quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Ponto cego

Quando recebemos aulas de direção, somos advertidos quanto ao “ponto cego” do carro. Existe um determinado ângulo no retrovisor que nos impede de ver o veículo ao lado, e uma manobra descuidada pode ser fatal, é o “canto cego”. Pessoalmente já me livrei de um acidente deste, por pura perícia do motorista do carro ao lado, já que, descuidadamente virei à direita sem perceber sua aproximação. Para evitar acidentes, recomenda-se que, além de olhar no retrovisor, é preciso virar a cabeça e dar uma rápida olhada para o lado.

O “ponto cego” aplica-se também à vida. 

Um garoto foi apanhado roubando o lápis de um colega da escola. O diretor levou isto a sério, chamou o pai para uma conversa e disse que a disciplina poderia ser suspensão ou expulsão da escola. O pai olhou bravo para o filho e perguntou: -“Por que você fez isto. Você sabia que não deveria ter roubado o lápis?”. E o garoto, encolhido se justificou: - “Porque os meus tinham acabado”, e então o pai lhe disse: - “Filho, porque você não me falou? Você poderia ter usado os lápis que eu pego no escritório”.

Percebem a lição? O filho estava sendo julgado por um comportamento que o pai praticava costumeiramente, sem perceber que era errado. Podemos facilmente repreender outros por atitudes que praticamos, e não necessariamente por hipocrisia (o que também pode acontecer), mas por causa destes lados obscuros da alma que não somos capazes de julgar corretamente.

A famosa Janela Johary fala que todos temos áreas escuras (que nem nós nem os outros percebemos); áreas escondidas (nós sabemos e os outros não); as áreas obscuras (não sabemos, os outros sim) e áreas iluminadas (nós e os outros temos consciência delas). Quando mais consciência tivermos, mais justos e íntegros seremos. 

Nem sempre o ponto cego é perceptível e isto pode causar muitas tragédias e dores. 

Jesus criticou a atitude dos “guias cegos”, que coavam o mosquito e engoliam o camelo, que se mostravam belos por fora, mas interiormente estavam cheios de ossos de mortos e de toda imundícia!

Há um provérbio japonês que diz: “O olho pode ver tudo, menos seus cílios”. A vida está cheia de pontos cegos, e muitas vezes somos incapazes de perceber o próprio erro, mas lamentavelmente continuamos julgando e criticando os outros.

Abraham Lincoln afirmou: “Antes de começar a criticar os defeitos dos outros, enumere ao menos dez dos teus. Para você que está chegando agora, criticando o que está feito, deveria estar aqui na hora de fazer. Não sejas um especialista em usar a crítica ao que está feito como pretexto para nada fazer. Assina, aquele que fez, quando no momento de fazer, não sabia-se como”.

Rev. Samuel Vieira
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