sábado, 16 de março de 2013

Pr. Geremias do Couto comenta sobre "Marco Feliciano e a Comissão de Direitos Humanos"

O PT preparou a armadilha. Os "ingênuos" caíram nela. Agora, pagamos o preço. É assim que percebo o imbróglio que envolve a eleição do Deputado Federal Marco Feliciano para a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. Mas para tornar claro o ponto, preciso retroceder às eleições presidenciais em 2010.


Muitos devem lembrar-se que Dilma Rousseff só não ganhou no primeiro turno em virtude de seus posicionamentos anteriores em defesa do aborto, do casamento entre pessoas do mesmo sexo e de seu agnosticismo, direito este, aliás, que não nos cabe questionar, pois fé é uma questão pessoal. A campanha contra ela tomou as ruas, com o aval do bispo de Guarulhos, SP, e de segmentos evangélicos que compreendem tais questões como princípios invioláveis, entre os quais me incluo.

É tanto que Dilma Rousseff teve de "reorientar" as suas convicções religiosas, para o segundo turno, ao declarar-se católica e temente a Deus, chegando mesmo a participar de uma missa e a persignar-se no Santuário de Aparecida, de forma atrapalhada, segundo os que entendem do assunto. Em relação aos evangélicos, reuniu-se com cerca de 51 líderes para afirmar que a discussão das questões acima mencionadas ficariam restritas ao Congresso Nacional e divulgou posteriormente uma carta aos evangélicos em que alinhava os seus compromissos, os quais desconstruí um por um neste blog 

Enquanto isso, o PNDH 3, tal qual o jabuti na árvore, continuava a avançar nas áreas técnicas do governo. Mas os "ingênuos" acreditaram nas promessas. Até o Deputado Federal Marco Feliciano aliou-se em defesa da eleição de Dilma, escrevendo-lhe uma carta de apoio, onde tentou pôr na conta do PSDB a transformação de igrejas em associações, algo que jamais correspondeu aos fatos, que tive também de desmentir neste blog. Dilma ganhou a eleição. Mas o PNDH 3 continua lá.

Aqui chegamos à situação em que estamos hoje. Faltam dois anos para as próximas eleições presidenciais. A meu ver, o PT abriu mão da CDH para dar um discurso de tolerância ao partido e permitir que Dilma possa dizer que cumpriu o seu acordo com os evangélicos. Afinal, a maioria de seus membros pertence à fé evangélica. Os "supostos" defensores dos direitos humanos estão em minoria. A grita que fizeram talvez até já estivesse ensaiada. O que eles não contavam, provavelmente, é que ela se espalhasse pelo país e tomasse a proporção que tomou.

O fato é que Marco Feliciano continua na presidência da CDH e não acredito que saia de lá. A única coisa que precisa ficar bem esclarecida é que esse é um acordo estritamente partidário, sem qualquer aliança com as igrejas evangélicas, representadas pelos respectivos concílios e convenções, embora algumas entidades paraeclesiásticas progressistas tenham também assumido para si a campanha de tentar defenestrá-lo da posição. Vale ressaltar, no entanto, que as decisões no âmbito da Câmara dos Deputados se regem por normas regimentais e pelos acordos partidários, onde as questões religiosas não entram em jogo. Seria um ato antidemocrático e intolerante se as pressões dos grupos "gaysistas" prevalecessem para impedir que Marco Feliciano assumisse a presidência por ser pastor e defender posições contrárias. Afinal, qualquer parlamento representa a média do pensamento do país. Não se deve também deixar de levar em conta que o Deputado foi legitimamente eleito por cerca 210 mil votos.

Creio que o episódio precisa ficar restrito ao campo político, sem transbordar para outras áreas. Protestos fazem parte do jogo democrático. Dentro dos limites da lei, é óbvio. Todavia, quando grupos organizados vão promover suas algazarras na frente dos templos onde o pastor Marco Feliciano faz as suas pregações, isto não só ultrapassa os limites do bom senso, como interfere de forma ilegal no princípio da inviolabilidade de culto. É um ato ilegal que precisa ser punido com o rigor da lei. Cabe, por outro lado, o mesmo princípio para muitos de nós que, sob o pretexto de evangelizar, invadimos espaços de outras fés religiosas e não queremos ser cobrados pela mesma violação. Acho, também, que quanto mais entramos em discussões acaloradas com os grupos "gaysistas", mais damos a eles os espaços que querem para aparecer. Sou de opinião que o melhor é defendermos o que cremos e, ao mesmo tempo, ignorá-los.

Com isso, quero dizer que a decisão tem de ser discutida no âmbito em que ela foi tomada e não trazida para o terreno da fé, com o intuito de produzir uma guerra religiosa, o que mais querem os radicais do autoritarismo esquerdista para apimentar o seu discurso em favor da restrição da liberdade. Sei que o pastor Marco Feliciano, desde a eleição de Dilma Rousseff, tem sido mestre em frases desastradas. Uma de suas pérolas foi esta: "Nesse regime não vai ter assassinato de criança [em referência ao aborto], não vai ter maldades nesse regime (sic). Vou repetir o que os petistas me disseram: 'vamos primar pelos costumes cristãos deste país. O Brasil continuará cristão." É muita "ingenuidade" numa pessoa só! Mas a sua escolha para a presidência da CDH é unicamente da alçada de seu partido e dos demais que concordaram com todos os procedimentos, inclusive o PT, pelo que, a meu ver, são as razões de fundo já descritas acima. Quanto as posições que ele e outros parlamentares evangélicos defendem, no campo dos valores morais, são também as minhas. Mas soa contraditório para esses mesmos parlamentares estarem com um pé numa canoa e o outro noutra. No fundo, o PT os deixou numa saia justa.

Espero, por fim, que esse episódio tenha servido de lição para o Deputado Federal Marco Feliciano, no sentido de que ele ouça mais e fale menos, principalmente quanto as inconsistências que têm permeado os seus discursos. Tudo na vida tem sentido pedagógico. Basta queremos aprender. Só não podemos deixar que a armadilha do PT prospere para as próximas eleições presidenciais.

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