quarta-feira, 13 de maio de 2015

Heresias que estão a proliferar no meio evangélico

Antigamente, quando se falava em heresias, pensava-se somente em Espiritismo, Budismo, Romanismo, Testemunhas de Jeová, Mormonismo, Adventismo etc. Hoje em dia, conforme acontecia na igreja de Corinto, há doutrinas errôneas entre os cristãos (1Co. 11.19). Vamos abordar diversas heresias que estão a proliferar no meio evangélico. Declara o escritor do livro Cristianismo em Crise “o movimento da fé é em tudo tão sectário como os ensinamentos dos Mórmons. das Testemunhas de Jeová e da Ciência Cristã. Não merece um verdadeiro apoio cristão” (p. 17).

Para que se tenha ideia do exagero, é oportuno mencionar o artigo publicado no jornal Mensageiro da Paz, de setembro de 1997, com o título ECOS CONTRA A NOVA UNÇÃO. Diz o articulista: “…em sua forma de pregar e dirigir cultos, movimentos estranhos, inovações e artificialismos. Todas essas técnicas, importadas da outra América, são erroneamente interpretadas como sinônimo de avivamento, poder e autoridade de Deus, deixando uma herança negativa e satânica para os jovens brasileiros, que representam a continuidade da direção da igreja no Brasil”.

I – A CONFISSÃO POSITIVA

“Confissão Positiva” é o nome dado ao conjunto de ensinamentos propagados pelos ‘mestres da fé’, que enfatizam de modo antibíblico a fé. Os principais desses ‘mestres’ são: Kenneth Hagin, Kenneth Copeland e Benny Hinn. Todos, especialmente este último, são campeões em venda de livros. Vejamos as principais heresias propagadas pelos escritos e sermões dos tais ‘mestres da fé’, acompanhados das devidas respostas bíblicas. Os ‘mestres da fé’ brasileiros mais conhecidos são:

Edir Macedo, Fundador da Igreja Universal do Reino de Deus e da Editora Universal Produções. Declara: “O Espírito Santo nos fez compreender que o dinheiro na Sua Obra é o sangue da Igreja do Senhor Jesus…”;

R. Soares, Fundador da Igreja Internacional da Graça de Deus, proprietário da Graça Editorial, a principal publicadora dos livros da Teologia da Prosperidade no Brasil dos escritores Kenneth Hagin e T. L. Osborn.

Valnice Milhomens, líder do Ministério Palavra da Fé e fundadora da Igreja Nacional do Senhor Jesus Cristo Palavra da Fé. Seguidora de César Castellanes, de quem recebeu unção e é a responsável pelo G -12 em São Paulo.

Robson Rodovalho, Fundador do Ministério Sara Nossa Terra e da denominação Comunidade Sara Nossa Terra. É autor do livro Quebrando Maldições Hereditárias.

Estevam Hernandes, Fundador da Igreja Renascer.

1.1 SER POBRE É UMA MALDIÇÃO?

A Teologia da Prosperidade ensina que ser pobre é uma maldição, e que todo cristão deve ser rico materialmente.

Resposta Apologética: Deus fez o rico e o pobre: (Pv. 22.2). Se a riqueza fosse um direito do crente, Deus não permitiria que pessoas ímpias fossem ricas.
a) Deus manda ajudar os pobres: (Is. 58.6-7). Em Dt. 15.11 está escrito: “…nunca cessará o pobre do meio da terra; pelo que te ordeno, dizendo: Livremente abrirás a tua mão (…) para o teu pobre na tua terra”.
b) Deus escolheu os pobres do mundo (Tg. 2.5). Quando Jesus andou na terra, anunciou o evangelho principalmente a eles (Mt. 11.25; 19.21; Lc. 4.18). O próprio Jesus enquanto aqui no mundo não era rico (Lc. 9.58).
c) Deus não faz acepção de pessoas. Tiago ensina que não devemos desprezar os pobres. Todos devem ser tratados da mesma maneira nas igrejas cristãs (Tg. 2.1-6).

1.2 UM CRENTE FIEL PODE ADOECER?

Para os “mestres da fé” o crente nunca fica doente. Se ficar, está em pecado ou falta-lhe fé.

Resposta apologética: Essa ideia ignora um fato comum desta vida, que o corpo humano se desgasta naturalmente (Sl. 90.10; 1Pe. 24-25). O cristão não só pode adoecer, como pode morrer em decorrência de uma doença (2Rs. 13.14). Nem todas as doenças são de origem diabólica, ou consequência direta do pecado (Jó 1.1; 2.12-13; Jo. 11.1-4). Ademais, Deus é soberano e cura quando e a quem quer (1Tm. 5.23; 2Tm. 4.20).

2.1 O USO DE OBJETOS NOS CULTOSII – PRÁTICAS OCULTISTAS

A Igreja Católica e os cultos afro-brasileiros se utilizam de certos objetos como amuletos ou talismãs. Alguns deles: arruda, jogar arroz sobre a noiva; derramar açúcar, queimar roupas velhas no início do ano novo, tirar sorte com papagaio ou macaquinho, ervas, velas, terra de cemitério, crucifixos, fotos ou medalhas de santos. Objetos usados nas igrejas neopentecostais: rosa ungida, óleo ungido, aliança ungida, lenço ungido, água do Rio Jordão, azeite do Monte das Oliveiras, sarça, areia da praia da Galileia, varinha de Jacó, galho de oliveira (do Monte das Oliveiras), folha (da árvore da Vida), túnel do amor, fitinhas no pulso, copo d’água em cima do rádio ou TV, tapete ungido, tapete de fogo, uso de enxofre, trombeta de Jericó, bênção da carteira de trabalho, do envelope do pagamento, do cartão de crédito, do talão de cheques, da peça de roupa, de carros, de eletrodomésticos para que não tenham mais defeitos. Cântaro e espada de Gideão, na Campanha da Vitória.

Tais práticas são artifícios enganadores. É sincretismo barato, falso e enganador. Que entendimento espiritual tem uma pessoa que anda correndo atrás de correntes, e todo o tipo de superstições que se praticam nessas igrejas? O pior é que esses objetos são vendidos a preços absurdos, praticando-se o pecado de simonia apontado em At. 8.17-22. Nesse aspecto, pouca diferença há entre os evangélicos e os feiticeiros.

2.2 INTERPRETAÇÃO DA BÍBLIA POR REVELAÇÃO

Um chavão repetido frequentemente pelos adeptos da Teologia da Prosperidade é “RECEBI UM RHEMA DE DEUS”. Com isso querem dizer que Deus deu o entendimento de um texto da Bíblia para revelar algo novo. Trocam a expressão ‘sabedoria’ ou ‘conhecimento’ por ‘revelação’, a fim de convencer seus ouvintes que se trata de algo que vai além da compreensão humana, vindo diretamente do Espírito Santo. Na verdade, essas supostas visões, revelações, profecias e interpretações divinas são, no geral, tão falsas e antibíblicas, que ficamos imaginando serem fruto da sua própria imaginação ou, pior ainda, do diabo. (Jr. 14.14; Ez. 13.1-8).

“Temos que deixar a nossa religiosidade no chão para sermos mais utilizados por Deus. Recebi isto por revelação divina: Deus me disse que hoje o Senhor permite que um homem tenha várias mulheres, desde que com isso sirva mais a Deus” (Jorge Tadeu, Revista Visão, nº 47, p. 58, 10/02/1994).

2.3 A MALDIÇÃO HEREDITÁRIA

“Os chamados ‘espíritos familiares’, ou maldições hereditárias, são uma terrível realidade. Mesmo após a conversão eles continuam atuando, pois Deus trata com nosso espírito primeiro” (Robson Rodovalho).

“Precisamos antes de tudo localizar a maldição ou maldições que têm acompanhado a nossa família desde os tetravôs. Isto não é difícil, basta fazer um levantamento de nossos ascendentes que já morreram e descendentes vivos e detectar se houve ou se está havendo uma incidência anormal, tal como doenças malignas; alcoolismo crônico, adultério; separação de casais e famílias; diabetes; leucemias; asma crônica; reumatismo e artrites; doenças nos ossos; pressão alta ou baixa; ataque repentino de ira, raiva, e violência; desonestidades nos negócios e em família; mentira; cataratas ou outros defeitos nos olhos; tara sexual ou anormalidade sexual”(Tomemos Posse, Autilino Batista de Souza, p. 33,34).

Resposta Apologética: Esse ensino declara insuficiente a obra de Cristo na vida das pessoas, ao afirmar que depois de salvo por Jesus, o cristão deve desenterrar o seu passado e o de seus familiares, para quebrar uma a uma todas as possíveis maldições que acometeram seus antepassados, e que ainda repousariam sobre ele, se não a libertação não será completa. Além de não ter base bíblica (2Co. 5.17), essa teologia defende um princípio quase reencarnacionista, estabelecendo um carma na vida da pessoa a partir de seus parentes. (Lições Bíblicas – Heresias e Modismos, 3o trimestre de 2006, p. 89).

III – HERESIAS DE PERDIÇÃO

3.1 A CRISTOLOGIA: Jesus Era Rico

“Jesus estava manuseando dinheiro grande, porque seu tesoureiro era um ladrão. Ora, não me venham dizer, que um ministério que se dá ao luxo de sustentar um tesoureiro ladrão, movimente apenas alguns centavos. Era preciso muito dinheiro para operar aquele ministério, a ponto de Judas se deixar subverter” (John Avanzini, citado em “Cristianismo em Crise”, p. 416, item 35).

“Jesus tinha uma ótima casa, uma casa grande – grande o bastante para que houvesse companhia à noite com ele na casa. Deixem-me mostrar a vocês a casa dele. Abram em João, no primeiro capítulo, e eu lhes mostrarei sua casa… Agora, filho de Deus, só uma casa grande o bastante podia permitir que algumas pessoas ali pernoitassem – esta era a sua casa” (John Avanzini, citado em “Cristianismo em Crise”, p. 416, item 39).

Resposta Apologética: A Teologia da Prosperidade estabeleceu uma ligação entre a fé em Deus e o sucesso financeiro. Entretanto:
Jesus e os discípulos viveram em relativa pobreza e evitaram o materialismo (2Co. 8.9).
Jesus tomou uma moeda emprestada para mostrar a efígie de César (Mt. 22.19-21).
Jesus não tinha onde reclinar a cabeça (Mt. 8.20).
Pedro podia dizer “não tenho ouro nem prata” (At. 3.6).
Paulo fala de si mesmo como pessoa pobre (2Co. 6.10).
A Igreja de Esmirna, a única que não foi reprovada por Jesus, vivia em pobreza (Ap. 3.9).

3.2 NEGAÇÃO DA DEIDADE ABSOLUTA DE JESUS

Kenneth Copeland disse que Jesus negou sua própria divindade:

“Não se perturbe quando as pessoas o acusarem de pensar que é Deus… Eles me crucificaram porque declarei ser Deus. Mas não declarei isso: apenas afirmei que andava com Ele e que Ele estava em mim. Aleluia. É isso que você está fazendo” (Os Fatos Sobre o Movimento da Fé, p. 43, Editora Chamada da Meia Noite).

Resposta Apologética: O Novo Testamento está cheio de declarações de Jesus dizendo que Ele era Deus, enquanto estava na terra: Jo. 5.18,23; 8.58; 10.30-33; 14.9; 20.28-29. Paulo também se referiu à deidade de Jesus (Cl. 2.9); João, o apóstolo também assim o fez (1Jo. 5.20).

3.3 A OBRA DA REDENÇÃO NÃO FOI CONCLUÍDA NA CRUZ

Pouco antes de morrer na cruz, Jesus gritou em triunfo “Está consumado” (Jo. 19.30). Ao longo de toda a sua história, a Igreja sempre entendeu que essas palavras significavam que a obra da redenção tinha sido completada na cruz. Entretanto, não é isso o que ensinam os ‘mestres da fé’. Diz o livro Seu Destino É o Trono, de Paul E. Billheimer, p. 73-74:

“Descida de Cristo ao Inferno

A vitória de Cristo não foi somente legal… Visto como Ele foi feito pecado, impregnado de pecado, e tornou-se a própria essência do pecado na cruz. Ele foi banido da presença de Deus como coisa abominável. Ele e o pecado tornaram-se sinônimos. …A justiça exigia que o castigo pleno pelos pecados de toda a humanidade fosse pago por alguém. Isto significava que não era suficiente que Cristo oferecesse somente Sua vida física na cruz. Seu espírito humano puro tinha de descer até às regiões inferiores da terra…

Seu espírito devia descer não somente ao inferno, mas ao mais inferior inferno…

O Pai transferiu para o Filho não somente a agonia da morte do Calvário, mas as torturas satânicas de Seu espírito puro, como parte do justo merecimento do castigo da raça toda. Enquanto era a ‘essência do pecado’, Ele estava à mercê de Satanás, naquele lugar de tormento onde afinal todos os pecadores impenitentes são aprisionados ao deixarem esta vida…

Nenhuma mente finita pode jamais apreender a profundeza da angústia que Cristo suportou durante aquela aparente eternidade no abismo inferior”.

Resposta Apologética: Numerosas passagens da Bíblia atestam que nossos pecados foram resolvidos mediante a oferta do corpo de Cristo na cruz (Hb. 10.10-12; Rm. 7.4; Cl. 1.22; 1Pe. 2.24). Por que a Bíblia dá tanta ênfase à morte física de Jesus, e por que Jesus nos recomendou relembrar o sacrifício que fez com seu próprio corpo e sangue (ambos essencialmente físicos), sem menção alguma a qualquer sacrifício espiritual? (Mt. 26.26-28; 1Co. 11.24-26). Em Jo. 19.30 Jesus disse “Está consumado!” Ele não disse “apenas começou!” O verbo grego ‘tetelestai’ significa ‘está pago’. A dívida foi paga inteiramente. Quando o véu do templo se rasgou de alto a baixo, o véu vedava aos homens o santuário terrestre de Deus, o Santo dos Santos, sua ruptura deu a entender que o acesso a Deus fora restaurado no precioso momento da morte física de Jesus (Mt. 15.38; Hb. 9.12-14; 10.19-22).

IV – DEUSES OU HOMENS?

Desde o alvorecer dos tempos, Satanás tem se desdobrado para apresentar a mentira que meros homens podem se tornar deuses. Seu atraente silvo “sereis como Deus” ouvido em Gn. 3.1-6, tem se repetido através dos séculos.

Jamais poderíamos imaginar que algum dia certas igrejas pentecostais viessem ensinar que os homens são deuses. Quando estudamos o Mormonismo, tomamos conhecimento de uma célebre frase de um dos seus líderes: “Como o homem é, Deus foi; como Deus é, o homem poderá vir a ser” (Regras de Fé, p. 389). Ora, combatemos os mórmons por seus ensinos heréticos, mas o ensino deles é que os homens se tornarão deuses.

Os ensinos heréticos dos teólogos da prosperidade é que hoje já somos deuses: “Você é tanto uma encarnação de Deus quanto Jesus Cristo o foi. Cada homem que nasceu de Deus é uma encarnação e o Cristianismo é um milagre. O crente é uma encarnação tanto quanto o foi Jesus de Nazaré” (Kenneth Hagin, Word of Faith, dezembro de 1980, p. 14).

“Cachorros geram cachorros, gatos geram gatos e Deus gera deuses” (Kenneth Copeland, citado no livro Supercrentes, p. 50, Editora Mundo Cristo, Paulo Romeiro).

“Você não tem um deus dentro de você. Você é um deus” (Kenneth Copeland, idem, idem, p. 50).

Resposta Apologética: Jesus ensinou a existência de um só Deus (Mc. 12.29). Isso é visto também no Antigo Testamento: Ex. 9.14; Dt. 6.4; Is. 43.10; 44.6. Embora sejamos filhos do Altíssimo, não o somos por natureza, mas sim por adoção (Gl. 4.5-8). Somente Cristo possui a natureza de Deus (Jo. 1.1-3,14,18; 5.16-18,23; Jo. 10.30-33).

Interpretando 2Pe. 1.4 – Participantes da Natureza Divina. O texto fala dos atributos comunicáveis de Deus, como se vê nos versos 5 a 11. Os cristãos passam por uma transformação moral de sua natureza, de uma que abandona as corrupções do mundo (v. 4), para outra que reflete o caráter de Deus. Embora tenhamos sido criados à imagem de Deus, não possuímos qualquer dos atributos intransferíveis ou incomunicáveis de Deus, tais como auto-existência, imutabilidade, eternidade, onipotência, onisciência, onipresença e soberania absoluta. A Bíblia declara que Deus não é homem: 23.19; Os. 11.9.

Não somos realmente uma encarnação de Deus como foi Jesus (Is. 7.14 comparado com Mt. 1.21-23; Jo. 1.1-3,14; Cl. 2.9). Se isso fosse verdade, então seria o caso de perguntar: Podemos perdoar os pecados dos homens? Jesus perdoou pecados (Mc. 2.5-7); Jesus foi adorado (Mt. 28.9,17) podemos ser adorados?

Não esqueçamos da atitude de Pedro ao entrar na casa de Cornélio (At. 10.25-26) rejeitando ser adorado como Deus.

Paulo e Barnabé foram ameaçados de morte por recusar qualquer tipo de adoração como se fossem deuses (At. 14.11-15).

Paulo declarou ser vaidade pretendermos ser deuses. Foi uma tentativa do diabo pretender ser igual a Deus (Is. 14.12-14; Ez. 28.17) e ele foi derrubado. Renovou sua tentativa de levar o homem a admitir que poderia ser igual a Deus no Éden (Gn. 3.1-6). Não deu certo (Rm. 5.12).

Pr. Natanael Rinaldi
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