segunda-feira, 9 de julho de 2018

Linguagem...

Numa recente viagem a Israel e Turquia, descobri que a barreira da língua faz pouca diferença quando se trata de amor e business. Quando há interesse em comunicar, seja qual for a língua, se este interesse é mútuo, as pessoas se farão entendidas.


Dois exemplos ilustram meu ponto.

Em Israel, um grupo se dirigiu a uma loja na qual os vendedores não falavam português nem inglês, apenas hebraico. Havia determinados produtos interessantes mas não havia preço, e aparentemente ninguém poderia vender ou comprar. De repente, uma jovem saca seu google translator do celular, e as pessoas começaram a ter as informações necessárias para a transação. Em todos os lugares que fomos, quando o desejo de negociar estava presente, logo se descobria uma forma de se entender. Portanto, quando há interesse financeiro, a barreira da linguagem pode ser facilmente vencida.

Num segundo momento, encontramos Iuni, um padeiro trabalhando num dos hotéis em que ficamos hospedados em Ismir (Turquia), e ele ficou empolgado e simpático ao saber que se tratava de um grupo de brasileiros. Ele conheceu uma brasileira pelas redes sociais, começou a se comunicar com ela pela internet, namoraram, estão noivos e devem se casar em Outubro. Ele deve se mudar para o Brasil, onde pretende abrir um restaurante em Belém-PA. O detalhe curioso é que ele não fala nada em português, e ela não fala inglês nem o turco, a língua oficial da Turquia. Então, como é possível se comunicar, ainda mais pela internet?

O ponto é: quando se ama, a linguagem é um problema menor. Saint Exupery, famoso por escrever O Pequeno Príncipe, afirma que “a linguagem é uma fonte de mal entendidos”. Podemos falar a mesma língua, mas a nossa comunicação ser pobre e até agressiva, não há garantia alguma que por termos a mesma linguagem seremos capazes de sermos entendidos pelo outro.

O relato de Babel, logo nos primórdios bíblicos, revela como isto é verdade. O texto se inicia assim: “Ora, em toda a terra havia apenas uma linguagem e uma só maneira de falar”. Portanto, infere-se que uma boa comunicação e compreensão seriam fáceis, mas não é o que acontece. Logo vemos que não conseguiram mais se entender, entraram em grave conflito e foram se espalhando e distanciando uns dos outros. Mesma linguagem, completo distanciamento.

A língua não é o evento mais importante quando o assunto é comunicação. O amor e o interesse mútuo podem ser mais eficientes que a mesma língua. Basta considerar que em nossos lares, falamos a mesma língua, mas muitas vezes não entendemos nada do que o outro está falando e criamos um muro na nossa comunicação. O amor pode ser mais eficiente que a linguagem.

Rev. Samuel Vieira
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