domingo, 2 de novembro de 2014

Lição 6: A Queda do Império Babilônico

A Queda do Império Babilônico - O desenfreio da vida termina em tragédia quando não reconhecemos a glória de Deus. Dn 5.1-31

Indiscutivelmente, Nabucodonosor foi o mais importante dos reis da Babilônia. Seus feitos arquitetônicos construindo cidades e palácios e sua ousadia política, além de demonstrar uma inteligência espetacular apresentam a sua história.


Depois da morte de Nabucodonosor em 562 a.C.,Evil-Mero- daque o sucedeu no trono e, dois anos depois foi assassinado por Neriglissar, seu cunhado, mas quem veio a assumir o Trono foi Na- bonido, genro de Nabucodonosor, o qual gerou o filho chamado Belsazar. Este, veio a ser corregente com seu pai, três anos depois. Era um homem blasfemo e não sabia respeitar princípios. Sua história contém elementos de crueldade e total inclemência com os subordinados do reino. Foi, também, um homem devasso que não sabia respeitar a história nem aos valores do reino.

Este capítulo descreve e registra o reinado de Nabonido por 17 anos ( 556-539 a.C.). Quando foi a Arábia, deixou a seu filho Belsazar como corregente na capital do império. Ele havia sido nomeado por seu pai como seu representante na Babilônia. Era, portanto, a segunda pessoa mais importante do reino. Alguns anos haviam se passado e ao fmal de sua corregência, Belsazar não contava com a invasão dos exércitos da Média e da Pérsia na Babilônia. O império caiu nas mãos dessa aliança medo-persa e um novo reino se instalou.

0 capítulo cinco relata essa invasão na capital babilónica. Bel- sazar fazia uma festa regada a vinho e sexo, quando Deus escreveu na parede do palácio a sentença de morte e queda do império babilónico. Está registrado, também, o desrespeito com os valores religiosos das nações e como, de forma abusiva e irresponsável, ele mandou buscar os vasos sagrados do templo de Jerusalém para em- bebedar-se com vinho nos mesmos, Belsazar ultrapassou a medida da paciência de Deus e, na noite de sua festa, foi morto e o reino da Babilônia foi ocupado pelos medos e persas em 539 a.C.

Nesta história aprendemos que ninguém zomba de Deus. Sua soberania jamais poderá ser questionada por simples mortais. Na onis- ciência divina os fatos futuros, presentes e passados são do inteiro conhecimento de Deus. A queda do Império Babilónico havia sido profetizado pelo profeta Isaías,pelo menos uns 150 anos antes de acontecer (Is 14.3-5; 47.1,5). O profeta Jeremias também profetizou sobre tudo o que aconteceria com Israel e as invasões de Jerusalém e Judá, bem como anunciou a destruição da Babilônia (Jr 50.2; 51.53,58).

1 - A FESTA PROFANA DE BELSAZAR

A licenciosidade zombeteira de Belsazar (Dn 5.1 -3)

“na presença dos mil” (5.1). Refere-se aos convidados de Belsazar na frente dos quais ele bebeu vinho, como uma demonstração libertina diante dos seus convidados iniciando a bacanal dentro do palácio. Poderia ter sido mais uma festa palaciana na Babilônia se a festa promovida por Belsazar não tivesse sido uma festa de escárnio ao Deus dos cativos judeus.

“mandou trazer os utensílios de ouro e de prata... que seu pai Nabucodonosor tinha tirado do templo que estava em. Jerusalém” (5.2,3). Belsazar não teve escrúpulos nem respeito com os utensílios sagrados trazidos de Jerusalém como espólio de guerra por seu avô Nabucodonosor. Ele foi um homem sensual e sacrílogo, pois não tinha o menor respeito por coisas sagradas. Além de desafiar o poder de Jeová e querer usurpá-lo, Belsazar foi mais longe e fez escárnio da verdadeira religião para satisfazer seus intentos baixos, frívolos e profanos. Quando o teor alcóolico subiu à cabeça de Belsazar, então mandou trazer os “vasos sagrados do templo de Jerusalém” para serem usados em suas orgias com suas mulheres e prostitutas. A profanação das coisas santas sempre foi condenada pelo Senhor (Dn 1.3;Am 6.6; Is 52.11).

A insensatez de Belsazar

Sua insensatez era demonstrada pelo pouco caso que fazia do próprio reino sem se importar com o fato de que seu pai estava fora da Babilônia. Sua insensatez foi demonstrada nas ações libertinas cuja preocupação era o seu próprio prazer com bacanais com sexo e bebidas alcóolicas. O sábio Salomão referiu-se a esse tipo de festa e disse: “Melhor é ir a casa onde há luto do que ir a casa onde há banquete,porque ali se vê o fim de todos os homens” (Ec 7.2). Foi o que aconteceu com Belsazar que, em sua orgia e devassidão, acabou por ver o fim do seu reino e dos seus convidados naquela mesma noite em que a mão escreveu o seu juízo na parede do salão de festas.

Belsazar promoveu uma festa de profanação das coisas sagradas (5.3). Na verdade, Belsazar não tinha o menor escrúpulo com coisas sagradas. Ele era um dissoluto e soberbo que, não apenas bebeu vinho nos vasos sagrados da Casa de Deus em Jerusalém, mas encheu a medida do cálice da ira divina. Como era um homem dissoluto, promovia festanças para se entregar à bebedeira. A Babilônia era uma cidade de opulência e luxúria e no palácio imperial se promovia constantemente festas que homenageavam seus deuses, os deuses dos caldeus. Enquanto seu pai Nabonido estava no campo de batalha defendendo o reino da Babilônia contra as forças dos medos e dos persas, ele pouco se preocupava, senão satisfazer suas paixões. A festa era incompatível com a situação instável de enfraquecimento do reino da Babilônia, mas ele preferiu dar vazão aos seus instintos pecaminosos sem se preocupar com aquela situação. Belsazar era homem cruel. Acostumado a ter o que quisesse, não media dificuldades para fazer valer sua vontade, tanto para matar seus oponentes como para se cercar de pessoas da mesma estirpe. Naquele momento festivo as províncias do reino já haviam caído nas mãos dos inimigos, e Ciro, da Pérsia, com seus exércitos estava cercando a capital que seria, de fato, a conquista final do novo império que o sucederia.

Uma festa profana ofensiva ao Deus Altíssimo

“e beberam neles o rei, seus grandes, as suas mulheres e concubinas” (5.3,4). A despeito da opulência e grandeza da cidade ostentando um palácio imperial onde havia festas, luxúria, prazeres, riquezas e exibição de maldades,Belsazar não teve nenhuma sensibilidade com os vasos sagrados, que certamente eram taças de ouro e de prata e que serviam aos atos litúrgicos do Templo de Deus em Jerusalém. No versículo 4 diz que “beberam o vinho e deram louvores aos deuses... ”. Era uma festa dedicada aos deuses (ídolos) do império, mas que continha degeneradas orgias com homens e mulheres, muita glutonaria e bebedice. A intenção libertina de Belsazar era desafiar os outros deuses, principalmente, o Deus de Israel, amado e reverenciado pelos cativos judeus dentro do palácio. Havia dentro do palácio uma forte influência satânica. Não há dúvida de que os demônios trabalham para desfazer tudo o que diz respeito a Deus e, tomar aquelas taças sagradas do templo de Deus, fazia parte da estratégia de Satanás para profanar as coisas de Deus. O apóstolo Paulo escreveu aos coríntios, algo que confirma esse fato: “As coisas que os gentios sacrificam, as sacrificam aos demônios e não a Deus” (1 Co 10.20).

II - O IRREVOGÁVEL JUÍZO DE DEUS

A justiça de Deus é perfeita e não há nada que possa revogar sua demonstração quando é ferida pela presunção e arrogância do homem. A misericórdia divina está aliada à justiça e se manifesta quando há possibilidade de arrependimento. No caso de Belsazar, no seu coração insensato e cruel não havia espaço para a prática da justiça nem para o arrependimento, o que o levou a sofrer a pena pelo seu pecado. A justiça de Deus manifesta-se pela sua santidade que é a essência do próprio Deus, por isso, não há nenhuma lei acima de Deus, mas há uma lei em Deus. A justiça é uma forma de sua santidade. Não há nada que possa alterar os padrões absolutos de Deus, porque Ele é Deus e sendo Deus, Ele é o que é e, por sua natureza divina Ele faz o que sua natureza requer. Na história do reino da Babilônia e do seu rei Belsazar, o juízo divino revelado e demonstrado contra Belsazar era a manifestação automática e natural da reação divina aos pecados de profanação desse rei.

“Na mesma hora” ou “no mesmo instante” (5.5) da bebedeira e comilança, quando danças sensuais, lascívia e idolatria aconteciam, o juízo de Deus quebrou a arrogância de Belsazar e dos seus grandes, com suas mulheres e concubinas. A festa de orgias e libertinagens que Belsazar promoveu com os objetos sagrados do Templo de Jerusalém, foi surpreendida pelo juízo de Deus. O sábio Salomão escreveu em um dos seus provérbios: “O peso e a balança justa são do Senhor” (Pv 16.8). Não há concessões, nem peso a mais ou menos, na balança da justiça divina. Todos somos pesados pela mesma medida, porque Deus é justo juiz e julga com equidade. O que é irrevogável é aquilo que não se pode anular, não se pode mudar. A resposta divina foi imediata dentro do palácio. De repente, no meio da festa de ostentação e profanação no palácio babilónico, Deus interfere naquela história e manifesta seu poder de juízo escrevendo na parede do salão de festas, diante dos olhos de Belsazar.

O dedo de Deus escreve na parede do salão de festas (5.5). Na linguagem antropomórfica da Bíblia, quando se atribui a Deus mãos, pés, coração, olhos e outros órgãos físicos, próprios do ser humano, há uma demonstração autêntica da figura de “uns dedos da mão de homem” que aparecem escrevendo sobre uma parede caiada. Esta parede estava iluminada por um candeeiro e os dedos daquela misteriosa mão escrevem palavras de juízo contra Belsazar e o reino da Babilônia. A euforia da festa é silenciada e todos, assustados tentam ler a escritura enigmática que tinha um caráter misterioso e exigia que alguém a interpretasse.

A visão era nítida sobre a parede. Não só o rei via a mão se movimentando na parede, mas seus convidados também viam. O barulho das taças e dos vasos de vinho cessou e todos estavam pasmados e emudecidos. A alegria do rei e dos convidados também cessou. O fruto do desprezo ao Deus do céu e o sacrilégio com as coisas sagradas do templo do Senhor em Jerusalém produziram um desespero sepulcral. Na parede se escrevia de modo esplendoroso e assustador a sentença contra aquele rei e contra o seu reino. O mistério da mão escrevendo na parede era confuso, porque Deus confunde os sábios do mundo, porque eles não sabem discernir as coisas espirituais (1 Co 2.14-16). De repente, tudo terminou para aquele monarca estúpido e atrevido.

O estado de espírito de pavor total (5.6). O rei e seus convidados empalideceram e seus corações se encheram de terror e medo. Belsazar perdeu o domínio da situação naquele banquete, porque a mensagem sobre a parede era uma realidade.

A busca de respostas de Belsazar (5.7-9).Belsazar manda chamar com urgência os astrólogos, magos e sábios do reino. Pediu aos seus sábios que lessem a escritura sobre a parece e a interpretassem. Não estava entre eles o sábio Daniel. Mais uma vez aqueles homens falharam e não puderam ler nem interpretar aquela mensagem, porque lhes era misteriosa. Belsazar, no seu desespero, ofereceu honrarias especiais aos que conseguissem ler a mensagem, mas ninguém pôde fazer isso.

A rainha mãe se lembrou do profeta Daniel (5.10). Quem era “A rainha”? Seu nome era Nitocris, filha de Nabucodonosor e mãe de Belsazar. Tudo indica que a rainha não estava presente naquela festa de seu filho Belsazar, mas estava no palácio. A rainha mãe, ao ouvir os gritos do filho, entendeu que havia um movimento diferente no palácio. Entrou no salão de festa onde estava o filho-rei para saber o que estava acontecendo. Ao ter conhecimento da misteriosa mão sobre a parede lembrou-se de que havia no Reino um homem (v. 11), chamado Daniel e que era de confiança, tanto de seu pai quanto de seu marido, mas tudo indica que Belsazar sabia muito pouco acerca de Daniel, porque ele não estava no palácio (Dn 5.13).

“Daniel, um espírito excelente” (5.12). No versículo 11, a rainha disse que era um homem “que tem o espírito dos deuses santos”. Era um modo pagão de identificar que havia em Daniel algo superior aos demais sábios. O fato de referir-se aos “deuses santos” tinha a ver com a crença politeísta dos caldeus, mas que Daniel diferia em tudo. Ele não era o jovem do capítulo 2 interpretando o sonho do rei. Ele já era um velho, respeitado e se manteve ausente do palácio por mais de 20 anos, desde a morte de Nabucodonosor. O fato de Daniel “ter um espírito excelente” significava que ele demonstrava um comportamento equilibrado, firme, honesto e despido de egoísmo. O seu temor ao Deus de seus pais, o Deus de Israel, era percebido pela sua fidelidade aos seus princípios.

Daniel entra na presença de Belsazar (5.13). Belsazar não via Daniel como um servo do Deus Altíssimo, mas como um sábio sem serviço no palácio. Mas sua mãe o conhecia e sabia que Daniel era um homem diferente e que o seu Deus era Poderoso porque ela mesmo havia testemunhado as proezas desse Deus em outras situações dentro daquele reino. O juízo divino contra Belsazar foi a oportunidade que Deus usou para que seu servo Daniel voltasse a ser reconhecido em uma posição de eminencia dentro do palácio. Na realidade, Daniel era um homem que fazia diferença. A rainha o identificou como um homem de “luz e entendimento” por causa da sua sabedoria e revelação de coisas sobrenaturais. Daniel era um homem que não fazia concessões em relação à sua fé em Deus, por isso, depois de lhe ter sido oferecido presentes, Daniel rejeitou aos presentes do rei (Dn 5.17).

Belsazar fala a Daniel da sua angústia (5.15,16). Belsazar declara a Daniel que os sábios do palácio não puderam entender nem decifrar a escritura na parede. O rei, também, diz ter ouvido da sua mãe acerca de sua pessoa (v. 16) e da sua capacidade de revelar sonhos e enigmas e de dar a sua interpretação. Belsazar teve que reconhecer que Daniel fazia diferença dentro do palácio e que ninguém mais poderia ajudar-lhe com a interpretação daquela escritura na parede. Sabendo que os seus magos e astrólogos nada podiam fazer, reconheceu que Daniel era servo de um Deus muito mais poderoso que todos os deuses da Babilônia. Sem dúvida alguma, a tragédia de Belsazar e da Babilônia foi a oportunidade que Deus tinha para que seu servo Daniel fosse reconhecido e voltasse a ter a primazia dentro do palácio.

III - A REVELAÇÃO E INTERPRETAÇÃO DA ESCRITURA NA

PAREDE

A atitude de Daniel na presença do Rei (5.17). Daniel se apresenta com autoridade e confiança, porque sabia que Deus lhe daria a interpretação da escritura sobre a parede. Declara ao rei que o faria saber a interpretação, mas a mensagem era dura contra o rei e contra o seu império. A mensagem continha realidades que se confirmariam em breve e o rei precisaria estar pronto para recebê-las. O rei lhe quis dar dádivas, as quais foram rejeitadas por Daniel. Seu papel de profeta de Deus não lhe dava direitos de negociação com a mensagem divina.

Daniel traz à tona a história da grandeza e tragédia de Nabucodonosor (5.19,20). Na realidade, Daniel apela aos sentimentos de Belsazar e descreve a história de seu avô Nabucodonosor para realçar o fato de que, a despeito dos sucessos de seu avô, exercendo domínio sobre as nações conquistadas, deixou-se dominar pela opulência e autoexaltação, sem reconhecer que o cetro de poder e domínio pertence ao Deus Eterno sobre tudo e todos.

No versículo 19, Daniel fala da grandeza de seu avô Nabucodonosor, como grande guerreiro, que tinha mão de ferro contra os seus inimigos. Daniel destacou ainda que, “quando o seu coração se exaltou e o seu espirito se endureceu em soberba, foi derribado do seu trono, e passou dele a sua glória”(v. 20). Daniel queria que Belsazar entendesse que ninguém age desafiando o poder de Deus. Ninguém tira, nem acrescenta a glória de Deus. Quando extrapolamos os limites da racionalidade nos tornamos orgulhosos e presunçosos e, por isso, podemos ser punidos.

Daniel declara o pecado de Belsazar (5.22,23). O texto diz: “E tu, seu filho Belsazar, não humilhaste o teu coração, ainda que soubeste de tudo isso”. Belsazar tinha sido advertido de que não deveria abusar contra a soberania do Único Deus, o Deus de Israel, mas ele não acreditou nem aceitou a admoestação de Deus. No versículo 23 está escrito que Belsazar se levantou contra o Senhor do céu ao profanar os vasos sagrados do Templo de Jerusalém, com mulheres e concubinas do palácio.

“Então, dele foi enviada aquela parte da mão, e escreveu esta escritura” (5.24). Foi Deus quem enviou a escritura na parede. Foi dEle a mão e os dedos que escreveram na parede do palácio. Quatro palavras apenas escritas na parede que confrontam todos os que estavam naquele banquete. A parede, de repente, parecia a lápide de um túmulo, que, de forma objetiva tem escrito quatro palavras assustadoras e enigmáticas: MENE, MENE, TEQUEL e PAR- SIM (v. 25)

IV - A INTERPRETAÇAO DA ESCRITURA NA PAREDE

Uma mensagem em língua estranha

“Mene, Mene, Tequel e Parsím” (5.25). Quatro palavras apenas que continham uma mensagem direcionada ao rei e ao seu reino. Quatro palavras estranhas ao conhecimento de todos os que estavam presentes naquele salão de festas, inclusive para os sábios caldeus e astrólogos do palácio que não puderam ler nem entender aquela escritura. Era, de fato, uma escritura em “língua estranha”. A expressão “língua estranha” faz lembrar o Dia de Pentecostes, quando o Espírito Santo veio sobre os discípulos e eles começaram a falar em “línguas estranhas” ( At 2.1-4). De certo modo, o que aconteceu dentro do palácio Babilónico foi a manifestação de uma língua desconhecida para os sábios do Palácio. Além de não poderem ler a escritura, nem entende -la, a escritura estava escrita na parede na forma de código. A mensagem na parede continha quatro palavras: MENE, MENE, TEQUEL, PARSIM (Dn 5.25)

A intepretação da escritura na parede

Alguns estudiosos e linguistas bíblicos afirmam que as palavras pareciam uma mistura de língua caldaica e língua do aramaico, mas não há como provar isso. As palavras escritas eram conhecidas na língua dos caldeus, mas eles não sabiam interpretar o sentido dessas palavras. Daniel, então, com autoridade de Deus dá a interpretação sem medo e com segurança.

O sentido das palavras da escritura (5.25-28). “Esta é pois a escritura que se escreveu: MENE, MENE, TEQUEL e PARSIM”. As duas primeiras palavras se repetiam: MENE, MENE e tinham o sentido de “contar ou contado”. A palavra TEQUEL significa “pesado”e a última palavra é PARSIM que significa “dividido” (Dn 5.25). Na interpretação da mensagem, Daniel usou no versículo 28 a palavra “PERES”, que é palavra correlata de “PARSIM” e tem o mesmo sentido. Nos versículos 26 ao 28, o profeta explica cada uma das palavras e diz sem medo a Belsazar o significado de cada uma delas. MENE (v. 26): “Contou Deus o teu reino e o acabou”.TEQUEL (v. 27): “Pesado foste na balança e foste achado em falta”. PERES ( ou parsim) (v. 28): Dividido foi o teu reino e deu-se aos medos e aos persas”.

O fim repentino do Império Babilónico (5.30,31). Belsazar não escapou do juízo de Deus pela sua profanação. Enquanto ele fazia sua festa blasfema, os exércitos medos-persas cercaram a cidade da Babilônia. Havia um sentimento de segurança dos habitantes da cidade porque ela tinha fortificações que pareciam impenetráveis. Seus muros eram altos e largos e todos se sentiam seguros. Porém, a estupidez e displicência de Belsazar o fizeram descuidar-se da segurança da cidade, quando Ciro, o persa, conduzia seus exércitos para cavarem canais aos lados do rio Eufrates afim de que as águas do rio fossem desviadas. As águas desviadas foram represadas e canalizadas deixando seco o leito do rio. Por esses canais, os exércitos medos-persas caminharam e tomaram de surpresa a cidade que não ofereceu qualquer resistência. Os exércitos invasores dos medos-persas, aliados, desarmaram os soldados da segurança da cidade naquela noite e não foi difícil tomar o reino. Dario, o medo, tomou o reino naquela noite fatídica para Belsazar e seus grandes.

Aquela noite foi uma demonstração de que Deus, o Todo Poderoso, tem o cetro de governo do mundo em suas mãos e que nada escapa ao seu poder. Esse fato lembra e tipifica o final do poder gentílico por ocasião da segunda vinda de Cristo. O colapso do império foi imediato. Tão logo foi dada a interpretação da mensagem e as honrarias feitas a Daniel para ser o terceiro homem do império, o exército de Dario entrou na cidade e o exército de Nabonido e de seu filho Belsazar, bem como a guarda do palácio não puderam evitar a invasão dos exércitos dos medos e dos persas.

Olhando escatologicamente a queda da Babilônia a identificamos como uma figura da Babilônia religiosa do Apocalipse 17 e a figura da Babilônia comercial de Apocalipse 18. No texto de Ap 18.10 está escrito: “Ai, ai daquela grande cidade Babilônia, aquela forte cidade! Pois numa hora veio o seu juízo”. Do mesmo modo como Ciro, o persa, desviou as águas do rio Eufrates e o secou para invadir com seus exércitos a grande Babilônia, nos faz lembrar a profecia do secamento do rio Eufrates como juízo divino expresso na abertura do sexto selo. Esse juízo significa a preparação do caminho aos reis do Oriente para invadirem com seus exércitos para a grande Batalha do Armagedom (Ap 16.12).

Após Daniel ter interpretado a escrita na parede e ter deixado pasmos a todos, Belsazar ordenou que vestissem a Daniel com roupas de púrpura e lhe pusessem um colar de ouro ao pescoço o proclamando como o terceiro homem do reino, a autoridade mais importante do império depois do rei Nabonido e de Belsazar. Mas Deus é reto em seus desígnios e permitiu que Belsazar fosse morto naquela mesma noite e, Dario entrou na Babilônia assumindo o seu trono (Dn 5.29-31).
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