terça-feira, 13 de maio de 2014

Lição 7 – O Ministério de Profeta

O PROFETA “E a uns pôs Deus na igreja, primeiramente, apóstolos, em segundo lugar, profetas, em terceiro, doutores, depois, milagres, depois, dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas” (1 Co 12.28).


Neste capítulo, discorremos sobre o dom ministerial de profeta, na igreja cristá. É um assunto que envolve dificuldades de interpretação, tendo em vista alguns aspectos que parecem não estar bem claros, no texto neotestamentário. Quando se estuda a missão dos profetas, no Antigo Testamento, normalmente, não há grandes questionamentos. Mas, no âmbito do Novo Testamento, persistem algumas indagações. Há dúvidas acerca da correlação entre o dom de “profeta” e o dom espiritual de “profecia”. O profeta, na igreja atual é um dom ou é um ofício? E um cargo ministerial, como alguém utiliza, acima dos demais? Já existem igrejas em que seu titular já foi pastor, bispo, apóstolo e, atualmente, é chamado de “o profeta”!

A Igreja Primitiva é o modelo ideal a ser seguido pelas igrejas cristãs ao longo da História. Mesmo considerando algumas especificidades ministeriais, face ao contexto histórico e cultural de sua época, o que foi ensinado por Jesus e por seus apóstolos, ao longo do desenvolvimento das igrejas locais, tem valor essencial para quaisquer igrejas, em todos os tempos e lugares, no mundo em que vivemos. Desse modo, constatamos que tanto o dom de profecia como o ofício ou o dom ministerial de profeta eram naturalmente reconhecidos pelos cristãos primitivos.

Em momentos cruciais, quando as adversidades ameaçavam a comunidade cristã, homens de Deus eram levantados para transmitir a mensagem de orientação, necessária para sua estabilidade. Os profetas do Novo Testamento não eram pessoas procuradas por irmãos ou grupos de irmãos, com a finalidade de buscarem orientações pessoais. Eles eram usados, em momentos especiais, quando havia uma necessidade de uma palavra especial da parte de Deus. E o faziam de modo espontâneo, sem qualquer ideia de premeditação ou direcionamento da parte do profeta, como ocorre, infelizmente, em alguns lugares, nos dias presentes. Também não tinham o ofício de profeta, idêntico ao dos profetas do Antigo Testamento.

O profeta do Antigo Testamento era um homem que, além de transmitir a mensagem de Deus, tinha outras atribuições de ordem nacional. Na unção dos reis, eram os profetas que tinham a incumbência de derramar o azeite santo da unção sobre a cabeça dos governantes (1 Sm 16.1; 1 Rs 19.16).

No Novo Testamento, o profeta tem função essencialmente voltada para o âmbito da igreja local. Mas, de modo geral, o profeta da igreja cristã atende à necessidade de edificação, exortação e consolação dos crentes (1 Co 14.3). Uma pessoa pode ter o dom espiritual de profecia sem ter o dom ministerial de profeta. Não se pode dizer que a igreja do século XXI não precisa mais de profetas. Considerando que, antes da Vinda de Jesus, está prevista terrível manifestação da apostasia (2 Ts 2.3), é indispensável que a igreja local tenha a presença da manifestação do Espírito Santo, tanto através do dom de profecia, como a palavra sábia e edificante dos profetas de Deus.

O profeta de hoje não tem a missão de ungir reis ou profetas em seu lugar, mas tem a grave responsabilidade de transmitir a mensagem de Deus, nos momentos necessários, no tempo certo, para pessoas ou para a comunidade cristã. Essas mensagens são de grande valia, para denunciar as ameaças ou existência de pecados que comprometem a integridade espiritual do Corpo de Cristo.

Nas igrejas, é comum surgirem irmãos que têm o dom de profecia ou o dom ministerial de profeta, e, com o passar do tempo, tornarem- se soberbos, achando que são superiores aos demais, e até aos líderes. Ê o começo da queda. A Bíblia diz que depois do orgulho vem a queda (Pv 16.18). Quem tem um dom de Deus deve ter consciência de que é apenas um servo e não um senhor dos outros.

I - O Profeta do Antigo Testamento

No Antigo Testamento, o ofício do profeta era de âmbito nacional. Quando Deus levantava um profeta, conferia-lhe a missão de falar em seu Nome para toda a nação e até para povos estranhos.

1. A IMPORTÂNCIA DOS PROFETAS

O Antigo Testamento foi marcado pela atividade e testemunho dos profetas. Quando Jesus se despedia dos seus discípulos, lhes disse: “São estas as palavras que vos disse estando ainda convosco: convinha que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na Lei de Moisés, e nos Profetas, e nos Salmos” (Lc 24.44). Os escritos dos profetas faziam parte da tríplice divisão da Bíblia hebraica.

1) Profetas no Pentateuco. Nos cinco primeiros livros do Antigo Testamento, vemos a presença de Abraão, o pai da nação Israelita, que foi considerado um profeta (Gn 20.7); quando Moisés, o líder do Êxodo, estava em aperto, na sua chamada para tirar o povo do Egito, Deus lhe disse que Arão, seu irmão, seria seu profeta (Êx 7.1); os 70 homens, levantados por Deus para ajudar Moisés profetizaram só uma vez; dois israelitas, Eldade e Medade, que ficaram na tenda, também profetizaram, provocando ciúmes em Josué (Nm 11.24-29). Em Números, Deus diz como usaria um profeta, em visão ou sonhos (Nm 12.6). Em Deuteronômio, vemos Deus ensinando ao povo como distinguir os verdadeiros e os falsos profetas (Dt 13.1-5). Aqueles homens não tinham um ministério profético. Foram usados por Deus em mensagens ou missões de caráter profético. Seus nomes não fazem parte dos “Profetas”, na divisão da Bíblia hebraica, porque a profecia não era a sua missão principal.

2) Profetas em diversos livros do Antigo Testamento. Nos livros históricos, o papel dos profetas foi muito relevante. Os livros de 1 e 2 Samuel foram escritos pelo último dos juizes e o primeiro dos profetas, realmente dedicados à missão de falar ao povo mensagens da parte de Deus de modo marcante e consequente (1 Sm 8.10-17); ele também era vidente (1 Sm 9.15, 19,20; 10.1-5). Foi usado para ungir Saul, o primeiro rei de Israel e Davi, seu sucessor (1 Sm 10.24; 16.13). Nos livros de 1 e 2 Reis, houve profetas de destaque, como Natã, que ungiu Salomão (1 Rs 1.39); o profeta Aias, que profetizou a divisão do Reino de Israel (1 Rs 11.31, 32); houve um profeta desconhecido, que vaticinou o nascimento de Josias, e foi enganado por um “profeta velho”, que mentiu, e, mesmo assim, foi usado por Deus (1 Rs 13.1-3; 11-26). Quando Deus quer, usa a quem Ele quer.

Dentre os profetas de 1 Reis, destacou-se o profeta Elias, que denunciou os pecados do rei Acabe e sua mulher ímpia, Jezabel (1 Rs 17.1; 18.1) e confrontou os profetas de Baal e Asera, cultuados pelo casal real (1 Rs 18.18-46). Seu sucessor foi o profeta Eliseu, que foi usado com grande poder (2 Rs 2.9-11), com grandes sinais e maravilhas (2 Rs 2.19-25). Isaías foi profeta de grande valor em 2 Reis (2 Rs 19.2, 6,7, 20-37). Naquele tempo, a profetiza Hulda foi usada por Deus para exortar o povo em sua desobediência (2 Rs 22.14-20).

Esdras, líder da reconstrução do Templo em Jerusalém, após o cativeiro babilónico, foi ajudado por profetas (Ed 5.2). Na reconstrução dos muros, por Neemias, levantou-se a falsa profetisa Noadias, que, juntamente com outros profetas conluiaram-se contra Neemias, o líder da reconstrução dos muros de Jerusalém (Ne 6.4).

2. OS PROFETAS MAIORES

Integram uma lista de 5 livros, de Isaías a Daniel. São chamados de “maiores” não por importância pessoal dos profetas, mas pelo volume ou tamanho de seus livros bem como a abrangência das profecias. Aqueles mensageiros de Deus foram usados para transmitir mensagens do Senhor ao povo de Israel, no seu tempo, e também foram usados de maneira profética para vaticinar acontecimentos futuros, escatológicos.

3. OS PROFETAS MENORES

São 12 livros, de Oseias a Malaquias. De igual modo, seus autores são chamados de “menores”, não por serem inferiores aos outros, mas pelo menor volume de seus livros e menor extensão de suas profecias. Os profetas do Novo Testamento apenas foram citados, no texto bíblico, em referência a sua participação na história da Igreja, mas não tiveram a condição de serem incluídos no cânon bíblico. Os profetas do Antigo Testamento tinham um ministério voltado para toda a nação.

II - O profeta no Novo testamento

Em o Novo Testamento, só há um livro profético — O Apocalipse. Nenhum personagem neotestamentário, além de João, o Evangelista, escreveu outro livro com esse caráter. Mas, ao longo de seus livros, encontramos referências a profetas, que tiveram papel relevante. Vamos refletir um pouco sobre eles.

1. UM DOM MINISTERIAL

Em sua carta aos coríntios, o apóstolo Paulo fala da importância do corpo de Cristo, enfatizando que os crentes são “seus membros em particular” (1 Co 12.27). E o faz, depois de demonstrar a necessidade da unidade do corpo de Cristo, fazendo uma analogia com o corpo humano, mostrando que nenhum membro do corpo pode dispensar a função do outro. “Mas, agora, Deus colocou os membros no corpo, cada um deles como quis. E, se todos fossem um só membro, onde estaria o corpo? Agora, pois, há muitos membros, mas um corpo” (1 Co 12.18-20). Daí, porque nenhum dom ministerial é maior que o outro. A ordem dos dons, no texto, é questão de prioridade.

Com essa visão, da unidade do corpo de Cristo, que é a Igreja, o apóstolo apresenta uma lista de dupla referência. Primeiro, fala de homens a quem Ele põe na igreja, ao que tudo indica, numa ordem de prioridade. São “homens-dons”, por assim dizer. Nessa lista, os “profetas” aparecem em segundo lugar. Sem dúvida, não é por acaso, mas segundo o entendimento do Espírito Santo. Os profetas eram os homens usados por Deus para transmitir mensagens divinas para a comunidade dos que eram ganhos para Cristo. Eram mensagens sobrenaturais. Os doutores eram os que cuidavam do ensino ou do discipulado, estudando, interpretando e ensinando os fundamentos da fé cristã com profundidade.

Na segunda parte do texto, vemos Paulo apresentar uma lista de ministérios, indispensáveis à unidade, a edificação, ao fortalecimento e à própria administração da igreja local: “depois, milagres, depois, dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas” (1 Co 12.28 b), e faz indagações que enfatizam o valor do uso dos dons de modo integrado e não fragmentado (1 Co 12.29-31). Se um dom fosse maior que o outro, não promoveria a unidade indispensável do corpo de Cristo.

Escrevendo aos efésios, Paulo é mais didático ou explícito, em relação aos dons ministeriais. “E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo ” (Ef 4.11-13 — grifos nossos). Observe que, à semelhança do texto de 1 Coríntios 12.28, os profetas vêm em segundo lugar.

III - O Dom de Profeta, e o Dom de Profecia

No capítulo 5, quando discorremos sobre os Dons de Elocução, tecemos comentário sobre o dom espiritual de profecia (1 Co 12.10). Neste capítulo, o foco do estudo é o dom ministerial de profeta (Ef 4.11). De início, parece não haver diferença entre um e outro, mas há alguns aspectos a considerar.

1. O DOM DE PROFETA NÁO É PARA TODOS

Examinando o contexto do capítulo 12 de 1 Coríntios, podemos verificar e concluir que os dons ministeriais não são para todos os crentes, na igreja local. Diz o texto: “E a uns pôs Deus na igreja, primeiramente, apóstolos, em segundo lugar, profetas, em terceiro, doutores, depois, milagres, depois, dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas” (1 Co 12.18). Note-se que o texto diz que “a uns pôs Deus na igreja”. Isso mostra que Deus não pôs todos, mas “uns”.

Na lista de Paulo aos efésios, vemos escrito: “E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo” (Ef 4.11,12). Quando o escritor diz “uns” e “outros” fica bem claro que tais dons não estão à disposição de todos os crentes. Diz a Bíblia de Estudo Pentecostal: “Como dom de ministério, a profecia é concedida a apenas alguns crentes, os quais servem na igreja como ministros profetas’ (grifo nosso).1

1) O aperfeiçoamento dos santos. A finalidade dos dons ministeriais é “o aperfeiçoamento dos santos” (1 Pe 1.15), ou seja, dos crentes fiéis, santificados e comprometidos com o Reino de Deus, “para a obra do ministério”. Há o ministério ordenado, regular, integrado pelos pastores, evangelistas, presbíteros, diáconos ou cooperadores, ordenados, consagrados ou separados para atender às necessidades da comunidade cristã. E há ministérios diversos, que não são realizados pelos ministros ou obreiros do corpo ministerial. Na música, no louvor, no ensino, nos serviços gerais, na segurança, na operação de equipamentos e outros, que, quando executados por pessoas que são chamadas por Deus, e assumem tais atividades, conscientes de que estão prestando um serviço à igreja, são verdadeiros ministérios.

2) Para a “obra do ministério”. O ministério se constitui dos diversos cargos e funções, necessárias ao desenvolvimento da vida eclesiástica; são os diversos serviços e atividades eclesiásticas e administrativas que norteiam a administração espiritual, humana e organizacional da igreja local. Essa obra requer orientação segura da parte de Deus.

3) A edificação do Corpo de Cristo. Os dons ministeriais também atendem à necessidade da “edificação do Corpo de Cristo”, que é a Igreja (invisível), que se torna visível, no conjunto de salvos, na igreja local. Os crentes salvos são considerados “edifício de Deus” (1 Co 3.9). A metáfora é bem adequada. Os salvos são considerados “pedras vivas”, na construção desse edifício espiritual. Diz o apóstolo Pedro: “vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecerdes sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus, por Jesus Cristo” (1 Pe 2.5). Nessa edificação, o papel dos que têm o dom ministerial de profeta é de grande valia.

2. O DOM DE PROFECIA E SUAS ESPECIFICIDADES

Enquanto o “dom de profeta” só é concedido a “uns”, o dom de profecia, está à disposição dos que o buscarem. “Como manifestação do Espírito, a profecia está potencialmente disponível a todo cristão cheio dEle (At 2.16-18)”.2 A Palavra de Deus faculta aos crentes buscarem os dons espirituais, “mas principalmente o de profetizar” (1 Co 14.1).

O que transmite mensagem, através do dom de profecia pode ser avaliado, ou julgado pelos demais (1 Co 14.29, 32; 1 Ts 5.20,21). O detentor do dom de profecia não deve ser um oráculo, a ser procurado pelos crentes para guiar suas vidas.

Tanto na igreja do Novo Testamento, como em todos os tempos, o “dom de profecia” ou “dom de profetizar” tem finalidade tríplice: “Mas o que profetiza fala aos homens para edificação, exortação e consolação\ O que fala língua estranha edifica-se a si mesmo, mas o que profetiza edifica a igreja. (1 Co 14.3,4).

É necessário que haja um cuidado especial, em relação ao dom de profecia. O profeta do Novo Testamento, na igreja local, não deve arrogar-se o direito de querer dirigir o pastor, ou o líder da igreja.

IV - Como Conhecer o Profeta

1. CARACTERÍSTICAS DO VERDADEIRO PROFETA

Deus vale-se de homens ou mulheres, para usá-los em mensagens proféticas. No Antigo ou em o Novo Testamento, através de profetas ministros, ou do dom de profecia, a mensagem de Deus é transmitida para sua igreja, com fins proveitosos.

1) Ele só diz o que ouve da parte de Deus. O verdadeiro profeta fala a verdade de Deus, na mensagem que transmite. O profeta verdadeiro não transmite mensagem de sua mente, para agradar ou desagradar, propositadamente. Ele fala a Palavra de Deus “com verdade”.

O rei de Israel, mais prudente, procurou saber se não haveria ali um profeta do Senhor. “Disse, porém, Josafá: Não há aqui ainda algum profeta do SENHOR, ao qual possamos consultar?” (1 Rs 22.7). Certamente, o rei de Israel percebeu que aqueles profetas não mereciam confiança. O rei de Judá respondeu que havia um profeta, Micaías, mas o aborrecia, pois suas profecias sempre o desagradavam. Por sugestão do rei de Israel, o rei de Judá mandou chamar o profeta Micaías. Os mensageiros lhe advertiram que todos os profetas já haviam dado uma mensagem unânime em favor do rei, e que ele deveria fazer o mesmo. A resposta de Micaías define a postura de um verdadeiro profeta de Deus: “Porém Micaías disse: Vive o Senhor, que o que o Senhor me disser isso falarei” (1 Rs 22.14 — grifo nosso). E, contrariando todos os profetas do rei de Judá, Micaías predisse que Israel seria derrotado. Foi malvisto, preso, mas Deus cumpriu a palavra do profeta. O rei de Judá foi morto, e o exército sofreu pesada derrota.

2) Há evidências da confirmação de Deus. O verdadeiro profeta é confirmado por Deus. Sua mensagem é autenticada pelo Espírito Santo, e merece credibilidade. “E todo o Israel, desde Dã até Berseba, conheceu que Samuel estava confirmado por profeta do Senhor” (1 Sm 3.20). Samuel era um jovem profeta, no tempo de Eli. E foi confirmado por Deus perante toda a nação de Israel.

3) Tem revelação e discernimento de Deus. O rei Jeroboão estava em pecado, e mandou sua mulher disfarçar-se e consultar o profeta Aias, diante da grave doença de um filho seu. A mulher disfarçou-se e foi ao profeta. Antes que chegasse à sua casa, Deus falou ao profeta, alertando-o pela chegada da mulher do rei. Quando ela pôs os pés na porta da casa, o homem de Deus a surpreendeu: “E sucedeu que, ouvindo Aias o ruído de seus pés, entrando ela pela porta, disse ele: Entra, mulher de Jeroboão! Por que te disfarças assim? Pois eu sou enviado a ti com duras novas” (1 Rs 14.6). E falou do mal que viria sobre o reinado do seu esposo, e da morte da criança, o que de fato aconteceu (1 Rs 14.17). O verdadeiro profeta de Deus não se deixa levar pelas aparências e muito menos pela bajulação de quem quer que seja.

4) O profeta não é insubstituível. O profeta Elias, fugindo de Jezabel, a ímpia mulher do rei Acabe, refugiou-se no deserto de Berseba. Recebeu ordem de Deus para levantar-se, pois ainda tinha muito a fazer. Quando pensava que só havia ele para ser usado, Deus lhe disse: “Também eu fiz ficar em Israel sete mil: todos os joelhos que se não dobraram a Baal, e toda boca que o não beijou” (1 Rs 19.18; Rm 11.4). Sete mil é a “média” que Deus tem de homens para substituir quem quer que seja. No tempo de Deus, Elias passou o cajado para Eliseu, após cumprir sua missão (2 Rs 2.9-14).

2. CARACTERÍSTICA DO FALSO PROFETA

1) Ele não tem mensagem de Deus. No Antigo Testamento, o falso profeta era aquele que entregava mensagem do seu coração, para agradar a alguém, ou para fazer oposição. No primeiro caso, temos os profetas do rei Acabe. Todos profetizaram o que o rei gostaria de ouvir, que iria à guerra e seria vitorioso. Contrariando um profeta de Deus, o rei foi à guerra, foi derrotado e morreu (2 Cr 18.4,5; 27-34); no segundo caso, há o exemplo da falsa profetisa Noadias e outros profetas, que foram subornados para atemorizar Neemias, na reconstrução dos muros de Jerusalém (Ne 6.13,14).

2) Ele desvia o povo dos caminhos do Senhor. O falso profeta desenvolve capacidade carnal ou diabólica para enganar os servos de Deus. Consegue até fazer sinais e prodígios, para impressionar a mente dos incautos. Deus condenou tais mensageiros do Diabo e disse para seu povo não os ouvir, pois seriam condenados à morte (Dt 13.1-5). O falso profeta procura reunir simpatizantes e partidários, que lhe seguem as orientações muitas vezes carnais e interesseiras. Julga-se na condição de manipular a vida das pessoas e até da igreja local.

3) O falso profeta é soberbo. Sua palavra, “em nome do Senhor”, não se cumpre. (Dt 18.21, 22). A experiência mostra, ao longo do tempo, quantos profetas e profetisas orgulhosos se levantam, no meio da igreja local. Eles desprezam o pastor ou o dirigente, e costumam ter seus discípulos, que formam “grupinhos” de oração em torno dele (ou dela). Isso é pernicioso e não tem aprovação na Palavra de Deus. Deus não dá respaldo para isso. Pelo contrário, manda que os crentes honrem e respeitem seus pastores (1 Ts 5.13; Hb 13.17).

4) Os falsos profetas são como “lobos devoradores" Jesus Cristo, no Sermão do Monte, fez um alerta de grande significado para sua Igreja. Ele advertiu seus seguidores contra os falsos profetas. “Acautelai- vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores. Por seus frutos os conhecereis. Porventura, colhem-se uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? Assim, toda árvore boa produz bons frutos, e toda árvore má produz frutos maus” (Ver Mt 7.15-19).

5) Os falsos profetas vivem na iniquidade. Em seu Sermão, Jesus disse que “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no Reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus” (Mt 7.21). É preciso ter cuidado com pregadores, que dizem eu “sou profeta de Deus”.

Por isso, Jesus disse: “Muitos me dirão naquele Dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome?” (Mt 7.22). E alegarão que expulsaram demônios e fizeram “muitas maravilhas”. Mas ouvirão de Jesus: “E, então, lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade” (Mt 7.23).

3. O CASTIGO DOS FALSOS PROFETAS

A responsabilidade do profeta, no Antigo Testamento, era primordial e de grande valor para o direcionamento da vida espiritual, social e moral do povo. Assim, um profeta era um homem de grande responsabilidade diante de Deus e do povo. Quando, aproveitando-se de sua condição de profeta, manipulava o povo, induzindo-o ao desvio dos caminhos do Senhor, recebia a condenação veemente da parte de Deus. Na Igreja cristã, a responsabilidade do profeta não é menor, seja ele pastor, evangelista, ou obreiro de outra ordem. Deus não muda em relação ao pecado e aos desvios de conduta de quem quer que seja.

1) Advertência contra o falso profeta. Diz o livro sagrado: “Quando profeta ou sonhador de sonhos se levantar no meio de ti e te der um sinal ou prodígio, e suceder o tal sinal ou prodígio, de que te houver falado, dizendo: Vamos após outros deuses, que não conheceste, e sirvamo-los, não ouvirás as palavras daquele profeta ou sonhador de sonhos, porquanto o Senhor, vosso Deus, vos prova, para saber se amais o Senhor, vosso Deus, com todo o vosso coração e com toda a vossa alma. Após o Senhor, vosso Deus, andareis, e a ele temereis, e os seus mandamentos guardareis, e a sua voz ouvireis, e a ele servireis, e a ele vos achegareis (Dt 13.1-4).

2) Pena capital ao falso profeta. Era assim, no Antigo Testamento: “E aquele profeta ou sonhador de sonhos morrerá, pois falou rebeldia contra o Senhor, vosso Deus, que vos tirou da terra do Egito e vos resgatou da casa da servidão, para vos apartar do caminho que vos ordenou o Senhor, vosso Deus, para andardes nele; assim, tirarás o mal do meio de ti (Dt 13.5)”. A responsabilidade e o prestígio de um profeta, no Antigo Testamento, era muito grande. O povo o respeitava como sendo um verdadeiro arauto, que falava em nome de Deus. Sua palavra profética era considerada Palavra de Deus. No Novo Testamento, não é diferente. Daí, porque o castigo era severo contra os falsos profetas.

Conclusão

Na Igreja cristã, no âmbito local, há espaço para o dom ministerial de profeta. Esse dom não é disponível para quem o busque, mas para quem é chamado por Deus, com a missão de desenvolver um ministério ou serviço, na casa do Senhor. Seu ministério não tem o mesmo caráter do profeta do Antigo Testamento. Este falava à nação. O profeta do Novo Testamento fala para a igreja local, com vistas ao aperfeiçoamento dos crentes para a obra do ministério, e para edificação da igreja. Deve haver discernimento de espírito, por parte da liderança, e no meio da igreja local, para que “lobos devoradores”, travestidos de “profeta” não causem estragos no meio do rebanho do Senhor Jesus Cristo.

1 CPAD. Bíblia de Estudo Pentecostal. Estudo sobre os dons ministeriais.

2 CPAD. Biblia de Estudo Pentecostal. Estudo sobre dons ministeriais.
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