sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Marcos 1.15 Arrependei-vos e crede no evangelho- I

Introdução: “Arrependei-vos e crede no evangelho”.  Estas duas exortações fazem parte da mensagem inicial de Cristo no seu ministério, e caminhavam juntas com outras duas afirmações: “o tempo está cumprido e o reino de Deus está próximo”.

Logo ao sair do batismo, Jesus foi impelido ao deserto, onde permaneceu quarenta dias, sendo tentado por Satanás. Depois da prisão de Joao Batista, ele segue para a Galiléia e ali começou a pregar o evangelho de Deus.

“Arrependei-vos e crede no evangelho”.

Não é fácil se arrepender...
Não é fácil crer no evangelho...

Mas Jesus exorta seus discípulos a tomarem estes dois passos iniciais. Arrependimento e fé no evangelho.

Precisamos entender o significado destas duas afirmações.

Por que é difícil se arrepender?

O que não é arrependimento?

Resultado de imagem para Arrependei-vos e crede no evangelho1. Arrependimento não é remorso – Muitos, ao praticarem coisas erradas, passam a ser consumidos pelo remorso, remoendo sua culpa e se auto condenando. O problema da culpa, é que ela pode ser comparada a uma queda dentro de um buraco. Se você cair, a regra número é “para de cavar”, porque o buraco só vai aumentar.

Arrependimento gera muita tristeza, mas nos renova.
Remorso gera muita tristeza e nos adoece.
“Porque a tristeza segundo Deus, produz arrependimento para a salvação, que a ninguém traz pesar; mas a tristeza do mundo produz morte” (2 Co 7.10). Não é nítida a diferença?
Tristeza por remorso, pode ser paralisante, não gera vida, mas pesar, doenças do espirito, depressão.
Arrependimento não é remorso.

2. Arrependimento não é meia culpa, mas mea culpa – Meia culpa é admitir uma culpa pela metade, o que pode pulverizar a nossa responsabilidade por uma ato pecaminoso ou tresloucado. Mea culpa, é uma locução latina que significa “minha culpa”, ou “minha culpa somente”.

A expressão advém da parte da confissão na liturgia católica. “o adjetivo maxima pode ser inserido, resultando em mea maxima culpa, que poderia ser traduzido como "minha mais [grave] falha" ou "minha mais [grave] culpa". Consiste num pedido de perdão ou num reconhecimento da própria culpa” (wikipedia).

O verdadeiro arrependimento não diz “sou meio responsável”, mas assume o fato de que é o principal responsável. Isto me leva a não me confessar justificando-me ou explicando as causas da minha queda. não reparto a culpa com ninguém, e nem tento dirimir a gravidade das minhas escolhas morais, não busco um bodo expiatório na minha confissão.

3. Arrependimento não é delação premiada – Nos nossos dias estamos nos acostumando a ouvir este termo.

Quando uma pessoa está envolvida num esquema de fraude ou na formação de uma quadrilha e a policia tem interesse de desmantelar a quadrilha, então oferece vantagens ao delator para que se ele entregar o grupo, a pena seja amenizada. 

Arrependimento não é uma confissão para fugir da condenação. Confissão oportunista e utilitarista. Do tipo que, “se não for pego, não me arrependo”, mas que “sendo pego, admite a culpa para fugir da pena”. Neste caso não há arrependimento, mas negociação.
Arrependimento bíblico não é negociata com Deus, mas a afirmação de que reconheço meu fracasso e admito a gravidade do meu mal.

4. Arrependimento não é a tentativa de reparar os erros, tentando subornar o ofendido. Isto é muito comum nos relacionamentos familiares.

O marido fez algo errado, e a mulher descobriu. Ele encontra-se numa situação vergonhosa e em desvantagem, e precisa acertar a conta com a sua esposa. Então, ao voltar para casa, ele traz flores ou um chocolate especial, para amenizar a ofensa. Ele não quer admitir e nem falar sobre o assunto. Se a esposa realmente o ama, certamente dirá: “Muito obrigado, mas precisamos conversar!”. O presente não diluirá a necessidade da admissão, confissão, reparação. Ele precisa demonstrar desejo de mudança.

O filho faz algo errado, e sabe que seus pais tem grandes chances de descobrirem o que ele fez. Ele está angustiado e triste, tem medo da disciplina, e então, passa a tratar os pais com o máximo cuidado, tornam-se atenciosos e carinhosos, mas tudo isto não passa de malandragem e tentativa de ludibriar os pais. Isto não é arrependimento.

Então, o que é arrependimento?

1. Entrar em contato com suas sombras e com seu mal – quando acontece o arrependimento, grande tristeza toma conta do coração, porque percebo o que os teólogos chamam de “total depravação”, enxergo em mim a natureza caída.

Quando isto acontece, preciso admitir que falhei, pisei em falso, ofendi, trai, menti, enganei. No arrependimento o “impostor que habita em mim” é desmascarado. É possível vermos isto ao ser confrontado por Natã com seu adultério e assassinato e dizendo sem se desculpar ou tentar explicar-se: “Pequei!” (2 Sm 12.13). Ele não apresenta defesa, não se justifica.

2. Reconhecer que a ofensa foi contra a santidade de Deus – No arrependimento, não estamos preocupados com nossa reputação, mas com a santidade e a glória de Deus que foram feridas. Independentemente de ser apanhado o meu problema é espiritual e tem a ver com o Eterno.

A santidade de Deus foi brutalmente atingida. Davi afirma isto a Natã “Pequei contra o Senhor!” (2 Sm 12.13). Por isto ele entra agora num momento de dor profunda porque ele perde a comunhão com Deus. “Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova-me com espírito inabalável. Não me repulses da tua presença, nem me retires o teu Santo Espírito. Restitui-me a alegria da tua salvação e sustenta-me com um espírito voluntário” (Sl 51.10-12). 

3. Arrependimento implica em retorno – Significa literalmente “voltar atrás”, ou “retornar por outro caminho”. Estávamos seguindo numa direção, quando ocorre o arrependimento, e em contrição e dor, voltamos para o caminho certo.

Isto pode ser percebido claramente no filho pródigo. 

Ele foi irresponsável, leviano, inconsequente, precipitado e descaridoso no seu agir, O texto o descreve como “dissoluto” (Lc 15.13). Ele está interessado apenas em si mesmo. Seu materialismo é desumano e irresponsável (Lc 15.13-14) e a consequência foi a fome e a miséria. No desespero, procura a pessoa errada e o seu trabalho não era suficiente para o alimentar. Submete-se a tarefas incompatíveis com sua fé e passa a cuidar de porcos.

Neste cenário de queda e fracasso, este moço dá a volta e supera esta sua anti-história, “cai em si” (Lc 15.17 - Alguns caem nos outros), admite seu fracasso e diz: “levantar-me-ei, irei ter com o meu pai e lhe direi: “Pai, pequei contra o céu e diante de ti, já não sou digno de ser chamado teu filho”. Confessa o seu pecado, pede perdão, enfrenta decididamente seu fracasso, assume sua culpa.

Seus pecados são evidentes, mas não deseja continuar neles. Está sofrendo na carne e deseja mudanças, não fica apenas nas intenções, mas age, levanta-se, toma a decisão que deveria tomar e vai.

Mas Jesus não falou apenas da necessidade de se arrepender, há uma segunda parte da sua exortação. Ele chama os discípulos também a “crerem no evangelho”.
Portanto, arrepender-se é apenas o primeiro passo.
Precisamos também crer no evangelho.

Mas isto é assunto para uma próxima conversa...

Deus nos abençoe!

Rev. Samuel Vieira
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