segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Parábola do Filho Pródigo

Santo Agostinho costumava dizer que um dos grandes erros da humanidade era procurar a felicidade na criação ao invés de procura-la no criador que é justo e bom.

Conceito de parábola: do grego parabolé

Pará: ao longe de, passando perto de, ao lado de,....
Bolé: que foi jogado

Parabola: é uma história que passa perto, sem atingir em cheio.

Pródigo: que dispende mais do que é necessário ou conveniente, gastador, perdulário, dissipador, esbanjador.

Prodigalidade: Tendência particular da pessoa para despesas injustificadas e ruinosas, a qual pode conduzir por meio do processo jurídico a uma situação de incapacidade de exercício (interdição).

- O que Jesus pretendia ao proferir esta parábola?

- Porque tantas pessoas a usam em suas prédicas?

- O que contém ela de tão especial?

Ele fala de um homem que estava em busca de sua realização pessoal, mas não encontrou onde fora procurar, e no momento em que para, reflete, descobre que tudo aquilo que ele buscava fora, estava ali com seu Pai.

Porque achamos que a felicidade, ou que tudo que queremos está longe de casa?

Porque não olhamos ao nosso redor, para onde vivemos, para os nossos pais, irmãos e procuramos ali a nossa realização?

Assim como o filho pródigo, quantas vezes nós fazemos a mesma coisa achando que a felicidade é uma realidade distante. Achamos que a felicidade está longe de nós e, nesse anseio acabamos nos perdendo nos caminhos do vício e das paixões doentias, ficando então algemados a isso por tempo indeterminado.

Tentamos encontrar a felicidade no trabalho, passamos longos anos nos esforçando, nos preparando para ter o cargo que queremos para logo perder o entusiasmo e então, voltamos o nosso anseio para outro móvel que preencha o nosso desejo de busca outra vez.

Buscamos a nossa realização familiar, desejamos e sonhamos com a família perfeita, estável, solidificada em bases firmes, normalmente pensamos no financeiro, e quando a constituímos percebemos que não há nada mais instável que a família. Ali se congregam a maioria das vezes pessoas que tem o objetivo de se ajudarem mutuamente nos resgates de débitos passados. Passamos então, a procura de outra coisa que nos preencha o vazio causado pela tentativa frustrada de busca da felicidade. Aquilo que temos não serve e dessa forma achamos que dissolvendo essa família e formando outra iremos encontra-la. Agimos como o filho pródigo e desperdiçamos nossos bens por achar que merecemos ser feliz.

Mas, em dado momento caímos em si. Nesse momento nos perguntamos: O que realmente estamos buscando, atrás de que estamos correndo, onde fomos parar? Quando nos vemos sozinhos, perdidos, espoliados voltamos para a casa do Pai, humilhados e pedimos perdão.

Qual terá sido a última vez que paramos para pensar em nossas vidas?

Diante de um mundo que suga as nossas energias com os compromissos e afazeres, temos conseguido refletir sobre quem somos, onde estamos o que temos buscado e o que temos encontrado? Essas buscas são realmente algo que nos fará felizes? E não percebemos que de toda a criação de Deus na Terra somente a nós humanos foi dado o direito de pensar.

Se o filho mais novo não tivesse parado para pensar um pouco que os servos do seu pai passavam menos fome do que ele, se não tivesse caído em si, certamente estaria entre os porcos que nessa parábola representam todo o tipo de vícios que nós voluntariamente nos tornamos escravos.

Por mais triste que isso possa parecer, foi esta situação e o ato de refletir sobre ela que lhe fez perceber que a felicidade que ele tanto procurou estava com o sei pai (Deus). Ao contrário do que ele pensou, não estava longe, esteve sempre ali ao seu lado e ele não podia ver. Na sua sede de busca irrefletida não percebia que a sua felicidade estava próximo de si, com seu Pai.

Quanto tempo ainda é preciso perder? Quantos caminhos percorrer? Quanto ainda teremos que sofrer para entender que a felicidade está com o Pai?

Deus não nos quer distantes, não nos quer perdidos em busca de momentos felizes, mas quer que estejamos com Ele para conhecermos uma felicidade perene e eterna que seja capaz de alegrar e confortar o nosso coração em todos os momentos de nossas vidas. Deus é a nossa felicidade. E entendamos que Deus sem nós é Deus, nós sem Deus não somos nada.

Santo Agostinho costumava dizer que um dos grandes erros da humanidade era procurar a felicidade na criação ao invés de procura-la no criador que é justo e bom. E que, não era justo abandonarmos Deus para amarmos aquilo que d’Ele deriva. Mas até esse momento, o filho perdido só havia descoberto o lugar onde se encontrava a felicidade, mas não havia ainda acontecido o verdadeiro encontro com ela. Era necessário uma atitude da parte dele. Ele precisava agir do contrário ele estaria apenas divagando, ou apenas filosofando.

Então Jesus disse: Ele se levantando foi para seu pai. Ele não ficou alimentando os porcos, que representam nesse momento as paixões desordenadas, a carência de virtudes, que proporcionam a queda e a submissão ao mau.

Os porcos para os judeus representam o que há de mais imundo, esse tipo de serviço além de ser vergonhoso e abominável, marginaliza aquele que o faz. O que deciframos como a prática e o culto aos vícios mundanos de toda ordem.

O país longínquo representa o estado de alma daqueles que se recusam a ouvir a voz de Deus. Não querem ouvir recriminações e muito menos os conselhos que Deus nos envia através dos nossos pais, irmãos, amigos, aqueles alertas fraternos que vez que outra, recebemos e, na maioria da vezes achamos que isso é invasão de privacidade, etc...

Deus sempre espera que tomemos a atitude, não se importa por onde andamos, e quão distantes estivemos d’Ele. Está sempre com os braços abertos a nos esperar. Ele quer que nós o encontremos e possamos ver e entender que a felicidade que queremos está Nele.

Temos nós buscado Deus?

Será que estamos indo ao Seu encontro?

Levantemo-nos, Ele não nos quer caídos e nem longe Dele, nem perdidos. Deus quer ver-nos em pé, indo na Sua direção a passos firmes.

Com a Sua mão firme nos sustenta e se compadece de nós e, ao mesmo tempo expressa Sua ternura e delicadeza quando diz ao filho mais velho para se regozijar porque aquele filho estava perdido e retornara. Dá-lhe proteção quando pede que lhe tragam uma túnica, representando assim a mãe que acolhe em seu seio o filho que erra, trazendo-o novamente para a sua guarda.

O Pai que acolhe o filho pródigo também é mãe.

Ele segura o filho com a firmeza masculina, mas, o acaricia com a ternura feminina.

Com uma mão Ele protege e com a outra consola. Quem faria isso com tamanha grandeza..., somente Deus em toda a Sua bondade e justiça. Assim a volta do filho pródigo passa a ser vista como a volta do espírito rebelde para o seio de Deus, o retorno às origens do ser para elevar-se à excelsitude.

A sandália que manda trazerem representa aqui a liberdade, pois os escravos não usavam calçados. Essa escravidão entendida como as paixões desordenadas. Em todos os seres por mais primitivo que seja, há neles o germe do bem que se cultivado nos ajuda a sermos melhores e caminharmos em busca da libertação.

O Mestre fala que quando veio uma grande fome, ele começou a passar privações, foi empregar-se na casa de um homem pagão que lhe mandou cuidar dos porcos. Ele queria matar sua fome com as alfarrobas dos porcos, mas ninguém lhas dava. Vemos aí um homem arruinado moral e financeiramente, em um lugar distante do seu pai, passando por humilhações, derrotado e sozinho. Um homem que saíra de casa confiante em si e que se escraviza nos vícios e nas paixões desordenadas. Ele tem fome e não pode ser saciado. Perde tudo, até a sua dignidade. Tinha tudo e agora não tem nada.

Nesse momento podemos fazer uma comparação a uma encarnação alienada em vícios, desperdiçada e degradada. Ele volta para a casa do Pai como um farrapo humano, despojado de sua dignidade, já não tem mais uma personalidade respeitada, está doente e sozinho, muito cansado. Ajoelha-se aos pés do pai e diz:

- Pai, pequei contra ti, não sou mais digno de ser chamado teu filho.

O anel representa um objeto de distinção. É o que o distingue dos outros, pois que só basta o arrependimento sincero e a vontade de trilhar o caminho que nos leva a Deus para que possamos ser distinguidos daqueles que jazem mergulhados no erro.

Resolvemos tomar o caminho da felicidade, daquilo que representa a verdadeira vida – família, amigos, relacionamentos, práticas e vivências saudáveis. Então, contemplamos o nosso mundo interior se modificando, nossos anseios em comunhão com o Divino, recebemos então de Deus a recompensa pelo nosso esforço que é o que nos distinguirá perante Ele, e reberemos então o anel.

Quanto ao irmão mais velho que reclama ao pai que sempre esteve ao seu lado e nunca recebera nada do que está sendo oferecido àquele que dissipara todos os seus bens e voltava arruinado. Ele vê apenas as perdas materiais, e ao mesmo tempo lamenta o dever cumprido, reprova no pai o ensejo de dar graças a volta do irmão, quer o pai só para si.

Até o regresso do irmão estava tudo a contento, porque era só ele que desfrutava da bondade do pai. (Egoísta)

Escondia as suas sombras interiores, seu egoísmo. Usava uma máscara, não caíra em si ainda. Mas, compreendamos: não há nada oculto em nós que um dia não venha a ser conhecido. Um dia a mascara cai e nos revelamos por completo. E aos olhos de Deus somos o que somos e Ele nos ama da mesma forma.

Então, guardemos essas expressões: distante, caindo em si, levantando-se.

Mesmo que saiamos para longe do Pai, caiamos em si e, levantemo-nos para caminhar de volta para os braços do Pai que sempre nos espera e vem ao nosso encontro para nos acolher e proteger, dando a Sua criação sempre a oportunidade do recomeço e de um novo fim.
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