Quando a religiosidade toma o lugar da obediência a Deus

Ao longo da história, em vários lugares, em diversas ocasiões, o povo de Deus substituiu a obediência pelos rituais religiosos. Foram zel...

Lição 01 – No Mundo Tereis Aflições - 3

Subsídio preparado pela equipe de educação da CPAD

SOFRER FAZ ALGUM SENTIDO?

Por Charles Colson e Nancy Pearcey

[...] Se Deus sabia de antemão que faríamos tal bagunça com as coisas, diz o cético, por que deixou que isso acontecesse? Por que nos criou com a capacidade de pecar? Pergunta justa. Mas pense com cuidado sobre o que isso significa.
Para que Deus assegurasse que nós não pudéssemos pecar, ele teria de mexer no nosso livre-arbítrio – para nos criar não como seres humanos completos, mas como marionetes ou robôs programados para fazer somente o que Ele quisesse. Isso, porém, nos faria incapazes de amar a Deus ou a outro semelhante, pois o amor genuíno não pode ser coagido. Também, sem livre-arbítrio, não seríamos capazes de responsabilidade moral, criatividade, obediência, lealdade ou heroísmo. A única maneira pela qual Deus poderia criar seres que fossem completamente humanos era correr o risco de que eles usassem sua liberdade para escolher o mal.

Assim, uma vez que os seres humanos realmente escolheram o mal, o caráter santo de Deus exigiu justiça. Ele não poderia ignorá-la, fazer vistas grossas, ou simplesmente limpar a lista de candidatos e começar tudo de novo. Uma vez que as balanças da justiça perderam o equilíbrio, teriam de ser reequilibradas. Uma vez que o tecido moral do Universo foi rasgado, teria de ser consertado. 

Neste caso, diz o cético, a raça humana deveria ter sido extinta com Adão e Eva. Eles deveriam ter sido punidos por sua rebelião, lançados no inferno, o que seria o fim da história da humanidade. Ah, mas Deus é misericordioso assim como justo, e inventou uma alternativa impressionante: Ele próprio suportaria a punição por suas criaturas. Ele mesmo entraria no mundo da humanidade para sofrer o julgamento e a morte que os seres humanos mereciam. E foi exatamente isso o que fez. Através do Deus-homem, Jesus Cristo. 

Não era isso que qualquer pessoa jamais esperaria; não era nada que os seres humanos pudessem ter inventado. Jesus cumpriu as exigências da justiça divina quando aceitou a crucificação na cruz romana. Ele venceu Satanás em seu próprio jogo: Ele levou o pior que Satanás e o pecado humano pudessem acumular e transformou isso num meio para a nossa salvação. “Pelas suas pisaduras, fomos sarados”, escreveu Isaías (Isaías 53.5). Através de sua morte na cruz, Jesus venceu o mal e garantiu a vitória definitiva sobre ele. No final dos tempos haverá um novo céu e uma nova terra, livres do pecado e do sofrimento, onde o Senhor “limpará de seus olhos toda lágrima” (Apocalipse 21.4).

Até que venha esse tempo, Deus usa os “espinhos e cardos” que infestaram a Criação desde a Queda para nos ensinar, castigar, santificar e transformar, preparando-nos para aquele novo céu e nova terra. Isso é algo que eu bem entendo: as maiores bênçãos de minha vida emergiram do sofrimento, e tenho visto o mesmo processo repetido em incontáveis vidas. Assim como dói quando o médico coloca um osso quebrado no lugar, pode também causar uma enorme dor quando Deus reajusta nosso caráter. Não obstante, essa é a única maneira de ser completo e saudável. 

Um antigo documento descrevendo os mártires da Igreja no primeiro século diz que eles “atingiram tão elevada força da alma que nenhum deles articulou um grito ou gemido”. Através do sofrimento para nos separar dos nossos hábitos errados, das nossas noções erradas e dos ídolos para os quais devemos para os quais vivemos, para que nossos corações estejam livres para amar a Deus. 
Friedrich Nietzche, embora ele mesmo fosse ateu, certa vez articulou uma verdade bíblica profunda: “Os homens e as mulheres podem suportar qualquer quantidade de dor contanto que saibam a razão de sua existência”. A Bíblia nos dá “a razão”, o contexto mais amplo de significado e propósito, uma perspectiva eterna. Os propósitos de Deus são o contexto que dá ao sofrimento dignificado e importância. 

Em sua famosa doutrina de “Falta Abençoada”, Agostinho definiu o mistério do sofrimento: “Deus julgou ser melhor tirar o bem a partir do mal do que sofrer absolutamente nenhum mal”. Melhor suportar a dor envolvida na redenção do pecado do que não ter de forma alguma criado os seres humanos. 

Por que Ele fez isso? Existe somente uma resposta. Amor. Deus nos amou tanto que, até mesmo quando previu o pecado e o sofrimento que escureceriam e distorceriam a Criação, decidiu nos criar de todo jeito. Este é o mistério mais profundo de todos, e o que inspira nossos corações a adorá-lo.

Texto extraído da obra “E Agora Como Viveremos?”, editada pela CPAD.

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