sábado, 4 de abril de 2015

Viver é perigoso!

Não é fácil manter a vida num nível satisfatório de realização pessoal. Não raramente somos consumidos por ansiedade e insegurança, porque a vida possui esta capacidade de ser dinâmica, de desinstalar, de mudar a rota e a rotina. Por isto Guimarães Rosa afirmou: “Viver é perigoso!”

Desânimo, depressão, incertezas, dúvidas, angústias, medos reais e imaginários, estão sempre ao redor, e não é preciso nenhuma teoria conspiratória para explicar isto. Não raramente temos sensação de abandono, de solidão, de rejeição, de não sermos amados, de que vão nos trair. O que difere a situação anormal da normal nestes casos, é apenas a intensidade.
Manter a vida num nível satisfatório é complexo.

Jesus, dialeticamente, levanta uma questão: “Se o grão de trigo não morrer, fica ele só; quem quiser preservar a sua vida, perdê-la-á, mas quem perder a sua vida por amor do meu nome, achá-la-á”. Para Jesus o segredo não estava na capacidade de controle que temos sobre a vida, mas na capacidade de descansar. A onipotência mostra-se insuficiente e frágil. Quem luta para ter o controle, segue em direção à confusão e o engano.

Não temos condições de articular o futuro nem de impedir que males nos sobrevenham. Naturalmente precisamos ser cuidadosos e sábios. “prudência e caldo de galinha nunca fizeram mal a ninguém”, mas a verdade é que a luta para manter todas as coisas debaixo do controle mostra-se inútil, transformando-se em angústia, ansiedade, neurose fóbica e obsessão.

Jesus tenta ensinar isto aos discípulos: “Por isto vos digo: Não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber, nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais que o alimento e o corpo mais que as vestes? Observai as aves dos céu: Não semeiam, nem colhem, nem ajuntam em celeiros; contudo, vosso Pai celeste as sustenta. Porventura não valeis vós muito mais que as aves? Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso de sua vida?”. Estas palavras parecem soar como descaso com a vida, mas não é esta a proposta de Cristo. Ele quer que coloquemos nossa confiança não na nossa capacidade de controle e onipotência, mas na provisão e cuidado de Deus.

Os discípulos naqueles dias também tinham suas preocupações e estavam cheios de incertezas. As pessoas morriam cedo, qualquer infecção mais grave sem antibiótico, poderia ser fatal. Não havia sistema de aposentadoria nem leis trabalhistas. Pessoas idosas e sem saúde enfrentavam muitas dificuldades. No entanto, Jesus insiste em que elas ponham sua confiança no sustento que vem de Deus.

Onipotentes e controladores, tentamos manter todas as coisas sob nosso controle, mas a verdade é que nenhuma garantia temos sobre o amanhã, a saúde, finanças ou a vida. Seu seguro de vida não segura sua vida nem o protege. Precisamos descansar, confiar no Pai Eterno, que cuidou de nós até hoje e vai continuar cuidando.

Rev. Samuel Vieira
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