Quando a religiosidade toma o lugar da obediência a Deus

Ao longo da história, em vários lugares, em diversas ocasiões, o povo de Deus substituiu a obediência pelos rituais religiosos. Foram zel...

Os dons espirituais à luz das Escrituras (3)

Dons espirituais como manifestações — ao contrário dos dons ministeriais — não são residentes, e sim esporádicos, momentâneos. Eles, que estão à disposição de todos os crentes batizados com o Espírito Santo, podem ser agrupados, para estudo, em três categorias.

A primeira categoria é a dos dons de elocução ou verbais: profecia, variedade de línguas e interpretação das línguas. Por meio da profecia, o crente usado pelo Espírito transmite uma mensagem divina, momentânea e sobrenatural, para a igreja (1 Co 14.4,5,22). Pela variedade de línguas, o salvo apresenta à igreja uma mensagem divina, sobrenatural, em línguas que ele jamais estudou ou aprendeu. Tal mensagem precisa de interpretação, a menos que o Senhor queira falar com pessoas em suas próprias línguas, como ocorreu no dia de Pentecostes (At 2.7-13). E, mediante a interpretação das línguas, os salvos são capacitados, sobrenaturalmente, a interpretarem as tais línguas desconhecidas — isto é, estranhas a quem as pronuncia.

Não se deve confundir as línguas como evidência inicial do batismo com o Espírito Santo com o dom de variedade de línguas. No Novo Testamento, as línguas dadas pelo Espírito Santo são apresentadas com quatro finalidades distintas. Primeiro, como evidência inicial do batismo com o Espírito Santo (At 2.1-8; 10.44-46; 19.6; 9.18; 1 Co 14.18). Segundo, as línguas são dadas pelo Consolador para edificação do próprio crente que as pronuncia (1 Co 14.4). Terceiro, elas são úteis para a oração em espírito ou “pelo Espírito [gr. pneumati]” (1 Co 14.2,14-16; Ef 6.18; Rm 8.26). E, quarto, há línguas que contêm uma mensagem profética, isto é, o dom de variedade de línguas. Quando alguém é usado pelo Espírito com esse dom, dirige-se à igreja em línguas estranhas (1 Co 12.29,30). Contudo, se não houver interpretação, o tal deve se calar (1 Co 14.5,13,27,28).

Na segunda categoria de dons como manifestações momentâneas estão os dons de inspiração ou de saber. A palavra da sabedoria não consiste em sabedoria, em si, mas em um modo sábio de falar. Trata-se de uma capacidade sobrenatural dada pelo Espírito em várias circunstâncias. Apalavra da ciência é um dom ligado ao ministério do ensino, uma capacidade sobrenatural que leva o crente a conhecer as profundezas e os mistérios de Deus (cf. 1 Co 2.9,10). O discernimento dos espíritos, por sua vez, é a capacidade sobrenatural para discernir a natureza, o caráter e a origem dos espíritos (1 Jo 4.1). O termo original denota pluralidade: “discernimentos”. 

É importante observar que a palavra da sabedoria não resulta de qualquer esforço humano; trata-se de um dom de Deus, uma manifestação de sabedoria sobrenatural, pelo Espírito. Na prática, é uma habilidade pela qual se aplica o conhecimento, sendo necessário para o governo da igreja, o pastoreio, a administração, a liderança, etc. (1 Co 2.4-7; Gn 41.38,39; Êx 4.12,15; Dt 34.9; 1 Rs 3.8; 4.29,30; At 4.13; 6.6,10; 1 Co 2.13; Lc 12.11,12). Já a palavra da ciência é um dom pelo qual se manifesta a ciência (ou o conhecimento) sobrenatural, pelo Espírito Santo, possibilitando o conhecimento de fatos, de causas, de ensinamentos, etc. (Êx 31.3; Dn 1.4; 1 Rs 7.14; At 20.23). Quanto ao discernimento de espíritos, trata-se de um dom de saber, de maneira sobrenatural, pelo Espírito, por meio do qual a igreja é protegida de todo engano do Inimigo e dos homens (At 16.7 com 1 Ts 2.16,17; 1 Tm 4.1; Tt 1.10).

Por meio dos aludidos dons de saber, pode-se discernir: a fonte de inspiração, que pode ser divina (At 15.32; 1 Co 14.3), humana (Ez 13.2,3) ou diabólica (1 Rs 22.19-24; Jr 23.13; At 16.17,18; Ap 2.20-24); os espíritos, dos quais provêm falsas doutrinas e fenômenos que geram confusão (1 Jo 4.1; At 16.16-18; 2 Co 11.4; Gl 1.8; 1 Tm 4.1; 2 Ts 2.9); confissões falsas (At 5.1-11); trapaças (2 Rs 5.26,27); intenções (At 8.18-24), etc.

A terceira categoria é a dos dons de poder: fé, operação de maravilhas e dons de curar. Pelo dom da fé, o crente é capacitado, sobrenaturalmente, a crer em Deus. Já a operação de maravilhas é a capacidade sobrenatural para a realização de atos que vão além da capacidade humana. Por meio dos dons de curar, o Senhor cura enfermos e doentes. Os dons de poder são operações extraordinárias realizadas pelo Espírito Santo. O Senhor cura e faz prodígios, hoje, pois não mudou (Hb 13.8).

Somente o Espírito de Deus faz milagres, de fato (Êx 3.20; 7.3,4; Jl 2.30; Hb 2.4), e com as seguintes finalidades: autenticar, confirmar e comprovar a pregação do evangelho (Mc 16.15-20; Dt 29.3; Hc 2.4); manifestar a glória do Senhor e levar o povo a crer mais e mais em Jesus, dando cumprimento à Palavra profética (Jo 2.11; Mt 8.17; Êx 8.16-19; Jo 9.1-25; At 3.1-16; 9.36-43; 13.6-12; 14.8-13); desfazer as obras do Diabo (1 Jo 3.8; Lc 13.16; At 10.38); e honrar os verdadeiros servos de Deus (Nm 16.28-32; 1 Rs 17.22; 18.38; 2 Rs 6.5).

Ciro Sanches Zibordi

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