quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Lição 11° A Ilusória Prosperidade dos Ímpios

A Paciência Divina e o Fim dos Ímpios 1 Deveras me apliquei a rodas estas coisas para claramente entender tudo isto: que os justos, e os sábios, e os seus feitos estão nas mãos de Deus; e, se é amor ou se é ódio que está à sua espera, não o sabe o homem. Tudo lhe está oculto no futuro. 2 Tudo sucede igualmente a todos: o mesmo sucede ao justo e ao perverso; ao bom, ao puro e ao impuro; tanto ao que sacrifica como ao que não sacrifica; ao bom como ao pecador; ao que jura como ao que teme o juramento.3 Este é o mal que há em tudo quanto se faz debaixo do sol: a todos sucede o mesmo; também o coração dos homens está cheio de maldade, nele há desvarios enquanto vivem; depois, rumo aos mortos.4 Para aquele que está entre os vivos há esperança; porque mais vale um cão vivo do que um leão morto.5 Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tampouco terão eles recompensa, porque a sua memória jaz no esquecimento. 6 Amor, ódio e inveja para eles já pereceram; para sempre não têm eles parte em coisa alguma do que se faz debaixo do sol. Ec 9.1 -6

Um tema recorrente abordado pelo sábio Salomão em Eclesiastes é o da aparente prosperidade dos maus. No livro dos Salmos, Davi, pai de Salomão, aborda essa questão com a pergunta: “Por que os justos sofrem e prosperam os ímpios?” (SI 73). Em Eclesiastes o autor observa que os injustos e os néscios parecem levar vantagem sobre os justos e sábios debaixo do sol. E quando nessa arena nivela a ambos é para constatar que o mesmo fim parece suceder a ambos.

Essa também tem sido a constatação feita por cristãos piedosos ao longo da história, o que mostra a atualidade das palavras de Salomão. Mas como Salomão, os cristãos piedosos chegaram à conclusão de que a justiça é sempre melhor do que a injustiça e é preferível ser sábio do que estulto. E isso por uma razão bem simples — seremos medidos pela régua da eternidade e não pelas contingências da vida.

Os Paradoxos da Vida

Os justos sofrem injustiça

Uma das duras realidades experimentadas pelo rei Davi — a constatação de que os justos sofrem, também foi sentida pelo seu filho, Salomão. Davi, em tom de lamento, exclamou: “Pois de contínuo sou afligido, a cada manhã castigado” (SI 73. 14). Mas não era assim com os perversos: “Eis que são estes os ímpios; e, sempre tranquilos, aumentam suas riquezas” (SI 73.12). Salomão também lutou contra o pessimismo quando contemplou essa paradoxal realidade: “Assim também vi os perversos receberem sepultura e entrarem no repouso, ao passo que os que frequentavam o lugar santo foram esquecidos na cidade onde fizeram o bem; também isto é vaidade” (Ec 8.10).

Na arena da vida o justo sofre (SI 73.1-28; F1 1.29). A. W. Tozer, escritor norte-americano, costumava dizer que esse mundo está mais para campo de batalha do que para palco de diversão.O crente fiel e em comunhão com Deus deve estar consciente de que os revezes dessa vida não são indicadores de julgamento divino sobre ele. Também não são prova de uma fé fraca (2 Co 2.4; Cl 1.24; 2 Tm 1.8).

Os maus prosperam em seus caminhos

Por outro lado, tanto Davi como seu filho Salomão constataram que os ímpios prosperam! Davi exclamou: “Com efeito, Deus é bom para com Israel, para com os de coração limpo. Quanto a mim, porém, quase me resvalaram os pés; pouco faltou para que se desviassem os meus passos. Pois eu invejava os arrogantes, ao ver a prosperidade dos perversos” (SI 73.1-3). Salomão como bom observador também viu isso: “Tudo isto vi nos dias da minha vaidade: há justo que perece na sua justiça, e há perverso que prolonga os seus dias na sua perversidade” (Ec 7.15).

Mas o que significa prosperar? Para respondermos a esta importante pergunta faz-se necessário esclarecermos alguns conceitos importantes. A razão para isto está na confusão que se faz com o conceito do que seja “prosperidade”. Na teologia neopentecostal ser “próspero” significa “ter posses”, e “bênção” significa “sucesso”. Partindo desse princípio, algumas anomalias teológicas passam a reger a vida do cristão. Neste contexto a ideia que se tem de um pastor bem sucedido, por exemplo, é de alguém que está se “dando bem” ou que é possuidor de muitos bens.

Dentro desse contexto a teologia da cruz foi suplantada pelo desejo de consumo. Basta ver as dezenas de programas de televisão vendendo a granel promessas de prosperidade financeiras. Dentro dessa ótica, um pastor bem-sucedido é alguém que não mora de aluguel e que possui, no mínimo, um carro do ano para andar. Mas isso está longe do que seja a prosperidade bíblica. Precisamos deixar bem claro que Deus quer que seus filhos sejam prósperos, mas isso não pode ser confundido simplesmente com aquisição de “posses” ou “bens”. Nem tampouco a bênção do Senhor pode ser confundida simplesmente com sucesso. Alguém pode possuir muitos bens, ter muitas posses, e ainda assim não ser uma pessoa próspera. Por outro lado, uma pessoa pode ser abençoada por Deus sem, contudo, ter aquele “sucesso” que o mundo tanto aplaude. Vejamos o Salmo 73, em que essas diferenças conceituais se tornam bem claras para nós. No versículo 3 nós lemos: “ Pois eu invejava os arrogantes, ao ver a prosperidade dos perversos” (ARA). E no versículo 12 está escrito: “Eis que estes são os ímpios, e prosperam no mundo; aumentam em riquezas” (ARC). A palavra prosperidade neste último texto traduz o termo hebraico shalew, derivado de shala, e significa “tranquilo”, “próspero”. O contexto desse Salmo 73 deixa claro que o autor ficou perturbado com a aparente prosperidade dos incrédulos. Como isso podia acontecer, se aqueles que temiam a Deus pareciam viver em dificuldades?

Quando ainda se propunha a entender essa aparente contradição da vida, o salmista encontra a chave que solucionará o problema. “Até que entrei no santuário de Deus; então, entendi eu o fim deles. Certamente, tu os pusestes em lugares escorregadios; tu os lanças em destruição” (w. 17,18). Ele descobriu que os ímpios têm posse, mas não prosperidade; os ímpios desfrutam de sucessos, mas não de bênçãos divinas. Para o salmista, a prosperidade era mais uma questão de “ser” do que de “ter”. Ser amigo de Deus é muito mais importante do que aquilo que Ele pode nos dar. “Todavia, estou de contínuo contigo, tu me seguraste pela mão direita. Guiar-me-ás com o teu conselho e, depois, me receberás em glória” (SI 73.23,24).

E esse, precisamente, o conceito de prosperidade no Novo Testamento. Ao escrever aos crentes de Corinto, Paulo diz: “No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte o que puder ajuntar, conforme a sua prosperidade (Gr Euodoo), para que se não façam coletas quando eu chegar” (1 Co 16.2). Para ele, cada cristão possuía a sua prosperidade. Com certeza, ali havia cristãos com mais bens do que outros, mas todos eram prósperos em Cristo.1 Fica, portanto, estabelecido que a espiritualidade de alguém não pode ser medida pelo que tem, mas pelo que é. A régua da eternidade nos medirá tomando como critério a fidelidade e não a prosperidade. A prosperidade bíblica vem como resultado de um relacionamento sadio com Deus (SI 73.17,27,28) e independe de alguém ter posses ou não. Os ímpios têm posses, mas não prosperidade.

A Realidade do Presente e a Incerteza do Futuro

O mesmo fim — a realidade da morte

Há uma chave que é importantíssima para entendermos a mensagem de Eclesiastes. Ela se encontra nos capítulos 2.10; 3.22; 5.17-19 e 9.9: “Esta é a tua porção nesta vida debaixo do sol”. E debaixo do sol que expressamos nossa existência e é debaixo do sol que constatamos nossa finitude! A certeza da morte é uma verdade implacável, tanto para o piedoso como para o pecador! A sentença já foi decretada e é para todos (Hb 9.27). “Este é o mal que há em tudo quanto se faz debaixo do sol: a todos sucede o mesmo; também o coração dos homens está cheio de maldade, nele há desvarios enquanto vivem; depois, rumo aos mortos” (Ec 9.3). Com a realidade da morte tão presente, o futuro parece incerto: “Tudo lhe está oculto no futuro” (Ec 1.1). Se a nossa esperança se limitasse apenas a esta vida seríamos os mais infelizes dos homens (1 Co 15.19).

Destinos diferentes — A certeza da vida eterna

Já vimos que o sábio Salomão escreveu Eclesiastes sob a perspectiva daqueles que se encontravam “debaixo do sol”. Já que a sua análise é puramente existencial, ele se limita a observar a vida do lado de cá e não do lado de lá. Somos seres de duas dimensões e trilhamos por destinos diferentes. Quem está do lado de lá, na eternidade, não participa das coisas de cá, do que é puramente existencial. Neste aspecto “os mortos não sabem de coisa alguma” (Ec 9.5), não porque estão inconscientes, mas porque pertencem a uma outra dimensão. Pertencem a um outro mundo (Ap 6.9;

2 Co 5.8) onde nem mesmo o sol será mais necessário: “A cidade não precisa do sol” (Ap 21.13; Ap 22.5). Em vez de negar a realidade de um outro mundo, onde a alma é imortal, Eclesiastes

(9.5) apenas confirma a sua trajetória nesta vida. É a revelação do Novo Testamento quem jorrará mais luz sobre essa trajetória do lado de lá (Fl 1.23; Lc 16.19-31; 2 Co 5.8; Ap 6.9).

Em Lucas 16.19-31, Jesus conta a história do rico e Lázaro. E uma história do outro mundo!

Ora, havia certo homem rico que se vestia de púrpura e de linho finíssimo e que, todos os dias, se regalava esplendidamente.20 Havia também certo mendigo, chamado Lázaro, coberto de chagas, que jazia à porta daquele;21 e desejava alimentar-se das migalhas que caíam da mesa do rico; e até os cães vinham lamber-lhe as úlceras. 22 Aconteceu morrer o mendigo e ser levado pelos anjos para o seio de Abraão; morreu também o rico e foi sepultado.23 No inferno, estando em tormentos, levantou os olhos e viu ao longe a Abraão e Lázaro no seu seio.24 Então, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim! E manda a Lázaro que molhe em água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama.25 Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro igualmente, os males; agora, porém, aqui, ele está consolado; tu, em tormentos.26 E, além de tudo, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que querem passar daqui para vós outros não podem, nem os de lá passar para nós.27 Então, replicou: Pai, eu te imploro que o mandes à minha casa paterna, 28 porque tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de não virem também para este lugar de tormento.29 Respondeu Abraão: Eles têm Moisés e os Profetas; ouçam-nos.30 Mas ele insistiu: Não, pai Abraão; se alguém dentre os mortos for ter com eles, arrepender-se-ão.31Abraão, porém, lhe respondeu: Se não ouvem a Moisés e aos Profetas, tampouco se deixarão persuadir, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos.

Lembro-me que em 1988, quando eu era ainda um jovem seminarista, o meu professor de homilética pregou um sermão baseado nesse texto: Um Clamor Vindo do Inferno. O esboço dessa passagem geralmente é como segue: 1)0 inferno é um lugar além túmulo; 2) O inferno é um lugar de lembranças; 3) O inferno é um lugar de conhecimento; 4) O inferno é um lugar de separação; 5) O inferno é um lugar de tormentos.

Que a vida segue além-túmulo é uma verdade inconteste no Novo Testamento. Já li muita coisa sobre a vida pós-morte. Em seu Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo, R.N. Champlin, PhD em manuscritos gregos do Novo Testamento, narra uma porção delas. O livro Eles Viram o Inferno, escrito por médicos que acompanharam pacientes terminais, também é assustador. Alguns pacientes que foram dados clinicamente como mortos e que foram ressuscitados artificialmente e voltaram contando histórias aterrorizantes de um inferno de fogo. O mesmo foi narrado por John Lenox em seu livro Quarenta e Oito Horas no Inferno.

Mas há um desses livros que me deixou impactado pelo seu relato sobre a vida pós-morte. Trata-se do livro Por Que Creio, de autoria do Dr. James Kennedy. Os que conhecem o Dr. Kennedy sabem que ele é um dos mais respeitados eruditos norte-americanos. É um homem sem misticismo algum na sua crença, mas que em seu livro pôs um capítulo intitulado: Por que creio no inferno.

Pois bem, nesse livro o Dr Kennedy conta uma dessas histórias que nos deixam pensativo. O livro narra a entrevista que o Dr. Kennedy teve com um ex-ateu que se converteu à fé cristã. A razão da conversão desse ateu foi uma experiência de quase morte que ele teve e durante a qual disse ter ido ao Inferno. Perguntado como era esse lugar, o ex-ateu contou que o sofrimento aliera indescritível. Exemplificou dizendo que certa vez sofreu um acidente em uma linha férrea, sendo arrastado por vários metros. Experimentou uma dor terrível naquele acidente, mas segundo disse, a dor que sofrera no inferno era infinitamente maior. Disse também que quando era ainda jovem sofreu queimaduras no corpo e que a dor provocada pelas mesmas foram terríveis. Mas narrou que isso não podia se comparar ao que vivenciou no inferno.

O Dr Kennedy narra que toda vez que aquele homem contava essa história aterradora, ele começava a suar, passava mal e desmaiava! O inferno é realmente terrível, mas nós, pelo sangue de Jesus, escapamos dele!

A Imprevisibilidade da Vida

As contingências da vida

Possivelmente nenhum outro texto detalhe a imprevisibilidade e contingência da vida como este: “Vi ainda debaixo do sol que não é dos ligeiros o prêmio, nem dos valentes, a vitória, nem tampouco dos sábios, o pão, nem ainda dos prudentes, a riqueza, nem dos inteligentes, o favor; porém tudo depende do tempo e do acaso.12 Pois o homem não sabe a sua hora. Como os peixes que se apanham com a rede traiçoeira e como os passarinhos que se prendem com o laço, assim se enredam também os filhos dos homens no tempo da calamidade, quando cai de repente sobre eles” (Ec 9.11,12).

A vida é imprevisível! Totalmente contingencial! Ricos e pobres, brancos e negros, estão sujeitos às suas vicissitudes. Terremotos, furacões, secas, desempregos, etc., ocorrem não somente em países habitados por pecadores, mas também por crentes piedosos. “A vida é incerta” observa Ed René Kivitz “e de vez em quando somos nós suas vítimas. A imprecisão entre o que fazemos e o que colhemos pode transformar em fatalidade o que sempre teve cara de sucesso. Quem se prepara, estuda e se esforça consegue sempre as melhores posições, certo? Nemsempre, diria o Eclesiastes. Mas não adianta nada se preparar, estudar e se esforçar? Sim, adianta bastante, mas não é suficiente para garantir o sucesso e o conforto merecido. Que o digam os professores universitários”.2

Habitamos em um mundo caído. Todavia o Senhor se faz presente no meio das intempéries da vida (SI 46.1; 91.15).

Aproveitando a vida

O que fazer então ao saber que a vida possui os seus dissabores? Mergulhar em um pessimismo sombrio ou se tornar indiferente a tudo isso? Muitos se deprimem quando a calamidade chega e ainda outros se tornam amargos e se isolam. Salomão, mais do que qualquer outro, sabia que debaixo do sol a vida não era fácil e nem se parecia nem um pouco justa. Mas não a negou nem fugiu da sua realidade. Pelo contrário, aconselhou que em meio às imprevisibilidades da vida devemos nos preocupar em viver aquilo que nos foi tocado como porção: “Vai, pois, come com alegria o teu pão (...) goza a vida com a mulher que amas, todos os dias de tua vida fugaz, os quais Deus te deu debaixo do sol; porque esta é a tua porção nesta vida pelo trabalho com que te afadigaste debaixo do sol” (Ec 9.7,9, ARA).

Vivendo por um Ideal

A morte dos ideais

As palavras de Salomão em Eclesiastes 9.14,15, mostram uma cultura para a qual já não existem mais ideais: “Houve uma pequena cidade em que havia poucos homens; veio contra ela um grande rei, sitiou-a e levantou contra ela grandes baluartes. Encontrou-se nela um homem pobre, porém sábio, que a livrou pela sua sabedoria; contudo, ninguém se lembrou mais daquele pobre” (Ec 9.14,15).

O pobre agiu com sabedoria e idealismo, mas foi esquecido! Parece até mesmo que o Sábio fazia uma leitura da nossa cultura.Nesse ponto, Eclesiastes demonstra ser mais atual do que nunca. A nossa cultura contemporânea ou pós-moderna também não tem mais ideais. Como bem observou Antonio Cruz, teólogo espanhol, ela não se fundamenta mais em nada, visto não possuir certezas absolutas. Tornou as pessoas individualistas e narcisistas, preocupadas consigo mesmas e não com o outro.

Vivendo por uma causa

Mesmo mostrando que as boas ações de alguém não tenham o merecido reconhecimento de outrem, ainda assim Salomão acredita que devemos viver por uma causa. “Então, disse eu: melhor é a sabedoria do que a força, ainda que a sabedoria do pobre é desprezada, e as suas palavras não são ouvidas. As palavras dos sábios, ouvidas em silêncio, valem mais do que os gritos de quem governa entre tolos. Melhor é a sabedoria do que as armas de guerra, mas um só pecador destrói muitas coisas boas” (Ec 9.16-18, ARA).

O expositor bíblico Michael A. Eaton destaca que: “A inversão contida no versículo 16 é verdadeira, no sentido em que os governantes são capazes de se fazer ouvir, enquanto a sabedoria corre o risco de perder-se em meio ao clamor. O contraste tríplice {palavras...gritos, sábios...quem governa...em silêncio...entre tolos) enfatiza a tese. Quem governa não se refere exclusivamente ao rei, mas a qualquer que pertença às classes governantes (cf. 2 Cr 23.20; Pv 22.7). Equilibrando-se sábios com quem governa,

o autor indica que a autoridade não está, necessariamente, do mesmo lado da sabedoria. Gritos parece referir-se, aqui, aos berros de autoconfiança de um “governador distrital” local. Ao seu lado há um bando de bajuladores vociferantes que exercem péssima influência. Há mais esperança de sabedoria nas palavras ouvidas em silêncio (ligado à confiança em Is 30.15, e à alegria, em 4.6). Dessa forma, a sabedoria nem sempre prevalecerá; a gritaria, a verbosidade e o poder poderão triunfar contra ela. A sabedoria não dispõe de garantias embutidas”.3Acreditar em valores morais e espirituais e procurar viver à altura deles em meio a uma sociedade relativista e vazia de idealismo não tem garantia nenhuma de algum reconhecimento. Todavia ainda assim vale a pena viver por um ideal. Mais do que qualquer outro, o cristão sabe que nesta vida há causas pelas quais vale a pena lutar (Ef 3.14; At 20.24; 2 Tm 4.7).

Debaixo do sol a vida se mostra como ela é. Às vezes parece totalmente sem sentido, e em muitas outras, cheia de paradoxos. Mas é a vida e precisa ser vivida. Salomão não somente observou essa dura realidade, mas também a experimentou. Para não cairmos em um pessimismo impiedoso e nem tampouco em um indiferentismo frio, devemos então viver a vida a partir da perspectiva da eternidade. É a partir daí que tomaremos consciência de que há uma causa digna pela qual lutar e assim evitaremos cair nas malhas do pessimismo.

(texto extraído do livro Pastor Jose Gonçalves Sábios Conselhos Para Um Viver Vitorioso (CPAD, 2013). José Gonçalves, e pastor em Água Branca, Piauí, graduado em Teologia pelo Seminário Batista de Teresina e em Filosofia pela Universidade Federal do Piauí. Ensinou grego, hebraico e teologia sistemática na Faculdade Evangélica do Piauí. É comentarista de Lições Bíblicas da Escola Dominical da CPAD e autor dos livros:Missões – o mundo pede socorro (Ed Halley); Por que Caem os Valentes (CPAD); As Ovelhas Também Gemem (CPAD); Defendendo o Verdadeiro Evangelho (CPAD); A Prosperidade à Luz da Bíblia (CPAD); Rastros de Fogo – o que diferencia o pentecostes bíblico do neopentecostalismo (CPAD); Porção Dobrada (CPAD); Sábios Conselhos para um Viver Vitorioso (CPAD) e co-autor do livro: Davi – as vitórias e derrotas de um homem de Deus (CPAD, prêmio ABEC). É presidente do Conselho de Doutrina da Convenção Estadual das Assembleias de Deus no Piauí e membro da Comissão de Apologética da CGADB.

Notas

1 GONÇALVES, José. Defendendo © Verdadeiro Evangelho. Rio de Janeiro: CPAD, 2009.
2 KIVITZ, Ed René. O Livro mais Mal-Humorado da Bíblia - acidez da via e a sabedoria do Eclesiastes. São Paulo: Mundo Cristão, 2009.
3 EATON, Michael A, CARR, G. Lloyd. Eclesiastes e Cantares — introdução e comentário. São Paulo: Mundo Cristão, 2008.

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