quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Desejo ou necessidade?

Técnicas de venda e marketing ensinam que antes de apresentar um determinado produto ao cliente, é necessário despertar nele o desejo de possuí-lo, já que pessoas consomem baseadas em três princípios: inveja, desejo ou necessidade.

Quando alguém compra algo não necessário, supérfluo ou secundário, o faz porque uma necessidade foi criada, e em muitos casos, por desejo de afirmação, resolução de conflitos ou porque tal objeto, de forma fictícia, o faz se sentir amado e apreciado. Ou seja, trata-se de algo artificial, mas que o leva a acreditar que precisa de tal produto ou marca. A propaganda trabalha fundamentalmente com o princípio de despertar desejos, dar a impressão de que o cliente será menos valorizado que outro, se não tiver determinado produto.

Boa parte da falência financeira ou inadimplência, que leva consumidores vorazes ao completo desequilíbrio financeiro, está relacionada não a necessidades, mas desejos. Se a pessoa possui cartão de crédito e é facilmente sugestionável, isto pode se tornar uma arma. Muitos viveriam financeiramente tranquilos se não estivessem presos na armadilha dos desejos criados.

Por isto, discernir entre desejo e necessidade é essencial, embora nem sempre fácil. Existem coisas que queremos mas não precisamos, e coisas que precisamos, mas não queremos. Você sabe discernir entre uma e outra?

Conheci uma pessoa fascinada por sapatos. Uma dia, ao passar diante da vitrine de sua loja preferida, foi atraída por um modelo. Apesar de ter quase 200 pares em sua casa, entrou na loja e o comprou, com um estranho sentimento... Ao chegar em casa, percebeu que já havia comprado o mesmo par de sapatos, mas não se lembrava, e ele estava no closet aguardando a hora de ser usado.

Outra pessoa, desempregada, relatou quanta falta sentiu durante este tempo, de consumir “brinquedos”, ter entretenimentos e adquirir coisas que gostava. No período de vacas magras, não comprou sequer uma camisa nova, e nem precisava, porque tinha centenas, cortou viagens, idas a bons restaurantes e programas caros. Embora nada lhe faltasse, o que o afligia era o desejo de comprar. Apesar do seu desejo, nada daquilo era essencial. Sua dor estava relacionada a desejos, não a necessidades.

A Bíblia faz uma afirmação interessante: “Deus, segundo a sua riqueza em gloria, há de suprir em Cristo Jesus, cada uma de vossas necessidades”. Este texto traz problemas porque Deus não afirma que suprirá desejos, mas necessidades. E como confundimos facilmente estas coisas, não raramente murmuramos e reclamamos, por não adquirir nenhum item da lista do abecedário dos desejos, mas que insistimos em colocar em necessidades.

Deus não promete satisfazer desejos, caprichos, nem supérfluos, mas certamente há de surpreender suprindo necessidades. Jesus afirma: “Por que andais ansiosos quanto ao que haveis de comer, e vestir, pois vosso Pai Celestial sabe que vocês necessitais de todas estas coisas. Observai os lírios dos campos e as aves dos céus, porventura não valeis vós muito mais que as aves? Contudo, vosso Pai Celestial as sustenta”.

Certamente viveríamos de forma mais plena, com simplicidade e singeleza, sem sobressaltos e dores, se não estivéssemos tão ansiosos e confusos sobre o que é essencial e supérfluo, se diferenciássemos desejos e necessidades. 
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