segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Hábitos que estrangulam

Na selva amazônica existe um cipó chamado pelos espanhóis de “el matador”, o que realmente faz juz ao nome que recebe. Ele nasce na raiz das árvores e inicialmente não parece ser uma ameaça, mas à medida que vai crescendo, enrola-se no tronco indo até o topo e quando o alcança, dá uma linda flor, como que coroando sua conquista e a árvore é sufocada até sua eventual morte.

Muitos hábitos agem da mesma forma. Surgem com aparência inocente, mas vai assumindo o controle, sufocando a espontaneidade e alegria e aprisionando. É uma luxúria aqui, um desequilíbrio financeiro acolá, uma brincadeira maliciosa cá, uma rodada divertida de jogos e apostas com dinheiro, uma pequena indiscrição e quando percebemos estamos envolvidos em destrutivos vícios que pareciam tão inofensivos e que agora aprisionam.

Na verdade, nunca encontraremos uma pessoa na ruína que não tenha começado com pequenas concessões e nunca acharemos alguém que, propositalmente, desenvolveu hábitos para se destruir.

Uma pessoa não entra em aventuras amorosas fora do casamento pensando que isto vai destruir sua família e causar muitas dores; ninguém se envolve em apostas de azar sabendo que vai comprometer seus recursos financeiros; o drogado não começa sua longa e dolorida via crucis de antemão projetando dor e angústia; ninguém deseja se tornar viciado em pornografia ao começar seus pequenos clicks; a pessoa que abusa de sua ira e descontrole emocional, não imagina quanto sofrimento psicológico vai causar aos seus filhos e quanto prejuízo no seu trabalho, nem o alcoólatra se envereda por esta tortuosa via buscando uma existência de desgraça.

Hábitos e atitudes, assim como o “el matador”, crescem gradualmente. O estrangulamento não acontece de uma hora para outra, existe um processo até o desfecho. Os movimentos são lentos e quase nunca temos consciência da cilada em que estamos até que os efeitos deletérios de nossas decisões sejam manifestos.

A ajuda de Deus para quem se sente estrangulado e preso em tais armadilhas é crucial. Ore a Deus para ter a percepção destes riscos ao redor e saber se defender e esquivar deles, afinal, “Os pecados são mortais, não porque Deus matar, mas porque eu morro deles. Deus proibiu os sete pecados não por exigência de perfeição, mas apenas por piedade de nós” (Clarice Lispector).

George R. R. Martin, autor da conhecida série Guerra dos tronos afirmou: “Nem mesmo o cavaleiro mais leal, pode proteger um rei contra si mesmo... Se um homem pinta um alvo no peito, deve esperar que mais cedo ou mais tarde, alguém lhe envie uma seta”.

Rev. Samuel Vieira
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