sexta-feira, 18 de abril de 2014

Lição 4 – Dons de Poder

Dons de Poder - “A minha palavra e a minha pregação não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração do Espírito e de poder, para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria dos homens, mas no poder de Deus” (1 Co 2.4,5).

Paulo, maior intérprete do evangelho de Jesus Cristo, doutrinando através de sua Carta aos Romanos, declarou: “Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego” (Rm 1.16 — grifo nosso). Na época em que se tornou discípulo de Jesus, após sua dramática conversão, no caminho de Damasco, já havia muitos “evangelhos” estranhos, apócrifos, que pregavam “outro Jesus” (2 Co 11.4).
Mas o evangelho genuíno tinha que ser um evangelho que demonstrasse ao mundo que era a mensagem de Deus aos homens, através de sinais, prodígios e maravilhas, que o diferençava dos “outros evangelhos”.

Jesus, em seu ministério terreno, demonstrou que não viera trazer mais uma corrente filosófica para o mundo. As nações já conheciam as filosofias gregas, de Platão, Aristóteles, Heródoto, e outros. O Budismo, o Hinduísmo, o Xintoísmo e outras religiões dominavam

o Oriente. O Judaísmo era a religião consagrada na Palestina. Mas não se viam sinais de poder impactante e transformador na vida dos seus adeptos nem daqueles a quem pregavam seus ensinos. Mas Jesus começou, transformando “água em vinho” (Jo 2.10). Curou cegos, paralíticos, ressicados, lunáticos, e fez o que nenhum líder de religião fizera ou haveria de fazer: ressuscitou mortos, inclusive Lázaro, cujo corpo já entrara em estado de decomposição avançada (jo 11.43). O cristianismo apresentou-se como um movimento do Espírito Santo para a salvação de almas e libertação dos males resultantes do pecado.

Além de demonstrar o poder sobre as forças das enfermidades, Jesus demonstrou que tinha poder sobre as forças da natureza. Acalmou a tempestade, repreendendo o vento e o mar (Mt 8.23-27); andou por cima das águas e fez passar a tormenta (Mt 14.22-34). E, para provar que tinha suprema autoridade sobre todos os poderes, expulsou demônios, libertando os oprimidos do Diabo (Mt 8.28-34 e referências). A História da Igreja é uma história de pregação e de poder de Deus. Neste capítulo, meditaremos sobre os dons de poder, tão necessários à igreja, nestes tempos trabalhosos a que se referiu Paulo (1 Tm 3.1).

I - O DOM DA FÉ (1 Co 12.9)

1. SIGNIFICADO DE FÉ

A palavra fé (gr. pisteuó-, lat. Fides) “E a confiança que depositamos em todas as providências de Deus. E a crença de que Ele está no comando de tudo, e que é capaz de manter as leis que estabeleceu. E a convicção de que a sua palavra é a verdade”.1 A melhor definição de fé é enunciada pelo autor do livro aos Hebreus, que recebeu uma profunda inspiração para a descrição dessa virtude cristã; “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não veem” (Hb 11.1). Vemos, nessa definição, três elementos essenciais à fé:

1) Ela é fundamento ou base para a confiança em Deus;
2) Ela envolve a esperança ou expectativa segura do que se espera da parte de Deus;
3) Ela é “a prova das coisas que não se veem”, mas sáo esperadas, ou significa convicção antecipada.

2. A FÉ COMO DOM

É a capacidade concedida pelo Espírito Santo para o crente realizar coisas que transcendem à esfera natural, visando o benefício e a edificação da igreja. Podemos entender melhor o significado do dom da fé, através de declarações negativas em relação a outros tipos de fé. Não é a fé salvífica, que é despertada pela proclamação da Palavra de Deus (Rm 10.17; Ef 2.8); não é a fé como doutrina, que denota a permanência do crente, vivendo de acordo com a Palavra de Deus, ou a sã doutrina (2 Co 13.5); não é a fé como fruto do Espírito, que consiste nas virtudes, que devem ser cultivadas pelo crente, na comunhão com o Espírito Santo. Não é dada, é buscada e desenvolvida (G1 5.22); o dom da fé também não é a fé natural, que resulta da observação da natureza. Se tudo existe, de maneira organizada e com propósito, há pessoas que creem no Criador (Rm 1.19,20).

O dom da fé “Pode ser considerado como um dom especial da fé para uma necessidade particular. Alguns o definem como ‘a fé que remove montanhas’, trazendo manifestações incomuns ou extraordinárias do poder de Deus”.2 Esse dom é concedido, num momento especial, quando só um milagre resolve algo que não tem solução, no meio da igreja, ou na vida de um servo de Deus, que atende a seus propósitos. Podemos entender que esse dom foi usado por Moisés, quando o povo de Israel percebeu que Faraó estava no seu encalço após a saída do Egito. De um lado e do outro, as montanhas; pela frente, o Mar Vermelho; por trás o exército egípcio com carros e cavalos.

A resposta do líder do Êxodo foi uma demonstração de uma fé fora do comum. “Moisés, porém, disse ao povo: Não temais; estai quietos e vede o livramento do Senhor, que hoje vos fará; porque aos egípcios, que hoje vistes, nunca mais vereis para sempre. O Senhor pelejará por vós, e vos calareis” (Êx 14.13,14). Ele “viu” o livramento de Deus antes que acontecesse. Se tivesse falhado em sua fé, teria havido uma tragédia contra a sua liderança.

Vemos esse dom operando na vida de Daniel. Quando soube do decreto do rei, proibindo que alguém fizesse qualquer pedido ou súplica a qualquer pessoa ou a qualquer Deus, e não unicamente ao rei, seria lançado na cova dos leões famintos, Daniel continuou orando ao Senhor, como o fazia três vezes ao dia. Foi acusado pelos seus adversários, e foi lançado na cova dos leões. O próprio rei viu que Daniel tinha fé em seu Deus (Dn 6.16). Daniel foi salvo da morte (Dn 6.23).

Certamente, o exemplo do profeta Elias, diante dos profetas de Baal e de Asera, no Monte Carmelo, também envolveu o dom da fé. Ele fez um desafio aos profetas dos deuses falsos. Propôs que o Deus que respondesse com fogo seria o verdadeiro Deus. E Deus honrou sua fé, fazendo cair fogo do céu sobre o altar encharcado de água (1 Rs 18.22-39).

Em sua viagem a Roma, o apóstolo Paulo foi vítima de um grande naufrágio. Escapando na Ilha de Malta, ele e os demais náufragos foram acolhidos com hospitalidade. Ali, experimentou um milagre extraordinário. Ao colocar alguns pedaços de madeira numa fogueira, foi picado por uma cobra venenosa, conhecida na região. Os nativos logo imaginaram que Paulo iria perecer dentro de poucas horas, pois sabiam que o efeito do veneno era mortal. Mas o servo de Deus, simplesmente, sacudiu a mão e a víbora cai no fogo, e nada lhe aconteceu (At 28.1-6).

Esse dom da fé não se desenvolve. E concedido, em ocasiões especiais, para a resolução de algum problema insolúvel aos meios normais, racionais, ou naturais. E só é dado a quem já tem fé em Deus e em suas promessas. “Esse dom em ação gera uma atmosfera de fé, que dá convicção de que agora tudo é possível (cf. Jo 11.40-44; Mc 9.23). [...] Esse dom é um impulso poderoso à oração da fé (cf. Tg 5.17), pois impõe a certeza de que para Deus tudo é possível (cf. Lc 1.37; Mc 10.27).”3 Quando se diz que tudo é possível deve-se ter em mente que se tem em mente tudo o que é de acordo com a vontade de Deus.

II - DONS DE CURAR (1 CO 12.9)

Os dons de curar são recursos espirituais, de caráter sobrenatural, que atuam na cura de enfermidades físicas, psicossomáticas ou emocionais. Sua concessão à igreja deve-se ao fato de que Deus quer dar saúde a seu povo. No Antigo Testamento, Ele se manifestava ao povo de Israel como o “Jeová Rofeca”, ou “Jeová Rafá” — O Senhor que Sara (Êx 15.26; SI 103.3). São dons de grande valor na pregação do evangelho. As pessoas em geral são descrentes do poder de Deus. Mas, quando veem uma cura de impacto, como a cura de câncer, de diabetes, de paralisia, ou de doenças degenerativas, com Alzheimer, doença de Parkinson, e outras, são compelidas a ter sua fé despertada para o poder de Deus em suas vidas. Milagres de cura, sem transformação de vidas, pelo poder do evangelho de Cristo, tornam-se apenas elementos de “shows” para glorificação do pregador. Mas quando as curas contribuem para a glorificação a Deus, têm grande valor para a divulgação do evangelho.

E promessa de Jesus à sua igreja a delegação de poder para curar enfermidades, como parte da missão de pregar o evangelho (Mc 16.15-18 ).

Como os sinais devem seguir “aos que crerem”, pode-se entender que pode haver curas, ministradas por uma pessoa, que não tem o dom ou dons de curar. Num momento, um evangelizador, num hospital, ou em outro lugar, pode dizer para um doente: “Em nome de Jesus seja curado”, e o enfermo levantar-se sadio para glória do Senhor. No entanto, no meio da congregação local, em qualquer lugar, é necessário que se busquem os dons de curar, que poderão ser usados, em momentos ou situações em que Deus queira manifestar o seu poder curador, para glória de Jesus Cristo.

É interessante notar que todos os outros dons estão no singular. Mas os dons de curar estão no plural. Não há, portanto, um “dom de curar”, mas uma variedade deles. Os estudiosos não são unânimes na interpretação desse assunto. Há quem acredite que um crente, que possui tais dons, tenha capacidade para curar qualquer enfermidade. A pluralidade dos dons de curar parece indicar que há pessoas que têm o dom de orar por determinadas enfermidades; e outras, para orar por outros tipos de doenças.

Stanley Horton diz “que ninguém pode dizer: ‘Eu tenho o dom de curar’, como se este dom pudesse ser possuído e ministrado ao bel-prazer da pessoa. Cada cura necessita de um dom especial, não à pessoa o dom, mas por meio daquela pessoa para o indivíduo doente, de forma que Deus receba toda a glória. Ele é quem cura (At 4.30)”.4 Infelizmente, o que se vê, em muitos programas de TV, de determinadas igrejas, é o endeusamento do pastor, do bispo ou apóstolo, que ministra curas de maneira cotidiana. Não ousamos dizer que pessoas não são curadas, em tais igrejas. Mas a exaltação do ministrante de curas ofusca a glória que só pertence a Deus.

Diz Boyd acerca desses dons: “Não concordamos com a opinião de que este dom garante a libertação do enfermo, independente da soberania divina ou das condições espirituais e morais do enfermo”.5 De fato, há ensinos heréticos, desde o século passado, no seio de igrejas evangélicas, notadamente das neopentecostais, que entendem que o possuidor do dom ou dos dons de curar têm poderes ilimitados. Não é bem assim. Se uma pessoa está doente, pode buscar a cura, através da oração da fé. No entanto, Deus não está obrigado a atender todos os pedidos ou súplicas pela cura de nenhuma pessoa. Pr. Eurico Bergstén corrobora esse entendimento, quando afirma: “Esse dom não significa uma capacidade de curar quando e como a pessoa quer, porém é sempre uma transmissão de poder do Espírito Santo. Por isso, é indispensável que o portador do dom esteja ligado a Cristo e siga a sua direção...”.6

E desejável que os crentes em Jesus procurem “com zelo os melhores dons” (1 Co 12.31). Certamente, os dons de curar são muito necessários, num mundo em que as enfermidades têm-se multiplicado assustadoramente, a despeito dos notáveis avanços da medicina. Esses dons são recursos especiais à disposição da igreja do Senhor Jesus Cristo, para, sob a soberania de Deus, e segundo a fé, os crentes sejam beneficiados com a cura das enfermidades físicas ou emocionais.

III - Operação de Milagres d Co 12.10)

Milagres (gr. sêmeion) são a intervenção sobrenatural na ordem normal da natureza. O dom de milagres provoca “o desprendimento da energia divina, a fim de operar grandes mudanças na ordem natural das coisas. Um milagre é uma manifestação de poder sobrenatural no reino natural”.7 Esse dom também é chamado de dom de operação de maravilhas (gr. energemata dunameõn). Desses termos gregos derivam as palavras “energia” e “dinamite”. São palavras plurais, no idioma original. Isso dá a entender que pode haver uma variedade enorme de milagres, operados pelo poder do Espírito Santo.

Assim como a dinamite explode rochas consideradas impenetráveis, o dom de milagres anula a ordem natural das coisas. Muitas vezes, é uma verdadeira explosão do poder de Deus, no mundo natural ou na esfera espiritual. Na travessia do Mar Vermelho, temos um exemplo extraordinário de um milagre, operado por Deus. O povo de Israel, com cerca de 3 milhões de pessoas, jamais teria condições de adentrar as águas à sua frente, acossado pelo exército de Faraó. Mas Deus fez o impossível, alterando o curso dos elementos da natureza. “Então, Moisés estendeu a sua mão sobre o mar, e o Senhor fez retirar o mar por um forte vento oriental toda aquela noite; e o mar tornou-se em seco, e as águas foram partidas. E os filhos de Israel entraram pelo meio do mar em seco; e as águas lhes foram como muro à sua direita e à sua esquerda” (Ex 14.21,22).

Em meio a uma grave crise climática, em Israel, uma viúva clamou ao profeta Eliseu para que seus dois filhos não fossem levados cativos para pagar dívidas deixadas pelo seu esposo. Eliseu indagou o que ela tinha em casa, e, em resposta, a mulher disse que só tinham “uma botija de azeite” (2 Rs 4.2). Algo como meio litro ou um pouco mais. Mas isso não significava nada diante do grande problema da dívida que a mulher tinha que pagar, para não perder a guarda de seus dois filhos. A ordem normal das coisas, à luz dos costumes e leis de seu tempo, exigia que ela entregasse os filhos ao credor.

Mas a fé do profeta ultrapassou os limites do plano natural e, confiando em Deus, disse à mulher que conseguisse muitos vasos com seus vizinhos, e os enchesse com aquela pequena quantidade de azeite. A mulher obedeceu ao profeta, e presenciou, com seus filhos um milagre extraordinário. À proporção que derramava o azeite nas vasilhas, o azeite aumentava. Aquilo que parecia ser o fim, foi o começo de um novo tempo na vida daquela pobre viúva. O profeta de Deus disse: “Então, veio ela e o fez saber ao homem de Deus; e disse ele: Vai, vende o azeite e paga a tua dívida; e tu e teus filhos vivei do resto” (2 Rs 4.7). O gravíssimo problema só teve solução mediante a intervenção do poder de Deus na ordem social e econômica daquela família.

O fenômeno em que o sol se deteve por quase um dia inteiro, para que Josué pudesse vencer os amorreus, é um exemplo típico de um milagre ou de maravilha operada por Deus envolvendo seus servos. Pelas leis da mecânica celeste, o sol se põe, no final da tarde, ou “se põe”, como se diz na linguagem figurada. Mas, se a noite caísse, Israel não teria condições de vencer os poderosos exércitos inimigos. Tal situação exigia uma ação de emergência. E Josué, o líder da tomada da terra prometida, pôs sua fé em ação, e confiou em Deus, ao determinar que o Sol se detivesse em Gibeão, e a lua se detivesse, no vale de Aijalom. 

Diz a Bíblia que, contrariando todas as leis da mecânica celeste, houve um fenômeno jamais visto: “E o sol se deteve, e a lua parou, até que o povo se vingou de seus inimigos. Isso náo está escrito no Livro do Reto? O sol, pois, se deteve no meio do céu e não se apressou a pôr-se, quase um dia inteiro. E náo houve dia semelhante a este, nem antes nem depois dele, ouvindo o Senhor, assim, a voz de um homem; porque o Senhor pelejava por Israel” (Js 10.13,14). Esse fato tem causado críticas na mente dos incrédulos, pois imaginam que tal relato não passa de uma lenda judaica. Tal visão é compreensível, pois os críticos usam o pensamento racional, lógico, natural. Enquanto o milagre é sobrenatural, fora da lógica e da humana. Deus não está sujeito às leis da natureza. Quando Ele quer, suspende seus efeitos e cumpre os seus propósitos para o seu povo, ou para um servo seu.

Quem mais operou milagres foi Jesus. Após ministrar sua palavra, Jesus entrou no barco com seus discípulos, acompanhado de outros barquinhos. Inesperadamente, levantou-se, no mar, um grande temporal de vento, provocando ondas que cobriam o barco. Talvez pelo cansaço da jornada, Jesus estava repousando na popa da embarcação, enquanto seus discípulos enfrentavam a tormenta. “E ele estava na popa dormindo sobre uma almofada; e despertaram-no, dizendo-lhe: Mestre, não te importa que pereçamos? E ele, despertando, repreendeu o vento e disse ao mar: Cala-te, aquieta-te. E o vento se aquietou, e houve grande bonança” (Mc 8.38,39). Nenhum homem, até hoje, teve o poder de falar ao vento e ao mar, na tempestade, e os elementos da natureza ouvirem a sua voz. Mas Jesus mostrou, mais de uma vez, que tem poder sobre a natureza, que Ele mesmo criou (Jo 1.3).

O mais terrível inimigo do homem, em sua condição humana, é a morte (1 Co 15.26). E decreto divino, por causa do pecado (Gn

2.17). O homem nasce, desenvolve-se e morre. É o curso natural da existência biológica. Uns morrem mais cedo; outros, mais tarde. Mas Jesus, o criador, doador e Senhor da vida, pode, quando Ele quer, interromper esse curso da natureza humana. Em seu ministério, Jesus demonstrou seu poder sobre a morte física. Ele ressuscitou o filho único de uma viúva, de Naim, quando o féretro já estava a caminho do cemitério (Lc 7.11-16).

Jesus ressuscitou a filha de Jairo, que falecera fazia pouco tempo (Mc 5.22-24). Alguém poderia alegar, em sua mente racionalista, que a menina experimentara apenas um estado cataléptico, ou sono profundo e passageiro. Mas para que não pairassem dúvidas sobre o poder sobrenatural de Cristo sobre a morte, Ele se deixou demorar onde se encontrava, ao receber a notícia de que Lázaro, seu amigo, de Betânia, estava muito enfermo. Em seguida, ele cientifica aos discípulos de que Lázaro houvera morrido. Ao chegar em Betânia, já fazia quatro dias do seu falecimento. Não havia a mínima condição para reverter aquela situação, pois o corpo do defunto já estava sofrendo os efeitos da decomposição. Mas para Jesus, nada é impossível (Lc 1.37).

Após consolar a família, Jesus se dirigiu ao túmulo, mandou que fizessem o que as pessoas poderiam fazer naturalmente, tirando a pedra que fechava a entrada da sepultura (Jo 11.43-45). Completando a demonstração real de que a morte não vence o autor da vida, Jesus ressuscitou, após três dias na sepultura, cumprindo o que Ele predissera para seus discípulos (Lc 24.1-8).

Se é a vontade de Deus, e motivo para glorificação ao seu nome, ele pode conceder autoridade a qualquer de seus servos para operar milagres extraordinários. No entanto, quando o pregador, por permissão de Deus, opera milagres para sua promoção pessoal, de seu ministério ou da igreja a que pertence, resta a dúvida se aquele milagre foi de Deus ou de outra origem. Pior ainda, quando o operador de milagres o faz, visando obter ganhos financeiros e enriquecimento pessoal. Isso não glorifica a Deus. É procedimento lastimável, suscetível do juízo de Deus no momento próprio.

Conclusão

Nestes tempos trabalhosos a que se refere Paulo (2 Tm 3.1), a igreja cristã está sendo submetida aos piores ataques de sua história. Nos seus primórdios, houve ataques dos impérios humanos, e ela resistiu, e venceu; venceu os ataques das heresias, do gnosticismo, do arianismo e de outras falsas doutrinas. No século passado, enfrentou o ataque dos sistemas ditatoriais, como o nazismo e o comunismo. Nos dias presentes, persistem os ataques dos falsos ensinos, que só podem ser derrotados com a verdade da Palavra de Deus. Nos últimos anos, estão se fortalecendo os ataques do materialismo, através dos poderes das nações, dos governos, políticos e magistrados, que aprovam leis infames contra a Palavra de Deus e a Igreja de Cristo. São as “portas do inferno”, em suas últimas investidas contra o evangelho. Elas não prevalecerão, como Cristo afirmou. Mas a igreja precisa demonstrar, de modo incisivo, que dispõe de recursos sobrenaturais para cumprir sua missão na terra. Os dons de poder fazem parte do arsenal espiritual que garante a vitória da Igreja contra as hostes do mal.

1 ANDRADE, Claudionor de. Dicionário de teologia, p. 132.
2 M. HORTON, Stanley. I e II Coríntios — Os problemas da igreja e suas soluções, p. 115.
3 BERGSTÉN, Eurico. Teologia Sistemática, p. 112.
4 HORTON, Stanley M. I e II Coríntios — Os problemas das igrejas e suas soluções, p. 116.
5 BOYD, Frank M. Cartas aos coríntios, p. 66.
6 BERGSTÉN, Eurico. Teologia Sistemática, p. 112.
7 BOYD, Frank M. Cartas aos coríntios, p. 66.
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