quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Isolamento virtual

Uma das cenas mais comuns de hoje é de um grupo de amigos numa lanchonete, tendo cada um deles um celular e enviando mensagens para pessoas que encontram-se do outro lado do mundo. Alguém comentou que celular é uma forma de estar conectado com o mundo, mas não estar ligado a ninguém.
Um empresário do ramo de saúde de Anápolis foi a Goiânia para encontrar-se com o secretário de saúde do Estado, e assim que chegou ao seu escritório não conseguia conversar porque o celular tocava sem parar. Indiscretamente o empresário esperou o secretário terminar a conversa e ligou para seu número, ao ser atendido, surpreso, ele disse: “Se quiser, poderemos continuar conversando pelo celular”.

Numa recente reunião de planejamento que estava coordenando, percebi que todas as quatro pessoas estavam se comunicando pelo celular, e em tom de brincadeira perguntei se não seria melhor se todos nós entrássemos num chat de conversas para começar a reunião.

Os meios de comunicação podem distanciar casais, filhos e amigos. Não é surpreendente e até irônico pensar que um “meio de comunicação”, se transforme numa “barreira para a comunicação?” Todos vocês provavelmente já viram a fotografia de uma família na qual o marido, esposa e filhos estão, cada um, plugados no seu mundo particular sem qualquer contato com as pessoas que encontram-se ali na frente deles? Isto é isolamento virtual.

Certo pai me reclamou que seu filho não queria mais visitar os avós, depois de algum embate o filho confessou que não queria ir porque não tinham wifi em casa.

Estatisticamente, há uma quantidade imensa de adolescentes e jovens viciados em aplicativos e jogos, e que estão se tornando dependentes virtuais, consumindo muitas horas diárias, sem contato com o mundo externo nem dirigir palavra aos seus pais e familiares. O isolamento virtual pode se tornar um caso médico, exigindo atenção dos pais. Eventualmente pode gerar sérios problemas na comunicação de casais, acabando com o diálogo e o casamento. 

Outro fenômeno está acontecendo em nossos dias. Pessoas de meia idade e idosos dependentes dos meios de comunicação. Já viram aquele sessentão que fica todo tempo enviando mensagens pelo what´s up e Facebook? Parece que não fazem nada na vida, e enviam longos vídeos e fotos cansativas para nosso telefone, perguntando se nós vimos? Se fosse abrir todas os vídeos que enviam nos meus grupos familiares e de trabalho, não poderia fazer mais nada na vida...

Recentemente um adolescente conversava com um amigo meu e disse em tom de desalento: “Estou saindo do Facebook”. Ele perguntou: “O que aconteceu?” E ele disse: “Minha vó entrou...”

Rev. Samuel Vieira
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