quinta-feira, 6 de junho de 2013

Lição 10 - A Necessidade e a Urgência do Culto Doméstico I - O Valor do Culto Doméstico

“Ponde, pois, estas minhas palavras no vosso coração e na vossa alma, e atai-as por sinal na vossa mão, para que estejam por testeiras entre os vossos olhos, e ensinai-as a vossos filhos, falando delas assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te” (Dt 11.18,19). O que está faltando, na maioria dos lares cristãos, é espaço para a família adorar a Deus. Essa adoração se dá através do culto doméstico. Todavia, essa prática tem sido negligenciada. Na maioria dos lares cristãos, não se faz o culto doméstico. Milhões de crentes deixam de ir ao culto nas igrejas para ficar em casa, assistindo a uma programação que nada tem de edificante para as vidas de servos de Deus (1 Co 6.12; 10.23).

A família cristã precisa ter em mente que há um plano diabólico para destruir suas bases e levá-la à queda espiritual e moral. Não há outra forma de fazer face a esse ataque mortal, se não for através da busca da presença de Deus no lar. O culto doméstico propicia os momentos diários para o fortalecimento do lar, por meio da oração, da leitura da Bíblia, “a espada do Espírito”, e do louvor a Deus, no meio do qual Ele se faz presente.

Sabemos que neste século XXI, quando o materialismo avassala as mentes; quando crianças, nas escolas, são bombardeadas com os ensinos que eliminam Deus da origem do universo e do homem; crianças e adolescentes são estimuladas à prática do sexo precoce, e o homossexualismo é impingido como prática normal e saudável; se os pais não despertarem para a adoração a Deus, no lar, será impossível evitar a derrocada da família. Inclusive da família cristã. Ocorrerá o que aconteceu na Europa, que um dia foi berço de grandes avivamentos.

Hoje, com algumas exceções, há igrejas vazias, pelo afastamento de crianças e jovens; lares destruídos pelo ateísmo e pelo demonismo, pela ausência de Deus. O estrago por anos a fio de desprezo à educação cristã nos lares não será reparado. Mas ainda há tempo para salvar alguns (1 Co 9.22). Se houver conscientização por parte dos pais cristãos, que considerem os filhos como "... herança do Senhor, e o fruto do ventre, o seu galardão” (SI 127.3), haverá motivação para restaurar ou implantar o culto doméstico.

I - O SIGNIFICADO DO CULTO DOMÉSTICO

Como o nome sugere, o culto doméstico é uma reunião da família, sob a liderança dos pais cristãos, com a finalidade de cultuar a Deus no lar. Sua realização tem sólido fundamento bíblico, como será observado neste estudo. O culto doméstico é tão importante que Satanás tem tido especial cuidado para desestimular sua realização em mais de 90% dos lares cristãos.

O resultado da ausência da adoração nos lares, diariamente, é causa para a maioria dos problemas que os casais e as famílias cristãs enfrentam nestes “tempos trabalhosos”, previstos na Palavra de Deus. Que o Senhor Jesus desperte os pais cristãos para tomarem a decisão sábia e firme de desenvolver esse trabalho, que é simples, mas de grande efeito sobre a formação espiritual, moral e social da família cristã.

II - O CULTO DOMÉSTICO NO ANTIGO TESTAMENTO

1. No primeiro lar, Deus estava presente

Talvez não se tenha dado muita importância ao que ocorreu no Éden, no primeiro lar do ser humano, depois que ele foi criado por Deus. Era um ambiente perfeito, sem doenças, sem violência, sem qualquer coisa que abalasse a estabilidade e a segurança dos seus habitantes. Mas o que era mais importante, ali, era a presença de Deus junto ao casal.

No Éden, começou o culto doméstico. Não é força de expressão ou apenas uma linguagem metafórica. Os seres criados podiam não apenas crer, mas ver e ouvir ao próprio Criador. Em atitude de reverência e adoração, ouviam a voz de Deus, que os visitava (Gn 3.8).

Ali, havia um maravilhoso culto doméstico, dirigido pelo próprio Deus! E, se não fosse a desobediência, não só o Éden, mas toda a terra seria um ambiente de adoração ao Criador. Enquanto Adão e Eva permaneceram naquele estado santo, diante de Deus, só havia bênçãos. Aquele culto doméstico foi prejudicado, quando desobedeceram à voz do Senhor, e ouviram a voz do tentador. Deus não mais se fez presente ali. O culto doméstico deixou de ser realizado no Jardim, Satanás prevaleceu.

Hoje, acontece a mesma coisa. Quando os pais de família, os líderes e sacerdotes do lar, deixam de obedecer ao Senhor, todos são prejudicados. A primeira coisa que acontece é a ausência de Deus no lar. E quando Deus não está num lar, coisas terríveis acontecem. O Diabo, o adversário da família, promove a desarmonia, a falta de paz, a falta de amor; assim a desunião, a desconfiança, o ciúme e as contendas têm lugar.

2. A adoração na família era valorizada

O povo de Israel estava prestes a entrar na terra de Canaã, 40 anos depois da saída do Egito. O líder Moisés precisava dar as orientações indispensáveis sobre como se comportar no destino de sua grande jornada. O deserto serviu de campo de experiências marcantes com Deus. A passagem do mar Vermelho; a água tirada da rocha; o pão enviado por Deus; os livramentos extraordinários, e as vitórias sobre os inimigos, tudo isso só teria sentido se o povo continuasse a servir ao Senhor com fidelidade.

A multidão que sobreviveu ao deserto estava às portas de Canaã. Achavam-se acampados na terra de Moabe, na parte oriental ao Jordão e ao mar Morto. Moisés reuniu-os e lhes fez saber a vontade de Deus, através da sua Lei, dos seus estatutos e juízos (Lv 19.37). Sem isso, jamais poderiam ser um povo abençoado.

Havia uma verdadeira preocupação em integrar a família na adoração a Deus, em todas as gerações. Havia clima espiritual e emocional para o culto doméstico. As palavras que receberam do Senhor deveriam ser ensinadas às gerações da atualidade e também “aos filhos de teus filhos”, às gerações futuras. Lamentavelmente, nos dias presentes, não se vê essa determinação nas famílias atuais, mesmo no meio dos cristãos. Falta uma cultura de adoração a Deus no lar. Parece que o comodismo e o individualismo levaram as famílias a só irem às igrejas (aos templos) aos domingos ou em eventos considerados importantes, como congressos e festas anuais, de fim de Natal ou de Ano Novo. Depois, a rotina toma conta das famílias, sem incluir, em sua programação, a realização do culto doméstico.

3. A adoração e amor ao único Deus verdadeiro

Os ensinos transmitidos por Moisés aos israelitas tinham grande significado para a família.

a) A família precisa saber que Deus é o “único Senhor” (Dt 6.4). O povo de Israel iria habitar numa terra, onde as nações, ao longo dos séculos, eram politeístas. Adoravam imagens de escultura, adoravam “ao pau e a pedra”, aos animais e às forças da natureza, em sua ignorância espiritual. E os povo de Deus tinha que ter consciência de que só existe um Deus, o único Deus, Criador dos céus, da terra, do homem e de todas as coisas. E que esse Deus é o único Senhor, a quem deveriam reverenciar e adorar.

No culto doméstico, hoje, os pais precisam enfatizar essa verdade. A Nova Era, uma mistura de religião, filosofias, ocultismos e misticismos, tem tido êxito em influenciar muitos jovens e adolescentes, com suas invencionices, do tipo tarô, pirâmides, avatares, e uma gama enorme de elementos esoteristas. A família cristã precisa ser “vacinada” contra essa onda de espiritualismo herético.

b) A família precisa saber que Deus deve ser amado com todo o ser (Dt 6.5). Essa foi uma das maiores lições que Deus deu ao povo de Israel. Ao longo da caminhada, gerações inteiras esqueciam-se de amar a Deus. Dos que saíram do Egito, todos os homens de guerra pereceram, exceto Josué e Calebe. Por que? A maioria pereceu por causa da murmuração contra Deus e contra a liderança por ele estabelecida, como na rebelião de Coré, Data e Abirã (Nm 16.33).

Não será o que falta, hoje, no meio de grande parte das famílias cristãs? No Brasil, os evangélicos tiveram um crescimento extraordinário, nos últimos anos, segundo o IBGE. Mas grande parte desse crescimento não é acompanhado de crescimento qualitativo. E comum famílias inteiras não realizarem qualquer tipo de atividade devocional em seu lar. Amar a Deus de todo o coração requer devoção sincera, que parte do íntimo do ser. Amar a Deus de toda a alma e de todo o poder exige sentimentos santos de reverência e de práticas devocionais, no dia a dia das pessoas. Não se pode dizer que uma família ama a Deus de todo o coração, se seus integrantes, mesmo sem motivo que justifique, como trabalho ou estudos, só vai à igreja local, para adorar a Deus, em fins de semana, ou se sobrar tempo para isso.

4. A ordenança do culto doméstico

No Antigo Testamento, o povo de Israel estava passando por uma experiência de aprendizado, no que concernia ao seu desenvolvimento espiritual. Depois de tantos desvios e desacertos, a pedagogia de Deus teve que ser muito rígida. O cativeiro egípcio ensinara ao povo que a desobediência tem um alto preço a pagar. O Êxodo, através do deserto abrasador, onde a sobrevivência de quase três milhões de pessoas era um risco tremendo, deu ao povo oportunidade de conhecer o poder de Deus em suas vidas. Mas, mesmo assim, com tantos sinais e maravilhas, jamais imaginadas, na vida de um povo, os hebreus costumavam a esquecer-se de Deus, quando as circunstâncias adversas eram superadas. Dessa forma, Deus determinou que as famílias deveriam adorá-lo, não apenas diante do Tabernáculo, mas o culto a Deus deveria começar nos lares. De modo solene, a Bíblia registra a ordenança para a realização do culto doméstico, no livro de Deuteronômio.

Os pais devem ter a Palavra no coração

A Bíblia destaca o valor da palavra arraigada e internalizada no coração (Pv 4.20-23). Se os pais guardam a palavra podem ensiná-la a seus filhos. Ela deve ser o centro de referência para os pais, que a guardam “no meio do... coração”.

As palavras sagradas têm um efeito extraordinário na formação do caráter dos filhos. O escritor diz que elas “são vida para os que as acham e saúde para o seu corpo”. Ou seja, quando o crente guarda a palavra e a pratica, ela é fonte de vida espiritual, e, em consequência, produz equilíbrio emocional, que resulta em saúde para o corpo físico (Hb 4.12).

Esse versículo tem profundo sentido espiritual, com reflexos sobre a saúde emocional e física. Demonstra o poder terapêutico da palavra de Deus, penetrando no íntimo do ser humano, a ponto de produzir efeitos até “nas juntas e medulas”. O coração é o centro dos pensamentos e das intenções humanas. Jesus disse que “A boca fala do que o coração está cheio (Lc 6.45). Por que os filhos de cristãos, em grande parte, só falam em personagens de filmes, de jogos, de novelas e de realities shows? Porque o coração de muitos está cheio dessas coisas inúteis e de nenhuma edificação. Muitos têm o coração vazio da Palavra de Deus.

Os pais devem ensinar a Palavra em seu lar

Esse ensino deve ser ministrado de modo persuasivo, com muita sabedoria. Os pais devem ser os sacerdotes no lar. E precisam ter autoridade espiritual para dizerem aos filhos que a palavra de Deus é a Lei do Senhor, e que a ela devemos submeter-nos. Se fizerem isso, apenas quando os filhos forem adolescentes ou jovens, certamente terão muita dificuldade para se fazerem ouvir. Mas, se o ensino da palavra de Deus começar na infância, os resultados poderão permanecer por toda a vida (Pv 22.6).

Os pais devem ter a Palavra de Deus nas mãos

“Também as atarás por sinal na tua mão, e te serão por testeiras entre os teus olhos” (Dt 6.8). Os judeus usavam os filactérios (Tefilin) na testa, entre os olhos, para lembrar sempre da Lei do Senhor. Todavia, não precisamos agir assim; ter a palavra de Deus nas mãos pode-se entender como sendo figura das ações dos pais, como exemplo para seus filhos. Ê com as mãos que fazemos a maior parte das coisas. É figura das ações, das atitudes e das práticas diárias dos pais. Os filhos precisam olhar para as mãos dos seus pais, e saberem que são mãos “santas, em ira nem contenda” (1 Tm 2.8). São mãos que glorificam a Deus, que não se envolvem com coisas injustas ou desonrosas. As mãos devem ser usadas de acordo com a Palavra de Deus todos os dias; o toque das mãos pode conduzir bênçãos com a palavra. Jacó abençoou os netos, tocando neles (Gn 48.8-10;13-16).

Os pais devem apresentar a Palavra de Deus no seu lar

“E as escreverás nos umbrais de tua casa e nas tuas portas” (Dt 6.9). Literalmente, os pais deveriam transcrever trechos da Lei, nos umbrais das portas de suas casas, a fim de que seus filhos sempre tivessem em mente os preceitos sagrados e o dever de cumpri-los para serem abençoados em sua vida. Entre os 10 mandamentos, o de honrar pai e mãe estava destacado: “Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor, teu Deus, te dá” (Ex 20.12). Se os pais não ensinassem aos filhos esse dever, facilmente esqueceriam de preservá-lo.

O que acontece hoje? A maioria dos pais cristãos não ensina a palavra de Deus no lar. Mas os filhos estão diariamente, durante os sete dias da semanas, “plugados” na internet, ou diante da TV, assistindo à programação secular. O que eles lembrarão mais? Os ensinos bíblicos, que recebem uma vez por semana, na EBD (quando vão), ou os ensinos dos personagens que aparecem nas novelas, nos desenhos animados e nos programas humorísticos? A resposta é simples. O que mais enche suas mentes são as imagens multicoloridas dos programas televisivos ou dos sites da rede mundial de computadores.

No tempo de Moisés, no Antigo Testamento, palavra de Deus, ou a sua Lei, tinha que ser ensinada aos filhos, a começar do lar, e não do Tabernáculo. Depois, surgiram as sinagogas, que eram verdadeiras escolas de ensino doutrinário, mas a educação no lar continuava a ser a principal referência na vida e na conduta dos israelitas.

III - O CULTO DOMÉSTICO NO NOVO TESTAMENTO

No Novo Testamento, não é menor a valorização do culto em família. Talvez não apareçam tantas referências, no texto bíblico neotestamentário, pelo fato de não relatar eventos de um sistema religioso baseado na Teocracia, como no Antigo Testamento, em que tudo na vida social e moral tinha como centro de referência o lugar de adoração a Deus. Mas o sentido e a essência da adoração verdadeira, no Novo Testamento, deixaram para trás as tradições e o ritualismo, e se fundamentaram na adoração de natureza eminentemente espiritual. Jesus resumiu o significado da adoração que ele ensinou: “Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade, porque o Pai procura a tais que assim o adorem” (Jo 4.34). Os pais de Jesus tiveram educação espiritual de valor elevado.

1. A criação de Jesus revela um lar piedoso

Não resta a menor dúvida de que o casal José e Maria cultivava a adoração a Deus em seu lar. José, pai adotivo de Jesus, e sua mãe, Maria, tinham o extremo cuidado para com seu filho primogênito. Desde o seu nascimento, nos primeiros dias de vida, já cumpriram a ordenança da lei para a apresentação da criança no templo (Lc 2.21-24).

Em sua primeira infância, Jesus demonstrava que tinha uma excelente formação espiritual, resultante do cuidado e zelo de seus pais: “E o menino crescia e se fortalecia em espírito, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele” (Lc 2.40). Em sua pré-adolescência, já sabia de cor a Torah, ou Lei do Senhor, a ponto de confundir os doutores, no templo (Lc 2.46,47). Sua origem era divina, mas sua educação foi humana, criado num lar humilde, mas seus pais eram zelosos cumpridores da palavra de Deus.

2. A família de Timóteo

Timóteo era um jovem obreiro, discípulo do apóstolo Paulo, ganho para Jesus através da pregação do apóstolo. Em sua segunda carta, Paulo fala da lembrança pelo jovem, e diz que ora por ele, trazendo à memória a fé não fingida que em ti há, a qual habitou primeiro em tua avó Lóide e em tua mãe Eunice, e estou certo de que também habita em ti. Por este motivo, te lembro que despertes o dom de Deus, que existe em ti pela imposição das minhas mãos” (2 Tm 1.5,6).

Nesse texto, vemos três gerações sucessivas, que tiveram a benéfica e marcante influência do culto doméstico. Lóide, avó do discípulo soube educar muito bem sua mãe, Eunice, nos caminhos do Senhor. Eunice, por sua vez, não deixou que a educação do filho sofresse as influências do materialismo e da filosofia que predominava em sua época. Mais adiante, na epístola, Paulo reforça o valor da educação cristã de Timóteo, desde a sua infância. Se Timóteo não tivesse participado do culto em seu lar, certamente não teria ouvido do seu pastor referência tão expressiva acerca de sua formação espiritual. Ao que tudo indica, o pai de Timóteo não era cristão, “pois sua fé não é mencionada”. 1 Mas a avó e a mãe dele eram mulheres sábias que souberam edificar a sua casa (Pv 14.1). Felizes os lares que têm mulheres com essas características, verdadeiras líderes espirituais, que têm capacidade para influenciar gerações.

Diz Paulo a Timóteo: “Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o tens aprendido. E que, desde a tua meninice, sabes as sagradas letras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus. Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça, para que o homem de Deus seja perfeito e perfeita 1 French L. ARRINGTON e Roger STRONSTAD. Comentário bíblico Pentecostal - Novo Testamento, p. 1487. mente instruído para toda boa obra” (2 Tm 3.14-17 — grifo nosso). O apóstolo ressalva que a Escritura tem efeito marcante na formação de uma pessoa, para que “o homem de Deus”, que tem essa instrução, seja “perfeitamente instruído para toda boa obra”. Era isso que Paulo desejava ver em Timóteo.

Que Deus nos ajude a ver a educação cristã começar nos lares, no culto em família, e seja fortalecida na igreja local, através do ensino, na ED, nos cultos de doutrina; que a igreja seja a continuação do lar; e o lar o reflexo da igreja; que os pais não esperem da igreja a total formação espiritual de seus filhos. A semana tem 164 horas. Apenas umas 04 a 06 horas os filhos estão na igreja local (quando vão, a maioria só vai aos domingos...). Só com a realização do culto doméstico é possível evitar a terrível e avassaladora influência maligna da educação materialista que predomina na escola; e formar uma barreira espiritual contra a deseducação degradante e alienante, transmitida pelos meios de comunicação, especialmente a TV e a Internet mal utilizadas.

IV - COMO REALIZAR O CULTO DOMÉSTICO

1. Providências preliminares

Se a família já realiza o culto doméstico, não há necessidade de considerar este item. Mas, se não tem o costume de fazê-lo, é importante anotar alguns fatores a serem levados em conta. Não deve impor à família a realização desse importante trabalho de ordem espiritual.

a) Conscientização. Antes de tudo, é necessário e desejável que os pais conversem com os filhos, principalmente se já são adolescentes e jovens, mostrando que a partir de determinado momento, os pais desejam que todos se reúnam para o culto doméstico. Se os filhos são crianças, os pais devem mostrar sua autoridade com amor, chamando-os para a reunião em família. Neste caso, o programa do culto precisa ser ameno, agradável e atraente para as crianças. Os pais devem chamar a atenção dos filhos para os perigos que rondam seu lar, em todos os momentos. Diz a Bíblia: “Sede sóbrios, vigiai, porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar” (1 Pe 5.8). Esse bramido diabólico é mais forte e mais sorrateiro hoje do que nunca.

b) Superar os obstáculos ao culto doméstico. Os desencontros de horários da família têm servido para dificultar a realização do culto doméstico. A vida moderna tem levado a família a viver dispersa, mesmo durante o dia. Pais trabalham em horários diferentes; filhos estudam em horários diferentes, em escolas distantes, muitas vezes. Isso faz parte da vida agitada dos últimos tempos. Os filhos à “roda da mesa”, como diz o Salmo 128.3 torna-se cada vez mais difícil. Mas esse é apenas um desafio que precisa ser encarado e vencido com sabedoria, determinação e com a graça de Deus.

Se possível, é desejável que toda a família esteja reunida, em volta da mesa, ou na sala de visitas, de maneira informal mas reverente. Porém, se todos não puderem reunir-se, por motivo de trabalho ou de estudo, os pais devem combinar a escolha de um horário em que pelo menos a maior parte dos familiares esteja presente ao culto doméstico. Outro obstáculo é o cansaço das atividades diárias. Mas tudo deve ser feito para que o lar tenha o momento de adoração a Deus. O maior obstáculo, no entanto, é a pouca importância que se dá ao culto doméstico. As novelas, os filmes, os esportes e outros programas de TV têm mais valor para muitos cristãos. Filhos passam horas a fio nas redes sociais, e não falta tempo para isso. M as para a adoração a Deus há muitas desculpas. Um dia, poderemos ser questionados por Deus.

Os obstáculos dificultam, mas não devem ser usados como desculpas para a não realização do culto doméstico. Os obstáculos podem ser vencidos com o Poder do Espírito Santo e o esforço de todos, principalmente dos líderes do lar (Pai e mãe). Há tempo para todo propósito (Ec 3.1); Podemos tudo naquele que nos fortalece (Fp 4.13). O inimigo do lar pode agir com base nas desculpas. É necessário colocar o culto doméstico como prioridade. Só traz benefícios e bênçãos para toda a família.

c) Definir o horário do culto. A duração do culto não deve passar de quinze a vinte minutos para não se tornar reunião cansativa, e não haver desculpas de que o culto atrapalha os deveres escolares, as atividades dos pais, etc. Essa é uma definição importante.

d) Não impor o culto aos que não são crentes. Há casos em que parte da família não é cristã. Ou há pessoas afastadas da igreja. Se só os pais são cristãos, eles devem tomar a decisão de fazer o culto sozinhos, orando pelos filhos para que eles se voltem para Deus. Se só um membro da família é crente em Jesus, ainda assim pode ter seu momento devocional a sós com Deus, no seu quarto, ou em ambiente em que não seja per-turbado. Uma irmã idosa, serva de Deus, disse, num seminário: “Pastor, ninguém lá em casa é crente. Mas eu não faço o culto sozinha”. Indagamos como ela fazia. E respondeu: “Eu faço com mais três pessoas: O Pai, o Filho e o Espírito Santo”. Todos acharam interessante a colocação descontraída mas sincera daquela querida irmã. Ela não se acomodou com o fato de ter que adorar a Deus em seu lar, sem o apoio e a companhia dos familiares. Um belo exemplo para quem quer dar desculpas para não fazer o culto doméstico.

e) Preparo de materiais para o culto doméstico. Devem ser providenciadas Harpas Cristãs, cadernos de corinhos, e, de modo indispensável, Bíblias para todos os membros da família. Na hora do culto, é interessante desligar os telefones, ou coloca-los em modo silencioso, de modo que não haja interrupção daqueles preciosos momentos de adoração a Deus no lar. Não se deixa o telefone ligado numa sala de aula, numa reunião com autoridades. No culto doméstico, estamos diante do Rei dos Reis e Senhor dos Senhores.

2. O roteiro do culto doméstico

Não há um roteiro único. O programa simples do culto doméstico pode variar conforme a realidade da família. Sugerimos a seguir um roteiro básico, que sempre foi usado em nossa família, e nos trouxe ótimos resultados. Hoje, pela graça e misericórdia de Deus, podemos dizer: “eu e minha casa servimos ao Senhor”.

a) Cânticos. Os pais devem providenciar um hinário, a Harpa Cristã, ou um caderno de corinhos, que sejam bem apreciados pela família. De preferência, cânticos que não sejam muito longos, tendo em vista o pequeno período do culto. Podem ser entoados um ou mais cânticos, com equilíbrio, para não ultrapassar o horário do culto.

b) Leitura bíblica. Este é um momento especial. O pai ou a mãe, se for líder da família, escolhe um trecho da Bíblia que seja propício para a edificação dos filhos. Um salmo, um trecho de Provérbios; uma parábola de Jesus ou outro texto bíblico que não seja longo. A leitura deve ser realizada, de preferência por todos os membros da família, cada um lendo um versículo, alternadamente. Esse tipo de leitura dá oportunidade de unir todos em torno da palavra de Deus. E ocasião propícia para os pais incentivarem a leitura de toda a Bíblia, a partir deles e incentivarem os filhos que sabem ler a fazê-lo. Os benefícios serão eternos.

c) Comentário bíblico. O pai ou a mãe, conforme o caso, poderá fazer um comentário rápido e significativo, enfatizando aspectos do texto, e aplicando-os à vida da família; pode, também, usar o método ,mais informal do diálogo, fazendo uma ou mais perguntas sobre o que chamou a atenção dos filhos no texto lido. Há surpresas interessantes, nas respostas dadas. Nas ocasiões especiais, do programa da igreja local, enfatizar aspectos relevantes. Dia da Bíblia, Natal de Jesus, Ano Novo, Santa Ceia, e outros dias considerados solenes.

d) Pedidos d e oração. Cada um pede por seus problemas e pelos outros; em nossa experiência, criamos uma “caixinha de oração”, em que cada filho escrevia, num cartão apropriado, o seu pedido de oração, registrando a data do pedido, que era lido em todos os cultos; quando a oração era respondida, era anotada a resposta, no cartão, e dita para que todos tomassem conhecimento. Houve grande proveito nesse gesto. Muitas orações foram respondidas, até mesmo de causas que pareciam “impossíveis”. As orações não devem ultrapassar cinco a sete minutos.

e) Oração. Pode ser feita por um membro da família e os outros confirmam com o “amém”, “assim seja”; ou pode ser feito um rodízio de oração, um após outros, com a conclusão feita pelo líder da família. Quando os filhos aprendem a orar, em casa, não têm dificuldade para orar na igreja. “Confessai as vossas culpas uns aos outros e orai uns pelos outros, para que sareis; a oração feita por um justo pode muito em seus efeitos” (Tg 5.16).

V - BÊNÇÃOS DECORRENTES DO CULTO DOMÉSTICO

São inúmeras as bênçãos de Deus sobre a família que realiza o culto doméstico. Com ele, o altar da adoração supera o “altar da televisão”. Quando realizado desde que os filhos são pequenos, são indeléveis as marcas impressas em suas mentes para toda a vida. Até aos sete anos, a personalidade já está definida, segundo psicólogos. Crianças que participam da reunião em família, louvando a Deus, lendo a Bíblia, ou mesmo apenas ouvindo por causa da pouca idade, e veem seus pais orando com elas, certamente terão menos probabilidade de se desviarem dos caminhos do Senhor. 

O culto doméstico não se destina apenas a crianças. Adolescentes e jovens precisam muito desse momento especial, na sua formação espirtual. É por falta de culto doméstico que grande parte dos filhos de cristãos está no mundo, envolvida no sexo ilícito, nos vícios e na delinquência. Muitos pais dormiram e se descuidaram de zelar pelos filhos que são “herança do Senhor”. Os benefícios são evidentes para os lares onde, diariamente, louva-se a Deus, lê-se a sua palavra e fazem-se orações.

1. Jesus se faz presente no lar

Falando a seus discípulos, o Senhor prometeu: “Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles” (Mt 18.20). Pode haver convidado mais importante do que Jesus, participando da reunião em família? Naquele pequeno período de adoração, todo o futuro da família pode estar definido. O salmista declarou: “Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam” (SI 23.4). A família deve aprender e considerar que, com a presença do Senhor em sua vida, não há o que temer, se todos procuram obedecer a voz de Deus. Só esse beneficio é suficiente para justificar a realização do culto no lar cristão todos os dias.

2. Os laços espirituais são fortalecidos

Nos momentos de louvor a Deus, pais e filhos são abençoados, e unidos na presença do Senhor. Ele habita no meio dos louvores (SI 22.3). Deus agrada-se de ver um lar que se transforma em ambiente de adoração. Ao orarem, pais e filhos atraem as bênçãos, o poder e a proteção de Deus para suas vidas. Cada um pede oração. Todos sentem as necessidades dos outros. Todos oram uns pelos outros. A união da família fortalece a vida espiritual e traz bênçãos extraordinárias. Diz o salmo: “Oh! Quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união!” (SI 133.1). Na união espiritual e fraternal, naquele lar, há lugar para a bênção de Deus: “ porque ali o Senhor ordena a bênção e a vida para sempre” (SI 133.3).

3. O mal é mantido à distância

Em todos os tempos, o alvo principal do adversário tem sido a família. E nos dias atuais, os ataques ao lar têm sido incrementados de forma terrível. Pais aborrecendo filhos, filhos aborrecendo pais; esposos que rejeitam as esposas e vice-versa. Separações, divórcio; drogas, prostituição, fornicação, homossexualismo, e tantos outros males, são demonstração de que a família está sendo atacada sem tréguas pelas “hostes espirituais da maldade”. Diz Pedro: “Sede sóbrios, vigiai, por que o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar” (1 Pe 5.8).

Mas, se a família unir-se, em seu lar, em adoração a Deus, buscando o seu poder, diz a palavra de Deus: “Então, temerão o nome do Senhor desde o poente e a sua glória, desde o nascente do sol; vindo o inimigo como uma corrente de águas, o Espírito do Senhor arvorará contra ele a sua bandeira” (Is 59.19). Os perigos que rondam o lar são muitos. E podem estar dentro da própria casa. A TV secular e internet são ferramentas que podem ser usadas pelo maligno para destruir a fé, a moral e os bons costumes. Mas com Cristo no lar, a vitória é certa.

4. A Palavra de Deus é valorizada

Mesmo em pequenas doses de leitura diária, a cada dia, ela vai realizando seu papel transformador nas mentes dos pais e dos filhos. Seu poder é extraordinário. E mais forte e mais eficaz do que qualquer filosofia, do que o materialismo destruidor da fé. Diz Hebreus: “Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até à divisão da alma, e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração” (Hb 4.12). Os efeitos benéficos da palavra de Deus alcançam todo o ser, alma e espírito, e até a parte física, “juntas e medulas”.

Por isso, Deus ordenou o cuidado com a ministração da palavra, todos os dias, sistematicamente, ao povo de Israel: “Ponde, pois, estas minhas palavras no vosso coração e na vossa alma, e atai-as por sinal na vossa mão, para que estejam por testeiras entre os vossos olhos, e ensinai-as a vossos filhos, falando delas assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te” (Dt 11.18,19). No culto doméstico, após a leitura da Bíblia, os pais devem aproveitar para ensinar a palavra de Deus, “falando delas assentado em tua casa” e em todas as ocasiões propícias.

“A tua mulher será como a videira frutífera aos lados da tua casa; os teus filhos, como plantas de oliveira, à roda da tua mesa” (SI 128.3). Este versículo representa bem a cena da família reunida em volta da mesa, para as refeições e para o culto no lar. No Novo Testamento, há recomendação de igual modo solene: “E vós, pais, não provoqueis a ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor” (Ef 6.4). Todo esse esforço é infinitamente melhor do que deixar os filhos entregues àT V (“a babá eletrônica”), ou à internet (“a professora virtual”). A leitura de toda a Bíblia é um aprendizado inestimável para a vida espiritual da família.

5. A família louva a Deus

“Nas tendas dos justos há voz de júbilo e de salvação; a destra do Senhor faz proezas” (SI 118.15). E gratificante e profundamente saudável a adoração em família. Pais e filhos, cantando alegremente, no lar, provocam uma atmosfera espiritual de grande valor, perante Deus. Podemos estar certos de que o Senhor se volta para ouvir o louvor que sobe de corações reverentes, na reunião familiar. Que sejam desligados os iPods, os smartphones, e outros dispositivos eletrônicos, que tocam músicas profanas, que desonram o “templo do Espírito Santo”, que é nosso corpo (1 Co 6.19,20). E se abram os lábios dos servos de Deus em louvor e adoração ao Senhor. Os louvores sobem, e as bênçãos caem sobre a casa dos honram e glorificam a Deus em seu lar.

6. Toda a família servindo ao Senhor

Josué, sucessor de Moisés, na condução do povo de Israel a Canaã, reuniu-os e disse: “Porém, se vos parece mal aos vossos olhos servir ao Senhor, escolhei hoje a quem sirvais: se os deuses a quem serviram vossos pais, que estavam dalém do rio, ou os deuses dos amorreus, em cuja terra habitais; porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor” (Js 24.15). O povo estava desobedecendo a Deus, e Josué propôs-lhe uma tomada de decisão. Se quisessem servir aos deuses estranhos, na verdade demônios, que servissem. Mas ele e sua família haveriam de servir ao Senhor, o Deus verdadeiro. 

Nos dias presentes, essa tomada de posição faz-se mais necessária. Os “deuses” da pós-modernidade estão nas escolas; o materialismo avassala as mentes, na mídia, na educação, na cultura, na economia, no lazer, em toda a parte. Se a família não se unir em torno do Senhor Jesus, não haverá esperança. Mas se os pais com os filhos unirem-se no altar da adoração a Deus em seu lar, toda a família servirá ao Senhor. “... serás salvo, tu e tua casa” (At 16.31). Vale a pena o esforço para a realização do culto doméstico. Levanta barreiras espirituais contra as forças do mal, e fortalece a vida espiritual de todos no lar.


FONTE
Formar uma família e mantê-la com princípios e valores cristãos é um desafio na pós- modernidade. Para obter sucesso, não só é preciso conhecer o que a Bíblia diz, mas como também colocar seus ensinamentos em prática. Desse modo, as contaminações do mundo sobre a família cristã podem ser identificadas e refutadas. Proteja sua família! 

Livro de apoio a lição bíblica do 2º trimestre de 2013.


AUTOR: Elinaldo Renovato de Lima
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