terça-feira, 13 de maio de 2014

Lição 9 – O Ministério de Pastor

O PASTOR “Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas ” (Jo 10.11).

De todos os dons ministeriais, certamente o dom de pastor é o mais difícil de ser exercitado. Ao mesmo tempo, é o mais desejado por aqueles que almejam exercer o ministério, na Igreja do Senhor Jesus. Em todos os tempos, a função pastoral foi complexa e alvo das forças contrárias ao rebanho espiritual, constituído dos salvos por Cristo. Sem dúvida alguma, nos dias presentes, em pleno século XXI, ser pastor não é missão fácil, não obstante os recursos existentes, em termos humanos, técnicos e financeiros.

Os primeiros pastores, no Novo Testamento, em geral, pagaram com a vida pelo fato de representarem a Igreja de Jesus. As forças infernais, usando os sistemas religiosos, políticos, econômicos e sociais, investiram pesadamente contra os que foram levantados como líderes, nos primórdios da Igreja. Tiago, “irmão de João”, foi morto por Herodes, para satisfazer a sede de sangue dos judeus fanáticos, que não entenderam a missão de Cristo e de seus seguidores. Pedro foi preso com o mesmo destino, para ser morto, num espetáculo macabro, que agradaria aos inimigos do evangelho de Cristo. Mas foi poderosamente liberto do cárcere, por intervenção direta de Deus, que enviou seu anjo para salvá-lo da morte programada e continuar sua missão (At 12.11).

Eles eram pastores, apóstolos, evangelistas e líderes da Igreja, em seus primeiros dias, após a Ascensão de Jesus. Pedro e João foram presos por terem sido instrumentos de Deus para a cura de um coxo de nascença, posto à porta do templo. E foram libertos para proclamarem

o evangelho de Jesus (At 3.1-6; 4.1-21). De modo geral, segundo a tradição e a história da Igreja, somente João Evangelista teve morte natural, alcançando extrema velhice, após passar por sofrimentos atrozes. Os demais apóstolos de Jesus tiveram morte trágica, nas mãos dos sanguinários inimigos da fé.

Nos primeiros séculos, a perseguição aos servos de Deus foi cruel. “As perseguições só cessaram, quando Constantino (272-337 d.C.), imperador de Roma, tornou-se cristão. Seguiu-se uma era de crescimento numérico do Cristianismo, embora, nem sempre, acompanhado de autenticidade e genuíno testemunho cristão. A mistura entre a Igreja e o Estado trouxe enormes prejuízos à ortodoxia neotestamentária”.1

Os regimes ditatoriais do nazismo, do fascismo e do comunismo, sempre procuraram destruir os pastores das igrejas cristãs. Cientes de que, mortos os líderes, os fiéis sempre se dispersariam e abandonariam sua fé. Mas cometeram grave engano. Quanto mais os cristãos foram mortos, mais seu sangue serviu para regar a sementeira do evangelho. Jesus disse que “as portas do inferno” não prevaleceriam contra a sua Igreja (Mt 16.18). Pastores foram presos, torturados e mortos. Mas a Igreja de Jesus segue sua marcha triunfal, em direção ao seu destino, que é chegar aos céus, na vinda de Jesus, e reinar com Ele sobre as tribos de Israel (Mt 19.28) e sobre as nações (Ap 20.6).

Nos dias atuais, ser pastor não é absolutamente tarefa fácil, para quem deseja exercer o ministério com fidelidade e sacrifício. As oposi- ções externas e internas, muitas vezes, perturbam as atividades do pastor. Dessa forma, o dom ministerial de pastor precisa muito da graça e da unção de Deus para que seus detentores não fracassem espiritual, emocional ou fisicamente. Necessitam muito das orações, da compreensão, do apoio e do amor dos crentes em Jesus. Vamos refletir sobre a função pastoral, com base no que a Palavra de Deus nos revela sobre essa importante missão.

I - O Sumo pastor

1. JESUS É O PASTOR SUPREMO

O Pastor dos pastores. O escritor aos Hebreus denomina Jesus Cristo de “o grande Pastor das ovelhas” (Hb 13.20). Só ele merece a qualificação de “grande”. No seu nascimento, marcado pela humildade e despo- jamento de sua glória, Jesus foi chamado de “grande”, na mensagem do anjo a Maria (Lc 1.32). Nenhum pastor, nas igrejas locais, deve aceitar o título de “grande”, pois só Jesus o merece. Ele é grande em todos os aspectos que se possam considerar em relação à sua pessoa. Podemos refletir sobre o porquê Ele é chamado “grande”.

Primeiramente, porque Ele é Deus! Todos os fundadores de religiões pereceram e seus restos mortais jazem sob a tumba fria. Em seus túmulos consta a inscrição “aqui jaz” fulano ou sicrano. No túmulo de Jesus, há uma inscrição diferente e gloriosa: “Ele não está aqui porque ressuscitou” (Mt 28.6; Mc 16.6). Se Jesus houvesse sido um homem comum, mortal, jazeria no túmulo como Buda, Maomé, Alan Kardec e outros fundadores de religiões ou de seitas. Mas Jesus é Deus. Como tal, venceu todos os poderes cósmicos, espirituais, humanos e físicos. E, por fim, vitorioso, venceu a morte!

2. ELE É A PORTA DAS OVELHAS

Em segundo lugar, Jesus é o grande pastor das ovelhas, porque ele é “a porta das ovelhas” (Jo 10.7). Em termos espirituais, as ovelhas ou os salvos em Cristo só podem chegar ao céu, na presença de Deus, através de Cristo, de seus ensinos, de seu exemplo marcante, que deixou para todos os pastores e crentes de todas as idades. Ele disse que era “o Bom Pastor”, que dá a vida por suas ovelhas e as conhece pelo nome (Jo

10.11, 14).

Para entrar no seu redil, o pecador tem que arrepender-se, crer em sua Palavra, e segui-lo (Jo 10.9). Não pode entrar, saltando os muros. O Adversário é “ladrão e salteador”, porque não entra pela porta das ovelhas. Ele, e somente Ele, dá acesso ao homem à presença de Deus. Jesus é ao mesmo tempo, “a porta”, “o caminho e a verdade e a vida”. E declarou: “Ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14.6).

3. JESUS CONHECE SUAS OVELHAS

Ele disse: “Eu sou o bom Pastor, e conheço as minhas ovelhas, e das minhas sou conhecido” (Jo 10.14). Jesus cuida de seus servos, como um bom pastor cuida de suas ovelhas. Ele não vê apenas o “rebanho”, ou a Igreja, que é predestinada, coletivamente, para a salvação (1 Jo 1.5,11). Ele vê cada um dos seus servos, sabe o nome de cada um, ainda que sejam milhões e milhões, em todo o mundo, ao longo da História. Ele sabe o que cada um pensa ou diz (SI 139.1-4).

As ovelhas de Jesus o conhecem. No relacionamento espiritual entre os crentes e o Senhor Jesus, através da comunhão constante, o servo de Deus não se engana com a voz do seu Pastor.

4. O PASTOR QUE DEU A VIDA PELAS OVELHAS

Na vida pastoril, nos campos, os pastores cuidam das ovelhas para obterem delas o sustento para suas vidas. Eles não morrem pelas ovelhas. Mas Jesus, o Sumo Pastor, deu a sua vida pelos que nEle creem (Jo 10.1, 15). Na sua morte, aparentemente, o seu rebanho estaria destinado a ficar sem pastor. Mas, contrariando a lógica humana, Ele ressuscitou ao terceiro dia, vitorioso sobre a morte, sobre o inferno, sobre o Diabo e sobre todos os poderes do universo. Ele proclamou aos discípulos a sua onipotência: “É-me dado todo o poder no céu e na terra” (Mt 28.18).

5. O PASTOR QUE CUIDA DAS OVELHAS

O salmista Davi escreveu certamente o mais belo texto sobre a figura de Deus como nosso Pastor, o “Jeová Raá”, que, ao mesmo tempo, é o “Jeová-Jirê\ o Senhor que provê todas as coisas necessárias a seu povo. Ele se referia ao Deus Pai. E falava da ovelha que confia no seu Pastor. Porém todas as características do pastor do Salmo 23 aplicam-se a Jesus Cristo, “o bom Pastor” (Jo 10.11,14).

1) Não nos deixa faltar nada. No seu cuidado, Jesus não nos deixa faltar nada que seja essencial ou indispensável à nossa vida. O crente fiel sabe contentar-se com o que Deus lhe concede por sua infinita bondade (Fp 4.11-13). O que lhe falta, o Senhor lhe dá graciosamente, por sua bondade e por seu amor.

2) Os “verdespastos” (SI 23. 2), São a figura do alimento espiritual que Jesus propicia à sua Igreja, através da ministração sadia da sua palavra. Os pastores verdadeiros alimentam a Igreja com a sã doutrina. As “águas tranquilas” falam da paz interior, que o Senhor concede aos que nele confiam. E a paz que Ele deixou para seus servos (Sl 23.2b; Jo 14.27); é a paz “que excede todo o entendimento” (l;p 4.7).

3) O refrigério da alma. Lembra o conforto que a presença de Deus nos concede, através do Espírito Santo, nosso “Consolador” (Sl 23.3; Jo 14.16, 17). Nas horas mais difíceis, quando não liá solução humana, o Bom Pastor nos conforta com sua graça e seu poder.

4) As “veredas da justiça”. São o caminhar reto e hei do crente salvo em Jesus (Sl 23.3b; Rm 5.19; 1 Pe 3.12), Quando o crente anda, seguindo o pastor Fiel, não comete injustiças.

5) A segurança da ovelha. Mesmo passando pelo “vaie da sombra da morte” (Sl 23.4), a presença do pastor dá segurança: “porque tu estás comigo” (Sl 23.4b). Jesus assegurou que estaria com seus servos, ainda que sejam “dois ou três” (Mt 18.20).

6) A mesa perante os inimigos. A mesa preparada para a ovelha, perante os inimigos e a unção com óleo (Sl 23.5), nos remetem à unção do Espírito Santo na vida do crente fiel (1 Jo 2.20, 27; Ef 5.18), concedendo-nos vitória sobre os inimigos que se levantam contra a nossa fé.

7) Bondade e misericórdia todos os dias. O Pastor do Salmo 23 concede “bondade e misericórdia” para que o crente fiel habite na casa do Senhor “todos os dias” da sua vida (Sl 23.6). Cristo nos faz ser “templo do Espírito Santo” (1 Co 6.19,20). Por todos esses paralelos de Cristo em relação a nós e o descrito no Salmo 23, podemos concluir que Jesus é o nosso Pastor por excelência.

II - As Características do Verdadeiro Pastor

Neste tópico, enfatizamos as características do verdadeiro pastor, no sentido humano, daquele que tem o chamado de Deus para ser um guia de parte do rebanho do Sumo Pastor. E o que tem o dom ministerial de pastor. Não é qualquer pessoa que tem condições de receber esse dom, ainda que seja o mais procurado pelos aspirantes ao ministério eclesiástico. Paulo ensina que é Deus quem dá pastores às igrejas (Ef 4.1): “Os pastores são aqueles que dirigem a congregação local e cuidam das suas necessidades espirituais. Também são chamados “presbíteros” (At 20.17; Tt 1.5) e “bispos” ou supervisores (lTm 3.1; Tt 1.7)”.2

O pastor de uma igreja deve espelhar-se nas características do “Sumo Pastor” (1 Pe 5.4). E deve possuir qualificações que o credenciem para tão importante missão. O pastor verdadeiro é dado por Deus à igreja. Ele não dá a igreja ao pastor (Ef 4.11); a igreja, mesmo no sentido local, não pertence ao pastor. O pastor deve ser um servo da igreja local, e não seu mandatário ou proprietário. A seguir, algumas dessas qualificações, conforme 1 Timóteo 3.1-7 eTito 1.7, relativas ao bispo, que é sinônimo de pastor:

1) Irrepreensibilidade moral. Refere-se a uma vida de integridade, de que não tenha de que se envergonhar ou causar escândalo.

2) Vida conjugal ajustada (“marido de uma mulher”). Note-se que é prioridade o cuidado com a vida conjugal; no Novo Testamento, não é prevista a tolerância com a bigamia ou a poligamia; a regra é a monogamia, como plano original de Deus para o matrimônio; e o pastor como esposo deve ser exemplo para os demais esposos, na igreja, amando sua esposa e cuidando dela (Ef 5.25).

3) Vigilante. O pastor é o guarda do rebanho. Deve estar atento ao que se passa ao seu redor; vigiando, primeiro, a sua vida pessoal e ministerial (1 Tm 4.16). Depois, vigiando o rebanho para alertar e livrar dos “lobos devoradores”; Ser vigilante significa ser “atento, cauteloso, cuidadoso, precavido” quanto aos perigos que o rodeiam. Para assumir a função de liderança, na igreja local, o obreiro deve ser muito cuidadoso quanto à sua vida espiritual, moral, social, familiar e em todos os aspectos. Isso porque o Diabo “anda rugindo como leão, buscando a quem possa tragar” (1 Pe 5.7). O presbítero, bispo ou pastor deve obedecer o que Jesus disse: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca” (Mt 26.41). Ele precisa ser “exemplo dos fiéis” (1 Tm 4.12; 1 Pe 5.3).

4) Sóbrio (simples, moderado). O pastor ou bispo deve zelar pela simplicidade, no ministério; o luxo, a ostentação material, a exibição de riqueza não convém a um homem de Deus; Jesus disse: “sede símplices como as pombas” (Mt 10.16).

5) Honesto. Tem o significado de ser “honrado, digno, correto, íntegro; decoroso, decente, puro, virtuoso”. Todas essas qualificações podem resumir-se numa expressão: ser “santo em toda a maneira de ver” (1 Pe 1.15). O homem de Deus não é perfeito em si mesmo, por mais que se esforce para ser santo. Mas, cuidando de sua vida pessoal, ministerial e como cidadão, pode ser muito bem visto pelos crentes como uma pessoa honesta. O seu falar deve ser “sim, sim; não, não” (Mt 5.37). Honestidade é sinônimo de integridade. O pastor ou bispo deve ser uma pessoa assim, fiel, sincera, verdadeira. Deve ser alguém que vive o que prega ou ensina (Tg 2.12).

6) Hospitaleiro. Esta palavra vem de hospital, na sua origem. Não havia casas de saúde como hoje. Uma hospedaria era um hospital, um lugar onde os viandantes podiam pousar, e também os enfermos, uma hospedaria ou estalagem (Lc 10. 34,45). Mas o pastor não tem obrigação de transformar sua casa em hospedaria. No sentido do texto, hospitaleiro é sinônimo de acolhedor, que sabe tratar bem as pessoas, sem fazer acepção de ninguém; é pecado (Dt 16.19; Ml 2.9; 1 Tm 2.11;Tg2.9).

7) Apto a ensinar. Como o pastor é o que alimenta ou apascenta o rebanho, o pastor deve saber fazer uso da Palavra de Deus, ministrando mensagens, estudos e reflexões que edifiquem o rebanho sob seus cuidados. Se não tiver essa aptidão, deve estar no lugar errado (2 Tm 2.15).

8) uNão dado ao vinho”. Nos tempos de Paulo, o vinho era já uma bebida alcoólica que podia causar dependência química ou psicológica. Seria uma tristeza um pastor ficar embriagado pelo uso constante do vinho. Se tosse escrito hoje, o texto talvez dissesse: “não dado à cerveja, à champanhe, ao licor ou a outra bebida alcoólica”. O pastor ou bispo deve dar exemplo de abstinência desse tipo de bebida para o seu bem, de sua família e do rebanho sob seus cuidados.

9) Ordeiro (“não espaiicador”). Por que Paulo fez referência a esse tipo de comportamento? Sem dúvida, porque observou que algum obreiro tinha o costume de “espancar” as pessoas a seu redor. Sempre houve pastores grosseiros, prepotentes, alguns que cometeram “assédio moral” contra pessoas a seu redor. Isso é reprovável sob todos os aspectos. O pastor deve ser ordeiro, humilde, de bom trato para com todos, não cobiçoso nem ganancioso. Ordeiro quer dizer que mantém a ordem, na casa de Deus.

10) Moderado, É sinônimo de suave, brando, comedido, prudente, contido. É qualidade sem a qual o pastor pode sofrer sérios revezes em sua vida, no relacionamento com outras pessoas, em seus hábitos, costumes, etc. Ele não pode ser um desequilibrado mental, sem controle de suas emoções. Para ser moderado, precisa ter o fruto da temperança e da longanimidade (cf. G1 5.22).

11) Não contencioso. O pastor ou bispo não deve viver em contenda, nem com a família, nem com os crentes, nem. com os de fora. Contenda é o mesmo que porfia, dissensão, peleja, que são “obras da carne” (G1 5.2,1). Diz um ditado: a melhor maneira de ganhar uma contenda é evitá-la. Cora oração e vigilância é possível viver em paz.

12) Não avarento. Quer dizer que o pastor ou bispo não deve ser sovino, mesquinho, e não deve ter amor ao dinheiro (avareza), que é “a raiz de toda espécie de males” (1 Tm 6,10). O pastor não deve viver em função de dinheiro ou de bens materiais. Sua missão é elevadíssima, e deve focar-se no amor às almas ganhas para Cristo, que ficarão aos seus cuidados ministeriais.

13) Que governe bem a sua casa. Esta é uma qualificação de grande importância, pois a.s pessoas ouvem as mensagens dos pastores, mas olham para ele e como se relaciona com a família, notadamente com os filhos. Ele é o cabeça (líder) da esposa e do lar (Ef 5.22). Ao lado da esposa, que também governa a casa (1 Tm 5.14), deve criar seus filhos “com sujeição” (1 Tm 3.4). Porque, diz Paulo: “se alguém não sabe governar a sua. própria casa, terá cuidado da igreja de Deus? (1 Tm 3.5).

14) Experiente (“não neófito”). Nem todo presbítero {ancião) é pastor. Mas todo pastor deve ser presbítero. Pedro, um dos pastores líderes da Igreja Primitiva, exortou aos colegas de ministério, sobre como liderar a igreja local, dizendo: “Aos presbíteros que estão entre vós, admoesto eu, que sou também presbítero com e/es, e testemunha das aflições de Cristo, e participante da glória que se há de revelar...” (1 Pe 5.1). Aqui, temos base para dizer que presbítero é termo equivalente a pastor ou bispo. Assim, o pastor não deve ser um obreiro muito novo (neófito), pois, a missão de pastor exige capacidade para aconselhar em situações que só a experiência mostra as lições a serem indicadas.

15) De bom testemunho perante os descrentes (“bom testemunho

dos que estão de fora”). O pastor deve ser um proclamador do evangelho transformador de Cristo. Seu testemunho deve ser uma pregação viva de que jesus converte e transforma o pecador. Esse testemunho deve ser demonstrado, primeiramente, em sua vida pessoal; depois, em sua casa, na igreja e, por fim, perante todas as pessoas que o conhecerem.

III - O Ministério pastoral

1. O SIGNIFICADO DE PASTOR

A palavra pastor vem do latim, pastor, com o significado de “aquele que guarda as ovelhas”, “o que cuida das ovelhas”. Na língua original do Novo Testamento, pastor (gr. poimen), de acordo com Vine, é “... aquele que cuida de rebanhos (não meramente aquele que os alimenta), é usado metaforicamente acerca dos ‘pastores’ cristãos (Ef 4.11)”.3 Em termos ministeriais, o pastor é aquele que tem esse dom ministerial, e é encarregado de cuidar da vida espiritual dos que aceitam a Cristo e ficam sob seus cuidados, numa igreja ou congregação local. Pastor é um termo de cuidado, de zelo, de ternura, para com as ovelhas de Jesus.

2. A MISSÁO DO PASTOR

A principal missão do pastor é cuidar das ovelhas de Cristo, que lhe são confiadas. A ele cabe apascentar (gr. poimanô) as ovelhas, dando-lhes o alimento espiritual, através do ensino fundamentado (doutrina) da Palavra de Deus. No Salmo 23, Davi mostra o cuidado do pastor. Ele leva as ovelhas a deitar-se “em verdes pastos”. O pastor fiel leva as ovelhas de Jesus a alimentar-se do “pasto verde”, que nutre a alma e o espírito, fortalecendo-as, para que cresçam na graça e conhecimento do Senhor Jesus Cristo (2 Pe 3.18).

Sua missão é múltipla ou polivalente. Um pastor de verdade tem que agir como ensinador, conselheiro, pregador, evangelizador, missionário, profeta, juiz de causas complexas, fazer as vezes de psicólogo, conciliador, administrador eclesiástico dos bens espirituais e de recursos humanos sob seus cuidados, na igreja local; é administrador de bens materiais ou patrimoniais; gestor de finanças e recursos monetários, da igreja local, além de outras tarefas como pai, esposo, e dono de casa, como pastor de sua família.

A atividade pastoral genuína é tão importante, que o profeta Isaías, falando ao povo de Israel, acerca do livramento que lhe seria dado, usa a figura do pastor, aplicando-a ao próprio Deus (Is 40.11). O verdadeiro pastor cuida bem das ovelhas: recolhe os cordeirinhos (os mais fracos, mais novos) entre os braços; leva-os no regaço; aos novos convertidos, os “amamenta”, como a “bebês espirituais” e os guia mansamente.

3. O PASTOR — UM CONTRADITADO

Muitos obreiros, principalmente os mais jovens, aspiram ao pastorado. Não é errado ter essa aspiração. Paulo escreveu ao jovem obreiro Timóteo: “Esta é uma palavra fiel: Se alguém deseja o episcopado, excelente obra deseja” (1 Tm 3.1). Mas os candidatos ao episcopado (pastorado) devem ter consciência de que um pastor é alvo de grandes contradições e oposiçóes, a despeito de sua honrosa missão. A lista de contradições sobre o que as pessoas pensam do pastor, é ampla e variada. Alguém já escreveu diversas listas sobre isso. A seguir, resumimos uma delas:

Se o pastor é ativo, é ambicioso; se é calmo, é preguiçoso; se o pastor é exigente, é intolerante; se não exige, é displicente; se fica com os jovens, é imaturo; se fica com os adultos, é antiquado; se procura atualizar-se, é mundano; se não se atualiza, é de mente fechada, retrógrado, ultrapassado; se prega muito, é prolixo, cansativo; se prega pouco, é que não tem mensagem; se veste-se bem, é vaidoso; se veste-se mal, é relaxado; se o pastor sorri, é irreverente; se não sorri, é cara dura. O que o pastor fizer, alguém pensa que faria melhor. Pode parecer algo hilário ou grotesco, mas reflete um pouco a visão que muitas pessoas têm do pastor de uma igreja local . Aliás, alguém já escreveu, dizendo que “pastor é uma espécie em extinção”.

Mas tais contradições não devem ser motivo para desânimo ou desinteresse pelo ministério pastoral. O Sumo Pastor, Jesus Cristo, foi alvo de piores referências a seu respeito, mesmo demonstrando que era um ser especial, humano e divino, que só fazia o bem. Seus opositores o acusaram de ser “comilão e bebedor” (Mt 11.19); de ter demônio (Jo 8. 52); de ser endemoninhado e expulsar demônio pelo príncipe dos demônios (Mc 3-22); e de tramar contra o governo da época, justificando sua condenação (Lc 23.2; Jo 19.12). Mas Jesus não desistiu. Foi até ao fim, entregando sua vida em lugar dos pecadores. E cumpriu a sua missão (Jo 19.30).

4. CUIDADOS COM OS FALSOS PASTORES

Lamentavelmente, existem falsos pastores. Deus mandou o profeta Ezequiel repreender os pastores infiéis de Israel. Em suas qualificações negativas, podemos entender o que faz um falso pastor, nos dias atuais.

1) Eles não cuidam do rebanho. Mas aproveitam-se do pastorado para “apascentarem a si mesmos” (Ez 34.2 c). São oportunistas. Aproveitam-se das ovelhas para angariarem glórias para si.

2) Eles enriquecem às custas das ovelhas. Diz o texto: “Comeis a gordura, e vos vestis da lã, e degolais o cevado; mas não apascentais as ovelhas” (Êx 34.3). Há casos de pastores que se tornam milionários, com fazendas, aviões, e muito dinheiro, aproveitando-se das necessidades e carências dos crentes.

3) Eles não têm amor às ovelhas. Pouco lhes importa a situação espiritual dos crentes. Só pensam em se aproveitar do pastorado (Ex 34.4). Nas igrejas dos falsos pastores, não há ensino, doutrina e cuidado com os novos convertidos; nem com os desviados e os crentes fracos.

4) Eles dispersam as ovelhas. Por não terem cuidado das fracas, das doentes, das quebradas e das desgarradas, elas se dispersam e são vítimas das “feras do campo”, que são inimigos do rebanho. “Assim, se espalharam, por não haver pastor, e ficaram para pasto de todas as feras do campo, porquanto se espalharam. As minhas ovelhas andam desgarradas por todos os montes e por todo o alto outeiro; sim, as minhas ovelhas andam espalhadas por toda a face da terra, sem haver quem as procure, nem quem as busque” (Ez 34.5,6).

5) Deus é contra tais pastores. Em Ezequiel 34.8-10, diante de tão grande calamidade espiritual, perpetrada por falsos pastores, O Senhor mandou dizer pelo profeta que Ele próprio cuidaria de suas ovelhas (Ez 43.11, 12). Que Deus nos guarde desses pastores, reprovados pelo Sumo Pastor.

5. O GALARDÃO DO PASTOR

Jesus ensinou que quem dá ao menos “um copo de água fria” a um dos seus discípulos não ficará sem seu galardão (Mt 10.42). O pastor de uma igreja local cuida dos discípulos de Jesus, dando-lhe não só um copo de água fria, mas, muito mais, alimentando-os com a Palavra de Deus (Hb 13.13); guiando-os pelo caminho da justiça; velando por suas almas (Hb 13.17). O apóstolo Pedro, ensinando aos presbíteros, como pastor (e presbítero), lhes assegurou que teriam o seu galardão, quando Jesus voltar para buscar a sua Igreja: “E, quando aparecer o Sumo Pastor, alcançareis a incorruptível coroa de glória" (1 Pe 5.4).

É certamente um galardão diferenciado do que os crentes em geral irão receber. A “coroa da vida” será dada a todos os que forem fiéis (Ap 2.10); mas a “incorruptível coroa de glória” está reservada aos pastores que cuidam das ovelhas de Jesus.

Conclusão

O dom ministerial de pastor só c concedido àqueles a quem Deus escolhe para liderarem parte do seu grande rebanho, que é a Igreja de Jesus. Em todos os lugares, estão espalhadas igrejas locais e congregações, que reúnem os crentes, que aceitam a Cristo. Ali, estão sob os cuidados de pastores ou líderes, que lhes alimentam espiritualmente com a Palavra de Deus, ensinando-lhes a servir a Deus, crescendo na graça e no conhecimento do Senhor Jesus (2 Pe 3.18). É gloriosa a missão do pastor, e muito espinhosa. Na igreja, ele é o mais visado pelos adversários. Mas, com a graça de Deus e o apoio dos crentes, pode cumprir sua missão, da qual um dia prestará contas ao Supremo Pastor.

1 LIMA, Elinaldo Renovato de. Perigos da pós-modernidade, p. 121.
2 CPAD. Bíblia de estudo pentecostal. Estudo sobre os Dons Ministeriais.
3 VINE, W. E. et al. Dicionário Vine, p. 404.
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