sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Lição 4 - Elias e os Profetas de Baal - 1

ELIAS E OS FALSOS PROFETAS DE BAAL
Quando em outubro de 2011 recebi a solicitação da CPAD para escrever um comentário sobre os profetas Elias e Eliseu, eu e a minha esposa, Maria Regina, encontrávamo-nos no Monte Carmelo em Israel. Jamais havia sentido toda a dramaticidade do relato de 1 Reis 18.20-40 como senti naquele dia. No topo daquele monte a contemplar a imensa planície de Jezreel e as ruínas de Megido ao fundo, glorifiquei a Deus por um
dia haver levantado o profeta Elias naquele local e dessa forma dar uma nova direção à história do seu povo.1

O confronto do profeta Elias com os profetas de Baal, conforme narrado no décimo oitavo capítulo do livro de 1 Reis, foi um dos fatos mais significativos para a história bíblica. Mais significativa ainda foi a vitória que o profeta de Tisbe obteve sobre esses falsos profetas. Ela significou a continuidade da existência de Israel como povo de Deus (1 Rs 18.20-40).

Neste capítulo nós estudaremos como o profeta Elias foi um instrumento usado pelo Senhor para confrontar os falsos profetas com seus falsos deuses e fazer com que o povo de Deus abandonasse a falsa adoração.

Confrontando os falsos deuses
Mais fatos sobre Baal
Não há dúvida de que Baal era a principal divindade Cananeia (1 Rs 16.31; 11.1-8). Por diversas vezes fizemos referência a esse fato, mas aqui iremos conhecer mais detalhadamente esse falso deus, e assim entender porque ele causava tanto fascínio no mundo cananeu e também no estado Judeu. A palavra Baal significa proprietário, marido ou senhor.2 Os estudiosos observam que esse nome traz esses significados para demonstrar que a divindade pagã exercia controle e posse não somente sobre o lugar onde se encontrava, mas também sobre as pessoas.

Andrew K. Helmbold (2010, pp.766,767) destaca que a adoração a Baal no Antigo Testamento se tornou uma séria rival do culto a Jeová:
“A ampla supremacia do seu culto é comprovada pela aparição do seu nome em fontes da Babilônia, aramaicas, fenícias, púnicas, de Ugarite e do Egito. Durante o período de Ramessés ele foi equiparado a Sete. Os seus títulos eram Zabul, ‘exaltado, senhor da terra’; Ba’al Shamen, ‘senhor dos céus’ (em fenício, mas não na antiga Ugarite); Rokeb arufot, ‘o que cavalga as nuvens’. O lugar egípcio de nome Baal Saphon (lit. Baal do Norte, Baal do monte Cássio) indica que o seu culto era conhecido no Egito. O Antigo Testamento refere-se às muitas imagens locais de Baal com Baalins, a forma plural de Baal.
Ele era adorado nos lugares altos de Moabe (Nm 24.41). Havia altares dedicados a ele na época dos juizes (Jz 2.13; 6.28-32). Talvez a sua adoração tenha atingido o seu ápice na época de Acabe e Jezabel (1 Rs 16.32; 18.17-40), embora tenha havido novas ocorrências posteriormente (2 Rs 3.2ss.; 10,18-28; 18.4,22; 21,3; 2 Cr 21.6; 22.3). A sua adoração foi abolida por Joiada (2 Rs 11.18) e Josias (2 Rs 23.4,5).

A adoração a Baal era acompanhada por rituais lascivos (1 Rs 14.24; 2 Rs 23.7). Está comprovado que a sua imagem era beijada (1 Rs 19.18; Os 13.2). O sacrifício de crianças no fogo era parte do seu culto (Jr 19.5). A adoração a Baal estava associada à adoração de Astarote (1 Rs 18.19; 2 Rs 23.4) e os seus altares frequentemente tinham aserás nas proximidades (Jz 6.30; 2 Rs 16.32,33).”3

Os profetas estavam conscientes dessa realidade e sabiam que não havia como aceitar esse fato entre o povo de Deus, e por isso levantaram suas vozes em protesto contra essa prática (1 Rs 21.25,26).

Identificando a falsa divindade Aserá
A crença Cananeia dizia que El seria o deus principal, isto é, o pai dos outros deuses, e Aserá era a deusa-mãe. O texto bíblico de 1 Reis 18.1719, faz referência a essas duas divindades. A palavra poste-ídolo neste texto é a tradução do termo hebraico ashera ou Aserá, e mantém o significado de bosque para adoração de ídolos. Aserá, conhecida também como Astarote ou Astarte, era uma deusa ligada à fertilidade humana e animal e também da colheita. No texto bíblico observamos que ela exerceu grande influência negativa entre o povo de Deus (Jz 2.13, 3.7; 1 Rs 11.33). Assim entendemos o porquê da resistência profética a esse culto.

Os enciclopedistas observam que: “No Antigo Testamento, a adoração a ela está associada à adoração a Baal (Jz 3.7; 1 Rs 18.19; 2 Rs 23.4). Gideão teve que destruir o altar que o seu pai havia erigido a Baal e à companheira Aserá, para qualificar-se como líder de Israel (Jz 6.25-30). A adoração a ela durante a época dos reinos hebraicos é atestada pela imagem feita pela mãe de Asa (1 Rs 15.13) e pela imagem colocada por Manassés no Templo (2 Rs 21.7). Josias tentou extinguir a adoração a esta deusa (2 Rs 23.4-7).

Alguns textos do Antigo Testamento indicam uma fusão da divindade com o objeto de culto usado na adoração a esta deusa (Ex 34.13; Jz 6.25-30; 2 Rs 18.4), um fenômeno comum em muitas religiões(...). Alguns estudiosos, baseando-se em Deuteronômio 16.21 e em outras evidências, julgam que (Aserá) se tratava de uma árvore viva. No entanto, a maioria dos estudiosos pensa que se tratava de uma imagem de Aserá, talvez uma árvore da vida estilizada, porque se não fosse assim o silêncio dos profetas sobre o assunto seria estranho. Mas eles efetivamente condenaram a idolatria, o que incluiria o asherim''.4

Confrontando os falsos profetas
Profetizavam sob encomenda
Os fatos ocorridos no reinado de Acabe vêm mais uma vez confirmar uma verdade: Nenhum sistema é profético, nenhum profeta pertence ao sistema. O texto de 1 Reis 18.19, destaca essa verdade. Eram profetas, mas comiam da mesa de Jezabel. Eram profetas, mas possuíam seus ministérios alugados para Acabe e sua esposa. Eles profetizavam o que o rei queria ouvir, pois faziam parte do sistema estatal de governo. Nenhum homem de Deus, nem tampouco a igreja, pode ficar comprometido com qualquer esquema religioso ou político. Se assim o fizerem, perdem suas vozes proféticas (1 Rs 22.13).

Esses profetas “comiam da mesa de Jezabel”. Estavam debaixo de sua influência. Ainda hoje o espírito de Jezabel atua, e atua com grande força. John Pauljackson (2011, pp.215-218) enumera 14 características que identificam o espírito de Jezabel:
1. Embora, a princípio, seja difícil perceber, o indivíduo sente-se profundamente ameaçado pelos profetas, os quais são seu principal alvo. Embora ele pareça ter o dom da profecia, seu alvo na verdade é controlar aqueles que se movem na esfera profética. 
2. Para aumentar seu favor, o indivíduo muitas vezes se aproxima do pastor e dos líderes locais e depois busca encontrar o elo mais fraco a fim de dominá-lo. Seu objetivo final é governar toda a igreja.

3. Em busca de reconhecimento do pastor e dos membros, o indivíduo forma associações estratégicas com pessoas que são reconhecidas como espirituais e têm influência na igreja.

4. Para parecer espiritual, o indivíduo busca reconhecimento manipulando as coisas e buscando tirar vantagem. Muitas vezes, compartilha sonhos e visões provenientes de sua própria imaginação ou que ouviu de outros.

5. Quando o indivíduo recebe um reconhecimento inicial, geralmente responde com falsa humildade. No entanto, tal atitude não dura muito.

6. Quando é confrontado, o indivíduo se coloca na defensiva. Ele justifica suas ações com frases do tipo: “Estou obedecendo a Deus” ou “Deus me disse para fazer isso”.

7. Muitas vezes, o indivíduo alega ter grandes revelações espirituais sobre o governo da igreja, mas não busca as autoridades legítimas. Em geral, primeiro compartilha suas opiniões com outras pessoas. Sua opinião pessoal muitas vezes se torna a “última palavra” sobre várias questões, fazendo com que se sinta superior ao pastor. No entanto, mesmo que sua revelação seja proveniente de Deus, ele prefere sair falando, em vez de orar.

8. Com motivos impuros, o indivíduo busca se aproximar de outros. Parece desejar fazer “discípulos” e precisa de constante afirmação de seus seguidores.

9. Esse indivíduo prefere orar pelas pessoas em particular (em outra sala ou num canto isolado), para não ter de prestar contas a ninguém. Assim, suas revelações e falsas “profecias” não podem ser questionadas.

10. Ansioso para conseguir o controle, ele reúne as pessoas e procura ensiná-las. Embora, a princípio, o ensino possa ser correto, ele apresenta “doutrinas” que não possuem fundamento na Palavra de Deus.

11. Enganando os outros com profecias carnais e falando aquilo que as pessoas gostam de ouvir, ele busca, acima de tudo, conseguir credibilidade. Profetiza meias verdades ou fatos pouco conhecidos, como se fossem revelações divinas. Também tira proveito da memória fraca das pessoas, torcendo seus pronunciamentos anteriores e fazendo parecer que se cumpriram na íntegra.

12. Embora a imposição de mãos seja um princípio bíblico, esse indivíduo gosta de compartilhar um nível “mais elevado” no espírito ou derrubar as paredes que prendem as pessoas, por meio da imposição de mãos. No entanto, seu toque transmite maldição. Em vez de uma bênção santa, o que ele transmite mediante seu toque é um espírito maligno.

13. Mascarando uma autoestima deficiente com orgulho espiritual, ele deseja ser visto como a pessoa mais espiritual da igreja. Pode ser o primeiro a chorar, clamar, etc., afirmando estar recebendo uma carga de Deus. No entanto, não é diferente dos fariseus que queriam que suas boas ações fossem vistas e suas virtudes, reconhecidas pelos homens.

14. Lamentavelmente, a vida familiar desse indivíduo é turbulenta. Ele pode ser solteiro ou casado. Quando é casado, seu cônjuge em geral é espiritualmente fraco, não convertido ou miserável. Esse indivíduo tem a tendência de dominar todos os membros de sua família.5
Já estou no pastorado de tempo integral por mais de uma década e pude comprovar de forma prática essa palavra de Jackson. Pelo menos três vezes identifiquei claramente esse espírito querendo controlar as pessoas e o meu ministério. Graças a Deus porque Ele me deu o discernimento para que eu não ficasse prisioneiro de Jezabel.

Eram mais numerosos
Acabe e sua esposa Jezabel haviam institucionalizado a idolatria no reino do Norte. Baal e Aserá não eram apenas os deuses principais, mas também oficiais. O culto idólatra estava presente em toda a nação, de norte a sul e de leste a oeste. Dessa forma, para manter a presença da religião pagã na mente do povo, a casa real necessitava de um grande número de falsos profetas (1 Rs 17.32,33). O texto sagrado, por diversas vezes, destaca esse fato (1 Rs 18.19). Quando na presença do povo, Elias pôs isso em evidência (1 Rs 18.22), não havia verdade, autenticidade, nem tampouco qualidade no culto falso, mas apenas quantidade.

Confrontando a falsa adoração
Uma leitura cuidadosa do capítulo 18 de 1 Reis, nos revelará alguns aspectos interessantes sobre o culto falso:

1. No culto falso há ritos litúrgicos, mas nenhuma adoração — “Tomaram o novilho que lhes fora dado, prepararam-no e invocaram o nome de Baal, desde a manhã até ao meio-dia, dizendo: Ah! Baal, responde-nos! Porém não havia uma voz que respondesse; e, manquejando, se movimentavam ao redor do altar que tinham feito” (1 Rs 18.26).

O baalismo era organizado, seu serviço de culto também o era. Havia tudo o que uma religião precisa para sobreviver, mas faltava o elemento essencial — o Deus eterno para quem a verdadeira adoração é devida. Eles dançavam, possivelmente ao som de instrumentos, pulavam e manquejavam ao redor do altar, mas não havia vida. Não houve resposta. O culto para ser vivo necessita de que a sua divindade seja também viva. O baalismo era um culto falso como são dezenas de crenças hoje. Possuem estrutura, ritual e seus deuses, mas não possuem a adoração verdadeira.

2. No culto falso há muito grito, mas não há eco — “Ah! Baal, responde-nos! Porém não havia uma voz que respondesse” (1 Rs 18.26). Havia voz, grito, mas não havia eco! Era uma adoração muda! Não houve respostas. No livro de minha autoria: Rastros de Fogo: o que diferencia o pentecostes bíblico do neopente-costalismo atual, escrevi:

“O Pentecostes bíblico possui voz, — “Veio do céu um som” (At 2.2). Na verdade a palavra som traduz o termo grego echos, de onde provém o nosso vocábulo português eco. O Pentecostes bíblico não apenas produz som, mas possui eco! Mas isso não é exatamente o que diferencia o Pentecostes bíblico do moderno? O Pentecostes bíblico possui uma voz que ecoa enquanto o de hoje faz apenas barulho! O Pentecostes contemporâneo é zua-dento! Ninguém mais aguenta esses pregadores “pentecostais” fazendo barulho para se manterem no ar! Como a Televisão é um veículo de comunicação extremamente caro, eles estão migrando para a internet. Estão criando blogs a todo instante! Fazem de tudo para serem notados! Foi Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, quem refez a famosa frase de René Descartes: Penso, logo existo para: Falam de mim, logo existo,6 Sim, um grande número de pregadores pentecostais está gritando a pleno pulmões para serem notados. Fazem barulho, mas suas vozes não conseguem produzir um eco positivo na sociedade.”7

Quando a adoração deixa de produzir eco, então ela transforma-se em uma falsa adoração.

3. No culto falso há a presença do sangue, mas é um sangue impuro — 'eles clamavam em altas vozes e se retalhavam com facas e com lancetas, segundo o seu costume, até derramarem sangue” (18.29). Havia por parte dos profetas de Baal uma autoflagelação! Eles se cortavam com lancetas e derramavam seu próprio sangue, mas nada disso fez com que descesse fogo do céu. Por quê? Porque esse sangue derramado não possuía poder remidor! Era um sangue impuro. Quando Elias sacrificou os animais e clamou ao Senhor, esse sacrifício teve valor. O sangue dos animais oferecidos por Elias em sacrifício eram um tipo do sangue do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1.29).

4. No culto falso há profetas, mas não há inspiração! — “Disse Elias aos profetas de Baal”(l Rs 18.25).
A Escritura afirma que “nenhuma profecia da Escritura provém de particular elucidação; porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens [santos] falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo” (2 Pe 1.20,21).

Juntando os profetas de Baal e os de Aserá, somavam um total de 850 homens. Imaginem esse número de pessoas profetizando juntas! Havia um rio de profecia, mas nenhuma inspiração e consequentemente nenhum cumprimento delas! Uma profecia de Baal faz muito barulho, mas não produz nenhum resultado.

No que ela imita a verdadeira
O relato do capítulo 18 de 1 Reis revela que a adoração a Baal possuía rituais que possuíam certa semelhança com o ritual hebreu. Usavam altar; havia música, danças e também havia sacrifícios. Todavia Elias sabia que aquela religião falsa com suas crenças e rituais não conseguira produzir fogo (1 Rs 18.24). O teste seria, portanto, a produção de fogo! Observamos que os profetas de Baal ficaram grande parte do dia tentando produzir fogo e não conseguiram (1 Rs 18.26-29). Uma das marcas do culto falso é exatamente a tentativa de copiar ou reproduzir o verdadeiro e não conseguir. Encontramos, ainda hoje, dezenas de religiões e seitas tentando produzir fogo e não conseguem. Somente o verdadeiro culto a Deus produz fogo (1 Rs 18.38)!

Para que houvesse a produção de fogo, era necessário:
1. Congregar — ‘Então, Elias disse a todo o povo: Chegai-vos a mim. E todo o povo se chegou a ele” (1 Rs 18.30). Sem congregar ou juntar o povo, o fogo não desce! E preciso congregar o povo com urgência! Sem dúvida uma das grandes causas porque tarda o pleno avivamento seja esta — estamos dispersos, fragmentados e sem congregar. Há muitos crentes, mas são crentes “desigrejados” e que não mais congregam. São crentes da igreja eletrônica! São crentes online com a mídia eletrônica, mas estão offline nos relacionamentos. A igreja eletrônica produz adeptos, mas não discípulos e seguidores. Não há o corpo a corpo tão necessário à vida cristã.

2. Restaurar — ‘Elias restaurou o altar do Senhor, que estava em ruínas” (1 Rs 18.30). O altar havia sido danificado pelos próprios adoradores de Baal, de forma que necessitava de reparos. Para que a adoração voltasse a ser como antes, o altar deveria ser primeiramente restaurado.

3. Pactuar — “Tomou doze pedras, segundo o número das tribos dos filhos de Jacó, ao qual viera a palavra do Senhor, dizendo: Israel será o teu nome” (1 Rs 18.31). Deus é o Deus dos pactos! A fim de que o culto fosse restaurado, Elias tomou doze pedras como um símbolo da aliança do Senhor com Israel. A aliança com o Senhor jamais deverá ser esquecida. Israel havia esquecido esse pacto quando foi seduzido pela adoração Cananeia e necessitava voltar urgentemente à aliança com o Senhor novamente.

4. Sacrificar — ‘Então, armou a lenha, dividiu o novilho em pedaços, pô-lo sobre a lenha e disse: Enchei de água quatro cântaros e derramai-a sobre o holocausto e sobre a lenha. Disse ainda: Fazei-o segunda vez; e o fizeram.” ( Rs 18.33,34).

5. Orar — “No devido tempo, para se apresentar a oferta de manjares, aproximou-se o profeta Elias e disse: O Senhor, Deus de Abraão, de Isaque e de Israel, fique, hoje, sabido que tu és Deus em Israel, e que eu sou teu servo e que, segundo a tua palavra, fiz todas estas coisas. Responde-me, Senhor, responde-me, para que este povo saiba que tu, Senhor, és Deus e que a ti fizeste retroceder o coração deles. Então, caiu fogo do Senhor, e consumiu o holocausto, e a lenha, e as pedras, e a terra, e ainda lambeu a água que estava no rego”(l Rs 18.36-38).

No que a adoração falsa se diferencia da verdadeira
A adoração verdadeira se diferencia da falsa em vários aspectos, mas o relato do capítulo 18 de 1 Reis destaca alguns que consideramos essenciais. Em primeiro lugar, a adoração verdadeira se firma na revelação de Deus na história (1 Rs 18.36). Abraão, Isaque e Jacó foram pessoas reais assim como foram reais as ações de Deus em suas vidas. Em segundo lugar, ela se distingue também pela participação do adorador no culto. Elias disse: “E que eu sou teu servo” (1 Rs 18.36). A Bíblia diz que Deus procura adoradores (Jo 4.24). Israel havia sido uma nação escolhida pelo Senhor (Ex 19.5). Elias invocou, como servo pertencente a esse povo, os direitos da aliança. Em terceiro lugar, ela se diferencia pela Palavra de Deus, que é o instrumento usado para fazer acontecer os planos e propósitos de Deus (1 Rs 18.36).


Confrontando o sincretismo religioso estatal

O perigo do sincretismo religioso

O dicionário Aurélio de língua portuguesa define o vocábulo sincretismo como sendo a: “fusão de elementos culturais diferentes, ou até antagônicos, em um só elemento, continuando perceptíveis alguns sinais originais”. Essa definição se ajusta bem ao culto judeu no Reino do Norte durante o governo de Acabe. A adoração verdadeira havia se misturado com a falsa e o resultado náo podia ser mais desastroso. Esse problema da “mistura” do culto judeu com outras crenças foi uma ameaça bem presente ao longo da história do povo de Deus (Êx 12.38; Ne 13.3). O sincretismo religioso foi uma ameaça, é uma ameaça ainda hoje e sempre será. A fé bíblica não pode se misturar com outras crenças!

A resposta divina ao sincretismo
O texto sagrado diz que logo após o Senhor ter respondido com fogo a oração de Elias (1 Rs 18.38,), o profeta de Tisbe deu instrução ao povo: “Lançai mão dos profetas de Baal, que nem um deles escape. Lançaram mão deles; e Elias os fez descer ao ribeiro de Quisom e ali os matou.” (1 Rs 18.40). Parece uma decisão muito radical, mas não foi. O remédio para extirpar o mal precisava ser tomado. A decisão de Elias não foi tomada por sua própria conta, mas seguia a orientação divina dada pelo Senhor a Moisés. A lei deuteronômica dizia que era necessário destruir todos aqueles que arrastassem o povo de Deus para a idolatria (Dt 13.12-18; 20.12,13).

O desafio do profeta Elias contra os profetas de Baal foi muito além de uma simples luta do bem contra o mal. Ele serviu para demonstrar quem de fato era o Deus verdadeiro e, portanto, merecedor de toda adoração. Foi decisivo para fazer retroceder o coração do povo até então dividido. Mostrou que o pecado deve ser tratado como pecado e que a decisão de extirpá-lo deve ser tomada com firmeza.

A luta contra a falsa adoração continua ainda hoje por parte dos que desejam ser fiéis a Deus. Não há como negar que ao nosso redor ecoam ainda os dons advindos de vários cultos falsos, alguns deles, transvestidos da piedade cristã. Assim como Elias, uma igreja triunfante deve levantar a sua voz a fim de que a verdadeira adoração prevaleça.


Steven Sampson (2008, p.13) sintetizou bem esse assunto quando escreveu:

“A verdadeira batalha que se trava contra o espírito de Jezabel é pelo controle das pessoas. O que esse espírito deseja é dominar e controlar o povo de Deus. Se não formos pessoas decididas, ficaremos fascinados por esse espírito.

Exaltar a posição em vez do caráter é uma descrição sucinta do que são suas intenções. Jezabel apoia organizações religiosas e políticas e é bastante influente sobre elas. Embora seja religiosa, ela dirige seu falso poder contra o verdadeiro fluir profético de Deus. Ela odeia os profetas e todo o ministério profético. De maneira mais específica, odeia o arrependimento, a humildade e a oração intercessória, porque destroem suas fortalezas de orgulho e rebelião”.8


Extraído do livro:

Este livro servirá como auxílio suplementar da nova Lição CPAD

Em Porção Dobrada obra escrita com os rigores de uma exegese e uma hermenêutica bíblica sadia, o leitor poderá ter uma clara visão do paralelo entre os dias de Elias e Eliseu e os nossos, o que inclui as crises religiosas, sociais, morais, políticas e econômicas vivenciadas pelos profetas.É nesse contexto de crise que o Senhor levanta homens e mulheres como porta-vozes, dando aos líderes e ao seu povo a oportunidade de se arrependerem de seus pecados e de se voltarem para Ele.

A sucessão ministerial, um dos grandes problemas da liderança, também é abordado nesta obra. pastores, lideres em qeral, e crentes que amam e temem ao Senhor, com certeza encontrarão e extrairão destas páginas grandes lições a serem aplicadas no ser e fazer cristão.

1 Raymond B. Dillard destaca que o Monte Carmelo “estava localizado ao longo da faixa maior das colinas que formavam a fronteira sul da planície de Jezreel. A altura dele era de mais ou menos 550 metros acima da planície circundante e estava situado perto da costa do mar Mediterrâneo, acima do atual porto de Haifa. No século 9o a.C., o monte Carmelo marca a fronteira sul da fenícia. Como o ponto mais alto da região, era um lugar conveniente para a adoração” {Fé em Face da Apostasia — o evangelho segundo Elias e Eliseu. Ed. Cultura Cristã). 

2 HOLLADAY, AND ARAMAIC LEXICON (HOL). Bible Works, 7.0. USA. 

3 HELMBOLD, Andrew K. in Dicionário Bíblico Wycliffe. Rio de Janeiro: CPAD.2010. 

4 PFEIFFER, Charles & VOS, Howard F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Rio de Janeiro: CPAD, 2010. 

5 JACKSON, John Paul. Desmascarando o Espírito de Jezabel. Rio de Janeiro: Danprewan Editora, 2011. 

6 BAUMAN, Zygmunt. Vida à Crédito. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor. 

7 GONÇALVES, José. Rastros de Fogo - o que diferencia o pentecostes bíblico do neopentecostalismo atual. Rio de Janeiro: CPAD, 2012. 

8 STEVEN, Sampson. Confrontando Jezabel - discernindo e vencendo o espírito de controle. Rio de Janeiro: Editora Vida, 2008. 
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