sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Deixe "Neustã" ser apenas "Neustã" e Deus será sempre Deus na sua vida

Em Números 21, encontramos a história de "Neustã", a serpente de bronze que foi construída sob a orientação divina. Ela foi colocada no alto de um poste para ser observada pelos israelitas, que foram acometidos por uma praga permitida por Deus como juízo pelos seus pecados. O povo de Israel havia desobedecido a Jeová, ofendido o Seu amor e desrespeitado seu líder Moisés. O caos poderia se estabelecer se Deus não agisse. Por isso, Ele logo interviu e, pela sua misericórdia, depois do arrependimento do povo, fez com que os israelitas que olhassem para a serpente de bronze recebessem a cura.

Considerando o fato de que Deus proibiu a adoração às imagens (Êx 20.4), por que Ele fez com que Seu povo olhasse para a serpente de bronze para ser curado? Esse ato não se constituiria uma aprovação à idolatria?
De forma alguma. O episódio da serpente de bronze está longe de servir de sustentação para os que tentam justificar o uso de ídolos no culto a Deus, por pelo menos três razões.
Em primeiro lugar, porque a serpente de bronze não era um objeto para culto. Ela só foi ganhar um significado idolátrico tempos depois de Moisés. Além disso, quando ela apareceu como objeto de idolatria, foi destruída. O rei Ezequias a despedaçou e chamou-lhe "neustã", que significa “pedaço de bronze”.
“Ele [Ezequias] fez o que era reto aos olhos do Senhor, conforme tudo o que fizera Davi, seu pai. Tirou os altos, quebrou as colunas, e deitou abaixo a Asera; e despedaçou a serpente de bronze que Moisés fizera (porquanto até aquele dia os filhos de Israel lhe queimavam incenso), e chamou-lhe Neustã”, 2Rs 18.3,4 (Almeida Atualizada). Ou seja, ao chamar-lhe de "pedaço de bronze" diante do povo por ocasião de sua destruição, o rei estava querendo dizer que aquela serpente não era nada mais do que um simples objeto que não deveria nunca ganhar contornos de veneração. (Obs.: Algumas traduções dão a entender que os israelitas adoravam a serpente de bronze chamando-a de "Neustã", mas as melhores traduções, principalmente em outras línguas, entendem que o final do texto diz que Ezequias é que a chamou, por desprezo, de "Neustã". Além da Almeida Atualizada [não confundir com Revista e Atualizada], corroboram isso aKing James, a Young's Literal Translation, a American Standard VersionReina & Valera [espanhol], a Riveduta [italiana], Darby [francesa], a de Lutero [alemã] e dezenas de outras traduções).
Em segundo lugar, o poder vivificante que fluía da serpente de metal foi temporal, servindo só para aquele momento e para prefigurar a morte sacrificial de Cristo, que foi levantado na cruz para dar vida a todos que para Ele olharem com fé. Nada se fala posteriormente sobre a serpente de bronze ter mantido a sua condição de meio para o poder curador.
Em terceiro lugar, sua confecção tinha dois propósitos – um primário, que ficou claro já na época, e outro que só foi clarificado posteriormente por Cristo.O objetivo primário da serpente de bronze era ensinar aos israelitas a submissão. Lembre-se que os israelitas haviam saído do Egito, porém se mostravam rebeldes a Deus e a Moisés. A Bíblia registra que, quando estava a rodear Edom, o povo de Israel começou a se impacientar, falando contra Jeová e Seu servo. Por isso, Deus permitiu que serpentes atacassem os israelitas, o que levou muitos à morte. Como os rebeldes logo depois reconheceram seu pecado e voltaram-se para o Senhor, Ele resolveu livrá-los do mal. Foi aí que Deus orientou Moisés a fazer uma reprodução de metal das serpentes e colocá-la sobre uma haste. À medida que as pessoas eram picadas, olhavam para a serpente sobre a haste e eram imediatamente saradas (Nm 21.4-9). Israel precisava aprender a obediência a Deus. O mesmo Senhor que protegia sua vida poderia punir conforme o erro.
O segundo objetivo foi trazido ao lume séculos depois por Jesus: “E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do Homem seja levantado, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”, Jo 3.14-15. 
Tratava-se, portanto, de uma manifestação da misericórdia divina no Antigo Testamento que apontava para a obra salvadora de Cristo. Aquela serpente de bronze tipifica Cristo, que se fez homem (bronze na tipologia bíblica representa a humanidade) e foi feito pecado por nós (o pecado é representado pela serpente) para nos salvar. Jesus fez-se pecado para que pudéssemos hoje ser livres. Aquela serpente de bronze nos diz que quem deseja ser liberto do pecado e receber a salvação deve voltar-se de coração, na obediência da fé, à Palavra de Deus em Cristo.
Porém, há outra lição que o episódio de "Neustã" nos passa. É a do perigo, muito recorrente em nossos dias, de transformarmos um simples meio – usado por Deus para manifestar a Sua graça – em um objeto de culto. Não era a serpente de bronze que curava, mas Deus. Ele só exigiu que os israelitas olhassem para a serpente de bronze para serem curados porque queria ensinar-lhes, como já falamos, a obediência e, em figura, o que Cristo faria mais à frente. Aquela simples serpente de bronze era apenas um meio e um objeto de valor didático para o povo de Israel e para nós hoje. Porém, os israelitas, tendentes à idolatria, endeusaram aquele pedaço de bronze.
Assim como aconteceu naqueles dias, acontece muito atualmente, quando, por exemplo, algum cristão idolatra um líder, um conferencista ou um cantor, que nada mais são do que simples bronze e um meio, um canal por onde a graça de Deus flui para alcançar vidas.
Quem cura é Deus. Quem salva é Deus. Quem liberta é Deus. Quem transforma é Deus. Quem toca os corações é Deus. Quem convence é Ele. Entretanto, não é raro muita gente atribuir a Neustã, ao “pedaço de bronze”, a glória que só a Deus pertence.Quis Deus usar excepcionalmente aquele pedaço de bronze há milhares de anos como condição para a cura, assim como prefere nos usar hoje, apesar de nossas falhas, para a concretização de seus planos. Os anjos queriam realizar a nossa missão, diz o apóstolo Pedro (1Pe 1.12), mas Deus preferiu que fôssemos nós mesmos, simples bronze em Suas mãos. Logo, somos apenas canais usados pela generosidade divina.
Portanto, se é Deus, pela sua graça, que nos usa, não aceitemos os incensos que nos são ofertados, as glórias que nos são lançadas, mas remetamos todas elas a Deus, nosso Senhor, o verdadeiro curador, libertador e abençoador.
Quando transformamos um canal em objeto de culto, estamos transformando o simples bronze em um deus. "Neustã" não é Deus. "Neustã" é só "Neustã", um mero pedaço de bronze, que Deus quis usar para trazer, para transmitir algo a alguém.Como o rei Ezequias, chamemos "Neustã" apenas de "Neustã".
E se "Neustã" está sendo chamado de “deus” em seu coração, coloque fim hoje a esse culto abominável em sua vida, em nome de Jesus.
E você que prega, ensina, canta ou dirige, detendo alguma parcela de liderança e exemplo na obra de Deus, não permita que sejas visto como algo mais do que és: um simples pedaço de bronze nas mãos de Deus.
“E se 'Neustã' já estiver a receber incensos incessantes?” Talvez seja hora de ele ser desfeito, como fez o rei Ezequias com aquela serpente de metal (2Rs 18.4). Talvez seja hora de ser despedaçado e dissolvido pelo fogo de Deus para ganhar uma nova forma, que não lembre mais a antiga, para que não mais entristeçamos o coração de Deus, mas continuemos a ser usados graciosamente por Ele. Isso se queremos, como o rei Ezequias, fazer o que é reto aos olhos do Senhor (2Rs 18.3).
Deixe "Neustã" ser apenas "Neustã" e Deus continuará a ser Deus na sua vida!

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