segunda-feira, 30 de abril de 2012

Lição 6 – Tiatira, a Igreja Tolerante - 4

A carta à igreja em Tiatira (Ap 2.18-29) 

Tiatira era a menor das sete cidades. Não tinha nenhum templo devotado ao culto dos imperadores, de sorte que os cristãos não eram tão perturbados por aquele culto como as igrejas precedentes. O problema desta igreja centralizava-se nas situações comprometedoras criadas pelos interesses comerciais. Tiatira era uma cidade industrial, célebre pelos seus muitos grêmios comerciais. Era tão necessário unir-se a essas sociedades como é para o artesão hodierno, ser membro do seu determinado sindicato comercial; de outra forma, envolvia um ostracismo que tornaria quase impossível seu negócio.
A dificuldade no caminho do cristão que se unia a tais grêmios era a necessidade de participar das periódicas refeições comuns quando se comia carne que fora dedicada à deidade pagã (talvez o padroeiro do seu grêmio). Pode-se entender que certos cristãos liberais não hesitariam em participar de tais festividades, alegando que "um ídolo não é nada" (#1Co 8.4). Logo, a desculpa podia achar-se pela licenciosidade em que muitas vezes estas refeições culminavam; e o próximo passo seria participar da devassidão geral. Isto era geralmente aconselhado pelos nicolaítas, e pode-se entender como isto encontrava fácil aceitação em Tiatira, onde a frase "negócio é negócio" seria bem aceita. O título provém de #Ap 1.14-15, Filho de Deus (18) sendo talvez sugerido por #Sl 2.7, uma vez que este salmo posteriormente é muito citado. Note-se que os olhos como chama de fogo antecipam o vers. 23, e os pés reluzentes, o vers. 27. Charles alega que as tuas obras (19) são definidas pelas qualidades que se seguem, "o teu amor, o teu serviço, a tua fé e a tua paciência" se esta interpretação é correta, é importante no esclarecimento do que o escritor quer significar com a expressão "julgado segundo as obras" (#Ap 20.12-14). A profetiza que propaga o ensino dos nicolaítas é simbolicamente chamada Jezabel, pois a rainha daquele nome tentou estabelecer um culto idólatra em lugar do culto a Jeová e ela mesma foi acusada de prostituição e feitiçaria (#2Rs 9.22). Note-se a inserção curiosa em alguns manuscritos de "tua mulher Jezabel" que implica ser o "anjo" da igreja, o seu administrador. No vers. 21 deduzimos que "Jezabel" anteriormente tinha sido advertida, sem resultado, ou por João ou por algum outro líder cristão. A "cama" em que Jezabel seria prostrada corresponde à grande tribulação (22), de sorte que é uma cama de sofrimento que está em mente aqui. O idiotismo é hebraico e ocorre em 1Mac 1.5 e Judite 8.3. É possível que aqueles que com ela adulteram (22) devem ser distintos dos seus filhos (23), no sentido que aqueles foram suficientemente influenciados por Jezabel, a ponto de comprometerem a sua lealdade cristã, enquanto estes abraçaram inteiramente a sua doutrina; aqueles deveriam ser castigados, estes exterminados. Por tais juízos as igrejas reconhecerão que Cristo sonda os rins e os corações (23). No uso hebraico, os rins são a sede das emoções, enquanto o coração é a sede do intelecto. As profundezas de Satanás (24) podem ser uma alusão satírica à pretensão gnóstica de conhecer exclusivamente as profundezas de Deus. Tal sabedoria não é divina, mas satanicamente inspirada. De outra forma, reflete o ensino nicolaíta que o cristão deve participar afoitamente dos excessos do paganismo e demonstrar que é imunizado de sua poluição. Os cristãos que assim procederam gabaram-se do seu conhecimento das profundezas de Satanás e, assim, desdenharam os seus irmãos mais escrupulosos. Para outra carga comparar #At 15.28-29; os dois preceitos principais do concílio apostólico foram abstenção de coisas sacrificadas aos ídolos e ao adultério. O vencedor aqui se define como o que guardar até ao fim as minhas obras (26). Ele deverá receber uma delegação da autoridade de Cristo sobre as nações (26) e participar do seu triunfo sobre os povos rebeldes (27); esta função faz parte daquela autoridade e antecipa a vinda de Cristo para o juízo (#Ap 19.11) e não o reino milenário, propriamente dito (#Ap 20.4-6). O verbo traduzido "regerá" no vers. 27 deve ser "destruirá". A estrela da manhã (28) parece ser o próprio Cristo (como em #Ap 22.16); maior do que o privilégio de reinar por Cristo será o irrestrito gozo de plena comunhão com Ele.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

VOCÊ ESPECIAL

GOOGLE +