulos nas igrejas que fundara, e terminou em Roma, para onde foi levado preso, e pregou na capital do Império mundial da época. Concluiu sua extraordinária missão, declarando solenemente: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé” (2 Tm 4.7).

III - APOSTOCIDADE ATUAL (EF 4.11)

Esse tópico pode partir de perguntas que são feitas por muitos: Ainda há apóstolos nos dias atuais? O ministério apostólico, nos moldes dos Doze, continua hoje? Existe uma “sucessão apostólica”? Há interpretações diversas. Preferimos analisar o tema com humildade e respeito ao que nos revela a Palavra de Deus. E, para efeito de compreensão do assunto, categorizamos o ministério apostólico em dois aspectos:

1. NO SENTIDO ESPECIAL

Aplicamos este termo ao que já vimos no item 1.1, ao “Colégio Apostólico”, ou aos Doze discípulos que foram selecionados por Jesus, e enviados como apóstolos para dar início à Grande Comissão (Mc 16.15). Apóstolos como eles não existem mais. Eles eram apóstolos no sentido estrito da palavra, e nas circunstâncias em que foram chamados e enviados por Jesus.

1) Estiveram com Cristo, durante todo o seu ministério terreno

Enquanto Paulo aprendeu “aos pés de Gamaliel”, os Doze aprenderam aos pés de Jesus, o Mestre dos mestres, no mais perfeito curso de evangelização e discipulado que alguém poderia realizar. Próximo à sua morte, Jesus lhes disse: “E vós sois os que tendes permanecido comigo nas minhas tentações” (Lc 22.28). O fato de ter visto a Cristo não é condição exclusiva, pois Paulo também o viu (1 Co 9.1,2). Mas o terem aceito seu chamado diretamente de sua parte; de terem caminhado durante cerca de três anos, ao seu lado, ouvindo sua palavra, e vendo seus milagres; de terem comido e dormido ao seu lado, muitas vezes sem ter “onde reclinar a cabeça” (Mt 8.20); só os Doze compartilharam momentos tão expressivos da humanidade, bem como da divindade de Cristo.

2) Eles estiveram com Jesus, após a sua ressurreição

Outros discípulos também estiveram com Jesus, como os do Caminho de Emaús (Lc 24.13-31). Mas os que compartilharam da companhia do Senhor, de modo privado e especial, foram os 11, visto que Judas traiu o Mestre e foi para o seu destino trágico. “Chegada, pois, a tarde daquele dia, o primeiro da semana, e cerradas as portas onde os discípulos, com medo dos judeus, se tinham ajuntado, chegou Jesus, e pôs-se no meio, e disse-lhes: Paz seja convosco! E, dizendo isso, mostrou-lhes as mãos e o lado. De sorte que os discípulos se alegraram, vendo o Senhor. Disse-lhes, pois, Jesus outra vez: Paz seja convosco! Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós” (Jo 20.19-21).

3) Receberam a Grande Comissão

O mandato para evangelizar o mundo é destinado a todos os crentes em Jesus, a toda a Igreja do Senhor. Mas os Doze receberam a ordem missionária, diretamente da boca de Jesus (Mc 16.15). Jesus não disse aos Doze que eles fizessem apóstolos, mas sim, discípulos em todas as nações (Mt 28.18-20).

4) Os Doze terão seus nomes nos fundamentos da Nova Jerusalém

Esse importante detalhe, registrado no Apocalipse, certamente, constitui argumento mais que suficiente para se entender, que o apostolado especial dos Doze, que constituíam o Colégio Apostólico, não é repetido em nenhuma fase da História da Igreja. João viu esse singular privilégio, concedido unicamente aos que seguiram Jesus, durante o seu ministério terreno (Ap 21.12-14).

2. NO SENTIDO GERAL

Já ressaltamos o envio dos “setenta” discípulos, que, sendo enviados, de dois em dois, cumpriram o papel de apóstolos. Mas, além deles, o Novo Testamento também cita outros exemplos de apóstolos, como Paulo, que se considerou a si mesmo “o menor dos apóstolos” por ter perseguido “a igreja de Deus” (1 Co.15.9; Rm 1.1; 2 Co 1.1); ele viu a Jesus Cristo (1 Co 9.1). Barnabé também foi reconhecido como apóstolo (At 14.14). Havia “outros apóstolos”, a que Paulo se referia em sua carta aos romanos (Rm 16.7) e em outras epístolas (G1 1.19;

1 Ts 2.6,7).

1) A liderança dos apóstolos

Segundo o comentário da Bíblia de Estudo Pentecostal, os apóstolos “Eram homens de reconhecida e destacada liderança espiritual, ungidos com poder para defrontar-se com os poderes das trevas e confirmar o Evangelho com milagres. Cuidavam do estabelecimento de igrejas, segundo a verdade e pureza apostólicas”. Eles tinham a mensagem “original” de Cristo, e náo eram apóstolos, com alguns, hoje, que apresentam um “evangelho genérico”, antropocêntrico e deturpado, com ensinos que não têm fundamento bíblico, como a falsa “teologia da prosperidade”, a absurda “confissão positiva”, o “teísmo aberto” e outros da mesma natureza.

2) A itinerância dos apóstolos

Diz, ainda, a Bíblia de Estudo Pentecostal que os apóstolos “Eram servos itinerantes que arriscavam suas vidas em favor do nome de nosso Senhor Jesus Cristo e da propagação do evangelho (At 11.21-26; 13.50; 14.19-22; 15;25,26). No presente, vemos “apóstolos”, que nunca foram além dos limites da cidade onde vivem e assumiram a direção de uma igreja. São “presidentes” de igrejas, radicados e estabelecidos em domínios eclesiásticos bem característicos. Os que se consideram “apóstolos”, hoje, em geral, adquiriram tal “posição”, após terem sido ordenados a evangelista ou pastor, ou bispo, o que lhes confere a ideia de que estão em posição hierárquica superior. Nada mais inadequado para um verdadeiro apóstolo de Cristo, que deve ser, antes de tudo, um servo ou um servidor e não alguém em grau de superioridade.

3) A ordem de fazer discípulos

A expressão “ensinai todas as nações”, no texto bíblico original (Mt 28.19), escrito em grego, tem o sentido de fazer discípulos. A tradução mais aproximada seria “ide, fazei discípulos em todas as nações”. “O propósito da Grande Comissão é fazer discípulos que observarão os mandamentos de Cristo. Este é o único imperativo direto no texto original deste versículo”.4 De modo mais didático e direto, lemos, na Bíblia de Estudo Palavras-Chave sobre o versículo de Mt 28.19: “3.100 (mathêteuo), intransitivo, tornar-se um aluno-, transitivo, ser discípulo, i.e., inscrever-se como estudante: — ser discípulo, instruir, ensinar. O termo correlato, mathetês (3101), “discípulo. Ser discípulo de alguém (Mt 27.57); treinar como discípulo, ensinar, instruir; por exemplo, a Grande Comissão (Mt 28.19). Também Mateus 13.52; Atos 14.21”.5 (grifos nossos).

3. O MINISTÉRIO DE CARÁTER APOSTÓLICO ATUAL

Como demonstrado, o ministério dos Doze, ou do colégio apostólico, náo se repete. Nenhum dos Setenta, nem qualquer dos apóstolos da Igreja Primitiva; ou dos tempos antigos, modernos, atuais, ou futuros, jamais terá seu nome nos fundamentos da Nova Jerusalém. Aqueles Doze foram únicos. Não há sucessão apostólica, como entende a Igreja Católica. Referindo-se aos apóstolos de Jesus, no sentido especial, a Bíblia de Estudo Pentecostal diz: “O ministério de apóstolo nesse sentido restrito é exclusivo, e dele não há repetição. Os apóstolos originais do Novo Testamento não têm sucessores”.6

Atualmente, o que podemos ver como ministério de caráter apostólico, é o trabalho dos missionários, quando são enviados para desbravar campos, em países de povos não alcançados pelo evangelho de Cristo. Se um missionário vai assumir um trabalho que já está estabelecido, cujas bases e desenvolvimento deveram-se ao esforço de outros companheiros, não pode dizer que faz um trabalho de apóstolo, e sim, de pastor ou evangelista.

Paulo ensina que Jesus, depois de subir ao alto e levar “cativo o cativeiro”, “deu dons aos homens”. Observando o texto bíblico, de Efésios

4.11, lemos: “E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo” (Ef 4.11,12). Esses “homens-dons”, concedidos por Deus e seus ofícios ou ministérios, têm por finalidade alcançar a “unidade do Espírito” (Ef 4.3), visando “o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério” e a “edificação do corpo de Cristo”. Dessa forma, se existe atualidade para os ofícios de “profetas”, “evangelistas” e “doutores” ou “mestres”, por que não deveria haver atualidade do ofício do apóstolo?

Sem dúvida alguma, o ministério de caráter apostólico deve ser desenvolvido, na atualidade, ao lado dos demais ministérios, indispensáveis à unidade e à edificação do corpo de Cristo. Homens como John Wesley, William Carey, cognominado “pai das missões modernas”; Adoniran Judson, Hudson Taylor, D. L. Moody, Jorge Müller, Smith Wigglesworth, Gunnar Vingren, Daniel Berg, Richard Wurmbrand, e tantos outros, em tempos mais recentes, podem ser considerados verdadeiros apóstolos de Jesus. São homens que expuseram suas vidas para levar a mensagem do evangelho aos mais longínquos lugares do mundo.

Patzia afirma: “Visto que a Igreja de hoje não tem lugar para o cargo de apóstolo, por exemplo, a tentação é encontrar-se uma contrapartida contemporânea nos líderes eclesiásticos, como superintendentes ou supervisores”.7 Há realmente, essa “tentação”, de se buscar aplicação para o termo “apóstolo”, a funções que pouco ou nada têm de apostólicas.

Conclusão

Concluindo, podemos afirmar com bastante fundamento escriturístico, que o ministério apostólico, nos moldes do Colégio Apostólico, não existe mais. Porém, o ministério de caráter apostólico, desenvolvido por missionários e evangelizadores, com a finalidade de estabelecer igrejas, em diversos lugares, é perfeitamente atual. Velhos pastores, que, nos primórdios da evangelização do País, andaram a pé, no lombo de jumentos ou de cavalos, de canoa, de jangadas ou barcos, muitas vezes não tendo lugar certo para pousar, também podem ser considerados apóstolos modernos, ainda que seus cargos fossem de pastores ou de evangelistas. Nos dias atuais, também há homens e mulheres de Deus, arriscando suas vidas, em países inimigos do evangelho. São verdadeiros apóstolos da Igreja de Jesus Cristo.

1 GEE, Donald. Os dons do ministério de Cristo, p. 18.
2 CPAD. Bíblia de Estudo Palavras-Chave. Hebraico-grego.
3 GEE, Donald. Os dons do ministério de Cristo, p. 25.
4 CPAD. Bíblia de Estudo Pentecostal. Nota de Mt 28.19.
5 CPAD. Bíblia de Estudo Palavras-Chave, p. 3076.
6 CPAD. Bíblia de Estudo Pentecostal. Estudo Bíblico sobre Ef.4.11, p. 1814.
7 PATZIA, Arthur G. Novo comentário bíblico contemporâneo — Efésios, Colossenses, Filemom, p. 231.
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