domingo, 20 de julho de 2014

A fé verdadeira e a fé falsa - Referência: Tiago 2.1-26

INTRODUÇÃO
1. Tiago capítulo 2 é um dos textos mais importantes da Bíblia. Muitos estudiosos da Bíblia não conseguiram entendê-lo. Lutero pensou que Tiago estivesse contradizendo Paulo (Rm 3:28 – Tg 2:24; Rm 4:2-3 – Tg 2:21). Logo, Lutero chamou Tiago de carta de palha.
2. Mas será que Tiago está contrazendo Paulo? Absolutamente não. Paulo falou que a causa da salvação é a justificação pela fé somente. Tiago diz que a evidência da salvação são as obras da fé. Paulo olha para a causa fala da fé. Tiago olha para a consequência e fala das obras. Paulo deixa isso claro em Efésios 2:8-10.
3. Calvino dizia que a salvação é só pela fé, mas a fé salvadora não vem só. Ela se evidencia pelas obras. A questão levantada por Paulo era: “Como a salvação é recebida?” A resposta é: “Pela fé somente”. A pergunta de Tiago era: Como essa fé verdadeira é reconhecida?” A resposta é: Pelas obras!
4. Assim, Tiago e Paulo não estão se contradizendo, mas se completando. Somos justificados diante de Deus pela fé, somos justificados diante dos homens pelas obras. Deus pode ver a nossa fé, mas os homens só podem ver as nossas obras.

I. A FÉ TESTADA – V. 1-13

Tiago falou que nascemos da Palavra (1:18), ouvimos a Palavra (1:19), acolhemos a Palavra (1:21), mas devemos também praticar a Palavra (1:23). Ouvir a Palavra e falar a Palavra não substitui o praticar a Palavra. Apenas ter uma confissão de fé ortodoxa não substitui o praticar a Palavra.

Tiago mostra que a maneira como nos comportamos com as pessoas indica o que realmente nós cremos sobre Deus. Não podemos separar relacionamento humano de comunhão divina (1 Jo 4:20).

Neste parágrafo Tiago diz que nós podemos testar a nossa fé pela maneira como nós tratamos as pessoas.

1. A divindade de Cristo – v. 1-4

Tiago diz que a fé verdadeira é conhecida pelo relacionamento imparcial com as pessoas. Dois visitantes entram na igreja: um rico e outro pobre. Oferecer maiores privilégios ao rico e desprezar o pobre é negar a nossa fé no Senhor da glória. Jesus não valorizava as pessoas pela cor da pele, pela beleza das roupas, pelo dinheiro. Jesus não julgava as pessoas pela aparência (Mt 22:16).

Ele sendo o Senhor da glória se fez pobre e não julgou as pessoas pela aparência. Para acolheu os ricos e os pobres; os religiosos e os publicanos; os doentes e as crianças; os israelitas e os gentios. Sua palavra para nós é não julgarmos as pessoas pela aparência (Jo 7:24).

2. A graça de Deus – v. 5-7

A ênfase de Tiago é sobre a soberana escolha de Deus. A salvação não está baseada em mérito humano nem mesmo em nossas obras. A salvação não é nem comprada nem merecida (Ef 1:4-7; 2:8-10). Deus ignora diferenças nacionais (salvou Cornélio). Ele ignora diferenças socias (salva senhores e escravos – Filemon e Onézimo).

A escolha divina não está baseada no que a pessoa tem (1 Co 1:26-27). É possível uma pessoa ser pobre neste mundo e rica no vindouro. Ser rica neste mundo e pobre no vindouro (1 Tm 6:17-18). Devemos tratar as pessoas como Deus as trata e não de acordo com o status social.

3. A Palavra de Deus – v. 8-11

A essência da lei de Deus é o amor ao próximo como a nós mesmos. A questão não é quem é o meu próximo, mas quem eu posso ser o próximo? O amor é o cumprimento de toda a lei. Amar é tratar as pessoas como nos trata. O sacerdote e o levita tinham uma fé ortodoxa. Eles serviam no templo. Mas eles falharam em viver a fé, amando o próximo. A fé era ortodoxa, mas estava morta.

Quem não ama é transgressor da lei. E se tropeçarmos num único ponto, somos culpados da lei inteira.

4. O julgamento de Deus – v. 12-13

A nossa fé será finalmente provada no dia do juízo. E o que será julgado? 1. Nossas palavras – Palavras de acepção (2:3), palavras de desprezo (2:6), palavras frívolas (Mt 12:36); 2. Nossas atitudes serão julgadas – Quando não de misericórdia com as pessoas, estamos negando a nossa fé e atraindo sobre a nossa cabeça o juízo de Deus (2:13).

Precisamos estar seguros de que praticamos as doutrinas que defendemos. O profeta Jonas tinha uma maravilhosa teologia, mas ele odiou as pessoas e estava irado com Deus (Jn 4).

II. A FÉ MORTA – V. 14-17

A fé é uma doutrina chave no Cristianismo. O pecador é salvo pela fé (Ef 2:8-9). O justo vive pla fé (Rm 1:17). Sem fé é impossível agradar a Deus (Hb 11:6). Tudo o que é feito sem fé é pecado (Rm 14:23).

Em Hebreus 11 encontramos a galeria da fé, onde homens e mulheres creram em Deus e viveram e morreram pela fé. Fé a confiança de que a Palavra de Deus é verdadeira não importa as circunstâncias.

Qual é o tipo de fé que salva uma pessoa? Nem todas as pessoas que dizem crer em Jesus estão salvas (Mt 7:21).

Quais são as características de uma fé morta?

1. É uma fé divorciada da prática da piedade

É um erro pensar que apenas recitar ou defender um credo ortodoxo faz de uma pessoa um cristão. Assentimento intelectual apenas não é fé salvadora. A fé que não produz vida, que não gera transformação é uma fé espúria (Mt 7:21).

Ilustração. O pastor que foi confrontado pelo seu adultério e ele respondeu: E daí, se eu estou cometendo adultério? Eu prego melhores sermões do que antes. Esse homem estava dizendo que enquanto ele acreditasse e pregasse doutrinas ortodoxas, não importa a vida que ele leva. Mas Tiago ataca esse tipo de pensamento.

As igrejas estão cheias de pessoas que dizem que crêem, mas não vivem o que crêem. Isso é fé morta.

2. É uma fé meramente intelectual

A pessoa consente com certas verdades, mas não é mudada por elas. No verso 14 Tiago pergunta: “Pode, acaso, semelhante fé salvá-lo?”. Quando semelhante ele está falando de um certo tipo de fé, ou seja, a fé apenas verbal em oposição à fé verdadeira. Ainda no verso 14 ele pergunta: “Meus irmãos, qual é o proveito, se alguém disser que tem fé, mas não tiver obras?” A fé aqui descrita existe apenas na base da pretensão. A pessoa diz que tem fé, mas na verdade não tem.

As pessoas com uma fé morta substituem obras por palavras. Eles conhecem as doutrinas, mas eles não praticam a doutrina. Eles têm discurso, mas não têm vida. A fé está apenas na mente, mas não na ponta dos dedos.

3. É uma fé ineficiente

Tiago dá dois exemplos para ilustrar a fé morta (2:15-16). Um crente vem para a igreja sem roupas próprias e sem comida. Uma pessoa com uma fé morta vê essa situação e não faz nada para resolver o problema do irmão necessitado. Tudo o que ele faz e falar algumas palavras piedosas (2:16).

Comida e roupa são necessidades básicas (1 Tm 6:8; Gn 28:20). Como crentes devemos ajudar a todos e principalmente aos domésticos da fé (Gl 6:10). Seremos julgados por esse critério (Mt 25:40). Deixar de ajudar o necessitado é fechar o coração ao amor de Deus (1 Jo 3:17-18). O sacerdote e o levita podiam pregar sobre sua fé, mas não demonstraram a sua fé (Lc 10:25-37).

John Calvin disse: “É só a fé que justica, mas a fé que justica jamais vem só”.

4. É uma fé inútil

A fé sem obras é inoperante (2:20). Se uma fé é inútil de forma geral, ela também o é no caso da salvação!

5. É uma fé incompleta

Tiago diz que a fé sem as obras está incompleta (2:22), visto que são as obras que consumam a fé. As obras são a evidência da fé. Somos salvos pela fé para as obras (Ef 2:8-10). Se não tem obras, não tem fé!

6. É uma fé morta

Tiago é claro em afirmar que a fé sem as obras está morta (2:17; 2:26) e uma fé morta não salva ninguém. Essa fé intelectual, inútil, incompleta e morta não salva ninguém. Ortodoxia sem piedade produz morte.

III. A FÉ DEMONÍACA – V. 19

A fé morta é uma fé que atinge apenas o intelecto. A fé dos demônios atinge o intelecto e também as emoções. Os demônios têm um estágio mais avançado de fé que muitos crentes. A fé dos demônios não é apenas intelectual, mas também emocional. Eles crêem e tremem!

Crer e tremer não é uma experiência salvadora. Você não conhece uma pessoa salva pelo conhecimento que ela adquire nem pelas emoções que ela demonstra, mas pela vida que ela vive (2:18).

No que os demônios crêem?

1. Os demônios crêem que Deus é um só

Os demônios crêem na existência de Deus. Eles não são nem ateístas nem agnósticos. Eles crêem na “shemma judaico”: OUVE Ó ISRAEL, O SENHOR NOSSO DEUS É O ÚNICO SENHOR. Mas essa crença dos demônios não pode salvá-los.

2. Os demônios crêem na divindade de Cristo

Os demônios corriam para ajoelhar diante de Cristo para adorá-lo (Mc 3:11-12). Eles sabiam quem era Jesus. Eles se prostravam aos pés do Senhor Jesus.

3. Os demônios crêem na existência de um lugar de penalidades eternas

Eles sabem que o inferno foi criado para o diabo e seus anjos. Eles sabem que o inferno é destinado para todos aqueles cujos nomes não forem encontrados no Livro da Vida. Eles não negam a existência do inferno (Lc 8:31). Eles crêem nas penalidades eternas.

4. Os demônios crêem que Cristo é o supremo Juiz que os julgará

Os demônios sabem que terão que comparecer diante de Cristo, o supremo juiz. Eles crêem no julgamento final. Eles crêem que todo joelho vai ter que se dobrar diante de Cristo.

IV. A FÉ SALVADORA – V. 20-26

A fé salvadora pode ser sintetizada em três palavras: notitia (conteúdo), assensus (concordância), fiducia (confiança): conteúdo, concordância e confiança. A fé verdadeira inclui o intelecto, as emoções e a vontade. O conteúdo da fé é a verdade de Deus. Eu recebo essa verdade e confio nela e por ela sou transformado.

Como Tiago descreve a fé verdadeira?

1. A fé salvadora está baseada na Palavra de Deus

Tiago cita dois exemplos: Abraão em Raabe. Duas pessoas totalmetne diferentes: Abraão o amigo de Deus, Raabe membro dos inimigos de Deus. Abraão, piedoso, Raabe prostitua; Abraão um judeu, Raabe uma gentia. O que tinham de comum? Ambos confiaram na Palavra de Deus.

A questão não é a fé, mas o objeto da fé. Não é fé na fé. Não é fé nos ídolos. Não é fé nos ancestrais. Não é fé na confissão positiva. Não é fé nos méritos. É fé em Deus e na sua Palavra.

A fé está baseada num conjunto de verdades. A fé está estribada em Deus e na sua Palavra. Não é fé em subjetividades, mas fé na Palavra.

2. A fé salvadora envolve todo o ser humano

A fé morta toca apenas o intelecto. A fé dos demônios toca o intelecto e também as emoções. Mas a fé salvadora atinge o intelecto, as emoções e também a vontade. A mente entende a verdade, o coração deseja a verdade e a vontade age com base na verdade.

3. A fé salvadora conduz à ação

Tiago cita dois exemplos de fé que produziu ação.

O exemplo de Abraão. Gênesis 15:6 diz que Abraão creu e isso lhe imputado para justiça. Gn 22:1-19 mostra a obediência de Abraão em oferecer o seu filho para Deus, crendo que Deus poderia ressuscitá-lo (Hb 11:19). Abraão não foi salvo por obedecer esse difícil mandamento. Sua obediência provou que ele já era salvo. Abraão não foi salvo pela fé mais as obras, mas pela fé que produz obras.

Como então, Abraão foi justificado pelas obras, uma vez que já tinha sido justificado pela fé (Gn 15:6; Rm 4:2-3)? Pela fé ele foi justificado diante de Deus e sua justiça foi declarada. Pelas obras ele foi justificado diante dos homens e sua justiça foi demonstrada. A fé do patriarca Abraão foi demonstrada pelas suas obras.

Hoje, muitos professam crer em Deus, mas o negam por suas obras (Tt 1:16; 3:8).

O exemplo de Raabe. Raabe creu e agiu. Ela ouviu a Palavra de Deus e reconheceu que estava numa cidade condenada. Ela não somente entendeu a mensagem e sentiu o seu coração tocado (Js 2:11), mas fez alguma coisa: protegeu os espias (Hb 11:31). Ela arriscou a sua própria vida para proteger os espias. Mais tarde ela fez parte do povo de Deus (Mt 1:5) e tornou-se membro da genealogia de Cristo. Isso é graça que opera a fé salvadora.

CONCLUSÃO

Paulo diz que do mesmo jeito que somos destinados para a salvação, somos também destinados para as boas obras. Se a ordenação é determinativa no caso da salvação, também o é no caso das boas obras.

A salvação é só pela fé, mas por uma fé que não está só. Uma fé viva se expressa por obras, ou seja, uma vida que traz glória a Jesus.

Paulo ainda nos exorta a um auto-exame: “Examinai-vos a vós mesmos se realmente estais na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não reconheceis que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados” (2 Co 13:5).

a) Houve um tempo que sinceramente reconheci o meu pecado diante de Deus?

b) Houve um tempo em que meu coração fortemente desejou fugir da ira vindoura?

c) Houve um tempo em que compreendi que Cristo morreu pelos meus pecados e já confessei que não posso salvar-me a mim mesmo?

d) Houve um tempo em que sinceramente eu me arrependi dos meus pecados?

e) Houve um tempo em que realmente eu depositei a minha confiança no Senhor Jesus?

f) Houve um tempo em que de fato houve mudança em minha vida?

g) Desejo eu viver para a glória de Deus, pregar a salvação para os outros e ajudar os necessitados?

h) Tenho eu prazer na intimidade de Deus?

i) Estou preparado para a segunda vinda de Cristo?
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