quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Lição 7° Contrapondo a Arrogância Com a Humildade - Humildade versus Arrogância

13 O temor do Senhor consiste em aborrecer o mal; a soberba, a arrogância, o mau caminho e a boca perversa, eu os aborreço. 14 Meu é o conselho e a verdadeira sabedoria, eu sou o Entendimento, minha é a fortaleza.15 Por meu intermédio, reinam os reis, e os príncipes decretam justiça.
16 Por meu intermédio, governam os príncipes, os nobres e todos os juízes da terra. 17 Eu amo os que me amam; os que me procuram me acham. 18 Riquezas e honra estão comigo, bens duráveis e justiça. 19 Melhor é o meu fruto do que o ouro, do que o ouro refinado; e o meu rendimento, melhor do que a prata escolhida. 20 Ando pelo caminho da justiça, no meio das veredas do juízo, 21 para dotar de bens os que me amam e lhes encher os tesouros. Pv 8.13-21

No livro de minha autoria, Por que Caem os Valentes?, escrevi sobre as fontes da moralidade ocidental. Destaquei que esse fundamento se firma em um desses tripés: Deus, a natureza ou o homem. A construção da moralidade ocidental, portanto, oscila entre aquilo que é relativo e o que é absoluto. Muitos filósofos não pouparam nem tinta nem papel para discorrer sobre esse assunto. O mais impetuoso deles foi Friedrich Nietzsche.'

Na sua análise sobre os valores, Nietzsche atacou duramente os pensadores gregos Sócrates e Platão, acusando-os de “domesticar” o ser humano por meio de princípios morais. Para ele, antes desses dois pensadores, o homem primitivo não seguia a normas morais inventadas, mas agia de acordo com seus instintos. Prevalecia então o que ele denominava de “vontade de potência”. Nietzsche, para ilustrar o seu pensamento, recorreu a dois personagens da mitologia grega — os deuses Apoio e Dionísio. Na mitologia grega, Dionísio é a imagem da força instintiva, é a fonte dos prazeres e da paixão sensual. Por outro lado, Apoio é o deus da moderação, aquilo que faz as coisas seguirem o seu equilíbrio. Para ele, o que Sócrates e Platão fizeram foi “anular” o lado dionisíaco do homem, negando seus instintos e afirmando somente o seu lado racional. Essa “anulação” foi feita através de princípios morais ardilosamente inventados. Em seu famoso livro, A Genealogia da Moral, ele procura provar que todos os valores morais são criação do próprio homem. Nietzsche acusou também os cristãos de anular esse lado dionisíaco do homem, implantando aquilo que ele denominava de “moral de escravo”. Na sua fúria contra o cristianismo, esse pensador chegou a chamar o apóstolo Paulo de “o mais sanguinário dos apóstolos”. Mas o seu furor contra os valores morais cristãos está bem sintetizado nessa frase de sua autoria: “Sócrates foi um equívoco, toda a moral do aperfeiçoamento, inclusive a cristã, foi um equívoco”.2

Por que essa análise sobre a construção do pensamento nietzs-chiano é importante quando estudamos a humildade no contexto dos Provérbios? Porque assim como a coragem é uma virtude, a humildade também o é. Se por um lado Nietzsche acaba por incentivar a arrogância, por outro lado Salomão exalta a humildade. “Antes da ruína, gaba-se o coração do homem, e diante da honra vai a humildade” (Pv 18.12); “A soberba precede a ruína e a altivezde espírito a queda” (Pv 16.18). Como podemos observar, não há espaço para a virtude da humildade dentro da filosofia nietzschia- na. Em vez disso ele exalta a “vontade de potência”, como um valor a ser cultivado por todos que querem viver com autenticidade. Dentro desse modelo distorcido, a arrogância e não a humildade seria o alvo a ser alcançado.

Por natureza, o homem que não conhece a Deus é arrogante. A arrogância é uma marca distintiva da natureza humana não regenerada. Na história bíblica há o registro de vários aconteci mentos em que a arrogância, a prepotência e a presunção estão presentes na vida de homens sem Deus.

Vejamos alguns desses casos clássicos de arrogância registrados na Bíblia.

Casos Clássicos de Arrogância na Bíblia

Faraó (Êx 5.1-9)

'Depois, foram Moisés e Arão e disseram a Faraó: Assim diz o Senhor, Deus de Israel: Deixa ir o meu povo, para que me celebre uma festa no deserto.2 Respondeu Faraó: Quem é o Senhor para que lhe ouça eu a voz e deixe ir a Israel? Não conheço o Senhor, nem tampouco deixarei ir a Israel.3 Eles prosseguiram: O Deus dos hebreus nos encontrou; deixa-nos ir, pois, caminho de três dias ao deserto, para que ofereçamos sacrifícios ao Senhor, nosso Deus, e não venha ele sobre nós com pestilência ou com espada.4 Então, lhes disse o rei do Egito: Por que, Moisés e Arão, por que interrompeis o povo no seu trabalho? Ide às vossas tarefas.5 Disse também Faraó: O povo da terra já é muito, e vós o distraís das suas tarefas.6 Naquele mesmo dia, pois, deu ordem Faraó aos superintendentes do povo e aos seus capatazes, dizendo: 7 Daqui em diante não torneis a dar palha ao povo, para fazer tijolos, como antes; eles mesmos que vão e ajuntem para si a palha.8 E exigireis deles a mesma conta de tijolos que antes faziam; nada diminuireis dela; estão ociosos e, por isso, clamam: Vamos e sacrifiquemos ao nosso Deus.9 Agrave-se o serviço sobre esses homens, para que nele se apliquem e não deem ouvidos a palavras mentirosas.

Golias (1 Sm 17.42-49)

Olhando o filisteu e vendo a Davi, o desprezou, porquanto era moço ruivo e de boa aparência.43 Disse o filisteu a Davi: Sou eu algum cão, para vires a mim com paus? E, pelos seus deuses, amaldiçoou o filisteu a Davi.44 Disse mais o filisteu a Davi: Vem a mim, e darei a tua carne às aves do céu e às bestas-feras do campo.45 Davi, porém, disse ao filisteu: Tu vens contra mim com espada, e com lança, e com escudo; eu, porém, vou contra ti em nome do Senhor dos Exércitos, o Deus dos exércitos de Israel, a quem tens afrontado.46 Hoje mesmo, o Senhor te entregará nas minhas mãos; ferir-te-ei, tirar-te-ei a cabeça e os cadáveres do arraial dos filisteus darei, hoje mesmo, às aves dos céus e às bestas- feras da terra; e toda a terra saberá que há Deus em Israel.47 Saberá toda esta multidão que o Senhor salva, não com espada, nem com lança; porque do Senhor é a guerra, e ele vos entregará nas nossas mãos.48 Sucedeu que, dispondo-se o filisteu a encontrar-se com Davi, este se apressou e, deixando as suas fileiras, correu de encontro ao filisteu.49 Davi meteu a mão no alforje, e tomou dali uma pedra, e com a funda lha atirou, e feriu o filisteu na testa; a pedra encravou-se-lhe na testa, e ele caiu com o rosto em terra.

Senaqueribe (2 Cr 32.9-20)

Depois disto, enquanto Senaqueribe, rei da Assíria, com todo o seu exército sitiava Laquis, enviou os seus servos a Ezequias, rei de Judá, que estava em Jerusalém, dizendo:10 Assim diz Senaqueribe, rei da Assíria: Em que confiais vós, para vos deixardes sitiar em Jerusalém?11 Acaso, não vos incita Ezequias, para morrerdes à fome e à sede, dizendo: O Senhor, nosso Deus, nos livrará das mãos do rei da Assíria?12 Não é Ezequias o mesmo que tirou os seus altos e os seus altares e falou a Judá e a Jerusalém, dizendo: Diante de apenas um altar vos prostrareis e sobre ele queimareis incenso?13 Não sabeis vós o que eu e meus pais fizemos a todos os povos das terras? Acaso, puderam, de qualquer maneira, os deuses das nações daquelas terras livrar o seu país das minhas mãos?14 Qual é, de todos os deuses daquelas nações que meus pais destruíram, que pôde livrar o seu povo das minhas mãos, para que vosso Deus vos possa livrar das minhas mãos?15 Agora, pois, não vos engane Ezequias, nem vos incite assim, nem lhe deis crédito; porque nenhum deus de nação alguma, nem de reino algum pôde livrar o seu povo das minhas mãos, nem das mãos de meus pais; quanto menos vos poderá livrar o vosso Deus das minhas mãos?16 Os seus servos falaram ainda mais contra o Senhor Deus e contra Ezequias, seu servo.17 Senaqueribe escreveu também cartas, para blasfemar do Senhor, Deus de Israel, e para falar contra ele, dizendo: Assim como os deuses das nações de outras terras não livraram o seu povo das minhas mãos, assim também o Deus de Ezequias não livrará o seu povo das minhas mãos.18 Clamaram os servos em alta voz em judaico contra o povo de Jerusalém, que estava sobre o muro, para os atemorizar e os perturbar, para tomarem a cidade.19 Falaram do Deus de Jerusalém, como dos deuses dos povos da terra, obras das mãos dos homens.20 Porém o rei Ezequias e Isaías, o profeta, filho de Amoz, oraram por causa disso e clamaram ao céu.

Nabucodonosor (Dn 4.29-37)

Ao cabo de doze meses, passeando sobre o palácio real da cidade de Babilônia,30 falou o rei e disse: Não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei para a casa real, com o meu grandioso poder e para glória da minha majestade?31 Falava ainda o rei quando desceu uma voz do céu: A ti se diz, ó rei Nabucodonosor: Já passou de ti o reino.32 Serás expulso de entre os homens, e a tua morada será com os animais do campo; e far-te-ão comer ervas como os bois, e passar-se-ão sete tempos por cima de ti, até que aprendas que o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens e o dá a quem quer.33 No mesmo instante, se cumpriu a palavra sobre Nabucodonosor; e foi expulso de entre os homens e passou a comer erva como os bois, o seu corpo foi molhado do orvalho do céu, até que lhe cresceram os cabelos como as penas da águia, e as suas unhas, como as das aves.34 Mas ao fim daqueles dias, eu, Nabucodonosor, levantei os olhos ao céu, tornou-me a vir o entendimento, e eu bendisse o Altíssimo, e louvei, e glorifiquei ao que vive para sempre, cujo domínio é sempiterno, e cujo reino é de geração em geração.35 Todos os moradores da terra são por ele reputados em nada; e, segundo a sua vontade, ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem lhe possa deter a mão, nem lhe dizer: Que fazes?36 Tão logo me tornou a vir o entendimento, também, para a dignidade do meu reino, tornou- me a vir a minha majestade e o meu resplendor; buscaram-me os meus conselheiros e os meus grandes; fui restabelecido no meu reino, e a mim se me ajuntou extraordinária grandeza.37 Agora, pois, eu, Nabucodonosor, louvo, exalço e glorifico ao Rei do céu, porque todas as suas obras são verdadeiras, e os seus caminhos, justos, e pode humilhar aos que andam na soberba.

Herodes (At 12.20-23)

Ora, havia séria divergência entre Herodes e os habitantes de Tiro e de Sidom; porém estes, de comum acordo, se apresentaram a ele e, depois de alcançar o favor de Blasto, camarista do rei, pediram reconciliação, porque a sua terra se abastecia do país do rei.21 Em dia designado, Herodes, vestido de trajo real, assentado no trono, dirigiu-lhes a palavra;22 e o povo clamava: E voz de um deus, e não de homem! 23 No mesmo instante, um anjo do Senhor o feriu, por ele não haver dado glória a Deus; e, comido de vermes, expirou.

No contexto do livro de Provérbios os termos contrastantes: “humildade” e “arrogância” ocorrem com muita frequência.Mas um fato a se observar é que eles ocorrem sempre dentro do contexto das interações humanas. Dessa forma para se conhecer quem é o sábio, o autor de Provérbios põe no cenário, como figura contrastante, o insensato. Da mesma forma o injusto será contrastado com o justo; o rico com o pobre; o escravo com o príncipe.

O Sábio versus o Insensato

Em Provérbios 11.2, lemos: “Em vindo a soberba, sobrevêm a desonra, mas com os humildes está a sabedoria”. Matthew Henry comentando Provérbios 11.2, destaca:

O orgulho é uma vergonha para o homem, o qual foi formado do pó da terra, vive de esmola, já que depende de Deus em tudo e, com o orgulho perde o direito de possuir tudo o que tem. O altivo se faz a si mesmo depreciável; é um pecado porque Deus, com muita frequência, abate os homens ao nível mais baixo, como fez com Nabucodonosor e Herodes, cuja vergonha veio imediatamente depois de sua vanglória. Assim como o orgulho é necedade, pois, acaba em desonra, com os humildes está a sabedoria. O vocábulo hebraico para “humilde” só ocorre aqui e em Miqueias 6.8, porção sublime.3

Por outro lado, “o orgulhoso”, observa Derek Kidner, “é colocado entre os piores pecadores em Provérbios, sendo o primeiro na lista das “sete abominações” em 6.17, e sua condenação é garantida com a do adúltero (6.29), o qual faz juramento falso (19.5), e outros pecadores dos mais destacados, embora ele possa “dar graças a Deus” por não se assemelhar a eles (...) o mal especial do orgulhoso e que se opõe aos primeiros princípios da sabedoria (o temor do Senhor e os dois grande mandamentos. O orgulhoso, portanto, está mal consigo mesmo (8.36), com seu próximo (13.10) e com o Senhor (16.5). Por isso, a ruína pode chegar, apropriadamente, de qualquer direção”.4

O Justo versus o Injusto

Justiça e humildade

Nos Provérbios a humilde é característica de uma pessoa sensata, modesta e mansa e por isso sabe que a justiça é de origem divina (Pv 29.26); que ela exalta as nações (Pv 14.34); livra da morte (Pv 10.2); guarda o que anda em integridade (Pv 13.6); é amada por Deus (Pv 15.9) e por isso deve ser exercitada (Pv 21.3).

Comentando Provérbios 14.34, Antonio Neves de Mesquita destaca:

O pecado é o opróbrio dos povos. Aqui está toda a sabedoria de Provérbios. O pecado, sempre o pecado, que cria o invejoso, o prepotente, o opressor e toda essa coorte de sinistros elementos que infelicitam a vida. A falta de justiça na terra também resulta do pecado. Todo o mal é produto ou subproduto do pecado na vida. A seguir vem o texto áureo deste capítulo. A justiça exalta as nações... Há um folheto publicado por Howard Hoton sobre o título A Justiça Exalta as Nações (...) é um estudo socioeconômico das nações antigas e modernas a respeito das suas práticas de justiça social. No conceito desse autor citado, só a Justiça é capaz de dar aos povos a paz e harmonia que desejam, e essa justiça só pode vir do uso e prática da Bíblia. Fora dela não há justiça possível, nos termos em que a mesma Bíblia compreende. Os povos mais justos do mundo são os mais prósperos e os mais pacíficos, porém os menos justos são os mais pobres e os menos pacíficos.s

Em seu comentário do Livro de Provérbios, Warren W. Wiersbe destaca: “Vários teólogos acreditam que o orgulho é o “pecado dos pecados”, pois foi o orgulho eu transformou um anjo no Diabo (Is 14.12-15). As palavras de Lúcifer “serei semelhante ao Altíssimo” (v. 14), foram um desafio ao próprio trono de Deus e, no jardim do Éden, transformaram-se na declaração “como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal” (Gn 3.5). Eva acreditou nessas palavras,e o restante da história é conhecido. “Glória ao homem nas maiores alturas” — esse é o grito de guerra da humanidade orgulhosa e ímpia que continua desafiando Deus e tentando construir o céu na terra (11.1-9; Ap 18). Quanto ao soberbo e presumido, zombador é o seu nome; procede com indignação e arrogância (Pv 21.24). “Antes da ruína, gaba-se o coração do homem, e diante da honra vai a humildade” (Pv 18.12, ARA; ver 29.23). Deus aborrece “olhos altivos” (6.16,17) e promete destruir “a casa dos soberbos” (15.25). Quase todo cristão sabe Provérbios 16.18 de cor, mas nem todos nós atentamos para o que esse versículo diz:

“A soberba precede a ruína, e altivez do espírito precede a queda”.6

O Rico versus o Pobre

Riqueza e arrogância

O rico orgulhoso 7

“Vive do jeito que gosta
Pisando sobre os pequenos,
Levando o mundo nas costas
E vomitando veneno.
Mas quando a hora é chegada
E a morte dele se agrada,
Nem mesmo o doutor socorre,
Não tem orgulho que empate,
O seu cachimbo ele bate
Do jeito que os pobres morrem.
Quando um orgulhoso morre,
Se alguém tem pena e perdoa,
Depois que a notícia corre,
Outro diz: ô coisa boa!
Ele agora vai pagar.
Já outro diz, de acolá:
Cadê tanta soberbia
E tanta perversidade?
Toma, bicho sem piedade,
Era o que você queria!

A riqueza passa a ser estimada pelo próprio Deus quando atende aos seus propósitos: “O que oprime ao pobre insulta aquele que o criou, mas a este honra o que se compadece do necessitado” (Pv 14.31, ARA). Nesse aspecto, riqueza e humildade podem até mesmo andarem juntas: “O galardão da humildade e o temor do Senhor são riquezas, e honra, e vida” (Pv 22.4)

R. N. Champlin destaca que “em contraste com a situação dos pobres, devemos considerar o caso do homem arrogante, que não tem medo da face de ninguém. Ele se pavoneia como se fosse um galo, emitindo o seu cântico tolo. Ele pode dar a outros respostas duras e apimentadas, sem temer o que possam fazer e sem se importar se eles gostam ou não do que ele faz. Portanto, bendito seja o dinheiro! Os ricos respondem duramente aos pobres, quando estes querem dinheiro. Talvez seja essa a principal questão tencionada nessas respostas. O pobre é mal recebido quando se dirige ao rico, para pedir-lhe que aumento seu salário, que lhe dê um empréstimo ou alguma importância em dinheiro para alguma necessidade especial. “A pobreza gera a impotência e a humildade; as riquezas geram a autossuficiência e a arrogância” (Fausset, in loc.).8

Os versículos 11 de Provérbios 28 é entendido pelo Comentário Beacon da seguinte forma: “A presunção do rico é o tema do versículo 11.0 homem arrogante pensa que a sua habilidade para os negócios é uma indicação de sabedoria superior, mas o pobre consegue perceber coisas por trás das limitações desse homem e possuir a verdadeira sabedoria e segurança (veja comentário de 18.11)”.9Lawrence O. Richards destaca em seu comentário o que chama de “vantagens de ser pobre”:

1. Os pobres sabem que têm necessidade urgente de redenção.

2. Os pobres conhecem não somente a sua dependência de Deus e de pessoas poderosas, como também a sua dependência dos outros.

3. Os pobres descansam na sua segurança, não em coisas, mas em pessoas.

4. Os pobres não têm um sentimento exagerado sobre a sua própria importância, nem uma necessidade exagerada de privacidade.

5. Os pobres esperam pouco da competição, e muito da cooperação.

6. Os pobres podem distinguir entre as necessidades e os supérfluos.

7. Os pobres podem esperar, porque adquiriram um tipo de paciência tenaz, nascida da dependência reconhecida.

8. Os medos dos pobres são mais realistas e menos exagerados, porque eles já sabem que é possível sobreviver a grandes sofrimentos e necessidades.

9. Quando o evangelho é pregado aos pobres, fica bastante claro que são as Boas-Novas, e não uma ameaça ou uma repreensão.

10. Os pobres podem responder ao chamado do evangelho com certo abandono e uma totalidade descomplicada, porque têm muito pouco a perder, e estão dispostos a tudo.10

0 Príncipe versus o Escravo

Em seu Comentário Devocional da Bíblia, o expositor bíblico Lawrence O. Richard, discorre sobre o sentido de Provérbios 31.1-9:

Esses versículos de conselho, dados por um rei que escrevia sob o pseudônimo de Lemuel, revelam uma visão elevada da responsabilidade real. O rei é servo do seu povo, e deve proteger os oprimidos e julgar com justiça. A indulgência pessoal “não é própria dos reis”. Eles devem despender a sua força e o seu vigor servindo ao seu povo, não procurando mulheres ou embriagando-se.

Essas palavras de uma mãe nos lembram de que devemos considerar toda autoridade no contexto da servidão. O homem, que é o “cabeça da casa”, como o rei desses versículos, não deve usar a sua autoridade para explorar ou “dominar” a sua esposa, mas para servir tanto a ela, como aos filhos que tiver com ela.11

Dessa forma, através da sabedoria o rei justo deveria promover o bem-estar social: “O rei justo sustém a terra, mas o amigo de impostos a transtorna” (Pv 29.4, ARA). Quando esse governante não teme a Deus, mas age de forma perversa e arrogante o povo logo sente os reflexos: “Quando se multiplicam os justos, o povo se alegra, quando, porém, domina o perverso, o povo suspira” (Pv 29.2, ARA). Por isso o governante sábio dará atenção especial aos mais humildes: “O rei que julga os pobres com equidade firmará o seu trono para sempre” (Pv 29.14, ARA).

José Gonçalves, e pastor em Água Branca, Piauí, graduado em Teologia pelo Seminário Batista de Teresina e em Filosofia pela Universidade Federal do Piauí. Ensinou grego, hebraico e teologia sistemática na Faculdade Evangélica do Piauí. É comentarista de Lições Bíblicas da Escola Dominical da CPAD e autor dos livros:Missões – o mundo pede socorro (Ed Halley); Por que Caem os Valentes (CPAD); As Ovelhas Também Gemem (CPAD); Defendendo o Verdadeiro Evangelho (CPAD); A Prosperidade à Luz da Bíblia (CPAD); Rastros de Fogo – o que diferencia o pentecostes bíblico do neopentecostalismo (CPAD); Porção Dobrada (CPAD); Sábios Conselhos para um Viver Vitorioso (CPAD) e co-autor do livro: Davi – as vitórias e derrotas de um homem de Deus (CPAD, prêmio ABEC). É presidente do Conselho de Doutrina da Convenção Estadual das Assembleias de Deus no Piauí e membro da Comissão de Apologética da CGADB.

Notas

1 Hoje há uma farta literatura de autoajuda escrita a partir dos escritos de Nietzsche. Alguns teólogos querem cristianizar a filosofia Nietzschiana, todavia a acidez da filosofia desse pensador torna essa missão praticamente impossível.
2 GONÇALVES, José. Por que Caem os Valentes. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.
3 HENRY, Matthew. Comentário Bíblico de Matthew Henry — traducido y adaptado al castelano por Francisco Lacueva. 13 tomos en 1 — obra completa sin abreviar. Barcelona, Espanha: Editorial CLIE.
4 KIDNER, Derek. Provérbios — introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova.
5 MESQUITA, Antonio Neves. Estudo no Livro de Provérbios — princípios para uma vida feliz. Rio de Janeiro: JUERP
6 WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo — poéticos. Rio de Janeiro: Central Gospel.
7 ASSARÉ, Patativa. Cante Lá que eu Canto Cá — filosofia de um trovador nordestino. 14a edição, Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes.
8 CHAMPLIN, R.N. O Velho Testamento Interpretado Versículo por Versículo. Rio de Janeiro: CPAD,  2001.
9 CHAMPMAN, Milo L, PURKISER, W.T et al. Comentário Bíblico Beacon — vol. 3 — Jó a Cantares de Salomão. Rio de Janeiro: CPAD.
10 RICHARDS, Lawrence, O. Comentário Devocional da Bíblia. Rio de Janeiro: CPAD, 2012.

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