Massacre em Suzano: até onde jogos violentos podem influenciar a mente humana?

Semelhança entre assassino de Suzano  (direita) e personagem do jogo Free Fire  (esquerda) é notável. (Foto: Guiame) Autoridades ...

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

O Deus acessível

Todas as religiões possuem pressupostos sobre suas divindades e agem de acordo com a convicção que possuem delas, afinal, “os homens se parecem com seus deuses”.

Para algumas, Deus é misterioso, nebuloso, incompreensível, envolvido em mistérios, insondável. Trata-se de um ente diferente, distante, sublime, e muito difícil ser tocado. Animistas, religiões místicas e esotéricas, desenvolveram esta visão de Deus.

Para outras, Deus é enigmático, irreconhecível, inacessível, ainda que se comunique com os homens, não é possível elaborar qualquer concepção sobre ele, porque ele é o “numinoso” conforme Rudolf Otto em “The Idea of the Holy “(1917) e C. G. Jung que via o encontro com numinoso como uma característica de toda experiência religiosa. Bultmann falava do “inteiramente outro”.

Em outras religiões, Deus é uma extensão do eu. Nada mais que o interior absorvido e potencializado pela eternidade. Deus não é o “outro”, mas o “eu-estendido”, agindo na subjetividade. Assim afirma o budismo, uma religião com rituais mas sem uma concepção clara de Deus, nesta tradição não existe oração (dirigida ao Outro), mas contemplação (voltada para a interioridade), ainda que isto pareça estranho.

O islamismo desenvolve a ideia de um Deus forte, guerreiro, poderoso, conquistador e justo, que não suporta pecados e incoerências humanas, e pronto a punir os ímpios. “Allah é grande!” O “maktub”, pré-determinista e fatalista define um pouco desta divindade. O “jihad” é concebido como forma de julgamento dos fieis contra os ímpios, e a blasfêmia contra este deus é inaceitável e deve ser combatida com ira. Deus nunca é concebido como Pai, embora seja identificado como guerreiro.
Os judeus conceberam Deus como alguém assustador. Na entrega das tábuas da lei de Moisés, as pessoas precisaram ficar longe do Monte Sinai, pois quem se aproximasse, morreria. O templo e sua arquitetura revelam este distanciamento. Qualquer pessoa que não fosse judia e adentrasse o lugar dos santos, morreria; qualquer pessoa que fosse judia e decidisse entrar no santo dos santos, também morreria.

Quem poderia conceber um Deus acessível?

O Natal nos fala disto.
Jesus é Emanuel, que quer dizer “Deus conosco!”

O apóstolo João se maravilha ao descrevê-lo: “O que era deste o princípio, o que temos ouvido, o que temos visto com os nossos próprios olhos, o que contemplamos e as nossas mãos apalparam com respeito ao verbo da vida. E a vida se manifestou e nós a temos visto”(1 Jo 1.1).

Deus assume forma humana, no rosto de uma criança indefesa e frágil, que precisa cuidados de mãe e pai, o Deus eterno se torna carne. Plena humanidade. Não tinha apenas a “semelhança” humana, como queriam os docéticos, mas tinha na sua essência a humanidade, era 100% homem, suscetível a todas as necessidades humanas, sentia fome e frio, e tinha necessidades emocionais e fisiológicas.

Jesus chama a Deus de “Aba, Pai” no Getsêmani (Mc 14.36). “Aba” é uma expressão de ternura, usada afetivamente pelas crianças de colo ao chamarem o seu “paizinho” ou “papai”. Esta expressão segundo J. Jeremias não encontra analogia na literatura da época. Neste sentido, em nenhum texto do Antigo Testamento ou na literatura judaica, alguém se dirigiu a Deus como “Aba, Pai” (J. Jeremias, Teologia do Novo Testamento. São Paulo, Hagnos, 2008) p. 69

Aba, em sua origem é uma forma de balbucio de uma criança recém-desmamada e, para os judeus, certamente pareceria falta de respeito se dirigir a Deus como “Aba, Pai”.

Leonardo Boff, tecendo considerações sobre a humanidade de Cristo, afirmou: “alguém assim tão humano, só poderia ser Deus”. Natal aponta para um Deus transcendente, mas imanente, alguém sublime e majestoso, mas tangível. O profeta Isaias descreve Deus como alguém que habita num alto e sublime trono, mas também com o humilde e abatido de espírito. Deus é grande, intransponível, misteriosos, mas absolutamente acessível.

Em Jesus, vemos este Deus que se aproxima da raça humana, se deixa tocar, caminha nas estradas poeirentas da Galileia, absolutamente Deus, completamente humano. Cumpria-se assim a promessa do anjo Gabriel ao anunciar seu nascimento a Maria: “Ele será chamado Emanuel, que quer dizer: Deus conosco!”. 

É isto que os Evangelhos falam sobre o Natal!

Rev. Samuel Vieira

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Faça comentários produtivos no amor de Cristo com a finalidade de trazer o debate para achar a verdade. Evite palavras de baixo calão, fora do assunto ou meras propagandas de outros blogs ou sites.

Marcadores

REFLEXÕES NOTÍCIAS LIÇÕES BÍBLICAS VIDEOS ESCOLA DOMINICAL DEVOCIONAIS COMENTÁRIOS ESTUDOS SAMUEL VIEIRA VIDA CRISTÃ EVENTOS SERMÕES PASTORAIS SILAS MALAFAIA JOSÉ GONÇALVES 2º TRIMESTRE 2012 HERNANDES DIAS LOPES POLITICA ILUSTRAÇÕES ELINALDO RENOVATO FAMÍLIA SILAS DANIEL 4º TRIMESTRE 2012 ALEXANDRE COELHO ELIENAI CABRAL 1º TRIMESTRE 2013 2º TRIMESTRE 2013 3º TRIMESTRE 2014 EPÍSTOLA DE TIAGO EVANGELHOS 3º TRIMESTRE 2013 DILMA ROUSSEFF MENSAGENS APOLOGÉTICA APOSTOLO CASAMENTO EPÍSTOLAS 2º TRIMESTRE 2014 4º TRIMESTRE 2013 FOTOS 3º TRIMESTRE 2012 FILIPENSES PROFETAS 1º TRIMESTRE 2015 2º TRIMESTRE 2016 4º TRIMESTRE 2014 ADULTOS DANIEL DOUTOR OS DEZ MANDAMENTOS DONS ESPIRITUAIS LUCAS MANDAMENTOS ROMANOS 2º TRIMESTRE 2015 CPAD ESEQUIAS SOARES HOMOSSEXUALIDADE 1º TRIMESTRE 2014 3º TRIMESTRE 2015 AGENDA MARIO SALES ÊXODO ELIEZER DE LIRA E SILVA RENATO BROMOCHENKEL ANTÔNIO GILBERTO 4º TRIMESTRE 2015 CRIME JOVENS MARCOS POLICIA REFORMA SÉRIES CLAUDIONOR DE ANDRADE FÁBULAS VIOLÊNCIA AUGUSTUS NICODEMUS LOPES ECLESIASTES GENESIS SALMOS ADULTÉRIO AÉCIO NEVES CIRO SANCHES ZIBORDI MARINA SILVA NATAL 1º TRIMESTRE 2012 FORNICAÇÃO FÉ E OBRAS HERESIAS LUIS INÍCIO LULA DA SILVA MARCO FELICIANO PROVÉRBIOS REINALDO AZEVEDO ANO NOVO BRASIL DINHEIRO INVESTIGAÇÃO MYLES MUNROE NAMORO PRESBÍTERO PROSPERIDADE SANTIFICAÇÃO SERMÃO DO MONTE 4º TRIMESTRE 2011 COPA DO MUNDO ESCATOLOGIA GEREMIAS DO COUTO GLOBO MULHER NELSON NED NOVELAS PETROBRAS PETROLÃO PORNOGRAFIA SEXO DEPUTADOS DIÁCONO EDUCAÇÃO ENTREVISTA FESTA FILHOS LAVA JATO LIBERALISMO LIDERANÇA MAGNO MALTA. MARIA MARTA MARTINHO LUTERO OBREIROS ORAÇÃO PARÁBOLA PRESIDENTE SABEDORIA 1º TRIMESTRE 2016 1º TRIMESTRE 2018 ADORAÇÃO ATIVISMO ATOR C. H. BROWN CORRUPÇÃO CUBA DENZEL WASHINGTON DIVÓRCIO ELIAS FILMES GRATIDÃO ISRAEL JEAN WYLLYS MARCHA PARA JESUS NORBERT LIERTH OPERAÇÃO PREGADORES PROTESTO REYNALDO ODILO SACERDOTES SAMUEL F.M. COSTA SEXUALIDADE TEOLOGIA TRABALHO 3º TRIMESTRE 2016 4º TRIMESTRE 2008 4º TRIMESTRE 2016 4º TRIMESTRE 2018 ABEL AGIOTAGEM ALEGRIA AMIGOS AMIZADE AMY WINEHOUSE ANCIÃO ARROGÂNCIA BABILÔNIA BIBLIOLOGIA BISPO CAIM CALVÁRIO CHARLES HADDON SPURGEON CHARLES R. SWINDOLL CORDEIRO CRIANÇAS CRISTO CRITICAS CÓDIGO DA VINCI DESIGREJADOS ELIEZER RODRIGUES ENVELHECER EUNÁPOLIS EXPOSITIVO F FARSA FEMINISMO FERNANDO HENRIQUE CARDOSO GOMORRA HERRY POTTER HOMILÉTICA HUMILDADE INIMIGOS INIMIZADE JEJUM JOHN ANKERBERG JOHN WELDON JORDÃO JUSTOS LARRY WILSON LEIS LÍNGUA MAR VERMELHO MARCHISMO MARK BROWN MESTRE MOISÉS MUSICA NAMOROj NETO GUERRIERI OSTENTAÇÃO PASCOA PERDÃO PILATOS PREFEITOS PROVAÇÕES RELIGIÃO SALVAÇÃO SEGURANÇA SELEÇÃO BRASILEIRA SENADOR SODOMA TEMOR TEMPERAMENTOS TENTAÇÃO TESTEMUNHO VINDA DE CRISTO WARREN WIERSBE WILLIAM MACDONALD XUXA ÍMPIOS ÓDIO