sábado, 19 de julho de 2014

Política é "coisa" de crente?

Pensei que em três postagens daria conta de tratar do tema sobre igreja e política, mesmo de forma superficial. Mas percebi que, além desta, só terei como concluir o assunto numa quarta postagem, que já está programada para quarta-feira. Conto com a sua paciência por ter de esticar um pouco mais a conversa.

Faço coro com os que definem os papéis da igreja e da política como distintos. Aquela, enquanto instituição divina, proclama os valores eternos do Reino de Deus e as boas novas do Evangelho. Não se pode misturar as sintonias. Não lhe cabe envolver-se com as entranhas partidárias, comprometer-se com os poderes políticos e abrir mão de sua tarefa para entrar no campo do governo temporal. A igreja precisa ter as mãos desatadas para exercer também o seu papel profético.

No entanto, como já vimos em postagem anterior, a governança do mundo foi a primeira instituição estabelecida por Deus, no Gênesis, e reiterada no Novo Testamento, como atesta Romanos 13.1-7. Por outro lado, se, como instituição, a igreja não deve imiscuir-se no mundo político, ela não pode tolher os seus membros de exercitarem a plena cidadania, o que inclui a investidura em posição de autoridade, seja em que esfera for, não importa se através de cargos eletivos ou de outros aos quais se chega mediante concurso público ou formação acadêmica.

Mas o argumento principal contra a participação de cristãos na política é a de que ela écorrupta e corrompe. Embora seja verdade, trata-se de um reducionismo gritante. É o mundo que jaz no maligno! Todas as suas esferas foram afetadas pela Queda! A pecaminosidade permeia a vida em geral! Em sua oração pelos discípulos e em favor de todos os que viriam a crer em sua mensagem, Cristo não reduziu o mal a uma esfera em particular, mas pediu: "Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal", João 17.15. Ora, por uma questão de lógica, se o cristão não pode participar da política por causa da corrupção, não pode, então, envolver-se em nenhuma outra área. A malignidade está no mundo.

Por que ainda assim há resistências a essa participação? Listei algumas razões na primeira postagem. Mas temos de convir que, por estar na "vitrine", a política expõe mais os personagens do que qualquer outra atividade. Os nossos olhos só veem a corrupção que a mídia divulga, sem enxergar que ela está em todas as esferas. Há políticos corruptos? Há também médicos, engenheiros, advogados, empresários, empreiteiros, profissionais liberais, funcionários públicos e... pastores que sofrem do mesmo mal! Ora, Bíblia nos adverte que a verdadeira religião não é guardar-se da política, mas da corrupção do mundo, Tiago 1.27.

Concluo a terceira postagem dizendo que não há nenhum pressuposto bíblico que impeça ao cristão o exercício da vida pública, seja através de cargos eletivos, seja de outra natureza. Portanto, política é, também, "coisa" de crente. Há, sim, múltiplas recomendações para que viva uma fé comprometida com os valores do Reino de forma pia, santa e agradável a Deus, onde quer atue. Assim como a sal penetra em todos os grãos dentro da panela e a luz alcança todas as frestas da área onde está acesa, de igual modo espera-se a mesma influência do cristão em qualquer esfera. 

Havia também santos na casa de César, Filipenses 4.22.

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