segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Lição 01 - Gênesis, O Livro da Criação Divina.

GÊNESIS, O LIVRO DAS ORIGENS - Prefacio - Neste momento, acham-se em circulação, pelas livrarias de todo o mundo, 130 milhões de títulos. Só no Brasil, são publicados todos os anos em torno de quatro milhões de obras entre lançamentos e reedições. Diante desses números, colhidos junto à indústria editorial, surgem algumas perguntas inevitáveis. A primeira delas tem a ver com os nossos limites biológicos. Quantos livros poderá alguém ler durante 70 ou 80 anos de vida? Segundo o escritor argentino, Jorge Luís Borges (1899-1986), não mais de dois mil títulos. Levemos em conta que um bom leitor seja capaz de ler quarenta livros anualmente Se ele começou a ler aos 10 anos de idade, e tem uma expectativa de vida intelectualmente produtiva de 70, este será o seu placar: 2.400 obras catalogadas e lidas. Caso estas sejam bem selecionadas, tendo sempre a Bíblia Sagrada em primazia, o resultado será excelente Doutra forma, haverá um irreparável desperdício de tempo, dinheiro e esforço intelectual. Conforme explica o professor Gunar Berg de Andrade, há dois tipos de leitor: o de muito empenho e o de alto desempenho. O primeiro lê tudo o que lhe vem às mãos, sem nenhum critério. Já o segundo é seletivo, cuidadoso e exigente; limita-se às melhores entre as melhores produções. Para mais informações, assista ao vídeo https://www.youtube.com/wateh?v=Mpc4 85YW_J0. 


A segunda pergunta concerne à vida do próprio livro. Quantos títulos merecerão uma segunda edição? Neste reexame, formulemos uma questão de vital importância não somente para quem lê, mas principalmente para quem escreve Afinal, o sonho do escritor é imortalizar-se no leitor. Por isso, a indagação faz-se imprescindível: Quantas obras far-se-ão clássicas e imortais? E bem provável que entre os 130 milhões de livros atualmente em circulação, não haja nenhum a merecer semelhante classificação. A maioria será descartada, boa parte não será lida até o fim, alguns terão uma sobrevida nalgum relicário ou sebo, e bem poucos irão para alguma biblioteca pública Não falaremos daqueles que serão picotados e reciclados, para que outras nasçam e tornem se best-sellers. 

Em primeiro lugar, é necessário que se esclareça algo de fundamental importância no ciclo vital de um livro: nem todo clássico é imortal. Entretanto, todo imortal é um clássico. Vejamos, por exemplo, a Ilíada de Homero. Que o poeta grego é um clássico, não resta dúvida Servindo de modelo a Virgílio (70-19 a. C.), veio a inspirar Camões (1524- 1580). Hoje, porém, é uma obra tão morta quanto a língua na qual foi escrita. O poema, por conseguinte, só é evocado quando se requer um modelo perfeito de literatura, dicção e estilo. Curiosamente, as obras que Homero inspirou mais diretamente, a Eneida e os Lusíadas, tiveram igual destino: sobrevivem como modelo, mas já não vivem a moldar vidas. Jazem como a estatuária clássica e renascentista. Só as buscamos em caso de necessidade estética Há obras, contudo, que além de clássicas, são imortais. Entre elas, destaco O Peregrino de John Bunyan (1628-1688). Este livro não é apenas um modelo de parábola bem narrada, mas uma moldagem de vidas santificadas a Deus. Já o li duas vezes. Se na primeira, eu era um adolescente irrequieto e crítico, na segunda, j á adulto, enfrentava uma crise espiritual. Á semelhança do cristão, precisava recorrer com urgência a um livro que, além de clássico e imortal, fosse eterno. O Peregrino remeteu-me de imediato ao livro que, embora escrito há mais de três milênios, é tão contemporâneo hoje quanto nos dias do Antigo e do Novo Testamentos. A Bíblia Sagrada é um livro sem igual; é a inspirada, inerrante e infalível Palavra de Deus. Não podemos ignorá-la, pois dela alimenta-se a alma sedenta e peregrina, E um livro que, desde o início, surpreende-nos com suas declarações. Que outro livro começa de forma tão surpreendente e verdadeira: “No princípio, criou Deus os céus e a terra”? Não é sem razão que já foram impressos aproximadamente quatro bilhões de exemplares das Sagradas Escrituras. E acerca do primeiro livro da Bíblia que trata a obra que você, querido leitor, tem em mãos. Apesar de não ser um tratado exaustivo do Gênesis, mostrará um pouco das belezas dos primórdios da intervenção divina na história humana Minha oração é que Deus nos ilumine, cada vez mais, no estudo de sua eterna e imarcescível Palavra. Gênesis, um livro eterno e belo, porquanto inspirado pelo Espirito Santo.

Clandionor de Andrade Rio de Janeiro, inverno de 2015.

INTRODUÇÃO

O Gênesis fascina-me o espírito. Tudo nele é relevante, didático, profundo, belo e devocional. Até as suas genealogias trazem-me preciosas lições. Da criação do Universo à morte de José, percorro um caminho que, apesar das agruras e provas, conduz-me logo ao Criador. Em cada página, encontro um Deus que, não se limitando a criar, deleita-se em revelar-se à criatura. Neste livro, enterneço-me com os patriarcas. No Crescente Fértil, refaço-lhes as peregrinações desde a imponente Ur à rústica Betei. De suas vitórias, compartilho. Aos seus idílios, assisto. Que outro autor poderia descrever com tanta poesia o encontro de Jacó e Raquel? E a história de José Não há quem não chore ao ler o drama do escravo hebreu que veio a governar o Império Egípcio. Em cada capítulo do Gênesis, tenho uma nova experiência com o Deus de Isaque e de Abraão. Iniciemos, pois, o nosso diálogo com uma literatura alta, rica e artisticamente bem trabalhada. Mas este não é o seu principal mérito. A semelhança dos demais livros da Bíblia Sagrada, o Gênesis é a inspirada, inerrante e infalível Palavra de Deus. Não veio à luz apenas para encantar-nos a estética, mas para encaminhar-nos à ética inigualável e perfeita do Criador.

I. A AUTORIA MOSAICA O Gênesis foi escrito por um dos homens mais sábios da história Filho de Anrão e Joquebede, pertencia Moisés à casa de Levi, a mais conservadora das tribos hebreias (Ex 6.20; 32.26-28). Sua biografia é pontilhada por lances dramáticos e inexplicáveis. Ainda recém-nascido, foi preservado do infanticídio desencadeado pelo rei do Egito, visando à eliminação do povo de Israel (Ex 2.1-10). Providencial mente adotado pela filha do Faraó, é levado ao palácio, onde recebe a educação mais esmerada da época (At 7.22). Homem feito, saiu a ver as agruras de seus irmãos. E, na ânsia por ajudá-los, acaba por matar um egípcio. Vê-se, então, forçado a refugiar-se em Midiã Nesse diminuto reino localizado ao norte da Arábia, entrega-se ao pastoreio do Á semelhança dos demais livros da Bíblia Sagrada, o Gênesis é a

rebanho de Jetro, seu sogro (Ex 3.1). Ali, solitário e reflexivo, dispõe de espaço e tempo para meditar nos propósitos do Deus de Abraão. Que perguntas avivaram-lhe o espírito? E que indagações fez ao Eterno de Israel? Deus utiliza o isolamento de Midiã, para trabalhar-lhe a personalidade No Egito, entre cativos e exatores, jamais se teria desenvolvido espiritualmente Foi em seu exílio, que Moisés inteira-se de uma invenção que revolucionaria a transmissão do conhecimento: o alfabeto. Surgido na região do Sinai, seria logo adotado pela maioria dos povos. Providencial mente, o Senhor impediu que a sua Palavra fosse escrita em caracteres egípcios, pois tanto o demótico, conhecido pelo povo, como o hieróglifo, dominado apenas pelos sacerdotes, não possuíam a plasticidade e a segurança necessárias para registrar os inícios da História Sagrada. Não sabemos em que período de seu ministério, Moisés escreveu o primeiro livro da Bíblia Sagrada. Mas podemos garantir que o Êxodo é uma seqüência natural do Gênesis, pois, no original hebraico, ambos os livros acham-se ligados por uma conjunção aditiva.

II. DATA E LOCAL Não é tarefa nada fácil precisar a data e o local em que Moisés escreveu o Gênesis. Para não nos perdermos em especulações, algumas absurdas e outras impiamente vazias, adotaremos a posição conservadora por ser amais segura e racional.

1. Data. E-nos permitido afirmar que o primeiro livro da Bíblia foi redigido entre 1445 e 1405 antes da era cristã, durante a peregrinação de Israel pelo Sinai. Eleger qualquer outra época, como a do pós-exílio babilônico, por exemplo, é atentar contra as evidências da própria Bíblia. Tanto os profetas quanto os apóstolos têm como certa a autoria mosaica de todo o Pentateuco, incluindo o Gênesis.

2. Local. Já que sabemos ter Moisés escrito o Gênesis no século 15 antes de Cristo, concluímos que ele o redigiu no Sinai. Aliás, encontramo-lo em diversas ocasiões, durante a peregrinação de Israel pelo deserto, a registrar as palavras do Senhor (Ex 24.4; Nm 32.2,- Dt 31.9). Ao seu dispor, excelente material de escrita. Doutra forma, o livro j amais teria chegado às gerações futuras.

III. REIVINDICAÇÃO E TEMA Todos os livros da Bíblia possuem, além do tema central, uma reivindicação específica Por isso, devemos ler a Palavra de Deus com atenção e cuidado, para não lhe ignorarmos as demandas.

1. Reivindicação. A principal reivindicação do Gênesis é que creiamos ser Deus o Criador dos céus e da terra. Aliás, é a primeira verdade que nos expõe o autor sagrado (Gn 1.1). Que nos curvemos humildemente, pois, à soberania divina Ao aceitar semelhante demanda, confessa o salmista Etã: ‘Teus inspirada, inerrante e infalível Palavra de Deus. são os céus, tua, a terra; o mundo e a sua plenitude, tu os fundas te” (SI 89.11). Quem lê o Gênesis com devoção e amor, aceita de imediato a exigência divina Sim, tudo pertence ao Senhor, inclusive você e eu Aleluia!

2. Tema. O tema do Gênesis faz-se acompanhar de sua reivindicação central: “No princípio, criou Deus os céus e a terra”. Nesse livro, portanto, encontramos as origens dos céus, da terra, do ser humano, das nações e do povo de Israel. Acham-se nele, também, os esboços das doutrinas que professamos. O seu título, a propósito, significa exatamente isso: origem

IV. OBJETIVOS DO LIVRO Além de uma reivindicação específica e de um tema central, o Gênesis foi escrito com, pelo menos, dois objetivos: fundamentar teológica e historicamente o êxodo hebreu e responder-nos às grandes perguntas da vida

1. Fundamentar o êxodo hebreu. Os leitores, ou ouvintes, imediatos do Gênesis foi a geração que o Senhor libertara do cativeiro egípcio. No momento mais crítico de sua história, era-lhes urgente saber três coisas essenciais. Antes de tudo, que o Jeová do Êxodo era o mesmo Elohim do Gênesis. Logo, o Criador dos Céus e da Terra não poderia deixar de apresentar-se como o Redentor de seu povo. Finalmente, o Deus que chamara Abraão a uma nova realidade espiritual, convocava-os, agora, a uma vida de liberdade numa terra boa, ampla e singularmente aprazível. Por isso, o Senhor se apresenta aos filhos de Israel como o El-shaday dos patriarcas (Gn 17.1; Ex 6.3). O objetivo primordial do Gênesis, portanto, era fundamentar teológica e historicamente os filhos de Israel, a fim de que assumissem a sua identidade como povo de Deus. Eles deveriam saber que a sua liberdade não era fruto de um movimento político, nem de uma convulsão sodal, mas o cumprimento das alianças que o Senhor estabelecera com Abraão, Isaque e Jacó. Aliás, o próprio José, pouco antes de morrer, profetizara, no Gênesis, o Exodo: “Eu morro; porém Deus certamente vos visitará e vos fará subir desta terra para a terra que j urou dar a Abraão, a Isaque e a Jacó”. Em seguida, José fez j urar os filhos de Israel, dizendo: “Certamente Deus vos visitará, e fareis transportar os meus ossos daqui” (Gn 50.24,25). Nas Sagradas Escrituras, todos os atos de Deus são bem fundamentados teológica e historicamente. O que aconteceu no Êxodo alicerça-se no Gênesis. As alianças firmadas neste cumprem-se naquele O mesmo podemos dizer com respeito a nossa salvação. O que teve início no primeiro livro da Bíblia plenifica-se no último.

2. Responder as grandes perguntas da vida. O Gênesis foi escrito também para responder-nos às grandes perguntas da vida. Em primdro 1 ugar, todos ansiamos por saber como vieram a existir os Céus e a Terra. A segunda indagação, não menos importante, é acerca da nossa própria origem Se não obtivermos as respostas certas, ddxar-nos-emos aprisionar tanto pelas mitologias antigas como pelas modernas, que nos chegam diariamente traves tidas de ciênda.

Adão não tinha qualquer dúvida quanto à criação, pois conhecia pessoalmente o Criador. Mas os seus descendentes, por parte de Caim, logo endeusaram a criatura, permitindo-se arrastar pelo sexo e por atos cada vez mais violentos. Sim, violência e sensualidade, os dois primeiros deuses da humanidade; daí, nasceram todos os ídolos. Não demorou muito para que os filhos do próprio Sete caíssem nos mesmos pecados de Caim (Gn 6.1-3). Senão fosse o piedoso Noé, toda a raça humana teria perecido no Dilúvio. A era atual em nada difere daquela época, conforme afiança o Senhor Jesus: “Pois assim como foi nos dias de Noé, também será a vinda do Filho do Homem Porquanto, assim como nos dias anteriores ao dilúvio comiam ebebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, senão quando veio o dilúvio e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do Homem” (Mt 24.37-39). Em conseqüência do pecado, o deus deste século não demorou a cegar e a perverter a mente da humanidade (2 Co 4.4). E, assim, a narrativa que Adão e Noé transmitiram aos seus filhos acabou por degenerar-se em mitologias blasfemas e grosseiras. A família de Sem, através de Abraão, ainda manteria, por alguns séculos, a pureza do criacionismo. Mas, já no tempo do Exodo, a tradição oral já não era confiável. Por isso, o Senhor convoca Moisés não apenas para libertar Israel do Egito, como também perenizar, através da palavra escrita, a verdade sobre os inícios de todas as coisas. Tendo em vista a pureza do Gênesis, rejeitamos a hipótese de que o autor sagrado foi buscar rescaldos nas mitologias babilônicas para redigir o primeiro livro da Bíblia. Supervisionado pelo Espírito Santo, selecionou os registros mantidos pelos hebr eus, depurando a tradição oral da criação que o seu povo ainda conservava. E claro que, nessa tarefa, ele contou igualmente com a revelação divina De modo que, hoje, temos um texto confiável, lógico e coerente. Não temos qualquer dúvida quanto à inspiração divina do Gênesis, que compreendeu tanto a iluminação como a supervisão do Espírito Santo. Moisés foi chamado por Deus no momento mais crítico da história de Israel, pois Faraó estava prestes a exterminar os hebr eus. E, com eles, per der-se-iam a narrativa da criação e os registros genealógicos que nos remetem a Adão e ao próprio Deus (Lc 3,38). Além disso, a linhagem do Messias também seria destruída, tornando inviável o advento de Nosso Senhor Jesus Cristo. Não há como mesurar a importância de Moisés na História Sagrada. O seu necrológio, apensado ao Deuteronômio, faz j us à sua biografia “Nunca mais se levantou em Israel profeta algum como Moisés, com quem o SENHOR houvesse tratado face a face, no tocante a todos os sinais e maravilhas que, por mando do SENHOR, fez na terra do Egito, a Faraó, a todos os seus oficiais e a toda a sua terra,- e no tocante a todas as obras de sua poderosa mão e aos grandes e terríveis feitos que operou Moisés à vista de todo o Israel” (Dt 34.10-12). Bastava o Gênesis para que Moisés se imortalizasse. Mas a sua obra não parou aí; transcendeu, O objetivo primacial do Gênesis, portanto, era fundamentar teológica e historicamente os filhos de Israel, a fim de que assumissem a sua identidade como povo de Deus.

fazendo-se eterna Séculos mais tarde, vamos encontrá-lo no Monte da Transfiguração. Ali, juntamente com Elias, conferenciava com o \ferbo de Deus acerca do momento mais ingente da História Sagrada: a expiação da humanidade no Calvário. A profecia de Gênesis 3.15 cumpria-se plenamente

V. GÊNERO LITERÁRIO Ao contrário de Homero, legou-nos Moisés uma cosmogonia altamente confiável. Se o primeiro dispôs apenas do engenho humano, o segundo foi assistido pelo Espírito Santo, que o inspirou, dirigindo-o em toda a redação da obra. Na composição do livro de Gênesis, por conseguinte, Deus providenciou todos os detalhes, para que tivéssemos uma obra inerrante e infalível: alfabeto, língua, gênero literário e estilo.

1. Alfabeto. Conforme já dissemos, o Senhor impediu que os primeiros cinco livros das Escrituras Sagradas fossem escritos nos caracteres egípcios. Se isso tivesse ocorrido, o Pentateuco teria desaparecido já nas décadas seguintes, pois somente a elite cultural egípcia, da qual Moisés fazia parte, era capaz de dominá-los. Além do mais, a escrita ideográfica do Nilo estava fadada a desaparecer. Haj a vista que, no período do Novo Testamento, os hieróglifos já haviam sido substituídos, em todo o Egito, pelos alfabetos grego e latino. Dezoito séculos mais tarde, o francês Jean-François Champollion (1790-1832) enfrentaria dificuldades, a fim de resgatar o sentido daqueles signos línguísticos. Por esse motivo, Deus isolou Moisés por quarenta anos emMidiã, para que o seu servo aprendesse o alfabeto sinaítico. Através dessa invenção maravilhosa, ele teria condições de transmitir às gerações futuras os inícios da História Sagrada Embora não se saiba quem de fato criou a linguagem alfabética, o certo é que ela veio a ser assimilada rapidamente pelos hebreus, fenícios, gregos e latinos. Destes, veio a ser adotada pel a maioria das línguas modernas. Durante o cativeiro babilônico, os escribas j udeus houveram por bem substituir o alfabeto sinaí tico pelo ashuridi, conhecido também como quadrádco devido à sua forma retangular. E, a partir do século 6o de nossa hera, apareceram os massoretas, cujo principal trabalho foi a vocalização do texto original hebraico, para que este não acabasse por perder a sua pureza fonética.

2. Língua. Entre os idiomas antigos, tenho para mim que o hebraico era o mais perfeito. Simples e poético, apresenta uma gramática descomplicada e logo assimil ável. E d aro que, no decorrer do Antigo Testamento, os livros do Pentateuco foram submetidos a vários processos editoriais. Mas todas essas intervenções foram orientadas e supervisionadas pelo Espírito Santo, visando preservar a integridade do texto sagrado.

Bastava o Gênesis para que Moisés se imortalizasse. Mas a sua obra não parou aí; transcendeu, fazendo-se eterna.

3. Gênero literário. Embora haj a poesias e até hinos no Gênesis, o livro não é uma obra poética. Diferentemente de Homero, utiliza Moisés a narrativa histórica para registrar os começos do Céu, da Terra, da humanidade e do povo hebreu. A História da Criação seria, séculos depois, salmodiada pelos cantores de Israel. Mas, quando da redação do Gênesis, o Senhor levou Moisés a utilizar um gênero literário adequado à historiografia sagrada, realçando a credibilidade do primeiro livro da Bíblia

4. Estilo. Se o estilo é de fato o homem, em todo o Gênesis vemos a mão de Deus em tudo o que Moisés escreveu Historiador sagrado, foi belo e poético em cada frase e oração. Até pequenas sentenças, como esta, adquirem beleza e ternura em sua pena: “Haja luz” (Gn 1.3). A História de José é outro exemplo da excelência literária do autor sagrado. Quem consegue lê-la sem lacrimej ar? Enfim, o Gênesis é tão belo e singular que só podia ser divino. Escrito há mais de três mil e quinhentos anos, continua a encantar crianças, adolescentes, adultos e anciãos. O primeiro livro da Bíblia Sagrada, portanto, é uma história real, não uma parábola, nem uma coleção de alegorias, como sugerem os liberais e inimigos da Palavra de Deus. Se o interpretarmos doutra forma, j amais poderemos aceitar, como verdade, a História da Redenção.

VI. CONTEÚDO O Gênesis pode ser dividido em duas grandes seções: a História Primitiva e a História de Israel.

1. A História Primitiva. Conhecida também como História Primeva, a História Primitiva ocupa-se dos primeiros dois milênios da estadia do homem na Terra, abrangendo os primeiros onze capítulos do 1 ivro: da Criação à Torre de Babel. De forma sintética, mas profundamente clara, a Palavra de Deus mostra como vieram a existir o Céu, a Terra, os animais e o homem Narra também a ocorrência do Dilúvio e o evento da Torre de Babel, revelando como originou-se a diversidade cultural da humanidade.

2. A História de IsraeL A partir do capítulo 12, tem início a História de Israel. E uma narrativa soteriológica das biografias dos três grandes patriarcas da nação hebreia Abraão, Isaque e Jacó. O relato é encerrado com a ascensão providencial de José ao governo egípcio. Nessa seção, Deus estabelece suas alianças com os pais da família hebraica. Deumlado, promete- lhes que os protegerá em suas peregrinações até introduzi-los na terra de Canaã. Do outro, os hebreus se comprometem a guardar-lhe os mandamentos e devotar-lhe uma adoração exclusiva e única Todos fomos chamados a uma vida perfeita diante de El Shaday (Gn 17.1).

CONCLUSÃO Como nos sairíamos sem o Gênesis? Ainda estaríamos presos às mitologias babilônicas, indianas e

gregas. Sem ele, j amais poderíamos libertar-nos dos mitos pós-modernos, que nos chegam todos os dias como verdade e ciência. Enfim, sem as verdades do Gênesis, jamais teríamos alcançado a liberdade em Cristo, pois a doutrina da salvação tem, no primeiro livro da Bíblia Sagrada, a sua gênese. Por isso, agradeçamos a Deus por nos haver providenciado uma porção tão indispensável e bela de sua inspirada e inerrante Palavra. Quanto mais o tempo passar, mais constataremos a exatidão da obra que nos legou Moisés. Leia o Gênesis com a sua família. No culto doméstico, abra a Bíblia neste livro e estude o metódica e sistematicamente. Assim, você impedirá que os seus pequeninos sejam vítimas dos falsos postulados científicos como a Teoria do Big Bang e o Evolucionismo.
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