segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

A máscara da justiça própria - Caim, um homem que fingiu ser um adorador

Caim foi o primeiro filho de Adão e Eva. Ele aprendeu com os seus pais sobre a necessidade de adorar a Deus. Ele e Abel, seu irmão, receberam as mesmas instruções. Foram criados debaixo dos mesmos princípios e valores. Sugaram o mesmo leite materno e cresceram sob iguais instruções.
Ouviram as mesmas histórias e aprenderam as mesmas coisas sobre o culto que agrada a Deus. Mas o coração de Caim não era reto diante de Deus. Ele não se sujeitou aos princípios de Deus. Ele não se colocou debaixo da autoridade da Palavra de Deus. Ele quis fazer as coisas de Deus do seu próprio jeito. Quis mostrar sua própria justiça em vez de aceitar a justiça que vem de Deus. Caim fingiu ser um adorador quando, na verdade, era um competidor. Seu culto apenas escondia a máscara de justiça própria que ostentava.

Vejamos como Caim utilizou essa máscara.

Em primeiro lugar, Caim afivelou a máscara da justiça própria ao prestar um culto a Deus sem observar os princípios de Deus sobre o culto. Desde os primórdios da história humana, Deus ensinou o princípio de que não há remissão de pecados sem derramamento de sangue (Hb 9.22). Quando Adão e Eva pecaram no Éden, Deus os cobriu com peles de animais. Fez o Senhor Deus vestimenta de peles para Adão e sua mulher e os vestiu (Gn 3,21). Para cobrir a nudez de Adão e Eva, um animal foi sacrificado, e o sangue foi derramado. Toda pessoa que se chegava a Deus para adorar precisava aproximar-se por meio do sangue. Não que o sangue de ovelhas e bodes pudesse purificar o coração do homem, mas o sangue desses animais apontava para o sacrifício perfeito de Cristo na cruz (Rm 3.24-26). Todos os sacrifícios e holocaustos apontavam para o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo (Jo 1.29). Quando Caim trouxe a Deus um sacrifício incruento, ele estava desprezando o caminho de Deus, a Palavra de Deus, as normas do culto divino. Ele queria abrir para Deus um caminho pelos seus próprios esforços, o caminho das obras, dos seus próprios feitos. O caminho de Caim (Jd 11) é o caminho do humanismo idolátrico, das obras de justiça divorciadas da graça, da autopromoçãoEm segundo lugar, Caim usou a máscara da justiça própria ao prestar um culto a Deus sem examinar o seu próprio coração. O apóstolo João afirma que Caim era do Maligno (lJo 3.12). Ele queria cultuar a Deus sem pertencer a Deus. Ele queria enganar Deus com a sua oferta, enquanto ele mesmo era do Maligno. Caim pensou que pudesse separar o culto da vida. Ele pensou que Deus estivesse buscando adoração, e não adoradores. Jesus disse para a mulher samaritana que Deus busca não adoração, mas adoradores que o adorem em espírito e em verdade (Jo 4.23,24). Deus não se impressiona com a pompa do nosso culto nem com a nossa performance diante dos homens. Ele busca a verdade no íntimo. Se a nossa vida não for de Deus e não estiver certa com Deus, o nosso culto será abominável aos olhos do Senhor. Deus não se agrada de rituais divorciados da vida. Culto sem vida é uma abominação aos olhos de Deus (Is 1.13,14; Am 5.21-23; Ml 1.10).

Em terceiro lugar, Caim usou a máscara da justiça própria ao prestar um culto a Deus com o coração cheio de ódio e inveja do seu irmão Abel. O apóstolo João ainda nos diz que Caim [...] era do Maligno e assassinou a seu irmão; e por que o assassinou? Porque as suas obras eram más, e as de seu irmão, justas (lJo 3.12). De nada adianta trazermos ofertas a Deus se o nosso coração é um poço de inveja e ódio. Nossa relação com Deus não pode estar certa se a nossa relação com os irmãos está quebrada. Antes de trazer nossa oferta ao altar, precisamos nos reconciliar com os nossos irmãos (Mt 5.23,24). Deusnão aceita as nossas ofertas se o nosso coração não é reto diante dele e está cheio de mágoas. Antes de Deus aceitar a nossa oferta, ele precisa aceitar a nossa vida. Não podemos separar o culto da vida. Nossas músicas serão apenas um barulho aos ouvidos de Deus se a nossa vida não estiver em sintonia com a sua vontade (Am 5.23). Deus vai rejeitar as ofertas de nossas mãos se não o honrarmos com nossas vidas e atitudes (Ml 1.10). As obras de Caim eram más porque o seu coração era mau. Ele era do Maligno. Ele não conhecia a Deus nem cultuava a Deus, cultuava a si mesmo. Ele afrontava a Deus oferecendo uma oferta errada, da forma errada, com a motivação errada. Ele queria enganar Deus e ganhar o status de adorador quando não passava de filho do Maligno.

Mas o apóstolo João nos informa, ainda, que a raiz do problema de Caim era a inveja. Em vez de imitar o seu irmão, ele se desgostou em ver Deus aceitando a oferta de Abel. Em vez de aprender com o seu irmão, ele quis eliminá-lo. A inveja de Caim levou-o a tapar os olhos e os ouvidos para o aprendizado. Ele se endureceu no seu caminho de rebeldia. Ele não apenas sentiu inveja, mas consumou o seu pecado, levando o irmão à morte. Ele não apenas odiou o seu irmão, mas o fez de forma sórdida. Odiou-o não pelo mal que este praticara, mas pelo bem; não pelos seus erros, mas pelas suas virtudes. A luz de Abel cegou Caim. As virtudes de Abel embruteceram Caim. A vida de Abel gestou a morte no coração de Caim. O culto de Caim, longe de aproximá-lo de Deus, afastou-o aindamais. O seu culto não passava de um arremedo, de uma máscara grotesca para esconder o seu coração invejoso, vaidoso e cheio de justiça própria.

Em quarto lugar, Caim usou a máscara da justiça própria ao rejeitar a exortação de Deus. Caim não apenas estava errado, mas não queria se corrigir. Assim dizem as Escrituras: Aconteceu que no fim de uns tempos trouxe Caim do fruto da terra uma oferta ao Senhor. Abel, por sua vez, trouxe das primícias do seu rebanho e da gordura deste. Agradou-se o Senhor de Abel e de sua oferta; ao passo que de Caim e de sua oferta não se agradou. Irou-se, pois, sobremaneira, Caim, e descaiu-lhe o semblante. Então, lhe disse o Senhor: Por que andas irado, e por que descaiu o teu semblante? Se procederes bem, não é certo que serás aceito? Se, todavia, procederes mal, eis que o pecado jaz à porta; o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo (Gn 4.3-7)

Caim não foi escorraçado por Deus ao trazer a oferta errada, com a vida errada e com a motivação errada. Deus o exortou. Deus lhe deu a oportunidade de mudar de vida. Caim teve a chance de se corrigir. Mas ele era muito orgulhoso para admitir os seus próprios erros. A máscara da justiça própria estava muito bem afivelada e engessada para ser arrancada. Ele preferiu o caminho da rebeldia e da desobediência. Longe de se arrepender, de tomar novo rumo, Caim deu mais um passo na direção do pecado. Em vez de virar as costas para o pecado, ele virou as costas para Deus.Vemos nesse texto alguns fatos dignos de nota: Primeiro, Deus está mais interessado em quem nós somos do que naquilo que fazemos.
Deus se agradou de Abel e da sua oferta, ao passo que de Caim e da sua oferta não se agradou. A vida vem antes do serviço. A verdade vem antes da adoração. A motivação é mais importante do que a ação. Segundo, a mesma verdade que dirige um endurece o outro. O mesmo sol que endurece o barro amolece a cera. Abel ouve a Palavra de Deus e cultua de acordo com o que ela ensina. Caim ouve a Palavra de Deus, mas a despreza e apresenta a Deus um culto estranho. A exortação de Deus em alguns produz endurecimento, e não quebrantamento. Caim, em vez de cair em si e arrepender-se, irou-se sobremaneira. Em vez de voltar-se para Deus, fugiu de Deus. Em vez de imitar o exemplo de Abel, matou o seu irmão. Terceiro, a Palavra de Deus em alguns não produz vida, mas morte. Caim, em vez de beber o leite da verdade para a restauração da sua vida, descaiu o seu semblante e entregou-se à ira invejosa e assassina.

Em quinto lugar, Caim usou a máscara da justiça própria ao intentar contra a vida do seu irmão. Caim pensou que o seu problema era o seu irmão, e não o seu próprio pecado. Ele pensou que a única maneira de ser aceito era eliminar do seu caminho a vida do irmão. Ele olhou para Abel não como alguém a imitar, mas como um rival a ser eliminado. Muitas vezes achamos que o nosso problema é o outro. As virtudes do outro nos afligem mais do que as nossas próprias fraquezas. O sucesso dos outros nos atormenta maisdo que o nosso próprio fracasso. A eliminação do outro nos recompensa mais do que a possibilidade da nossa aceitação.

Em sexto lugar, Caim usou a máscara da justiça própria ao manter as aparências de uma amizade genuína por Abel enquanto escondia um desejo perverso no coração. Assim diz o texto bíblico: Disse Caim a Abel, seu irmão: Vamos ao campo. Estando eles no campo, sucedeu que se levantou Caim contra Abel, seu irmão, e o matou (Gn 4.8). Caim era um vulcão efervescente de ódio por dentro, mas um mar plácido e calmo por fora. Ele tinha palavras aveludadas e um coração perverso. Palavras doces e um coração amargo. Amizade nos gestos e morte nos pensamentos. Ele enganou Abel, traiu seu irmão e o matou. Assassinou não um estranho, mas o seu próprio irmão, carne da sua carne, sangue do seu sangue. Eliminou não um inimigo, mas alguém achegado. Matou não porque Abel era perverso e mau, mas porque era piedoso e bom. Matou não porque era uma ameaça à sua vida, mas porque era um exemplo digno de ser imitado.

Em sétimo lugar, Caim usou a máscara da justiça própria ao tentar esconder o seu próprio pecado. Caim não levou a sério nem a Palavra de Deus nem o juízo de Deus. Ele pensou que seus atos estivessem fora do alcance de Deus. Ele não só pecou, mas tentou escapar das consequências do seu pecado. Ele não enxergava nada além da sua vaidade e justiça própria. Ele era o pai de uma geração que adorava o seu próprio eu, em vez do Deus vivo. Deus não apenas exortou Caim para não pecar, mas o confrontou depois de pecar: Disse o Senhor a Caim: Onde está Abel, teu irmão? Ele respondeu: Não sei; acaso sou eu tutor de meu irmão? E disse Deus: Que fizeste? A voz do sangue de teu irmão dama da terra a mim. Es agora, pois, maldito por sobre a terra... (Gn 4.9-11). Caim não apenas pecou, mas tentou esconder o seu pecado. Ele pensou que podia fugir de Deus e da sua justiça. Caim acabou colhendo o que buscava. Porque na sua insanidade espiritual preferiu fugir de Deus a obedecê-lo, o Senhor lavrou-lhe a sentença: ... serás fugitivo e errante pela terra (Gn 4.12). Ao ser confrontado por Deus, longe de arrepender- se, entregou-se à autocomiseração: Então, disse Caim ao Senhor: E tamanho o meu castigo, que já não posso suportá-lo (Gn 4.13). Caim é o protótipo daqueles que se retiram da presença do Senhor (Gn 4.16), e cuja descendência se afasta de Deus para mergulhar nas sombras espessas do pecado e da justiça própria.

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