sexta-feira, 26 de julho de 2013

Lição 6: A fidelidade dos Obreiros do Senhor. - Exemplo de Obreiros para nossos Tempos

E espero, no Senhor Jesus, que em breve vos mandarei Timóteo, para que também eu esteja de bom ânimo, sabendo dos vossos negócios. Porque a ninguém tenho de igual sentimento, que sinceramente cuide do vosso estado; porque todos buscam o que é seu e não o que é de Cristo Jesus. Mas bem sabeis qual a sua experiência, e que serviu comigo no evangelho, como filho ao pai. De sorte que espero enviá-lo a vós logo que tenha provido a meus negócios. Mas confio no Senhor que também eu mesmo, em breve, irei ter convosco. Julguei, contudo, necessário mandar-vos Epafrodito, meu irmão, e cooperador, e companheiro nos combates, e vosso enviado para prover às minhas necessidades. (Filipenses 2.19-25)

O coração do apóstolo estava cheio de saudades das igrejas que foram plantadas por ele, e não podia minimizar esse sentimento porque estava preso. Mesmo assim ele faz planos de viagem e fala de sua intenção de brevemente ir visitar essas igrejas, especialmente, a igreja de Filipos (2.24). Impedido naquele momento de fazer essa viagem, Paulo planeja enviar Timóteo para levar e ter notícias da igreja.

No capítulo anterior deste livro, destacamos o texto de Filipenses 2.12-18, quando o apóstolo Paulo se preocupa com a igreja em Filipos sem a sua presença física para manter unida a igreja. Não que Paulo se julgasse indispensável, mas porque a igreja era nova e precisava ser tratada como um bebê. Por isso, ele desejava estar com os filipenses, mas não tinha certeza de que estaria vivo. Acomoda-se ao fato de estar preso e não poder estar presente em Filipos, então ele mesmo se oferecia como “libação” (oferta de sacrifício) pela igreja. Ele deixa de focar a si mesmo e declara o cuidado de Deus com a igreja por meio da cooperação de obreiros fiéis como Timóteo e Epafrodito. Vamos analisar de forma exegética o texto bíblico desse capítulo.

Paulo Destaca sua Preocupação com a Igreja

1. Paulo era um líder comprometido com o pastorado (2.19)
O apóstolo havia acabado de falar que estava pronto para enfrentar o martírio, mas ao mesmo tempo, uma réstia de esperança de que poderia em breve ir visitá-los o consolava. O versículo 19 revela o coração de Paulo porque, mesmo não estando presente em razão de sua prisão, ele queria ter notícias dos irmãos na fé. Ele temia que a igreja ficasse exposta aos “lobos devoradores” que se aproveitavam da vulnerabilidade e fragilidades das “ovelhas” para devorá-las (Mt 10.16; At 20.29). Paulo se preocupava com a segurança espiritual desse rebanho e dava o máximo das suas forças para atender às necessidades dessas ovelhas. O cuidado pastoral de Paulo por aquelas ovelhas revela o que Charles Jefferson escreveu sobre as funções básicas do pastor genuíno. Ele citou sete funções pastorais: “amar as ovelhas, alimentar as ovelhas, resgatar as ovelhas, cuidar das ovelhas e consolá-las, guiar as ovelhas, guardar e proteger as ovelhas e vigiar as ovelhas”.

2. Paulo era um líder que investia em novos líderes (obreiros) (2.19,20,25)
Quando Paulo pensou em enviar Timóteo, não sabia quando exatamente o seu processo na Corte do Império teria uma solução final. Por isso, o seu desejo era o de enviar Timóteo o mais breve possível, mas esperava ter melhores notícias a seu respeito. No texto dessa escritura, Paulo apresenta dois obreiros especiais, começando com Timóteo, que ele enviaria sob sua autoridade como um obreiro qualificado para ouvir e atender às necessidades espirituais da igreja em Filipos.

Mais tarde, Paulo valoriza outro obreiro conhecido e pertencente à igreja de Filipos. Seu nome era Epafrodito, que gozava de sua total confiança para dar notícias corretas a seu respeito. Ele faz comparação com pseudo-obreiros, como ele os trata no versículo 21, quando diz que são obreiros que não tratam das coisas que são de Cristo, mas de coisas apenas do seu próprio interesse.

3. Paulo era um líder que sabia amar a igreja
Ele não tratava a igreja como se fosse um negócio particular. Ele não tratava a igreja como se fosse um profissional. Ele tinha uma relação amorável com a igreja e se preocupava com as suas necessidades.

O Plano de Enviar Timóteo a Filipos (2.19-24)

É possível que Timóteo tenha se convertido a Cristo na primeira viagem missionária de Paulo, nos anos 47 e 48 d.C., quando o apóstolo visitou Derbe e Listra (At 14.6-22). Quando voltou àquela região na sua segunda viagem missionária, Paulo ficou impressionado com o jovem Timóteo e passou a investir em seu ministério de modo especial. Na escritura de 1 Coríntios 4.17, Paulo lembra a Timóteo como alguém de sua confiança e com um testemunho pessoal. Ele era filho de Eunice e neto de Loide, que eram judias (1 Tm 1.5). Timóteo conquistou o coração de Paulo, e este passou a

tratá-lo como um filho. Paulo percebeu em Timóteo um obreiro em potencial e o adotou ministerialmente, preparando-o para ser um obreiro no qual podia confiar. O plano de enviar Timóteo a Filipos não era para tomar o lugar ou substituir os obreiros locais, mas o de levar notícias e obter outras para consolar o coração de Paulo. Timóteo estaria sob a autoridade apostólica de Paulo para enfrentar algumas situações de partidarismo e vanglória que ameaçavam a unidade da igreja (2.2).

1. Paulo dependia, antes de tudo, da vontade do Senhor
Ele diz a igreja de Filipos: “Espero, porém, no Senhor Jesus, mandar-vos Timóteo” (2.19, ARA). Seu ato de esperar no Senhor Jesus pela oportunidade de fazer o que ele gostaria indicava sua submissão total à vontade divina. Ele não tomava decisões precipitadas quanto às responsabilidades do ministério pastoral. Ele tinha consciência da vontade soberana de Deus e sabia que ninguém pode mudar o curso dos fatos, senão o próprio Senhor. Temos que aprender a depender do Senhor para as decisões importantes da nossa vida e, mui especialmente, da igreja do Senhor.

2. Paulo dá testemunho de Timóteo à igreja de Filipos (2.20)
Paulo, sempre cuidadoso com o que falava, não tem reservas para demonstrar sua confiança em Timóteo quando diz: “Porque a ninguém tenho de igual sentimento” (v. 20). A expressão “de igual sentimento” referia-se a Timóteo como alguém que havia assimilado a mesma visão e sentimento apostólico. Por isso, ele cuidaria com igual cuidado os assuntos que requeriam soluções.

O apóstolo o trata como um filho, visto que conhecia sua família e tinha uma relação saudável com ela desde a tenra idade de Timóteo. Ora, agir com “igual sentimento” (v. 20) significava que Timóteo teria a mesma atitude de amor, de abnegação, de compromisso com a verdade e com a Palavra de Deus. A alta estima que

Paulo tinha por Timóteo indicava que tudo quanto ele dissesse à igreja seria exatamente o que ele diria, porque Timóteo era homem fiel, leal e temente a Deus. O comprometimento de Timóteo não era somente com Paulo, mas, antes de tudo, com sua experiência com Cristo e com a pregação do evangelho. Por isso, ele o trata por “meu verdadeiro filho na fé” (1 Tm 1.2). E interessante notar que Timóteo não era um desconhecido da igreja, pois estava presente com Paulo quando a igreja foi estabelecida (At 16.11-40).

3. O modelo de liderança de Paulo para os líderes atuais
Jeff Caliguire escreveu o seguinte em seu livro Os Segredos de Liderança de Paulo: “Ele comprometeu a sua vida inteira à sua missão, usou de cada oportunidade para compartilhar a sua visão, investiu em líderes que despontavam e aguentou firme quando a maioria teria jogado a toalha”.

Alguns dos obreiros nos quais Paulo investiu tempo e ministério foram Timóteo, Tíquico e Tito. Na equipe de Paulo nas suas viagens missionárias sempre havia líderes como Lucas, Aquila e Priscila e outros, os quais, sob a liderança de Paulo, aprenderam que o exercício do ministério do evangelho é feito pelo caminho da abnegação, da humildade, da disposição para trabalhar e pelo amor à obra de Deus. Está escrito em 2 Timóteo 4.10-12 acerca de alguns obreiros que estavam com Paulo. Um deles, Demas, o desamparou; porém, Crescente, foi enviado por Paulo à Galácia; Tito, para a Dalmácia; e Tíquico foi para Efeso. Agora, Paulo resolve enviar Timóteo, que estava com ele em Roma, para Fi- lipos. Todos esses eram obreiros que trabalhavam com Paulo, e ele passou para seus liderados o ardor pela obra de Deus e a disposição para sofrer por essa obra com a garantia do galardão na presença de Deus. Uma das principais lições ensinadas por esse apóstolo foi a capacidade de ser um líder-servidor. Mesmo tendo uma personalidade forte, Paulo aprendeu com Cristo que a obra maior do líder cristão é servir.

4. Timóteo demonstrou qualidades indispensáveis numa liderança (2.20-22)
Quando Paulo fala que Timóteo tinha “igual sentimento” (2.20), usou uma palavra importantíssima para significar essa expressão: isopsychos. O significado de isopsychos é “da mesma alma”. Essa qualidade singular de Timóteo revelou-se no interesse pela situação dos filipenses e, por isso, dispôs-se a cuidar dos interesses dos filipenses como um autêntico líder. Todo líder cristão precisa desenvolver simpatia e empatia com a igreja, de modo a se tornar um referencial para todos.

O texto de Filipenses 2.22 indica que Timóteo tinha “um caráter provado e aprovado”, no sentido de que estava devidamente preparado para exercer liderança. Ele desfrutava de um bom testemunho como homem e como cristão. Paulo previa que o seu tempo de vida e ministério estava chegando ao fim; por isso, podia ter em Timóteo o continuador da sua obra. Ele tinha uma disposição para cooperar na obra do evangelho com um espírito servil. Ele sabia que na obra do evangelho não há lugar para senhores, mas para servos.

Timóteo demonstrava humildade em servir à igreja de Cristo como ao Senhor. Ele pensava como servo, porque demonstrava preocupação natural com as pessoas e por suas necessidades. Seu interesse não era político, nem egoístico. Ele importava-se sinceramente com o bem-estar físico e espiritual dos irmãos de Filipos, bem como de todos os cristãos nas regiões que visitava. A preocupação de Paulo com a igreja de Filipos estava no fato de que estava ocorrendo desavença e conflito entre alguns cristãos (Fp 1.15,16). Paulo confiava no caráter de Timóteo. Sabia que, a despeito de pouca experiência, Timóteo sabia manter-se fiel aos princípios do evangelho e não apoiaria qualquer facção no seio da igreja. Mesmo com pouca experiência, Timóteo não era um neófito na obra do evangelho. Depois da conversão dele, quando Paulo voltou a Derbe e Listra, alguns anos depois, percebeu o amadurecimento espiritual de Timóteo (At 16.2; 1 Tm 3.6,7).

Paulo ensinou a Timóteo as verdades do evangelho e o treinou para ser um futuro líder. O apóstolo uniu instrução pessoal e oportunidade para que Timóteo pusesse em prática o que havia aprendido. Indiscutivelmente, Timóteo tornou-se um obreiro qualificado porque foi bem preparado para o exercício do ministério pastoral.

Epafrodito, um Servidor Dedicado (2.25-30)

Epafrodito ganha espaço nas páginas do Novo Testamento por seu apanágio exemplar apresentado por Paulo. O apóstolo fala dele como “meu irmão, cooperador, e companheiro nas lutas” (Fp 2.25). Enquanto Paulo era “hebreu de hebreu”, Timóteo era meio judeu e meio gentio (At 16.1), e Epafrodito era totalmente gentio. Existem poucas informações acerca de Epafrodito no Novo Testamento. Alguns teólogos o veem como apóstolo, pregador, mas não há nada que prove que ele tivesse sido pregador, profeta ou mestre da Igreja. Ele é mencionado por nome porque era um homem fiel a Cristo e à igreja que servia. Ele gozava da estima do apóstolo Paulo, por isso foi enviado especial da igreja de Filipos para lhe dar notícias e levar uma oferta de amor para o seu sustento. Subtende-se que Epafrodito era um obreiro local da igreja em Filipos. Visto que nem Paulo nem Timóteo podiam viajar imediatamente para Filipos, o apóstolo Paulo contou com a cooperação de Epafrodito, que deveria voltar a Filipos, como pessoa de confiança, para dar notícias à igreja. Paulo dá testemunho acerca dele e o trata carinhosamente por “meu irmão” (2.25). Na verdade, esse tratamento de “irmão” tornou-se um excelente costume no seio da igreja.

1. Epafrodito foi um mensageiro de confiança da igreja de Filipos (2.25)
Paulo o elogia como um “cooperador e companheiro nos combates”. Sua tarefa inicial era o de ajudar a Paulo enquanto estivesse na prisão, animando-o e conversando sobre todas as coisas, boas e ruins, acerca da igreja de Filipos. Entretanto, a principal finalidade

de Epafrodito na sua viagem ao encontro de Paulo foi a de levar uma ajuda financeira, da parte da igreja, a fim de que o apóstolo pudesse custear as despesas da prisão domiciliar. Porém, o mais importante da visita de Epafrodito à prisão de Paulo era o de trazer boas notícias do povo de Deus. Epafrodito era um gentio especial, grego de nascimento, que demonstrou ter um caráter ilibado e exemplar.

2. Epafrodito, um verdadeiro embaixador de Cristo (2.26-28)
Mediante tudo o que Epafrodito havia contado ao apóstolo, a preocupação maior no coração de Paulo era a de que alguém precisava estar em Filipos o mais breve possível. Essa preocupação de não reter por mais tempo a Epafrodito era em consideração aos irmãos filipenses. Ao enviar de volta esse amigo aos filipenses, Paulo o via como um verdadeiro mensageiro, um embaixador de Cristo. Ele representaria não apenas o apóstolo, mas ao Senhor Jesus. Sua presteza e amor demonstrados por meio de um serviço sacrificial para suprir as necessidades do apóstolo. Era um representante confiável, a quem a igreja podia receber. No versículo 27, Paulo fez questão de informar aos filipenses que Deus havia poupado a vida de Epafrodito para que o seu testemunho fortalecesse a fé de muitos irmãos.

Depois de estar curado da sua enfermidade, Paulo o envia de volta a Filipos e pediu à igreja que o recebesse no Senhor (2.29) e honrasse a Epafrodito como obreiro fiel e devidamente preparado para fazer o que precisava ser feito.

Esses obreiros, especialmente, Timóteo e Epafrodito, são exemplos de homens comprometidos com a causa do evangelho sem qualquer espírito mercenário. Pelo contrário, Timóteo e Epafrodito dedicaram suas vidas por amor ao Senhor.

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