domingo, 3 de junho de 2012

Lição 11 – O Evangelho do Reino no Império do Mal - 1

Capítulo XIV

 1. “E OLHEI, e eis que estava o cordeiro sobre o monte de Sião, e com ele centro e quarenta e quatro mil, que em suas testas tinham escrito o nome dele e o de seu Pai”.
 I. “...o Cordeiro sobre o monte de Sião”. “Sião” é mencionado somente uma vez no Apocalipse e é um termo extremamente interessante. Como certo escritor expressou: “Das 110 vezes que Sião é mencionado, 90 são em termos do grande amor e afeição do Senhor por ele, de modo que o lugar tem grande significação.
No Novo Testamento, Sião é mencionado nas seguintes passagens: (Mt 21.5; Jo 12.15; Hb 12.22; 1Pd 2.6). “A palavra “Sião” significa “monte ensolarado”. Ainda que a palavra tenha uma ampla aplicação, (incluindo até mesmo o local do templo de Jerusalém, algumas vezes), indica a colina mais oriental das duas sobre as quais Jerusalém foi edificada. O monte Sião também é identificado com a Jerusalém “lá de cima” (Gl 4.26), e com a cidade de Deus nos céus (Hb 12.22)”. A cidade de Davi era Jerusalém (1Rs 8.1). O templo foi edificado no monte de Moriá; o palácio de Davi, no monte Sião. Portanto, Sião se tornou o lugar escolhido como a sede do reinado de Cristo durante o Milênio (Is 2.3; Ob v.17).
1. Com ele 144.000. Novamente há aqui uma visão sobre os 144.000 vistos no capítulo sétimo deste livro. durante a Grande Tribulação, esse grupo de assinalados são comparado a “orvalho” ou “chuvisco”, e no Milênio a “leão” (Mq 5.7, 8). O presente texto, parece descrever um quadro do começo do Milênio. No capítulo 12.10, João ouve uma grande voz (“no céu”); nesta secção porém, ele ouve uma voz (“do céu”). Evidentemente, ele não está no céu e, sim na terra. A visão, trata-se, pois, de uma antecipação: o Cordeiro, na sua segunda vinda ou “parousia”, reunindo o grupo já mencionado no capítulo 7.4-8. São eles os 144.000 israelitas selados em suas frontes, preservados vivos, durante a grande Tribulação, agora o Senhor os reúne no monte de Sião. Neste versículo é descrita a natureza do selo: tinham em suas testas o nome do Cordeiro e o de seu Pai.
 2. “E ouvi uma voz do céu, como a voz de muitas águas, e como a voz de um grande trovão; e ouvi uma voz de harpistas, que tocavam com as suas harpas”.
 I. “...como a voz de muitas águas”. A descrição da palavra “voz” que se repete por quatro vezes no texto em foco, é similar à várias outras que aparecem no Apocalipse. A voz é associada ao “trovão”, conforme também se vê no presente versículo. Há quase sessenta ocorrências da “voz”, neste livro, e com certa variedade de discriminações. (Cf. notas expositivas sobre isso em Ap 1.15, p.2). Agora a “voz” assume uma qualidade musical, produzida por instrumentos de cordas. O grande som dos céus se transforma em uma música, e de natureza agradável. Tais simbolismos eram usados para mostrar a “bem-aventurança” daquele que entrar nos céus por meio do martírio; e isso visa também a consolar aqueles que em breve teriam de seres martirizados pelo próprio Anticristo (cf. 6.11). Nos versículos que se seguem, são chamados de “primícias”. Isto é, o nome que se dava à parte das coisas que os israelitas adquiriam para oferecer ao Senhor (Lv 22.12; Nm 5.9; 18.8; 28 e 29). Segundo o Dr. J. Davis, os primeiros frutos colhidos, penhores da futuras messes, pertenciam ao Senhor. Assim também, os 144.000 são as “primícias” dentre os israelitas comprados para Deus e para o Cordeiro.
 3. “E cantavam um como cântico novo diante do trono, e diante dos quatro animais e dos anciãos; e ninguém podia aprender aquele cântico, senão os cento e quarenta e quatro mil que foram comprados da terra”.
 I. “...cantavam um como cântico novo”. O cântico do Senhor, é declarado nas Escrituras como “um novo cântico” (Sl 40.3; 96.1; 149.1) e só pode aprendê-lo aquele que está com seus pés em um lugar firme “como o monte de Sião, que não se abala, mas permanece para sempre” (Sl 125.1). Não devemos nos esquecer de que os 144.000 regozijam-se porque foram “comprados dentre os homens”. Temos a frase dupla “comprados da terra” (um lugar pecaminoso) e “comprados como primícias” (os primeiros). Algumas versões dizem: “comprados” ou “resgatados” em lugar de “redimidos”.
1. A última vez que vimos o Cordeiro ele estava diante do trono, no céu (9.9); aqui ele está na cidade Santa, Sião ou Jerusalém. É possível que devemos entender também que simbolicamente o monte Sião, significa lugar de vitória e libertação. O Salmo 2, promete que o Ungido do Senhor será colocado “...sobre... o monte de Sião”. No Novo Testamento, todavia, Sião se tornou “a cidade do Deus vivo, à Jerusalém celestial” (Hb 12.22). Os 144.000 são todos novas criaturas, e por este motivo entoam “um novo cântico” ao Cordeiro que os resgatou.
 4. “Estes são os que não estão contaminados com mulheres; porque são virgens. Estes são os que seguem o Cordeiro para onde quer que vai. Estes são os que dentre os homens foram comprados como primícias para Deus e para o Cordeiro”.
 I. “...não estão contaminados com mulheres”. A sabedoria divina divide este versículo em quatro partes distintas, como segue:
1. (a) Não estão contaminados. É esta uma das razões que os faz “primícias” à semelhança de Cristo as primícias dos que dormem (1Co 15.20). Isso não quer dizer (segundo se depreende) que os 144.000 são somente homens (ainda que a expressão “não se contaminaram com mulheres” tenha esse sentido), ou meninos recém-nascidos como tem sido interpretado por alguns eruditos.
(b) São virgens. Devemos compreender isto no sentido espiritual (Mt 25.1 e ss), em contraste com a igreja apóstata (14.8), que espiritualmente era uma “prostituta” (17.1 e ss). Significa que não foram desviados da fidelidade ao Senhor. Conservaram em si mesmos seu amor virginal. 2Co 11.2; Ef 5.25-27; Ap 2.4.
(c) São os que seguem o Cordeiro. Essas palavras estão de acordo com o que lemos em Mc 2.14; 10.21; Lc 9.59; Jo 1.43 e 21.19, que falam sobre as exigências do discipulado cristão e sobre o fato que Cristo chama alguns para “segui-lo”. As exigências feitas por Cristo ao discipulado é “renúncia total”, e logo a seguir: “tomar a cruz”. O caráter dos 144.000 demonstra isso muito bem, a seriedade em suas vidas e no seu caráter, os declarou “pioneiros da fé” não fingida durante o sombrio tempo de extrema apostasia.
(d) Como primícias. Isso é dito também acerca de Cristo, em primeiro Coríntios 15.20, quando Paulo faz uma importante defesa sobre a “ressurreição”. Paulo diz que Cristo ressuscitou, como o emblema expressivo, da ressurreição da imortalidade. Na qualidade de “colheita”, Cristo foi o primeiro exemplar. No presente texto, os 144.000 foram também aceitos como os primeiros exemplares a aceitarem o testemunho de Cristo, e por cuja razão são contados como “primícias”, e “seguidores” do Cordeiro para onde quer que vai.
 5. “E na sua boca não se achou engano; por que são irrepreensíveis diante do trono de Deus”.
 I. “...na sua boca não se achou engano”. O leitor deve observar que a expressão contida no texto “...na sua boca não se achou engano” é dita também a respeito de cristo, em 1Pd 2.22. O termo grego, deste texto, diz “anomos”, forma negativa de “momos”, isto é, “mácula”, “culpa”, “censura”, etc. Isso pode ser comparado com 1Pd 1.19, onde Cristo, na qualidade de Cordeiro de Deus, aparece “sem mácula”. A dignidade destes 144.000 já se encontrava profetizada nas páginas áureas da Bíblia Sagrada, (cf. Sf 3.13), que diz: “o remanescente de Israel não cometerá iniqüidade, nem proferirá mentira, e na sua boca não se achará língua enganosa”. Os 144.000 serão assim. Eles não “negarão” a Cristo; não concordarão com a fraude do culto do Anticristo. Eles se manterão puros de toda idolatria e imoralidade. “Serão nazireus completos para Deus no tocante à sua relação com o mundo”.
 6. “E vi outro anjo voar pelo meio do céu, e tinha o evangelho eterno, para o proclamar aos que habitam sobre a terra, e a toda a nação, e tribo, e língua, e povo”.
 I. “...tinha o evangelho eterno”. Deus nunca se deixou a si mesmo sem testemunho (At 14.17); Ele é o Deus que “nunca muda” (Ml 3.6), e durante o tempo da Grande Tribulação levantará um grupo de pregadores do “Evangelho do Reino” que com grande poder darão o seu testemunho. Na plenitude dos tempos ele levantou antes da manifestação do Messias prometido a Israel, um João Batista; a pregação de João era precursora, isto é, preparava o caminho da manifestação do Filho de Deus aos filhos de Israel (Ml 4.5, 6; Mt 3.1 e ss; Jo 1.15 e ss). O mesmo Jesus designou também um grupo de pregadores do “Evangelho do Reino” (Mt 10.5-7). Observe bem a frase: “Ide antes às ovelhas perdidas da casa de Israel. E, indo, pregai, dizendo: É chegado o reino dos céus”. Após sua morte e ressurreição ele ordenou que se pregasse o “Evangelho da graça de Deus” a toda criatura “começando por Jerusalém” (Mc 16.15; Lc 24.47). Agora, no presente texto, vimos um elevado poder angelical a pregar “O Evangelho Eterno”.
1. O Evangelho pregado nessa época de Angústia é o mesmo Evangelho ensinado por Jesus, porque, como sabemos, não há “outro evangelho” (Gl 1.8). O Evangelho é o mesmo, mas pode ser apresentado na sua multiforme: (a) O EVANGELHO DO REINO; (b) O EVANGELHO DA GRAÇA; (c) O EVANGELHO ETERNO; (d) O QUE PAULO CHAMA DE MEU EVANGELHO. O Dr. C. I. Scofield, define o Evangelho como segue:
2. A palavra evangelho, em si significa “boas novas”; por isso o Evangelho é alguma coisa essencialmente diferente de qualquer ensino ou doutrina anterior. Quatro manifestações do Evangelho devem ser anotadas e cada uma delas, com significação especial:
(a) O EVANGELHO DO REINO. Isto é, as boas novas que Deus propôs estabelecer na terra, em cumprimento do concerto davídico (2Sm 7.16, etc), um reino não político, mas espiritual, judaico, porém, universal, sobre o qual o Filho de Deus herdeiro de Davi, reinará, e o qual será, por mil anos, a manifestação da justiça de Deus entre os homens. Duas pregações deste Evangelho são mencionadas nas Escrituras, uma passada, começando com o ministério de João Batista e terminando com a rejeição do seu Rei pelos judeus. A outra. Ainda futura (Mt 24.14), durante a Grande Tribulação, e imediatamente antes da Vinda em glória de Cristo – O Rei rejeitado:
(b) O EVANGELHO DA GRAÇA DE DEUS. Isto é, “as boas novas” de Jesus Cristo, o Rei rejeitado, que morreu na cruz pelos pecados do mundo, que ressurgiu para nossa justificação,e que por Ele todos os que crêem são justificados de todas as coisas. Esta manifestação do Evangelho é referida de várias maneiras, como segue: (aa) É o Evangelho “de Deus”. Rm 1.1, porque se origina no seu amor; (bb) “de Cristo”. 2Co 10.14, porque dimana do Seu sacrifício e porque ele é o único objeto de fé para salvação; (cc) “da graça de Deus”. At 20.24, porque salva aquele a quem a lei condena; (dd) “da glória”. 1Tm 1.11, porque diz respeito Àquele que está na glória, e que leva muitos filhos à glória. Hb 2.10; (ee) “da nossa salvação”. Ef 1.13, porque é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; (ff) “da circuncisão”. Gl 2.7, porque diante do poder deste Evangelho, “não há grego nem judeu, circuncisão nem incircuncisão, bárbaro, cita, servo ou livre; mas Cristo é tudo em todos”. Cl 3.11; (gg) “da incircuncisão”. Gl 2.7, porque salva inteiramente à parte de forma e ordenanças; (hh) “da paz”. Ef 6.15, porque por Cristo o Evangelho estabelece paz entre o pecador e Deus, e dá paz interior também:
(c) O EVANGELHO ETERNO (o do presente texto). Este será pregado logo no fim da Grande Tribulação e imediatamente antes do julgamento das nações descritas em Mt 25.31 a 46. Essas “boas novas”, pregadas pelo “anjo” é universal, e abrange a “toda a criatura”.
(d) O EVANGELHO QUE PAULO PREGAVA. (Ele o chamou de “meu Evangelho”. Rm 2.16). Este é o Evangelho de Deus no seu mais pleno desenvolvimento, e inclui a revelação do resultado desse Evangelho na chamada da Igreja, e as relaçoes, posições, privilégios e responsabilidades:
(e) HÁ OUTRO EVANGELHO. 2Co 11.4; Gl 1.6. Este é apenas uma falsificação que alguém usa tirando proveito do “Evangelho de Cristo”. Somos advertidos contra ele, o tal evangelho.
 7. “Dizendo com grande voz: Temei a Deus, e daí-lhe glória; porque vinda é a hora do seu juízo. E adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar e as fontes das águas”.
 I. “...porque vinda é a hora do seu juízo”. O leitor deve observar como a mensagem do Evangelho é progressiva em suas várias manifestações ao mundo, e em qualquer época: - simplesmente “Evangelho” (Mc 1.15). “O Evangelho de Cristo” (Rm 1.16). “O Evangelho de Deus”(Rm 1.1). “O Evangelho de Jesus Cristo” (Mc 1.1). “O Evangelho do Reino” (Mt 4.23). “O Evangelho da graça de Deus” (At 20.24). “O Evangelho de seu Filho” (Rm 1.9). “O Evangelho da glória de Cristo” (2Co 4.4). “O Evangelho da vossa salvação” (Ef 1.13). “O Evangelho da paz” (Ef 6.15). “O Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo” (2Ts 1.18). “O Evangelho Eterno” como é visto no presente versículo e no anterior. Em todas as formas apresentadas nas notas expositivas do versículo seis e ss, o evangelho é “um só” (Gl 1.6-9). Em qualquer época o Evangelho pode se chamado de “pro tõn aiõnõn”, (desde a eternidade), isto é, “as boas novas da época”, com este sentido, o termo se acha mais de 25 vezes em o Novo Testamento. Este Evangelho é eterno no plano de Deus, desde a fundação do mundo.
1. Temei a Deus. Este termo em (Ec 12.13), é abrangente a todos os homens. Essa expressão é judaica, e ocorre inúmeras vezes tanto no Antigo como no Novo Testamento. É evidente que esse Evangelho é uma “boa novas” tanto para Israel, como para todas as nações, como mensagem precursora para o Reino Milenial (cf. Mt 3.2, 3).
 8. “E outro anjo seguiu dizendo: Caiu, caiu Babilônia, aquela grande cidade que a todas as nações deu a beber do vinho da ira da sua prostituição”.
 I. “...caiu, caiu Babilônia”. O que é descrito detalhadamente no capítulo 18 deste livro sobre a grande Babilônia, é antecipado pelo anjo de Deus no presente versículo. O anjo estabelece a seqüência deste acontecimento com grande poder, e ainda enfatizado pelo duplo clamor: “Caiu, caiu Babilônia”. “No Antigo Testamento, muitas vezes a cidade de Babilônia é tomada como símbolo de todos os inimigos do povo de Deus. Era chamada de “Babilônia, a grande”, porque era a cidade do poder, da riqueza, da cultura, do orgulho e da grandeza humana”.
1. Deu a beber do vinho. Sabemos pela história secular e por declarações bíblicas contemporâneas que a Babilônia da Caldéia embriagou as nações com a loucura de sua prostituição; mas essa cidade real desapareceu há muito. O versículo 8 desta secção, trata de uma famosa capital, hoje existente, cujo nome simbólico é Babilônia e, a exemplo daquela, “tem dado a beber do vinho da...sua prostituição”. O profeta Isaías (Is 21.9), enfatiza a lei da dupla referência profética sobre o mesmo assunto e Jeremias, segue o mesmo paralelismo (Jr 25.15).
 9. “E seguiu-os o terceiro anjo, dizendo com grande voz: Se alguém adorar a besta, e a sua imagem, e receber o sinal na sua testa, ou na sua mão”.
 I. “...se alguém adorar a besta”. nos dias da Grande Tribulação, o Anticristo, que será o paralelo profético dos imperadores babilônicos, e romanos, adorados no antigo culto, será adorado pelos habitantes do mundo, no período determinado de 42 meses. O falso profeta, que é a Besta que “subiu da terra”(13.11), é quem dirigirá esse culto. O poder e a ira de Deus, porém, fará tudo isso chegar ao seu fim, pelo zelo da sua palavra que disse: “Só ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás” (Mt 4.10). Este versículo encerra a quarta visão deste capítulo, e a voz do anjo proclamador, apresenta uma contra-ordem divina ao edito da Besta que os homens não recusassem a adorar a imagem, sob pena de morte (13.15, 16). A advertência divina é essa: Quem for tragado pelo engano da Besta; também tragado será pelo ardente lago de fogo!
 10. “Também o tal (seja quem for) beberá do vinho da lei de Deus, que se deitou, não misturado, no cálice da sua ira; e será atormentado com fogo e enxofre diante dos santos anjos e diante do Cordeiro”.
 I. “...o tal beberá do vinho da ira de Deus”. “Os antigos sempre misturavam água com seu vinho e outras bebidas fortes e davam às tais bebidas um baixo conteúdo alcoólico, porquanto apenas oito por cento de álcool é suficiente para fermentação natural”.
1. Sem mistura. A. R. Fausset escreve: “...o vinho era tão comumente misturado com água que misturar vinho, no grego, é usado por “despejar vinho”; (mas) este vinho da ira de Deus não é diluído; não tem alguma gota de água para arrefecer seu calor. Nada da graça ou da esperança é misturado com ele”. No tempo presente da dispensação da Graça, o “vinho” do juízo de Deus, ainda é dado com uma certa mistura (de misericórdia). Sl 75.8; porém, durante o tempo da angústia, isso afastado e os súditos da Besta beberão do “vinho da ira de Deus” que foi deitado não misturado. Isto é, puro! Não haverá nenhuma mistura de misericórdia, mas será executado em forma crescente. Logo mais eles entrarão em foco, conforme se vê no capítulo 16, deste livro. por essa razão é que as “taças” são chamadas “as sete salvas da ira de Deus” (16.1 e ss).
 11. “E o fumo do seu tormento sobe para todo o sempre; e não têm repouso nem de dia nem de noite os que adoram a besta e a sua imagem, e aquele que receber o sinal do seu nome”.
 I. “...seu tormento sobe para todo o sempre”. No versículo anterior desta secção, o castigo eterno dos adoradores da Besta é descrito na linguagem medonha. “O fog e o enxofre” estão em foco! Fogo e enxofre são símbolos de terrível angústia (Is 30.33). “Enxofre”, diz W. Newell, “é uma substância por demais terrível... em sua ação sobre a carne humana em tormento ao tocar o corpo. Combinado com o fogo, é agonia absoluta, angústia inexprimível! E é este o seu propósito, pois será a imposição ilimitada da vingança divina”. Aqui neste versículo, é revelado a natureza deste “vinho”; será um julgamento de Deus a ser aplicado em caráter eterno. Jesus falou do castigo eterno dos perversos (Mt 25.46), e advertiu acerca do inferno de fogo, onde “o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga” (Mc 9.46, 48).
 12. “Aqui está a paciência dos santos: aqui estão os que guardam os mandamentos de Deus e a fé de Jesus”.
 I. “...os mandamentos de Deus”. Alguns manuscritos trazem: “As dez palavras” ou a designação que se tornou comum sobre o conteúdo das duas tábuas de pedra – o “Decálogo”. Foram originalmente proferidas pela voz divina do monte Sinai, para serem ouvidas pelo povo de Israel (Êx 19.16 e 20.17). Depois disso, na presença de Moisés, no monte Sinai, foram escritas pelo “dedo de Deus” no verso e no anverso das duas tábuas de pedra. Todos, com exceção de um (“o quinto”), tinham uma expressão negativa (“não”): Êx 20.3, 4, 5, 7, 10, 13, 14, 15, 16, 17. No Novo Testamento, os mandamentos foram citados por Jesus quando interpelado pelo jovem rico: “Se queres, porém, entrar na vida, guarda os mandamentos” (Mt 19.17). Evidentemente nesta secção, os mandamentos se relacionam com os judeus: enquanto que a “fé de Jesus” com os gentios (cf. At. 14.27).
 13. “E ouvi uma voz do céu, que me dizia: Escreve: Bem-aventurados os mortos que desde agora morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito para que descansem dos seus trabalhos, e as suas obras os sigam”.
 I. “...Bem-aventurados os mortos”. No Apocalipse há sete “bem-aventuranças”. Esta é a segunda delas (1.3; 14.13; 16.15; 19.9; 20.6; 22.7, 14). A primeira está em Ap 1.3. Ela se origina de uma palavra grega que significa “riqueza”: no texto em foco, ela além de outros sinônimos, significa: “ser feliz”, ser “bem-sucedido”, etc. O Senhor Jesus em o “Sermão da Montanha” falou das “Bem-aventuranças” e dos “Bem-aventurados” (cf. Mt 5.3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11). No Antigo Testamento, o conceito de ser “bem-aventurados” era apenas ser “feliz”. O Novo Testamento, porém, elevou essa palavra, dando-lhe o sentido de “felicidade espiritual”. Com base no bem-estar espiritual.
1. Sim, diz o Espírito. Passagens como (Gn 24.7 e ss; ilustrada no versículo 58: “Irás tu com este varão? Ela respondeu: Irei”; Jo 14.16; 2Ts 2.7; Ap 14.13), demonstram que, durante a Grande Tribulação, o Espírito Santo estará “no céu”, na Corte Celestial. Isso se depreende do significado do pensamento: “Bem-aventurados...”. Sim, diz (“o Espírito”). A “voz” é a “voz do Espírito” e, evidentemente, foi partida diretamente “do céu”.
 14. “E olhei, e eis uma nuvem branca, e assentado sobre a nuvem um semelhante ao Filho do homem, que tinha sobre a sua cabeça uma coroa de ouro, e na sua mão uma foice aguda”.
 I. “...um semelhante ao filho do homem”. O profeta Daniel (cerca de 607 a.C.) teve uma visão sobre o Filho do homem no presente quadro: “Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha nas nuvens do céu um como o Filho do homem: e dirigiu-se ao ancião de dias, e o fizeram chegar até ele” (Dn 7.13). Baseado na passagem de (Mateus 13.37), que diz: “...O que semeia a boa semente, é o Filho do homem” e, Gálatas 6.7: “...tudo o que o homem semear, isso também ceifará”. João identifica o Ceifeiro celeste como sendo o Senhor Jesus Cristo. “Sentado em uma nuvem branca está o Criador de todas as nuvens. Fazendo dela sua carruagem, ele parte para sua tarefa sombria. O sentar-se sobre a nuvem do juízo sugere “calma e deliberação”. Sem pressa: o Ceifeiro sega sua colheita”.
1. Uma foice aguda. A foice “aguda” (afiada) indica que a ceifa será rápida e completa. Temos aqui o simbolismo da “ceifa” (Jl 3.13), que representa o julgamento no fim da presente era (Mt 13.39-43). A foice é objeto mencionado por mais de 12 vezes nas Escrituras (Is 2.4; Jl 3.10, 13; Mq 4.3; Mc 4.29), e por sete delas nos versículos que temos nesta secção (vs. 14, 15, 16, 17, 18, 19). O livro do Apocalipse apresenta Cristo em sua magnitude! “No capítulo 22.1 vê-se seu poder repousante. O Pai e o Filho estão “assentados no trono”. No capítulo 19.11 ele está “assentado sobre um cavalo branco”, o que indica seu poder que avança. Mas aqui o Cordeiro está “assentado sobre uma nuvem”, o que indica seu poder de executar o juízo”.
15. “E outro anjo saiu do templo, clamando com grande voz ao que estava assentado sobre a nuvem: Lança a tua foice, e sega; é já vinda a hora de segar, porque já a seara da terra está madura”.
 I. “...outro anjo saiu do templo”. Cremos que a pessoa do Pai está em foco nesta passagem. Um anjo comum jamais teria dado ordem ao elevado poder da nuvem branca (cf. Hb 1.4 e ss). Na passagem de Joel 3.13, Deus é que manda “lançar a foice”, e a seguir o Filho do homem (que ali está oculto e aqui revelado) age prontamente, pois a seara está madura, ou “mais do que madura”, ou “seca”. A “seara da terra” diz respeito a Israel e não as “nações gentílicas”; enquanto que a “vinha da terra” (diferente da “vinha do Senhor” – Israel), diz respeito aos gentios e não Israel. “A palavra grega usada aqui é a mesma empregada para a figueira de Marcos 11.20; em Lucas 23.32 usa-se a forma adjetiva: o que se fará no caso? Significando o último e terrível estado de Israel”.
1. A seara da terra. Há muitas interpretações sobre a “seara da terra” visto nesta secção. Alguns opinam que ela se refere a uma “colheita especial” dos “bagos caídos”: da grande colheita – o arrebatamento (1Ts 4.13-17) e tomam a passagem de (Lv 19.9-10) para exemplificar. Essa ceifa o Filho do homem não só mas usará também seus anjos como reais ceifeiros (Mt 13.39). Haverá então a “separação entre o trigo e o joio”.
 16. “E aquele que estava assentado sobre a nuvem meteu a sua foice à terra, e a terra foi segada”.
 I. “...e a terra foi segada”. Este versículo informa que chegou o tempo da “colheita”, pois a metáfora baseada na vida agrícola continua (Tg 5.7). No momento exato, de acordo com o conhecimento do Pai, começará. O grego nesta passagem diz, literalmente, “secou”, o verbo “zeraino” é usado para indicar “estar maduro”. O fato de estar seca a seara parece, na nossa concepção, traduzir um certo “atraso”, mas o sentido realmente não é este. Lembremos que Jesus disse aos seus discípulos: “Levantai os vossos olhos, e vede as terras, que já estão brancas para a ceifa” (Jo 4.36). Nos dias de Jesus na terra já havia chegado o “tempo” mas faltava a “hora”. A misericórdia divina esperou pacientemente por essa “hora”. Porém, chegara a hora: “E aquele que estava assentado sobre a nuvem meteu a sua foice à terra: e a terra foi segada!”. O segundo advento de Cristo começará, sobre a terra, quando for lançada a “foice”. Por assim dizer, será o provável começo deste acontecimento. O juízo da ceifa pode ser o Armagedom em foco! (16.16; 19.11-21). Isso se dará, no fim da presente era.
 17. “E saiu do templo, que está no céu, outro anjo, o qual também tinha uma foice aguda”.
 I. “...outro anjo, o qual também tinha uma foice aguda”. Cremos que novamente a pessoa de Cristo está em foco nesta visão. Haverá tanto o “corte” como o “recolhimento” do joio. Temos aqui nesta secção a combinação do quadro duplo da colheita e da vindima, segundo Joel 3.13, que diz: “Lançai a foice, porque já está madura a seara: vinde, descei, porque o largar está cheio”. O leitor deve observar bem as duas frases: “seara” (está ligada a colheita), e “largar” (está ligado a vindima). Para alguns teólogos a vinha da terra compreende toda apostasia religiosa do mundo, e terá como recompensa o dia da vingança do nosso Deus. Seja como for, esses versículo aqui, apresentam um quadro profético da grande guerra no vale de Armagedom (Is 63.16; Jl 3.11-16). É evidente, como já demonstramos, que o simbolismo da “seara” e da ‘vindima da terra”, aponta para a batalha do “grande dia do Deus Todo-poderoso”.
 18. “E saiu do altar outro anjo, que tinha poder sobre o fogo, e clamou com grande voz ao que tinha a foice aguda, dizendo: Lança a tua foice aguda, e vindima os cachos da vinha da terra, porque já as suas uvas estão maduras”.
 I. “...outro anjo, que tinha poder sobre o fogo”. Dado a interpretação que se dar a pessoa da divina visão do versículo 17, só a pessoa do Pai deve esta em foco nesta visão; devemos ter em mente que, o anjo do presente texto “tinha poder sobre o fogo”, que comparado com (Mt 10.28 e 21.40), esta cena deve ser representada pelo próprio Deus. No juízo executado pelo anjo do templo, são colhidos “os cachos da vinha da terra”. Nesta passagem, vemos os “ímpios” amadurecidos para o juízo de Deus. É o Armagedom em cena (Gn 49.9; Is 63.1 e ss; Jl 3.13 e ss; Zc 14.1 e ss; Ap 19.11 e ss). A expressão “vinha da terra” abrange todo o sistema religioso na visitação vindoura da ira de Deus. As uvas da apostasia largamente difundida são “uvas silvestres” (ímpios apodrecidos) transformados em “uvas da ira”. Mas, evidentemente, o poder político mundial deve também está inserido no quadro (Is 63.16; Jl 3.13-16; 2Ts 1.7-8).
 19. “E o anjo meteu a sua foice à terra e vindimou as uvas da vinha da terra, e lançou-as no grande lagar da ira de Deus”.
 I. “...e lançou-as no grande largar”. Quão terrível será esse julgamento no fim da presente era e, é ilustrado pelo fato que o suco das uvas se transformou em “sangue”. As “uvas” (os ímpios) serão lançadas no lagar, e assim terá início a grande matança provocadas pela ira divina. Esta descrição refere-se ao momento quando o Senhor Jesus iniciar a grande batalha na região sul da terra Santa, especialmente nas fronteiras de Edom e sua capital (Is 63.1). Ao romper da aurora ele descerá ao vale com a rapidez da imaginação (Is 13.10; Zc 14.6-7; Ap 19.11 e ss). Seu primeiro contato na terra será no monte das Oliveiras (Zc 14.4). A partir desse local seguirá para o extremo sul da Palestina e começará a “pisar o lagar”; dali, para o monte Hermom no extremo Norte (Sl 29; Is 63.1-6).
1. Ele pisará o “lagar” sozinho, como sozinho consumou a grande obra na cruz: “Eu sozinho pisei no lagar, e dos povos ninguém houve comigo; e os pisei na minha ira, e os esmaguei no meu furor; e o seu sangue (sangue dos inimigos de Cristo) salpicou os meus vestidos, e manchei toda a minha vestidura. Porque o dia da vingança estava no meu coração...” (Is 63.3, 4). Durante a dispensação da graça, Cristo tem em seu coração “o dia da salvação”. Isso ilustrado em Lc 4.19 quando lendo a passagem de Is 61.2, Jesus parou na frase: “...o ano aceitável do Senhor”, omitindo assim “...o dia da vingança do nosso Deus”. Mas esse dia terminará com o arrebatamento da Igreja, e logo a seguir virá “o dia da vingança” (cf. Ap 6.17).
 20. “E o lagar foi pisado fora da cidade, e saiu sangue do lagar até aos freios dos cavalos, pelo espaço de mil seiscentos estádios”.
 I. “...fora da cidade”. Quando o Filho de Deus veio a este mundo “...para santificar o povo pelo seu próprio sangue, padeceu fora da porta – de Jerusalém” (Hb 13.12), aqui agora, também, sua grande vitória será fora de suas portas. Jerusalém é a cidade em referência nesta secção. O vale de Armagedom fica fora de suas portas.
1. E saiu sangue do lagar. O “lagar” é também um nome profético de Armagedom. Nome que se dar a grande planície que estende-se pelo meio da Terra Santa, do Mediterrâneo ao Jordão. A palavra originou-se de uma raiz hebraica (“Har Magedon”); que significa “derrubar”, “cortar”, “matar”, “decepar”, e, lugar de mortandade, é o que Megido sempre foi. Uma outra interpretação da palavra Armagedom é: “abater o alto”. Esse duplo significado corresponde exatamente ao caráter dos acontecimentos, pois o alto não somente é abatido, mas, tal coisa acontece desde o alto. (Ver notas expositivas sobre isso, em 16.16). O Dr. Clake escreve: “Desde Nabucodonosor até ao avanço de Napoleão até a Síria, essa planície foi sempre escolhida como acampamento dos exércitos. Judeus, gentios, sarracenos, cruzadas, egípcios, persas, drusos, turcos e outros povos armaram ali suas tendas de campanha e deixaram molhar suas bandeiras pelo orvalho do Tabor e do pequeno Hermom”.
2. Em Ap 9.16, diz que as “uvas amadurecida” são compostas por um exército de 200.000.000 de cavaleiros. O poderoso exército já mencionado, partirá do extremo Oriente em direção às fronteiras do Eufrates (16.12-16); certamente de lá, seu intuito é a invasão da Palestina, tendo como alvo principal a cidade de Jerusalém (Lc 21.20-24). Porém, antes de alcançar Jerusalém, “...passando por cidades do norte como (Aiate, Migrom, Micmás, Geba, Gibeá de Saul, Galim, Anatote, Madmena, Nobe, etc) dizimarão a “terça parte dos homens” (Ap 9.15). A Besta irá para o vale de Armagedom, por uma circunstância sobrenatural, ao contemplar fisicamente Jesus descendo sobre o céu da Palestina (Mt 24.30; 26.64; Ap 1.7). Apavorada com as manifestações divinas simultâneas com a vinda do Senhor, a Besta “fugirá” para Armagedom, e ali, portanto haverá, pois, uma grande conflagração e mortandade, cujo desenlace será, provavelmente, naquele monte e no extremo vale do ocidente do Jordão.
3. Sangue...até aos freios dos cavalos. Literalmente falando, cada ser humano é portador de 5 litros de sangue e, um cavalo de 18 respectivamente. Então, teríamos aí (quatro bilhões e seiscentos milhões) de litros de sangue aproximadamente. 1.600 estádios corresponde a 296 quilômetros, tendo o estádio 185 metros. Não teríamos dificuldade em aceitar a interpretação literal desse número, pois se trata de uma medida de extensão e não de área. Outros, porém, aceitam como linguagem simbólica testificando do terrível morticínio dos ímpios quando o Senhor os pisar em sua fúria. Seja como for, a derrota dos ímpios está prevista e a vitória de Cristo determinada! (Is 63.6). 
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