terça-feira, 10 de junho de 2014

Lição 12 – O Diaconato

O DIÁCONO “Porque os que servirem bem como diáconos adquirirão para si uma boa posição e muita confiança na fé que há em Cristo Jesus” (1 Tm 3■ 13). Em seus ensinos, Jesus não especificou como seria a organização da Igreja, nos diversos lugares por onde seu evangelho haveria de promover a conversão de muitas pessoas pelo poder do Espírito Santo. Ele garantiu que haveria de edificar a sua Igreja e “as portas do inferno não prevaleceriam contra ela” (Mt 16.18). E a Igreja cresceu e se expandiu pelo mundo todo. E seu crescimento demandou o estabelecimento de medidas e providências jamais experimentadas por qualquer organização humana.

Para começar o grandioso trabalho, só restavam onze apóstolos. Judas, o traidor, perecera de maneira trágica, indo para “o seu próprio lugar” (At 1.25). A equipe de Jesus era pequena e diminuíra. Mas a obra precisava ser feita. Em lugar de Judas foi eleito Matias, que tomou “o seu bispado” (At 1.20). (Esse texto mostra que o apóstolo também era bispo). Resolvido o problema da substituição de Judas, os apóstolos encetaram a grande missão de prosseguir com a obra de Jesus. No cenáculo, receberam o poder do Alto, sendo batizados com o Espírito Santo. Com a pregação cheia de unção, quase três mil novos crentes agregaram-se ao pequeno grupo de cristãos (At 2.37-41).

0 crescimento vertiginoso trouxe diversos problemas. Entre os conversos, havia pessoas de outros lugares, além de judeus. Os problemas não tardaram a surgir. O evangelista Lucas, escritor dos Atos dos Apóstolos, registrou o que ocorria naqueles dias, quando a comunidade cristã cresceu grandemente, e surgiram diversos problemas, inclusive de ordem social (cf. At 6.1-7). E os líderes da Igreja resolveram reunir a assembleia e buscar a solução para o atendimento social aos irmãos carentes. A tarefa era um grande desafio. Ou eles cuidavam da evangelização e do discipulado, ou cuidavam da parte social.

Por decisão sábia e unânime, escolheram sete homens, com qualidades exemplares, para cuidarem daquele “importante negócio”, que era dar assistência aos novos convertidos nas suas necessidades básicas. Muitos que aceitavam a Cristo ficavam em situação difícil, rejeitados por suas famílias, expulsos de casa e desprezados da sociedade. Assim, ante uma crise de caráter humano, os apóstolos tiveram que tomar medidas que serviram de base para a criação do cargo ou da função de diácono que faz parte, até hoje, do ministério ordenado, nas igrejas cristãs.

1 - A DIACONIA DE JESUS CRISTO

Diaconia significa “ministério, serviço”. Jesus Cristo foi exemplo para a Igreja em todos os aspectos. Em sua Diaconia, Ele foi “apóstolo... da nossa confissão” (Hb 13.1). Foi profeta (Lc 24.19); foi evangelista (Lc 4.18-19); foi Pastor (Jo 10.11) e também foi diácono. Ele demonstrou seu caráter e sua personalidade, dando exemplo de humildade. Para cumprir sua missão sacrificial em favor dos homens, Jesus despojou-se temporariamente de sua glória plena (Jo 17.14). Paulo diz que Ele assumiu a forma de servo, mais que isso, a forma de “escravo”. Jesus, “... sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus. Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo- se semelhante aos homens-, e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte e morte de cruz” (Fp 2.6-8 — grifo nosso). A expressão “tomando a forma de servo”, “significa aparecer em uma condição humilde e desprezível”.1

II - A INSTITUIÇÃO DOS DIÁCONOS

1. A INSTITUIÇÃO DOS DIÁCONOS

O ministério ou serviço dos diáconos surgiu a partir de uma bênção, de um problema e de uma murmuração. A bênção foi o crescimento extraordinário dos que criam em Jesus e o aceitavam como Salvador, deixando o judaísmo e outras religiões e tornavam-se cristãos. O problema foi causado pela situação social de muitos que aceitavam a fé, especialmente envolvendo viúvas dos gregos ou gentios, que aceitavam o evangelho. A murmuração foi a reclamação desses, que se julgavam discriminados pelos líderes da Igreja, em relação ao atendimento de suas necessidades básicas. Diz o texto:

“Ora, naqueles dias, crescendo o número dos discípulos, houve uma murmuração dos gregos contra os hebreus, porque as suas viúvas eram desprezadas no ministério cotidiano. E os doze, convocando a multidão dos discípulos, disseram: Não é razoável que nós deixemos a palavra de Deus e sirvamos às mesas. Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete varões de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais constituamos sobre este importante negócio. Mas nós perseveraremos na oração e no ministério da palavra. E este parecer contentou a toda a multidão, e elegeram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, e Filipe, e Prócoro, e Nicanor, e Timão, e Pármenas e Nicolau, prosélito de Antioquia; e os apresentaram ante os apóstolos, e estes, orando, lhes impuseram as mãos. E crescia a palavra de Deus, e em Jerusalém se multiplicava muito o número dos discípulos, e grande parte dos sacerdotes obedecia à fé” (At 6.1-7 — grifo nosso).

Mas os líderes da Igreja foram sábios. Não procuraram resolver tamanha questão sozinhos. Reuniram a multidão, em assembleia, a eclésia, e elegeram sete homens com qualidades exemplares sobre aquele “importante negócio”, para que os líderes pudessem perseverar “na oração e no ministério da palavra”. Na maioria das igrejas, os diáconos estão desviados da função para que foram instituídos, que foi cuidar da assistência social dos carentes. Mas sua escolha é de grande valor para o funcionamento ministerial das igrejas cristãs.

III - O Perfil do Diácono

Na conceituação de “diáconos”, vimos que, além de serem considerados “servos”, “serviçais”, e até “escravos”, há também a conceituação de “ministros”. Paulo considerou a si próprio e a Apoio como “ministros” de Cristo. “Pois quem é Paulo e quem é Apoio, senão ministros pelos quais crestes, e conforme o que o Senhor deu a cada um?” (1 Co

3.5 — grifo nosso). Na verdade, eles eram diáconos da igreja em Corinto, usados por Deus para a ministração da palavra aos crentes daquela igreja local.

1. QUALIFICAÇÕES DO DIÁCONO

Os diáconos tiveram papel muito honroso nos primórdios da Igreja. Os bispos e os diáconos eram líderes da igreja. Paulo usou o termo diáconos como favorito para si e para seus cooperadores (cf. Rm 16.1; 1 Co

3.5 — “ministros”; Cl 1.23 — “ministro”; Cl 4.7 — “fiel ministro”). Todos esses termos correspondem a “diácono”. Além das qualidades exigidas em Atos 6.1-7, Paulo indica outros importantes requisitos para o diaconato. Após enumerar as qualificações para bispo ou presbítero, Paulo aproveita o ensino para discorrer sobre as qualificações dos diáconos ou ministros que serviam nas igrejas. E o faz de modo imediato, sem lacuna ou pausa em sua ministração, dizendo que os diáconos, “da mesma sorte” que os bispos ou presbíteros, deveriam ter as seguintes qualificações (1 Tm 3.8-10, 11-13):

1) “Sejam honestos”. Isso significa que devem ser “honrados, dignos, corretos, íntegros”. Corresponde à “boa reputação”, indispensável ao indicado para diácono, quando houve sua instituição (At 6.3); nas igrejas, hoje, os diáconos recolhem dízimos e ofertas; alguns são tesoureiros, em congregações ou igrejas. Se forem desonestos, podem cair no laço do Diabo de roubarem até os dízimos, como já aconteceu em várias ocasiões. Para sua maldição (Zc 5.3,4).

2) “Não de língua dobre”. Isto é, que não sejam homens de duas palavras, ou de “duas caras”; que diz uma coisa sobre um assunto, e diz outra coisa sobre o mesmo problema. Jesus disse: Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; náo, não, porque o que passa disso é de procedência maligna (Mt 5.37). Um animal que tem língua dobre (dupla) é a serpente.

3) “Não dados a muito vinho”. No tempo de Paulo, a exemplo do que ocorria no tempo de Jesus, o vinho era uma bebida familiar. Havia o vinho fermentado e o não fermentado, o suco da uva (gr. guenematos tês ampèlou), que Jesus tomou na instituição da Ceia. Não fica bem para o diácono (ministro, servo), ser habituado a tomar vinho ou qualquer bebida alcoólica.

4) “Não cobiçosos de torpe ganância”. Um diácono não deve ser ganancioso, ou seja, cobiçoso, ávido por dinheiro, ou qualquer outro tipo de vantagem ou lucro pessoal, na obra do Senhor, ou em sua vida pessoal. Muitos têm afundado moralmente, por causa da desonestidade, que resulta da ganância por riquezas materiais (1 Tm 6.10).

5) “Guardando o mistério da fé em uma pura consciência”. Esse “mistério” é a revelação de Deus, através de Cristo (cf. Rm 16.25). E “a sabedoria de Deus oculta em mistério”, “Mas, como está escrito: As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem são as que Deus preparou para os que o amam. “Mas Deus no-las revelou pelo seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus” (1 Co 2.9,10). O diácono deve ter consciência de que não é um serviçal qualquer, mas um “servo de Deus” a serviço da sua Igreja.

6) “Que sejam primeiro provados”. Só deve ser indicado para ser diácono pessoa que seja avaliada pelo ministério, ou pela liderança. “Depois sirvam, se forem irrepreensíveis”. Tal recomendação demonstra a responsabilidade de quem indica um crente para o diaconato. Ele não vai fazer um trabalho qualquer, mas um “importante negócio” (At 6.3). Deve ser “irrepreensível” (íntegro, fiel).

7) “Maridos de uma mulher”. A interpretação para esta qualificação é a mesma que foi feita para os bispos ou presbíteros. Os diáconos devem ser homens fiéis às suas esposas. Não significa que está inapto para o ministério ou diaconia, se foi vítima de uma infidelidade conjugal. Se for o causador da infidelidade fica desqualificado para o diacona- to. O radicalismo não constrói bom entendimento das Escrituras. Um diácono não pode ser bígamo ou infiel.

8) Que ‘‘governem bem seus filhos e suas próprias casas”. A exemplo dos bispos ou presbíteros, os diáconos também devem ser bons donos de casa, bons esposos e bons pais; que saibam cuidar de seus filhos, para poderem cuidar das atividades que lhes forem confiadas na casa de Deus.

Após enumerar essas qualificações para o diaconato, Paulo conclui, dizendo que os que as possuírem alcançam uma avaliação positiva para servirem na igreja: “Porque os que servirem bem como diáconos adquirirão para si uma boa posição e muita confiança na fé que há em Cristo Jesus” (1 Tm 3.13).

2. O TRABALHO DOS DIÁCONOS

Em sua origem, os diáconos foram instituídos para cuidar da assistência social aos irmãos carentes, especialmente das viúvas (At 6.1). Com as qualificações já vistas, os diáconos poderão realizar diversas tarefas, na Casa do Senhor, com dignidade, cuidado e zelo, “de todo o coração, como ao Senhor, e não aos homens” (Cl 3.23). A função principal dos diáconos, atualmente, é auxiliar o pastor ou ao dirigente da congregação, nas atividades espirituais, ligadas ao culto ou não, bem como nas atividades sociais e materiais da igreja, para as quais for designado.

O diácono pode sentar-se no espaço do púlpito, pregar ou ensinar, quando confiado para tal, desde que não prejudique a sua função primordial. Diante de uma função tão importante, o diácono deve conhecer bem a história e a cultura da igreja local; conhecer as doutrinas ensinadas. No seu trabalho, pode realizar as seguintes tarefas:

1) Auxiliar na filantropia: visita a enfermos, necessitados. É tarefa de grande valor espiritual, que contribui para melhorar o atendimento a essas pessoas, comunicando as necessidades observadas ao pastor ou ao dirigente da congregação. O Manual do Diácono sugere várias ações filantrópicas: “campanha do agasalho”; “campanha do material escolar”; “campanha missionária”, em prol dos missionários; “promoção de empregos” (p. 104,105). O diácono pode exercer uma tarefa importante na área da assistência social. Jesus deu grande valor à filantropia (ler Mt 25.34-44); normalmente, quem faz essa tarefa são as irmãs das “comissões de visitas”, como verdadeiras diaconisas.

2) Auxiliar na visita aos desviados e novos convertidos. E função do mais alto valor no auxílio ao pastor da igreja. Um diácono pode coordenar esse trabalho, levantando os endereços e a situação espiritual dos desviados e dos novos convertidos,' auxiliando o Discipulado.

3) Servir na distribuição do pão e do vinho, na Ceia do Senhor.

Nessa ocasião, ter consciência de que está desempenhando uma elevada função, de caráter espiritual, fazendo-o com todo o respeito e reverência.

4) Recolher as contribuições para a obra do Senhor. Os diáconos devem recolher com zelo e cuidados os dízimos e ofertas para o trabalho do Senhor. Para tanto, precisam ser dizimistas fiéis.

5) Auxiliar na boa ordem do culto. Os diáconos poderão ser designados para se postarem junto às portas principais da igreja, a fim de manter a boa ordem do culto, evitando a correria de crianças, os grupos de conversa, aos lados da igreja, bem como outros comportamentos inadequados.

6) Auxiliar na segurança do templo, durante as reuniões. Os diáconos poderão se designados para ficar em lugares estratégicos, observando o movimento das pessoas, principalmente de estranhos, a fim de coibir comportamentos prejudiciais, como assédio sexual, namoros no templo ou ao seu redor.

7) Realizar outras tarefas para as quais forem convocados. Os diáconos poderão auxiliar, quando convocados, para ajudar na zeladoria do templo, abrindo e fechando portas e janelas, desligando ventiladores e aparelhos eletrônicos; movimentando bancos e cadeiras; efetuando a limpeza e a manutenção do templo, quando houver necessidade que justifique tal trabalho. 3. QUALIFICAÇÕES PARA DIACONISAS

De modo incomum, Paulo insere, em 1 Timóteo 3.11, qualificações relativas a “mulheres”, equiparando-as aos diáconos em suas qualificações. Diz o apóstolo: “Da mesma sorte as mulheres sejam honestas, não maldizentes, sóbrias e fiéis em tudo” (1 Tm 3.11 — grifo nosso). Por que Paulo fez essa inserção? Quem seriam essas mulheres? Seriam as mulheres em geral? Certamente, não, pois o contexto anterior e posterior refere-se aos diáconos. São as esposas dos diáconos? Poderiam ser.

Mas há uma terceira interpretação, a de que Paulo se refere a mulheres diaconisas, visto que o assunto em apreço são as qualificações para o diaconato. A expressão “da mesma sorte” dá a entender que se tratam de mulheres que devem ter as mesmas qualificações para a diaconia. Seriam diaconisas. E suas qualificações teriam que ser as mesmas, exigidas para os diáconos (“da mesma sorte...”), destacando apenas quatro:

1) “Honestas”. Qualidade idêntica à que se exige dos diáconos, no que tange à integridade, honradez, decoro, decência, dignidade. Mulheres “sérias no seu viver” (Tt 2.4).

2) “Não maldizentes”. No original, maldizente é diabolos, que tem o sentido de acusar, caluniar, difamar, falar com malícia. As mulheres cristãs, em função de diaconia, ou não, jamais devem emprestar sua boca para caluniar, difamar ou falar mal da vida de quem quer que seja.

3) “Sóbrias”. Qualificação idêntica que se exige do bispo ou do diácono. É ser moderada, contida, comedida, simples, sem exageros; essa sobriedade deve ser cultivada no falar, no agir, no modo de vestir, de entrar e sair, diante da igreja, para que não deem motivo para murmurações ou críticas.

4) “Fiéis em tudo Fiel é aquele “Que guarda fidelidade, que cumpre seus contratos: fiel a suas promessas. Constante, perseverante” (Dicionário Aurélio online). Uma serva de Deus, que executa importante trabalho, na igreja, precisa ter essa qualidade cristã. Fiel na igreja, fiel em casa, fiel com o esposo, com os filhos, ou com os de fora. Assim fazendo, glorificará a Deus com sua vida. 

Tradicionalmente, as igrejas cristãs em geral não consagram mulheres a diaconisas. Mas, nos últimos anos, é grande o número de igrejas que o fazem, dando às mulheres a oportunidade de servirem como diaconisas. Nas epístolas, vemos exemplo bem marcante de que, na Igreja Primitiva, havia diaconisa. Um exemplo significativo é o de Febe. Escrevendo aos romanos, Paulo faz recomendação especial acerca dela: Recomendo-vos, pois, Febe, nossa irmã, a qual serve na igreja que está em Cencreia, para que a recebais no Senhor, como convém aos santos, e a ajudeis em qualquer coisa que de vós necessitar; porque tem hospedado a muitos, como também a mim mesmo” (Rm 16.1,2).

Conclusão

O diácono é um oficial da igreja que pode exercer diversas tarefas, todas muito importantes, nas igrejas locais. Não deve ser considerado um “subalterno” dos “superiores” da igreja. Os diáconos foram instituídos para cuidar de “importante negócio”, quando a comunidade cristã cresceu e surgiram problemas que demandavam atenção e cuidado, principalmente quanto aos necessitados e carentes sociais. Hoje, eles são utilizados em trabalhos diferentes, mas seu valor deve ser considerado pela liderança das igrejas. Em sentido lato, todos somos diáconos, pois todos somos servos de Deus.

1 CPAD. Bíblia Palavras-Chave, p. 2156.
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