quarta-feira, 6 de março de 2013

Lição 10 - Há Um Milagre em Sua Casa - 1

HÁ UM MILAGRE EM SUA CASA
Neste capítulo estudaremos o texto bíblico sobre a multiplicação do azeite na casa da viúva (2 Rs 4.1-7). Não há dúvidas de que esta é uma das mais surpreendentes passagens bíblicas. Nela vemos o pouco ficar muito, a escassez se converter em abundância e o vazio ficar cheio! Vemos ainda como a graça de Deus alcança os corações desesperados. Esse texto, portanto, é bem claro em revelar que os milagres acontecem primeiramente em decorrência da bondade de Deus e cm resposta a uma fé obediente.

Em abril de 2012 fui convidado para ministrar em uma Escola Bíblica para Obreiros. Usei como base da minha palestra os primeiros sete versículos do quarto capítulo do segundo livro de Reis. Fundamentei meu sermão no versículo: “E o azeite parou” (2 Rs 4.6). Sabemos que à luz da Escritura, o azeite é um dos muitos símbolos do Espírito Santo e podemos usá-lo de forma apropriada como uma metáfora para ilustrá-lo. A pergunta a ser feita no atual contexto evangélico brasileiro é: Por que o azeite está parando? Dizendo isso de uma outra forma, por que a influência do Espírito Santo em nosso meio parece estar diminuindo? Por que os pentecostais, que já somam mais de meio bilhão de seguidores, parecem influenciar cada vez menos o mundo a sua volta? Alguma coisa parece estar errada ou no mínimo fora de lugar.

Acredito que esse capítulo traz uma resposta satisfatória para nós. Vamos analisá-lo de uma forma mais detalhada e detectar porque o atual avivamento aviva cada vez menos!

Por que o azeite está parando?

Em primeiro lugar, o azeite para quando ele não está sendo usado na esfera familiar — ‘Dize-me que é o que tens em casa” (2 Rs 4.2). Essa foi a pergunta feita pelo profeta Eliseu. Todo avivamento genuíno tem início a partir da família. Sem famílias renovadas não há avivamento. Recentemente o escritor norte-americano Wayne Gruden escreveu um livro intitulado: Famílias Fortes, Igrejas Fortes.1 E a pura verdade. O contrário também é verdade — famílias fracas, igrejas fracas! Por que estamos vivendo um avivamento que parece cada vez mais influenciar cada vez menos? Queremos uma igreja revitalizada, mas as famílias estão doentes e por essa razão os avivamentos são tão superficiais.

Aqui cabe a pergunta: o que temos em casa? Quem somos na igreja é um reflexo do que temos em casa. Quando Paulo escreveu sobre as qualificações exigidas para os ministros do evangelho, ele pôs a família na ordem de prioridade (1 Tm 3.2,4).

Aqui está o modelo ideal de família e de um ministério autêntico. Ainda lembro da norte-americana que foi minha professora de Novo Testamento no Seminário Batista no qual me formei. Aquela amada professora fora missionária por longos anos na China e viera concluir seu ministério como professora de Novo Testamento e Teologia Bíblica naquele Seminário. Ela costumava dizer que o obreiro que tivesse filhos indisciplinados ou desviados do evangelho estava desqualificado para liderar. Segundo ela, o pastor que se encontrava nessa situação deveria pedir uma licença para cuidar da família. Nós sabíamos que não se tratava de uma análise superficial, mas a reflexão de alguém que devotou toda a sua vida ao ministério, inclusive escolhendo ser celibatária para melhor servir ao Senhor.

Muitos anos já se passaram depois que ouvi aquelas palavras, mas elas continuam ecoando em minha mente. Será que estamos levando a sério essas recomendações do apóstolo, pondo a família em lugar de destaque no ministério? Infelizmente muitos obreiros não educaram seus filhos e muito menos os criaram sob disciplina. A consequência disso são frequentes escândalos envolvendo filhos de pastores. E o que é pior, parece que nos encontramos totalmente despreparados para enfrentar uma cultura mundanizada.

Não tenho dúvidas de que o advento da cultura pós-moderna abriu uma fissura enorme na tradição cristã ocidental. Com o advento da pós-modernidade a partir dos anos 60 e 70, uma era de incerteza e de verdades fragmentadas passaram a imperar em todos os segmentos da sociedade, inclusive mudando a sua cosmovisão.2 Antes, os valores judaico-cristãos dominavam em nossa cultura ocidental, mas com o advento do pós-modernismo, novos valores passaram a nortear a nossa forma de pensar. Parece que a igreja foi pega de surpresa e seus líderes ficaram como barco à deriva sem saber bem o que fazer. Quando um paradigma cai, ensinou Thomas Kuhn em sua teoria das revoluções científicas, um outro paradigma ocupa o lugar do antigo.3 O problema é que muitas vezes não há um modelo devidamente estruturado para preencher o espaço deixado pelo antigo paradigma que deixou de existir.

Traduzindo isso em palavras mais simples, quando o modelo pós-moderno de enxergar as coisas chegou oficialmente, ficamos a observar os valores tradicionais que protegiam nossa sociedade, e consequentemente nossas famílias, serem pulverizados e ficamos apenas assistindo a tudo isso sem dar uma resposta, à altura, a esse ataque. Muitos anos depois, os pastores, teólogos e filósofos cristãos acordaram para a seriedade da coisa e passaram a atacar de forma sistemática esse sistema maligno que fragmentou a estrutura dos valores da cultura judaico-cristã. Infelizmente parece que a reação aconteceu muito tarde e hoje vemos uma nova cosmovisão imperando em nossa sociedade e ditando como deve ser a vida do nosso povo e consequentemente de nossas famílias.

De acordo com a educadora Maria Cândida, os novos referenciais norteadores da educação pós-moderna são:

1. Totalidade indivisa — O universo, incluindo o observador, se fundem num todo indiviso. Não existem partes. As partes, na verdade, são fios de uma teia inseparável de relações. O universo é, portanto, relacional.
2. Pensamento sistêmico — O mundo físico é compreendido como uma rede de relações, de conexões, e não mais como uma entidade fragmentada, uma coleção de coisas separadas. Não existem partes isoladas.
3. Em holomovimento — O mundo é concebido em termos de movimento, fluxo de energia e processos de mudança e transformação. A consciência de que todo o universo está em movimento tem implicações sobre a educação.
4. Pensamento em processo — Tudo é fluxo e está em processo. Nada é definitivo. Não pode haver uma forma definitiva de um determinado pensamento. Este tem que ser visto como estando em processo, como forma e conteúdo em perpetua mudança.
5. Conhecimento em rede — Passa-se do conhecimento como blocos fixos e imutáveis para o conhecimento em rede. Não existe mais uma ciência ou disciplina, que seja mais fundamental do que qualquer outra coisa. O enfoque disciplinar atual é fruto do racionalismo científico que modelou o pensamento humano durante séculos.
6. Teorias transitórias — E ilusória a natureza da verdade factual. Não há verdade absoluta. Não existem dogmas. Não existe certeza científica.
7. Unidade do conhecimento — O conhecimento do objeto depende do que ocorre dentro do sujeito, de seus pressupostos internos, o que nos leva a crer que cada indivíduo organiza sua própria experiência.4
O que fazer, pois diante desse desafio cultural emergente? O que tens em tua casa? Que valores estão norteando a nossa família? Será que são valores cristãos que estão orientando a nossa fé ou é um paganismo cristianizado? Como confrontar esse novo paradigma? O escritor Stanley Grenz aponta os seguintes pressupostos:
1. Anunciando o núcleo da fé— se o homem moderno se interessava mais com a mente do que com o corpo, hoje a coisa está invertida. O evangelho não deve desprezar essa tendência humana; 
2. Dar respostas às perguntas básicas do ser humano. O problema da culpa é o grande mal do homem pós-moderno. O evangelho deve buscar forma de alcançar esse homem; 
3. Pregar a ética do arrependimento — o homem que aceitou a Cristo não pode viver como se nada tivesse acontecido; 
4. Reivindicar uma moral de bússola — a moral pós-moderna é denominada de moral de radar, enquanto a moral cristã é denominada de moral de bússola — apontando para um norte; 
5. Fomentara esperança — o verdadeiro evangelho alimenta uma visão escatológica; 
6. Dar a conhecer a Escritura — a Bíblia deve ser o livro inspirador da evangelização; 
7. Mostrara razoabilidade do cristianismo — a pós-modernidade se caracteriza pelo auge do sentimentalismo e a igreja deve cultivar, dentro dos limites lógicos, esta dimensão emotiva do ser humano; 
8. Não confundir universalidade com universalismo — o evangelho é universal sem, contudo, ser universalista; 
9. Princípios morais — é necessário resistir à tentação de substituir a voz viva de Cristo por uma simples propaganda publicitária; 
10. Conscientizar-se de que o evangelho não se resume a um rígido código moral— quando a evangelização se reduz a um conjunto de proibições perdeu-se o significado do evangelho.5
Em segundo lugar, o azeite para quando a porta não está fechada — “Então, entra, e fecha a porta” (2 Rs 4.4). A porta deveria estar fechada a fim de que o milagre pudesse acontecer! Deus não faz shows. Quem gosta de pirotecnia são os pregadores midiáticos que até mesmo para espirrar chamam as câmeras de televisão para mostrar! Eles gostam de holofotes! Adoram glamour! Mas a Bíblia mostra aqui que o milagre deve acontecer com as portas fechadas! Isso faz lembrar a ressurreição da filha de Jairo (Lc 8.49-56).

Jesus mandou sair a todos, exceto Pedro, Tiago e João! Ele não gostava de publicidade ou de marketing como os pregadores de hoje! Ele buscava a glória para Deus.

A propósito, comenta o expositor bíblico F. B. Meyer (2002, p.203) que: “O ministério de Eliseu não teve nada de bombástico. Foi redentor e construtivo. Viúvas o procuravam buscando auxílio contra credores; mães apelavam em favor de seus filhos; o veneno perdeu sua ação mortífera; e pães foram multiplicados. Não julguemos alguém pelo barulho que ele faz. O orvalho chama menos a atenção do que uma trovoada, mas pode ser mais revitalizador. Quem tem um ministério tranquilo não temerá comparação com o de outrem cujas explosões de paixões costumam ser acompanhadas por reações e depressões. E preferível gozar doze horas diárias de sol, todos os anos, do que ter um longo dia de vários meses seguido por uma longa noite, como ocorre nos poios.”6 

Em terceiro lugar, o azeite para quando a estrutura fica inadequada — “Não há mais vasilha nenhuma” (2 Rs 4.6). O azeite parou porque não cabia mais nas vasilhas ou porque a estrutura ficou inadequada para o tamanho do milagre. O pentecostalismo surgiu como um “Movimento” e não como uma denominação! Isso é importante porque nenhuma denominação pode reivindicar sua patente. O pentecostes não pode ser patenteado! O que parece estar acontecendo no atual avivamento brasileiro é a inadequação das estruturas existentes para conter o azeite pentecostal. A nossa estrutura parece se assemelhar com as cisternas do tempo do profeta Jeremias que não podiam conter água: “Porque dois males cometeu o meu povo: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retém as águas.” (Jr 2.13).

Em quarto lugar, o azeite para quando não há prestação de contas — “Vende o azeite e paga a tua dívida” (2 Rs 4.7). Há um avivamento brasileiro que é totalmente inconsequente. Ninguém presta contas de nada! É escândalo por cima de escândalo! A imprensa mostra, quase que diariamente, os truques usados por pregadores midiáticos para arrancar dinheiro de seus fiéis. Temos um clero com a mesma estrutura do período medieval onde os privilégios se tornaram escandalosos e isso pode ser facilmente observado. Basta verificarmos os super salários pagos a muitos líderes religiosos para constatar esse fato. Há líderes enriquecendo à custa do espólio das igrejas.7

Em quinto lugar, o azeite para quando ele fica rançoso — ‘Ordenarás aos filhos de Israel que te tragam azeite puro de oliveira” (Ex 27.20). O azeite tinha que ser puro, não podia ser estragado. Quando o azeite está estragado ele fica rançoso. Temos muito óleo no atual contexto evangélico brasileiro. As estatísticas atualizadas informam que o pentecostalismo foi o segmento que mais cresceu, correspondendo a 60% da membresia evangélica brasileira. Ê um crescimento espetacular, mas há muito óleo misturado e rançoso nesse meio. E essa mistura que tem estragado o azeite.

A motivação do milagre

A necessidade humana
As bênçãos de Deus vêm em resposta a uma necessidade humana. O milagre ocorrido na casa da viúva de um dos discípulos dos profetas confirma esse fato (2 Rs 4.1-7). O texto expõe a extrema situação de penúria na qual essa pobre mulher havia ficado. Perdera o marido, que havia falecido, e agora corria o risco de perder os filhos para os credores se não quitasse uma dívida. Era costume naqueles dias um credor obrigar um devedor a saldar a sua dívida através do trabalho servil ou escravo (2 Rs 4.1b). Essa mulher, portanto, necessitava urgentemente que alguma coisa fosse feita para tirá-la daquela situação. Sabedora de que o profeta Eliseu era orientado por Deus, recorreu a ele (v.l). A Escritura mostra que o Senhor socorre o necessitado (SI 40.17; 69.33; Is 25.4; Jr 20.13).

Warren W. Wiersbe põe em evidência esse fato quando comenta: “De acordo com a lei hebraica, um credor poderia tomar um devedor e seus filhos como servos, mas não deveriam tratá-los como escravos (Ex 21.1-11; Lv 25.29-31; Dt 15.1-11). Seria uma grande tristeza para essa mulher perder o marido para a morte e os dois filhos para a servidão, mas Deus é aquele que “faz justiça ao órfão e à viúva” (Dt 10.18; SI 68.5; 146.9) e enviou Eliseu para ajudá-la.”8

A misericórdia divina
O milagre ocorrido na casa da viúva aconteceu como resposta a uma carência humana, mas não apenas isso. Ele ocorreu também graças à compaixão divina. Não foi apenas por ser pobre que a viúva foi socorrida, nem tampouco por haver sido esposa de um dos discípulos dos profetas (2 Rs 4.1). O texto diz que ela “clamou” ao profeta Eliseu (2 Rs 4.1). O termo hebraico que traduz essa palavra é tsa'aq, que possui o sentido de clamar por ajuda, chorar em voz alta. O profeta ficou sensibilizado; Deus se compadeceu daquela mulher sofredora. O Senhor é compassivo, misericordioso e longânimo (Ex 34.6; 2 Cr 30.9; SI 116.5). “Esse acontecimento” comenta William MacDonald, “ilustra graça para com o devedor, suficiente para atender às necessidades presentes e prover sustento futuro. A graça de Deus para com os pecadores necessitados nos liberta da dívida e da escravidão, além de prover tudo de que precisamos para uma vida nova.”9

A dinâmica do milagre

Um pouco de azeite
Diante do clamor da viúva, o profeta Eliseu perguntou-lhe: “Que te ei de fazer? Dize-me o que é que tens em casa. Ela respondeu: tua serva não tem nada em casa, senão uma botija de azeite”(2 Rs 4.2). Duas coisas precisam ser observadas aqui. Em primeiro lugar, como já destacamos, o milagre deve acontecer na esfera familiar: “o que tens em casa”. O lar e a família são importantes para Deus. Em segundo lugar, um pouquinho pode se tornar muito se ele vem com a bênção de Deus. De fato o texto hebraico destaca que a porção de azeite da mulher era tão minguada que ela quase esqueceu que o possuía. Todavia foi esse pouco que o Senhor usou para operar esse grande milagre. O que possuímos pode ser bem pouco, mas é suficiente para Deus operar seus propósitos. Donald J. Wiseman (2008, pp.177,178) destaca que “a botija (' sûk) de azeite” (AV; NVI um pouco) é, aqui, um exemplo singular, provavelmente referindo-se a um pequeno frasco de óleo. O socorro sempre começa a fluir com o pouco que temos em mãos. Eliseu evoca ação e fé com perguntas e palavras (“não poucas”) de encorajamento. A quantidade de azeite foi limitada apenas por conta da falta de fé da mulher ao não conseguir mais vasilhas vazias (AV “vasilhas”, kelim) — uma palavra genérica para utensílios, independente do tipo ou tamanho.”10

Uma fé obediente
A instrução dada pelo profeta Eliseu para solucionar o problema da viúva é bastante reveladora sobre como se dá a dinâmica desse milagre (2 Rs 4.3-5). Observa-se que em um primeiro momento o profeta chamou a mulher à ação: “Vai, pede emprestadas vasilhas”. A fé é demonstrada pela ação (Tg 2.17). Jesus também viu a fé do paralítico e dos homens que o conduziram em Cafarnaum (Mc 2.1-12). Em segundo lugar, com já foi destacado, o milagre deveria acontecer de portas fechadas: “Fecha a porta”, disse o profeta. E possível que uma das causas que justifique a escassez de milagres hoje esteja no fato de se buscar publicidade. Deus quer privacidade, mas os homens gostam de notoriedade. Gostam de aparecer e se vangloriar (Lc 12.15). Deixam a porta aberta para serem vistos!

Os instrumentos do milagre

O instrumento humano
Por várias vezes no livro de 2 Reis, o profeta Eliseu é chamado de “Homem de Deus” (2 Rs 4.7; 4.9; 4.16; 6.9). Sem dúvida esses textos demonstram que Eliseu era um instrumento de Deus para a operação de milagres. Deus usa homens! Esse é um fato fartamente demonstrado na Bíblia. Para formar uma nação e através dela revelar seu plano de salvação para a humanidade, o Senhor chamou Abraão (Gn 12); para tirar os israelitas do Egito, Deus usou Moisés (Ex 4.1-17); para levar a mensagem do evangelho aos gentios, o Senhor usou a Pedro (At 10,11). Deus também chamou a Paulo para ser “um instrumento escolhido” para levar seu nome perante os nobres (At 9.15). Para nos salvar, Deus se humanizou na pessoa bendita de Jesus Cristo (Jo 1.1; 1.18, Fp 2.1-11).

O instrumento divino
Quando uma grande fome assolava Samaria, o profeta Eliseu profetizou abundância de alimentos: “Então, disse Eliseu: Ouvi a palavra do Senhor; assim diz o Senhor: Amanhã, a estas horas mais ou menos, dar-se-á um alqueire de flor de farinha por um siclo, e dois de cevada, por um siclo, à porta de Samaria” (2 Rs 7.1). O cumprimento dessa profecia parecia pouco provável naqueles dias, a ponto do capitão em cujo braço o rei se apoiava haver ironizado: “Ainda que o Senhor fizesse janelas no céu, poderia suceder isso?” (2 Rs 7.1). Mas a profecia se cumpriu literalmente, exatamente como Eliseu havia predito (2 Rs 7.16-20). O texto põe a palavra do Senhor como agente causador desse milagre. O cronista observa que esses fatos ocorreram “segundo a palavra do Senhor” (2 Rs 7.16). O que o Senhor faz, Ele o faz através de sua Palavra.

O objetivo do milagre

Uma resposta ao sofrimento
Todos os textos narrando os milagres realizados através do profeta Eliseu deixam bem claro que os mesmos ocorreram em resposta a uma necessidade humana e também em resposta ao sofrimento (2 Rs 4.1-7; 4.8-38; 5.1-19; 6.1-7). Nos dias de Eliseu e ainda no reinado de Acabe, Samaria foi cercada por Ben-Hadade, rei da Síria. O efeito desse cerco foi: “Houve grande fome em Samaria; eis que a sitiaram, a ponto de se vender a cabeça de um jumento por oitenta ciclos de prata e um pouco de esterco de pombas por cinco ciclos de prata” (2 Rs 6.24,25). Era evidente o sofrimento do povo! Foi no contexto desse sofrimento que o Senhor conduziu Eliseu a profetizar abundância de víveres (2 Rs 7.1). O Novo Testamento mostra que o Senhor Jesus Cristo libertava e curava porque se compadecia do sofrimento humano (Lc 13.10-17; Mc 1.40-42).

Glorificar a Deus
Os milagres, portanto, são uma resposta de Deus ao sofrimento humano; todavia eles não se centralizam no homem, mas em Deus. Os milagres narrados nas Escrituras, tanto no Antigo com em o Novo Testamento, objetivam a glória de Deus. Em nenhum momento encontramos os profetas buscando chamar a atenção para si. Quem tentou fazer isso e se beneficiar de forma indevida dos milagres de Deus foi Geazi, o moço de Eliseu. Quando assim procedeu foi punido de uma forma dura (2 Rs 5.20-27). Em o Novo Testamento observamos Pedro e Paulo pondo em destaque esse fato e mostrando que Deus e não os homens devem ser glorificados (At 3.8,12; At 14.14,15).

Larry Richards vê o propósito desse milagre da seguinte forma: “Novamente, esse foi um evento extraordinário claramente causado por Deus. Mas qual foi o propósito religioso desse milagre? Por um lado, ele testificou o amor compassivo de Deus e a preocupação do seu profeta. Porém, mais que isso, revelou nitidamente que a fé ainda é um recurso para os desamparados. O Deus que podia derrotar exércitos, também pode suprir as necessidades dos fracos que confiam nEle.”11

O milagre da multiplicação do azeite é um testemunho do poder da graça de Deus que se compadece dos sofredores que a ele buscam. O foco, portanto, dessa bela história não é a viúva nem tampouco o profeta Eliseu, mas o Senhor que através da instrumentalidade do seu servo abençoa a essa pobre mulher. A história nos faz lembrar um outro feito extraordinário e muito mais relevante do que esse: a multiplicação dos peixes e pães por nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Ele, sim foi o verdadeiro pão que desceu do céu: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém dele comer, viverá eternamente” (Jo 6.51). Ele foi, é e sempre será a resposta para todo sofrimento humano.


Extraído do livro:
Este livro servirá como auxílio suplementar da nova Lição CPAD
Em Porção Dobrada obra escrita com os rigores de uma exegese e uma hermenêutica bíblica sadia, o leitor poderá ter uma clara visão do paralelo entre os dias de Elias e Eliseu e os nossos, o que inclui as crises religiosas, sociais, morais, políticas e econômicas vivenciadas pelos profetas.É nesse contexto de crise que o Senhor levanta homens e mulheres como porta-vozes, dando aos líderes e ao seu povo a oportunidade de se arrependerem de seus pecados e de se voltarem para Ele.

A sucessão ministerial, um dos grandes problemas da liderança, também é abordado nesta obra. pastores, lideres em qeral, e crentes que amam e temem ao Senhor, com certeza encontrarão e extrairão destas páginas grandes lições a serem aplicadas no ser e fazer cristão. 

1 GRUDEN, Wayne. Famílias Fortes, Igrejas Fortes. Sao Paulo: Editora Vida.
2 Conceito desenvolvido por Ilya Prigogine em seu livro O Fim das Certezas - tempo, caos e as leis da natureza. São Paulo: Editora UNESP, 1996. Prigogine é professor da Universidade Livre de Bruxelas e da Universidade do Texas e ganhador do prêmio Nobel de Química.
3 KHUN, Thomas. A Estrutura das Revoluções Científicas. São Paulo: Editora Perspectiva.
4 MORAES, Maria Cândida. O Paradigma Educacional Emergente. Editora Papirus.
5 GRENZ, Stanley J. Pós-Modernismo — um guia para entender a filosofia de nosso tempo. São Paulo: Editora Vida Nova, 1997. Antonio Cruz em seu livro La Postmodernidad, defende pressupostos semelhantes.
6 MEYER, F.B. Comentário Bíblico F.B. Meyer. Minas Gerais: Editora Betânia, 2002.
7 MCGRATH, Alister. As Origens Intelectuais da Reforma. Editora Mundo Cristão.
8 WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo - históricos. Vol. 2, Rio de Janeiro: Editora Central Gospel.
9 MACDONALD, William. Comentário Bíblico Popular. São Paulo: Editora Mundo Cristão, 2010.
10 WISEMAN, Donald J. 1 e 2 Reis - introdução e comentário. São Paulo: Editora Vida Nova.
11 RICHARDS, Larry. Todos os Milagres da Bíblia. São Paulo: Editora United Press, 2005.
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