sexta-feira, 5 de junho de 2015

Lição 12: A Morte de Jesus

A Cruz de Cristo — o Centro do Evangelho

A Cruz de Cristo é o centro do Evangelho! Sem a cruz hão haveria salvação e as bênçãos dela advindas. Precisamos com urgência voltar a pregar a mensagem da Cruz. O apóstolo Paulo disse que “aprouve a Deus salvar os que creem pela loucura da pregação” (1 Co 1.21). Uma tradução mais fiel ao texto seria: “Aprouve a Deus salvar os que creem pela loucura do que é pregado”.
É o conteúdo da mensagem da cruz, Cristo, que traz salvação. Não é qualquer mensagem ou qualquer coisa que se diga sobre o cristianismo que produz salvação. Já vi um pregador dizer que se pega peixe até mesmo com esterco e que da mesma forma alguém pode ser salvo com qualquer tipo de mensagem. Não é de admirar que haja tantas igrejas com gente doente. A salvação vem quando se prega a Cristo, o conteúdo da mensagem da cruz e não uma mensagem corrompida. O que era pregado pelos apóstolos? Paulo responde: “nós pregamos a Cristo crucificado” (1 Co 1.23). Paulo ainda diz que “longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo” (G1 6.14).

A cruz é o único lugar onde morrer significa viver. Ao comentar o capítulo 11 da primeira carta de Paulo aos coríntios, o escritor Warren Wiersbe observou que “é impressionante o desejo de Jesus de que seus seguidores lembrem de sua morte. A maioria de nós procura esquecer os detalhes sobre a morte de nossos entes queridos, mas Jesus deseja que lembremos como Ele morreu. Isto porque sua morte é o cerne de tudo o que temos como cristãos.

Devemos lembrar, continua Wiersbe, o fato de haver morrido, pois a sua morte faz parte da mensagem do evangelho: “Cristo morreu [...] foi sepultado” (1 Co 15.3,4). Não é a vida de Cristo nem seus ensinamentos que salvam os pecadores, mas sua morte. Portanto, devemos nos lembrar do motivo de ter morrido: Cristo morreu por nossos pecados; foi nosso substituto (Is 53.6; 1 Pe 2.24), quitando uma dívida que jamais poderíamos pagar”.1 O evangelho de Lucas dá amplo destaque à morte de Jesus na cruz do Calvário.

“E, levantando-se toda a multidão deles, o levaram a Pilatos. E começaram a acusá-lo, dizendo: Havemos achado este pervertendo a nossa nação, proibindo dar o tributo a César e dizendo que ele mesmo é Cristo, o rei. E Pilatos perguntou-lhe, dizendo: Tu és o Rei dos judeus? E ele, respondendo, disse-lhe: Tu o dizes. E disse Pilatos aos principais dos sacerdotes e ã multidão: Não acho culpa alguma neste homem. Mas eles insistiam cada vez mais, dizendo: Alvoroça o povo ensinando por toda a Judéia, começando desde a Galileia até aqui. Então, Pilatos, ouvindo falar da Galileia, perguntou se aquele homem era galileu. E, sabendo que era da jurisdição de Herodes, remeteu-o a Herodes, que também, naqueles dias, estava em Jerusalém. E Herodes, quando viu a Jesus, alegrou-se muito, porque havia muito que desejava vê-lo, por ter ouvido dele muitas coisas; e esperava que lhe veria fazer algum sinal. E interrogava-o com muitas palavras, mas ele nada lhe respondia. E estavam os principais dos sacerdotes e os escribas acusando-o com grande veemência. E Herodes, com os seus soldados, desprezou-o, e, escarnecendo dele, vestiu-o de uma roupa resplandecente, e tornou a enviá-lo a Pilatos. E, no mesmo dia, Pilatos e Herodes, entre si, se fizeram amigos; pois, dantes, andavam em inimizade um com o outro. E, convocando Pilatos os principais dos sacerdotes, e os magistrados, e o povo, disse-lhes: Haveis-me apresentado este homem como pervertedor do povo; e eis que, examinando-o na vossa presença, nenhuma culpa, das de que o acusais, acho neste homem. Nem mesmo Herodes, porque a ele vos remeti, e eis que não tem feito coisa alguma digna de morte. Castigá-lo-ei, pois, e soltá-lo-ei. E era-lhe necessário soltar-lhes um detento por ocasião da festa. Mas toda a multidão clamou à uma, dizendo: Fora daqui com este e solta-nos Barrabás. Barrabás fora lançado na prisão por causa de uma sedição feita na cidade e de um homicídio. Falou, pois, outra vez Pilatos, querendo soltar a Jesus. Mas eles clamavam em contrário, dizendo: Crucifica- o! Crucifica-o! Então, ele, pela terceira vez, lhes disse: Mas que mal fez este? Não acho nele culpa alguma de morte. Castigá-lo-ei, pois, e soltá-lo-ei. Mas eles instavam com grandes gritos, pedindo que fosse crucificado. E os seus gritos e os dos principais dos sacerdotes redobravam. Então, Pilatos julgou que devia fazer o que eles pediam. E soltou-lhes o que fora lançado na prisão por uma sedição e homicídio, que era o que pediam; mas entregou Jesus à vontade deles. E, quando o iam levando, tomaram um certo Simão, cireneu, que vinha do campo, e puseram-lhe a cruz às costas, para que a levasse após Jesus. E seguia-o grande multidão de povo e de mulheres, as quais batiam nos peitos e o lamentavam. Porém Jesus, voltando-se para elas, disse: Filhas de Jerusalém, não choreis por mim; chorai, antes, por vós mesmas e por vossos filhos. Porque eis que hão de vir dias em que dirão: Bem-aventuradas as estéreis, e os ventres que não geraram, e os peitos que não amamentaram! Então, começarão a dizer aos montes: Caí sobre nós! E aos outeiros: Cobri-nos! Porque, se ao madeiro verde fazem isso, que se fará ao seco? E também conduziram outros dois, que eram malfeitores, para com ele serem mortos. E, quando chegaram ao lugar chamado a Caveira, ali o crucificaram e aos malfeitores, um, à direita, e outro, à esquerda. E dizia Jesus: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem. E, repartindo as suas vestes, lançaram sortes. E o povo estava olhando. E também os príncipes zombavam dele, dizendo: Aos outros salvou; salve-se a si mesmo, se este é o Cristo, o escolhido de Deus. E também os soldados escarneciam dele, chegando-se a ele, e apresentando-lhe vinagre, e dizendo: Se tu és o Rei dos judeus, salva-te a ti mesmo. E também, por cima dele, estava um título, escrito em letras gregas, romanas e hebraicas: ESTE É O REI DOS JUDEUS. E um dos malfeitores que estavam pendurados blasfemava dele, dizendo: Se tu és o Cristo, salva-te a ti mesmo e a nós. Respondendo, porém, o outro, repreendia-o, dizendo: Tu nem ainda temes a Deus, estando na mesma condenação? E nós, na verdade, com justiça, porque recebemos o que os nossos feitos mereciam; mas este nenhum mal fez. E disse a Jesus: Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu Reino. E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso. E era já quase a hora sexta, e houve trevas em toda a terra até à hora nona, escurecendo-se o sol; e rasgou-se ao meio o véu do templo. E, clamando Jesus com grande voz, disse: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. E, havendo dito isso, expirou” (Lucas 23.1-46).

A Cena da Cruz

É possível, portanto, contemplarmos a cena da cruz quando Jesus foi crucificado em Lucas 23.1-46. Alguns fatos ficam em evidência.

1. Na cruz Jesus cumpriu profecias (Is 53.1-12? Gn 3.15; 2.7,8).

A cruz de Cristo fazia parte do plano de Deus para a redenção

do homem. Ao morrer na cruz, Jesus cumpriu as profecias bíblicas (Gn 3.14,15). Sua morte não foi acidental, mas providencial. Foi profética. O expositor bíblico Giuseppe Barbaglio observa que “se passarmos à ‘paixão’ de Lucas, notaremos imediatamente que, não diferentemente de Mateus, veremos que ele atribui a Jesus o topos teológico da ‘necessidade’ do cumprimento das profecias: ‘Isto que está escrito deve (dei) ser cumprido em mim’, cita Is 53.12: Será contado entre os ímpios” (Lc 22.37). Subindo o Gólgota, o condenado fala às mulheres que o seguem com as palavras de Os 10.8: “Então começarão a dizer aos montes: ‘Cai sobre nós’, e às colinas: ‘Cobri-nos’” (Lc 23.30). O grito do moribundo é uma oração de abandono confiante ao Pai que retoma SI 31.6: “Nas tuas mãos coloco meu espírito de vida” (Lc 23.46).2

Como bem observou Barbaglio, nenhuma profecia bíblica retrata tão bem a cruz de nosso Senhor como aquela que encontramos no livro do profeta Isaías:

“Quem deu crédito à nossa pregação? E a quem se manifestou o braço do SENHOR? Porque foi subindo como renovo perante ele e como raiz de uma terra seca; não tinha parecer nem formosura; e, olhando nós para ele, nenhuma beleza víamos, para que o desejássemos. Era desprezado e o mais indigno entre os homens, homem de dores, experimentado nos trabalhos e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum. Verdadeiramente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas ele foi ferido pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquida- des; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e, pelas suas pisaduras, fomos sarados. Todos nós andamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho, mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos. Ele foi oprimido, mas não abriu a boca; como um cordeiro, foi levado ao matadouro e, como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca. Da opressão e do juízo foi tirado; e quem contará o tempo da sua vida? Porquanto foi cortado da terra dos viventes e pela transgressão do meu povo foi ele atingido. E puseram a sua sepultura com os ímpios e com o rico, na sua morte; porquanto nunca fez injustiça, nem houve engano na sua boca. Todavia, ao SENHOR agradou o moê-lo, fazendo- o enfermar; quando a sua alma se puser por expiação do pecado, verá a sua posteridade, prolongará os dias, e o bom prazer do SENHOR prosperará na sua mão. O trabalho da sua alma ele verá e ficará satisfeito; com o seu conhecimento, o meu servo, o justo, justificará a muitos, porque as iniquidades deles levará sobre si. Pelo que lhe darei a parte de muitos, e, com os poderosos, repartirá ele o despojo; porquanto derramou a sua alma na morte e foi contado com os transgressores; mas ele levou sobre si o pecado de muitos e pelos transgressores intercedeu” (Is 53.1-12).

Na cruz Jesus venceu o pecado (2 Co 5.21; Cl 2.13; Pv 14.34). O livro de provérbios afirma que o pecado é o opróbrio dos povos (Pv 14.34). Nada é tão vergonhoso quanto o pecado! No livro do profeta messiânico, Isaías (1.1-17), encontramos pelo menos sete graves conseqüências do pecado. “Visão dje Isaías, filho de Amoz, a qual ele viu a respeito de Judá e Jerusalém, nos dias de Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias, reis de Judá. Ouvi, ó céus, e presta ouvidos, tu, ó terra, porque fala o SENHOR: Criei filhos e exaltei-os, mas eles prevaricaram contra mim. O boi conhece o seu possuidor, e o jumento, a manjedoura do seu dono, mas Israel não tem conhecimento, o meu povo não entende. Ai da nação pecadora, do povo carregado da iniqüidade da semente de malignos, dos filhos corruptores! Deixaram o SENHOR, blasfemaram do Santo de Israel, voltaram para trás. Porque serieis ainda castigados, se mais vos re- belaríeis? Toda a cabeça está enferma, e todo o coração, fraco. Desde a planta do pé até à cabeça não há nele coisa sã, senão feridas, e inchaços, e chagas podres, não espremidas, nem ligadas, nem nenhuma delas amolecida com óleo. A vossa terra está assolada, e as vossas cidades, abrasadas pelo fogo; a vossa região, os estranhos a devoram em vossa presença; e está devastada, como em uma subversão de estranhos. E a filha de Sião se ficou como a cabana na vinha, como a choupana no pepinal, como cidade sitiada. Se o SENHOR dos Exércitos nos não deixara algum remanescente, já como Sodoma seriamos e semelhantes a Gomorra. Ouvi a palavra do SENHOR, vós príncipes de Sodoma; prestai ouvidos à lei de nosso Deus, vós, ó povo de Gomorra. De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios, diz o SENHOR? Já estou farto dos holocaustos de carneiros e da gordura de animais nédios; e não folgo com o sangue de bezerros, nem de cordeiros, nem de bodes. Quando vindes para comparecerdes perante mim, quem requereu isso de vossas mãos, que viésseis pisar os meus átrios? Não tragais mais ofertas debalde; o incenso é para mim abominação, e também as Festas da Lua Nova, e os sábados, e a convocação das congregações; não posso suportar iniqüidade, nem mesmo o ajuntamento solene. As vossas Festas da Lua Nova, e as vossas so- lenidades, as aborrece a minha alma; já me são pesadas; já estou cansado de as sofrer. Pelo que, quando estendeis as mãos, escondo de vós os olhos; sim, quando multiplicais as vossas orações, não as ouço, porque as vossas mãos estão cheias de sangue. Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos de diante dos meus olhos e cessai de fazer mal. Aprendei a fazer o bem; praticai o que é reto; ajudai o oprimido; fazei justiça ao órfão; tratai da causa das viúvas” (Is 1.1-17).

a. O pecado tira a racionalidade - O profeta afirma que até mesmo o boi conhece o seu dono, mas o homem no pecado não (Is 1.3). O pecado tira a racionalidade quando faz o homem desconhecer a voz do seu próprio Criador.Um jumento demonstra ser mais racional do que alguém que vive no pecado! O pecado promove a irracionalidade. O pecado está por trás do seqüestrador que não se importa com a dor das famílias; está por trás do político desonesto que desvia recursos públicos para seu próprio benefício e não vê na sua ação maldade alguma. O pecado está por trás de religiosos que brigam por lideranças de igrejas sem se preocuparem se estas vão ou não sofrer.

b. O pecado produz retrocesso — o profeta diz que os israelitas haviam deixado o Senhor e voltado para trás! (Is 1.4). Uma das conseqüências do pecado é que ele produz retrocesso! Faz voltar para trás. Muitas pessoas deveriam estar muito à frente nas suas vidas, mas não estão devido ao pecado. O pecado as arrasta para trás. Quem vive na prática desmancha o que fez e recomeça tudo de novo até o processo se repetir novamente. Quem não quiser viver no atraso deve abandonar o pecado.

c. O pecado é contagioso - O pecado também é contagioso (Is 1.6). O profeta diz que: “Toda a cabeça está enferma, e todo o coração, fraco. Desde a planta do pé até à cabeça não há nele coisa sã, senão feridas, e inchaços, e chagas podres, não espremidas, nem ligadas, nem nenhuma delas amolecida com óleo” (Is 1.5,6). Ele tem uma capacidade muito grande de se alastrar com rapidez. De repente tudo está tomado e contaminado!

d. O pecado atrai maldição - a terra estava assolada, as cidades abrasadas pelo fogo e toda região estava devorada por estranhos (Is 1.7-9). E isso o que o pecado produz — maldição. Nada dá certo, nada prospera! Tudo parece atravancado. Não se trata de maldição hereditária nem tampouco de maldição de famílias, mas da maldição do pecado. Resolvido o problema do pecado a maldição perde a sua razão de existir. Quem é adepto da doutrina das maldições, quer seja hereditária ou de famílias, está tratando apenas com os efeitos e não com as causas. Para se resolver o problema das maldições existentes é necessário tratar com o problema do pecado.

e. O pecado produz formalismo religioso — O profeta pergunta: “De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios, diz o SENHOR? Já estou farto dos holocaustos de carneiros e da gordura de animais nédios; e não folgo com o sangue de bezerros, nem de cordeiros, nem de bodes” (Is 1.10- 14). O pecado faz o homem perder o verdadeiro alvo da adoração e se perder em vários formalismos religiosos. A forma se torna mais importante do que a função! Preceitos e normas se tornam mais importantes do que princípios.

f O pecado quebra a comunhão com Deus — “Pelo que, quando estendeis as mãos, escondo de vós os olhos; sim, quando multiplicais as vossas orações, não as ouço, porque as vossas mãos estão cheias de sangue” (Is 1.15). Essa é, sem dúvida, a pior conseqüência do pecado — a quebra da comunhão com Deus. O pecado faz com que nossos clamores, orações e súplicas sejam ouvidas. Antes de orar precisamos tratar imediatamente com o pecado.

Na cruz Jesus venceu Satanás.

Paulo escreve: “E, despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo” (Cl 2.15). A cruz de Cristo significou o fim do domínio do Diabo. A cruz não destruiu o Diabo no sentido de que ele não mais existisse. A cruz não o aniquilou, mas o destronou! Algumas pessoas se tornam presunçosas porque acham que o Diabo já foi destruído e não causa mais perigo algum. Alegam isso citando a Bíblia: “E, visto como os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas, para que, pela morte, aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo” (Hb 2.14). Convém dizer que a palavra grega katargeo traduzida como aniquilar em Hebreus 2.14, significa: tornar inoperante, fazer como se não mais existisse, anular.3 Não deve, portanto, ser entendida com

o sentido de “destruir” ou “aniquilar”. O Diabo foi de fato destruído, no sentido de ser aniquilado? A resposta é não, pois, o Diabo continua existindo e tentando (1 Co 7.5, 1 Ts 3.5; 1 Pe 5.8). O que Deus fez em Cristo Jesus foi destronar, anular o poder do Diabo em relação ao cristão, isto é, tirar o domínio que ele tinha sobre nós. O Domínio de Satanás em relação ao crente foi katargeo, isto é, anulado. O Diabo não está mais no “trono” (foi destronado) de nossas vidas. Sabendo que o Diabo foi despojado, mas não aniquilado, o cristão não deve, portanto, dar-lhe lugar (Ef 4.27).

Na cruz Jesus destronou a nossa natureza adâmica

Na cruz, Jesus tratou com a nossa natureza pecaminosa. O pecado não possui mais domínio sobre nós (Rm 6.6; Ef 4.17; G15.24; Cl 3.5). Todavia isso não significa que nós não vamos mais ter problema com a carne. As mesmas explicações exegéticas dadas sobre o “aniquilamento” ou “destruição” do Diabo são também aplicadas à “destruição” da carne ou velho homem no texto de Romanos 6.6. Nessa passagem a versão Almeida Revista e Atualizada (ARA), diz: “Sabendo isto: que foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído”. Paulo em Rm

6.6 ao se referir à crucificação do velho homem, usa o verbo grego katargeo (destruir) no tempo aoristo. O que o apóstolo quis dizer com isso não é que o pecado já foi “destruído” ou “aniquilado” e que, portanto, o crente não terá mais problema com ele. A natureza pecaminosa continua ainda fazendo parte da vida do cristão. O Senhor destronou a natureza pecaminosa (Rm 6.6), mas esse destronar não significa que nós não venhamos a ter problemas com a velha natureza, não, pois o que o Senhor fez foi retirar o seu poder e o domínio que ela exercia sobre nós. O verbo grego katargeo (destruir) no tempo aoristo significa que a ação já foi completada de uma vez por todas. Em outras palavras, Paulo está afirmando que do ponto de vista de Deus a questão em relação a antiga natureza já foi resolvida — Ele a crucificou juntamente com Cristo.

A cruz nos tirou de Adão e nos pôs em Cristo. Isso faz toda a diferença. Em Adão éramos condenados (Rm 5.16-21); desobedientes (Rm 5.19); dominados pelo pecado (Rm 5.21). Todavia em Cristo nós somos justificados (Rm 5.16); obedientes (Rm 5.19); dominados pela graça (Rm 5.20); dominado pela vida (Rm 5.21). Em Cristo, portanto, nós fomos escolhidos antes da fundação do mundo para sermos santos (Ef 1.4); abençoados com toa sorte de bênçãos espirituais (Ef 1.3-13); fomos feitos herança (Ef 1.11); selados com o Espírito Santo (Ef 1.13).

5. Na cruz Jesus nos deu filiação divina.

“De fato somos filhos de Deus” (Jo 1.12; 1 Co 1.18-31). A cruz nos fez filhos de Deus; Filhos da luz (Ef 5.8); Filhos do Reino (Mt 13.38); Filhos de Abraão (G1 3.7); Filhos da restauração (Lc 20.36); Filhos da liberdade (G1 4.31); Filhos da promessa (G1 4.28); Filhos da obediência (1 Pe 1.16).

Graças a Deus pela cruz de nosso Senhor Jésus Cristo. Ela é a nossa vitória.

NOTAS
1 WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo — Novo Testamento 1. Rio de Janeiro: Editora Central Gospel.
2 BARBAGLIO, Giuseppe. Jesus, Hebreu da Galileia: pesquisa histórica. São Paulo: Edições Paulinas.
3 BAUER, William. A Greek-English Lexicon of the New Testament and Other Early Christian Literature. USA: The Umversity Chicago Press.
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