terça-feira, 31 de março de 2015

Amargura...

Poucos sentimentos são tão letais para o ser humano quanto a amargura, e não é difícil encontrar pessoas vivendo miseravelmente por causa de ofensas, comentários, acusações ou injustiças sofridas. A amargura pode durar a vida inteira e nos arrasar. Muitos, em quadro de depressão, encontram-se assim por causa de abusos. Certo oncologista famoso costuma indagar aos seus pacientes: “Por que você precisa deste câncer?”. Para ele, câncer é amargura. Naturalmente não sou expert no assunto e nem preciso concordar com sua afirmação na totalidade, mas a verdade é que a amargura causa muitos males.

Mesmo as experiências de sucesso, conquistas, reconhecimento posteriores à injúria, eventualmente são insuficientes para a libertação deste sentimento. Se continuamos a lutar com ofensas de muitos anos atrás, isto significa que ainda estamos aprisionados.

A amargura gera preconceito, leva-nos a uma língua ferina, comportamentos reativos e provocativos. A incapacidade de perdoar torna-se um tormento que se recusa a ser curado e tratado. A Bíblia afirma que mesmo uma raiz de amargura, pode perturbar, contaminar e ferir a muitos. A raiz da amargura produz frutos de amargura. Não é possível escondê-la, é pesado viver com ela, impossível suportá-la. Lenta e inexoravelmente, a ferida aberta brotará na superfície em formas de sintomas ou comportamentos.

Jesus afirmou que pessoas que não conseguem perdoar, estão entregues a atormentadores, torturadores (Mt 18.21-35) Estas figuras são muito fortes! Nutrir ressentimento é o mesmo que estar num campo de concentração na mão de homens carregados de ódio.

É importante perceber que Jesus estava falando estas coisas para seus discípulos, e não para descrentes. Um cristão pode ser um candidato a uma prisão solitária ou a um campo de concentração, e ter sua alma encarcerada, passando por sofrimentos indescritíveis, a menos que perdoe completamente... mesmo quando aquele que feriu esteja errado.

A Bíblia ensina: “Longe de vós toda amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmias, e bem assim toda malícia. Antes, sede uns para com os outros, benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou” (Ef 4.31,32).

Se você acha difícil perdoar, considere o preço de não perdoar. Se ainda assim não consegue perdoar, peça o socorro de Deus. E se você, ainda assim, não quer perdoar, porque seu coração não sente nenhum desejo de perdoar, talvez pudesse fazer uma oração mais profunda a Deus: “Senhor, eu não quero perdoar, mas eu preciso perdoar; portanto, me ajude a querer, querer”. Perdão é uma capacitação divina. Quase nunca é fácil – perdão é aumentativo de perda - Perdoar é ficar no prejuízo – mas paradoxalmente, ter grande ganho.

Rev. Samuel Vieira
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